Eddie Obeng
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Passei os últimos seis meses viajando. Acho que percorri 96 mil km, mas sem deixar minha mesa. Posso fazer isso pois na verdade sou duas pessoas. Pareço uma pessoa só, mas sou duas: sou o Eddie, que está aqui, e, ao mesmo tempo, meu alter ego é um avatar grande, verde e quadrado chamado Cyber Frank.

É assim que passo meu tempo. Eu gostaria de começar, se possível, com um teste. Trabalho com negócios, então é importante focar os resultados. Quebrei minha cabeça, pensando: "O que eu devo falar? O que devo fazer? É uma plateia do TED. É preciso ir além. Como vou fazer?" Então espero ter acertado no nível de dificuldade. Vamos ver isso aqui. Vocês poderiam resolver isso comigo? Podem responder em voz alta se quiserem. Qual dessas linhas horizontais é maior? Público: São iguais. Eddie Obeng: Iguais? Não, elas não são iguais. (Risos) Elas não são iguais. A de cima é 10% maior que a de baixo. Então por que disseram que elas são iguais? Vocês se lembram quando faziam esta mesma pegadinha conosco na escola? Era para nos ensinar paralaxe. Lembram? Vocês disseram: "Elas são iguais!" E erraram. Lembram? Vocês aprenderam a resposta e lembram dela depois de 10, 20, 30 anos. "Elas são iguais, elas são iguais." Então, quando perguntados sobre as linhas, dizem que são iguais, mas não são iguais, porque eu as mudei.

E foi isso que aconteceu conosco no século 21. Alguém ou algo mudou as regras de como nosso mundo funciona. Eu brinco, tentando explicar que aconteceu à meia-noite, enquanto estávamos dormindo, Mas foi à meia-noite, 15 anos atrás. Vocês não perceberam? Basicamente, mudaram todas as regras, então a forma de conduzir com sucesso um negócio uma organização ou mesmo um país foi apagada, invertida. Pensam que estou brincando, não é? Há um conjunto de regras completamente novo em operação. Vocês notaram? Vocês perderam essa. Provavelmente... Não, vocês não. (Risos)

A ideia básica é que o verdadeiro século 21 ao nosso redor não é tão óbvio para nós, então passamos nosso tempo respondendo racionalmente a um mundo que entendemos e reconhecemos, mas que não existe mais. Vocês não acreditam em mim, acreditam? Certo. (Aplausos)

Vou levá-los em uma pequena jornada por muitas das coisas que não entendo. Se procurarem na Amazon por "criatividade", vão encontrar cerca de 90 mil livros. Se procurarem no Google por "inovação + criatividade", encontram 30 milhões de entradas. Se adicionarem "consultores", o resultado dobra para 60 milhões. Ainda assim, estatisticamente, descobrimos que cerca de uma em cada 100 mil ideias consegue gerar dinheiro ou benefícios dois anos após sua criação. Não faz sentido. As empresas fazem seus caros executivos passarem anos preparando cuidadosamente previsões e orçamentos que já estão obsoletos ou precisam de mudança antes de serem publicados.

Como é possível? Se observarem as visões que temos de como vamos mudar o mundo, o ponto-chave é implementação. Temos a visão. Temos que fazê-la acontecer. Passamos décadas profissionalizando a implementação. Espera-se que as pessoas saibam fazer as coisas acontecerem. No entanto, se uso como exemplo uma família de cinco pessoas saindo de férias de Londres, indo até Hong Kong, pensem que eles têm apenas 3 mil libras para as despesas. Se comparo isso com a média dos projetos reais, a média dos projetos reais bem-sucedidos, a família para em Celebes, na Indonésia, a um custo de 4 mil libras, tendo deixado dois filhos para trás. (Risos) O que estou tentando explicar é que há coisas que não fazem sentido. (Risos)

E pode ser pior que isso. Deixem-me explicar. É uma citação, vou extrair algumas palavras dela. Ela diz: "Em resumo, majestade, a falha em prever o momento, a extensão e a gravidade da crise foi devida à falta de criatividade e ao número de mentes brilhantes", ou algo parecido. A frase é de um grupo de eminentes economistas se desculpando com a rainha da Inglaterra quando ela perguntou: "Por que ninguém nos disse que a crise estava vindo?" Eu jamais ganharei o título de cavalheiro. (Risos) Isso não importa. Vocês têm que lembrar que são economistas eminentes, algumas das pessoas mais inteligentes do planeta. Percebem o desafio? (Risos)

É assustador. Meu amigo e mentor, Tim Brown, da IDEO, explica que o design deve se tornar grande, e ele está certo. E diz sabiamente que o "design thinking" deve enfrentar grandes sistemas pelos desafios que temos. Ele está absolutamente certo. E eu me pergunto: "Por que ele foi sempre pequeno?" Não é estranho? Se a colaboração é tão interessante, se o trabalho multidisciplinar é tão fantástico, por que construímos hierarquias enormes? O que está acontecendo? Sabem, acho que o talvez tenha acontecido é que não notamos aquela mudança que eu descrevi anteriormente.

