Stuart Oda
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Se vivem no planeta Terra e, tal como os 7000 milhões de pessoas, comem todos os dias, precisam de estar atentos porque, nos próximos 30 anos, vão ter de resolver un dos problemas mundiais mais críticos da nossa geração. Não estou a falar da mudança climática. Estou a falar da comida e da agricultura.

Prevê-se que a população mundial vá chegar a 9800 milhões, em 2050, e 68% da população viverá em centros urbanos. Para alimentar esta população enorme, temos de aumentar a produção agrícola em mais 70% do nível atual. Vamos pôr este número em perspetiva. Nos próximos 35 a 40 anos, precisamos de produzir mais alimentos do que nos 10 000 anos anteriores, em conjunto.

Por outras palavras, a nossa população, para além de aumentar também está a ficar mais densa e precisaremos de produzir muito mais alimentos, usando significativamente menos terras e menos recursos. Para complicar os nossos esforços atuais para resolver estas mudanças demográficas há os problemas que a indústria agrícola atual enfrenta.

Globalmente, desperdiçamos um terço de toda a comida que produzimos, ou seja, 1600 milhões de toneladas de alimentos que se estragam a caminho dos supermercados ou perdem o prazo de validade nos nossos frigoríficos ou é deitada fora nos supermercados e restaurantes no final do dia. Todos os anos, mais de 600 milhões de pessoas ficam doentes por comerem alimentos contaminados, realçando a dificuldade que temos em manter a segurança alimentar mundial. Talvez não seja surpreendente que a indústria agrícola é o maior consumidor de água potável contribuindo com 70% do consumo mundial

Podem sentir-se aliviados ao saberem que a indústria agrícola e o movimento mundial de universidades, de empresas e de OGN estão a trabalhar numa investigação abrangente e a desenvolver uma tecnologia nova para resolver todos estes problemas. Muitas delas têm vindo a fazer isso há décadas. Mas uma das inovações mais recentes na produção de alimentos que está a ser desenvolvida em parques industriais nos EUA, nos centros urbanos da Ásia e até nos desertos áridos do Médio Oriente, é agricultura de ambiente controlado.

A agricultura de ambiente controlado é uma forma elegante de referir o cultivo resistente às intempéries ou ao clima e muitas destas explorações produzem alimentos em 3D, em prateleiras verticais, em oposição às explorações convencionais de duas dimensões. Este tipo de produção de alimentos também é conhecido por agricultura vertical de interior.

Eu tenho estado envolvido na agricultura vertical de interior nos últimos cinco anos e meio, desenvolvendo tecnologias para a produção de alimentos de forma mais eficaz e mais barata. Esta foto foi tirada do lado de fora de um contentor marítimo desativado que transformámos numa quinta vertical e depois colocámos no centro e no calor de Dubai.

A agricultura vertical de interior é um fenómeno relativamente recente, em termos comerciais, porque o consumidor está a preocupar-se mais com a segurança alimentar e com o local de onde provém a sua comida e também porque a tecnologia necessária para tornar isto possível está mais acessível e a um custo mais baixo e o custo genérico da produção mundial de alimentos está a aumentar, tornando este tipo de produção mais competitivo.

Assim, se quiserem construir uma quinta vertical de interior, precisarão de substituir alguns dos elementos convencionais da agricultura por substitutos artificiais, a começar pela luz do Sol. Nas quintas verticais de interior, a luz natural do Sol é substituída por luz artificial, como as LED. Embora se estejam a usar muitos tipos diferentes de LED, aquele que decidimos instalar aqui chama-se "LED de espetro total", que foi otimizado para o tipo de vegetais que estamos a cultivar. Para maximizar a produção num determinado espaço, as quintas verticais de interior também utilizam sistemas de prateleiras para cultivar vegetais na vertical. Algumas das maiores instalações empilham a sua produção em 14 a 16 prateleiras de altura.

A maioria destas quintas são sistemas hidropónicos ou aeropónicos, o que significa que, em vez de usarem terra, usam um material substituto, como as esponjas de poliuretano, o musgo biodegradável de turfeiras e até usam materiais inorgânicos como a perlite e os grânulos de barro. Outros aspetos únicos destas quintas é que usam uma fórmula de nutrientes rigorosa que é circulada e reciclada por toda a instalação e que é injetada diretamente na zona das raízes dos vegetais para estimular o crescimento das plantas. Por fim, estas quintas utilizam um sofisticado sistema de controlo e automação para aumentar significativamente a produtividade, a eficiência e a consistência. Todos estes instrumentos proporcionam um benefício acrescido de produzir alimentos mais rastreáveis e seguros.

