Tapiwa Chiwewe
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Numa manhã de inverno, alguns anos atrás, estava dirigindo para o trabalho em Joanesburgo, África do Sul, e percebi uma névoa pairando sobre a cidade. Faço aquele caminho quase todos os dias, então foi incomum não ter percebido isso antes. Joanesburgo é conhecida por seu horizonte peculiar, o qual mal podia ver naquela manhã. Não levou muito tempo para perceber que estava vendo uma nuvem gigante de poluição atmosférica. O contraste entre o ambiente panorâmico que conhecia e esse horizonte coberto por poluição mexeu comigo. Fiquei chocado com a possibilidade da cidade de pôr do sol brilhante e vívido ser invadida por uma névoa obscura. Naquele momento, senti um impulso de fazer algo sobre aquilo, mas não sabia o quê. Tudo o que eu sabia era que eu não podia ficar parado.

O grande desafio era, não sabia muito sobre ciência ambiental gestão da qualidade do ar ou química atmosférica. Sou engenheiro de computação, e estava certo de que não poderia codificar para sair deste problema.

(Risos)

Quem era eu para fazer qualquer coisa sobre este assunto? Eu não era mais do que um cidadão.

Nos próximos anos, aprendi uma lição muito importante que todos nós precisamos considerar se queremos trabalhar por um futuro melhor. Mesmo se você não for especialista de um específico domínio, sua expertise externa pode ter a chave para solucionar grandes problemas dentro deste domínio. Às vezes, a perspectiva única que você tem pode resultar em pensamento diferenciado que pode fazer uma grande diferença, mas você precisa ser corajoso o suficiente para tentar. É a única forma de você saber.

O que eu sabia na época era que, se eu tentasse fazer a diferença, precisaria entender melhor sobre poluição atmosférica primeiro, e então me tornei estudante de novo. Fiz um pouco de pesquisa básica e logo aprendi que poluição atmosférica é o maior risco contra saúde ambiental do mundo. Dados da Organização Mundial de Saúde mostram que quase 14% de todas as mortes do mundo em 2012 foram atribuíveis à poluição doméstica e atmosférica ambiental, com a maior ocorrência em países de rendas baixa e média. Poluição atmosférica ambiente sozinha causa mais mortes no ano que malária e HIV/AIDS. Na África, mortes prematuras de saneamento pouco seguro ou desnutrição infantil são menores em comparação com as mortes causadas por poluição atmosférica, e isso vem com um custo econômico gigantesco: mais de US$ 400 bilhões em 2013, de acordo com um estudo da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico.

Agora, no meu trabalho, exploro as novas fronteiras de inteligência artificial, na qual o relacionamento simbiótico entre o homem e a máquina pode encontrar uma base benéfica e nos ajudar a tomar melhores decisões. À medida que pensava sobre o problema de poluição atmosférica, ficou claro que precisávamos achar uma forma de tomar decisões melhores sobre como gerenciamos essa poluição, e dada a escala do problema, foi necessário fazer isso de forma colaborativa. Então decidi que era melhor conhecer algumas pessoas trabalhando na área. Comecei a falar com representantes da cidade de Joanesburgo e outras cidades vizinhas, e engajei a comunidade científica local, fiz também algumas ligações indesejadas. O processo de engajamento no qual embarquei me ajudou a desenvolver um entendimento profundo sobre o problema. Também me ajudou a evitar a armadilha em que pessoas da minha profissão às vezes caem quando tentam inovar, e rapidamente aplicamos a tecnologia antes de entendermos muito bem o problema que temos.

Comecei a desenvolver uma ideia sobre o que poderia fazer para melhorar a situação. Comecei simplesmente a me perguntar como poderia juntar, de uma forma significativa, minhas habilidades em engenharia de software e inteligência artificial com a expertise das pessoas das quais havia me aproximado. Eu queria criar uma plataforma on-line de gestão da qualidade do ar que poderia relevar tendências em poluição e projetar no futuro para determinar que resultados podem ser esperados. Estava determinado em ver minha ideia transformada em uma solução prática, mas enfrentei incertezas e não tinha nenhuma garantia de sucesso. O que tinha era um conjunto bem particular de habilidades de engenharia, habilidades que adquiri ao longo da minha carreira

(Risos)

que eram novas para quem trabalhava com o problema de poluição atmosférica por tantos anos. Percebi que, às vezes, apenas uma única perspectiva nova, um novo conjunto de habilidades, podem tornar as condições certas para algo marcante acontecer. Nossa força de vontade e imaginação são uma luz que nos guiam permitindo-nos traçar novos caminhos e navegar através dos obstáculos.

Armado com um entendimento mais firme sobre o problema de poluição atmosférica, e conseguido coletar mais de uma década de dados sobre nível de poluentes do ar e as condições meteorológicas dentro e ao redor de Joanesburgo, meus colegas da África do Sul, da China e eu criamos um sistema de apoio à decisão sobre qualidade do ar que está hospedado na "nuvem". Este sistema de software analisa dados históricos e em tempo real para revelar tendências espaço-temporais em poluição. Nós então usamos nova tecnologia em "machine learning" para prever futuros níveis de poluição para vários poluentes diferentes dias antes. Isso significa que cidadãos podem tomar melhores decisões sobre seus movimentos diários e sobre onde vão querer criar suas famílias. Podemos prever eventos de poluição adversos antecipadamente, identificar poluentes pesados, e eles podem ser ordenados por autoridades relevantes a reduzirem suas operações. Por meio de planejamento de cenários assistidos, planejadores urbanos também podem tomar melhores decisões sobre como estender infraestrutura, como assentamento humano ou zonas industriais.

Completamos um piloto de nossa tecnologia que ficou ativo por 120 dias, cobrindo toda a África do Sul. Nosso resultados foram confirmados quando demonstramos uma correlação apertada sobre dados previsionais e dados que conseguíamos no campo. Por meio de nossa liderança, trouxemos ativos de ponta e reconhecidos mundialmente que podem desempenhar previsão da qualidade do ar com uma resolução e precisão sem precedentes, beneficiando a cidade em que dirigi numa manhã de inverno não há tanto tempo, e pensei comigo mesmo: "Algo está errado aqui. O que pode ser feito?"

Então aqui está o ponto: e se eu não tivesse investigado o problema de poluição adiante? E se eu não tivesse me preocupado pelo estado do meio ambiente e apenas esperasse que alguém, em algum lugar, cuidasse do problema? O que aprendi é que, quando embarcamos numa empreitada desafiadora que avança uma causa na qual acreditamos muito, é importante focarmos a possibilidade de sucesso e considerarmos a consequência de não atuarmos. Não devemos nos distrair pela resistência e oposição, mas sim, elas deveriam nos motivar ainda mais.

Então não importa onde você esteja no mundo, na próxima vez que você achar que há alguma curiosidade natural que está te aborrecendo, e é algo com que você se importa, e tem algumas ideias malucas ou corajosas, e talvez seja fora do domínio da sua expertise, pergunte-se: "Por que não?" Por que não ir em frente e lidar com o problema o melhor que puder, no seu próprio jeito? Você pode se surpreender incrivelmente.

Obrigado.

(Aplausos) (Vivas)