Alguns dos benefícios óbvios de cultivar alimentos deste modo é a produção de vegetais ao longo de todo o ano, temos uma qualidade consistente e temos resultados previsíveis. Alguns dos outros benefícios principais incluem a eficácia significativa da utilização de recursos, em especial da água. Por cada quilograma de vegetais produzidos deste modo economizam-se centenas de litros de água em comparação aos métodos convencionais. Economizando a água também se economiza o uso de fertilizantes. Uma das quintas de mais alta produção produz 350 vezes mais alimentos por m2 do que uma quinta convencional. O facto de ser à prova das intempéries significa um total controlo de contaminantes e pragas, o que elimina totalmente a necessidade do uso de pesticidas químicos. E, para ser claro, estas quintas podem produzir enormes quantidades de alimentos. Uma das maiores instalações produz 30 000 pés de vegetais por dia.

Mas, tal como com qualquer nova tecnologia ou inovação, também há alguns inconvenientes. Como devem imaginar, cultivar alimentos deste modo tem um alto custo em energia. Estas quintas não podem produzir grande variedade de vegetais comerciais e o custo genérico da produção ainda é bastante elevado.

Para resolver estes problemas, algumas das maiores e mais sofisticadas quintas estão a fazer grandes investimentos a começar na eficiência energética. Para reduzir o alto consumo de energia há tentativas de desenvolver LED de alta eficiência, desenvolver "lasers" otimizados para o cultivo de plantas e até se podem usar cabos de fibra ótica, como estes, para canalizar a luz do sol diretamente numa quinta vertical de interior durante o dia, reduzindo a necessidade da iluminação artificial.

Para reduzir os custos de mão-de-obra associados à contratação de mão-de-obra mais sofisticada mais urbana e mais especializada, está a usar-se a robótica em instalações de grande dimensão. Nunca podemos ser demasiado eficientes em recursos. A criação de quintas verticais de interior em centros urbanos ou à volta deles pode ajudar a reduzir a cadeia de abastecimento agrícola e ajudar a manter o conteúdo nutritivo de vegetais. Também há desertos alimentares em muitos países que têm pouco ou nenhum acesso a vegetais nutritivos e, quando esta indústria amadurecer, tornar-se-á possível proporcionar um acesso mais justo a vegetais de alta qualidade e altamente nutritivos, mesmo nas comunidades mais desfavorecidas.

Por fim, e isto, para mim, é extremamente apaixonante, a agricultura vertical de interior pode ser integrada harmoniosamente na paisagem da cidade, reutilizando infraestruturas urbanas pouco utilizadas ou não utilizadas. Isto já está a acontecer hoje. Os serviços de transportes eliminaram milhares de carros das estradas e reduziram significativamente a necessidade de estacionamentos.

Isto é uma quinta que instalámos no centro de Pequim num parque de estacionamento subterrâneo pouco utilizado para cultivar vegetais para os hotéis vizinhos. As infraestruturas pouco utilizadas não se limitam a projetos de engenharia civil de grande escala e também podem incluir espaços restritos como cantos desocupados de restaurantes Este é um exemplo duma quinta que instalámos diretamente num canto da entrada dum hotel para cultivar ervas aromáticas frescas e microvegetais para os "chefs". Sinceramente, se olharmos à nossa volta, encontraremos espaços pouco utilizados por toda a parte por baixo, à volta e dentro de desenvolvimentos urbanos. Esta é uma quinta que instalámos num canto vazio de um escritório para cultivar vegetais para os empregados dos cafés vizinhos.

Comecei a fazer parte de todos estes projetos e a trabalhar na indústria agrícola para melhorar o acesso e a viabilidade a produtos frescos e nutritivos, de toda a gente em toda a parte. Isto tem sido a minha maior alegria e também o maior desafio intelectual que já fiz.

Agora que vos convenci que a agricultura pode ser sensual, ficarão surpreendidos e chocados ao saberem que ainda tenho dificuldade em explicar plenamente como e porquê decidi trabalhar e continuo a trabalhar na indústria agrícola. Mas há uns anos, encontrei uma resposta única escondida à vista. Eu li um artigo sobre como o nosso nome, em especial o nosso apelido pode ter uma grande influência em tudo, da nossa personalidade à nossa carreira profissional. Este é o meu apelido japonês, Oda. Os caracteres traduzem-se literalmente por "pequena quinta".

(Risos)

Obrigado.

(Aplausos)