O que nós sabemos é que o mundo acelerou. O ciberespaço move tudo na velocidade da luz. A tecnologia acelera as coisas exponencialmente. Se isto é o agora, e aquilo é o passado, e começamos a pensar sobre mudança, os governos, vocês buscando a mudança, todos buscando a mudança, é realmente interessante. Então temos esta maravilhosa onda de aceleração e mudança. A velocidade está acelerando. E não só isso. Ao mesmo tempo, fizemos algo muito estranho. Em 40 anos, dobramos a população, colocamos metade dela nas cidades e conectamos todos para que possam interagir. A densidade da interação entre os seres humanos é incrível. Há gráficos mostrando esses movimentos de informação, a densidade de informação é fantástica. E então fizemos uma terceira coisa. Aqueles de vocês que têm como escritório uma pequena mesa embaixo das escadas e dizem: bem, esta é minha pequena mesa embaixo da escada. Não! Estão na sede de uma corporação global, se estão conectados à internet. O que aconteceu é que mudamos a escala. Tamanho e escala não são mais a mesma coisa. Além disso, toda vez que você posta um tweet, cerca de um terço de seus seguidores são de um país diferente do seu.

A nova escala é global. Nós sabemos isso. E as pessoas dizem coisas como: "O mundo agora é um lugar turbulento". Já ouviram isso? E usam isso como uma metáfora. Já viram?

Elas pensam que é uma metáfora mas não é. É a realidade. Quando eu era um jovem estudante de Engenharia, lembro de ter ido a uma demonstração na qual, basicamente, o demonstrador fez algo intrigante. Ele pegou um tubo transparente - já viram esta demonstração? - e conectou-o a uma torneira. Então efetivamente tinha uma situação em que... Vou tentar desenhar a torneira e o tubo Vou pular a torneira. Torneiras são difíceis. Vou escrever "torneira". Está bem? É uma torneira. (Risos) Então, ele conecta a torneira a um tubo transparente e abre a torneira. E diz: "Notam algo?" E a água desce pelo tubo. Nada empolgante. Estão me acompanhando? A água sobe. Ele fecha a torneira. Ótimo. E ele diz: "Notam algo?" Não. Então ele coloca uma agulha no tubo, conectada a um recipiente, e enche o recipiente com tinta verde. Estão acompanhando? Adivinhem o que acontece? Uma fina linha verde aparece à medida em que flui pelo tubo abaixo. Não é muito interessante. Ele aumenta um pouco o fluxo da água, e a linha continua a fluir. E nada muda. Ele está mudando o fluxo da água, mas é só uma linha verde entediante. Ele abre um pouco mais. E então algo estranho acontece. Há uma pequena cintilação, e ao abrir a torneira um pouco mais, toda a linha verde desaparece, e, em vez disso, há pequenas correntes de poeira de tinta próximo à agulha. Elas são chamadas de turbilhonamentos. Elas dispersam violentamente a tinta, que se dilui e a cor desaparece.

O que aconteceu neste mundo de tubo é que alguém o inverteu. Mudaram as regras do laminar para o turbulento. Todas as regras se foram. Naquele ambiente, instantaneamente, todas as possibilidades que a turbulência traz estão disponíveis, e não é a mesma coisa que um ambiente laminar. E se não tivéssemos a tinta verde, vocês nunca teriam notado.

E acho que esse é nosso desafio, porque alguém de fato aumentou - e provavelmente foram vocês, com toda a sua tecnologia - a velocidade, a escala e a densidade da interação.

Agora, como lidamos com isso? Podemos apenas chamar de turbulência ou podemos tentar aprender. Sim, aprender. Mas sei que vocês cresceram na época das respostas corretas, por causa da resposta que deram na pegadinha da linha horizontal, e acham que vai ser sempre assim. Esta pequena linha aqui em cima representa o aprendizado, e costumávamos aprender assim: tínhamos tempo para ver, entender e colocar as coisas em prática. Aqui fora está o mundo. O que aconteceu ao nosso ritmo de aprendizado quando o mundo acelerou? Bem, se você trabalha em uma corporação, descobre que é muito difícil trabalhar naquilo que seu chefe não aprova, ou que não está na estratégia, e precisa cumprir o calendário de reuniões mensais. Se você trabalha em uma instituição, um dia vai levá-los a tomar esta decisão. E se trabalha em um mercado em que as pessoas acreditam em ciclos, é ainda mais divertido, porque tem de esperar o ciclo completo falhar, antes de dizer: "Há algo errado". Então é provável que a linha, em termos de aprendizado, seja quase reta. Estão acompanhando? Neste ponto aqui, onde as linhas se cruzam, o ritmo de mudança ultrapassa o ritmo de aprendizado, e é isso é o que eu estava descrevendo, quando falei a vocês sobre a meia-noite.

O que isso faz? Transforma completamente o que temos de fazer. Cometemos muitos erros. Resolvemos os problemas do último ano sem pensar sobre o futuro. Tente pensar que problemas as soluções de hoje vão trazer no futuro. Sem entender o mundo no qual estão vivendo, é quase impossível ter certeza de que o que você está entregando serve.

Vou dar um exemplo rápido. Criatividade e ideia, mencionei mais cedo. Todos meus clientes CEOs querem inovação, então buscam inovação. E dizem às pessoas: "Corra riscos, seja criativo!" Mas infelizmente as palavras se transformam enquanto viajam pelo ar. As pessoas ouvem: "Faça coisas malucas e vou demiti-lo". Por quê? (Risos) Por quê? Porque no mundo antigo, aqui, fazer as coisas errado era inaceitável. Se fez algo errado, você falhou. Como você deveria ser tratado? Severamente, porque poderia ter perguntado a alguém com experiência. Então aprendemos a resposta e a levamos conosco por 20, 30 anos. A resposta é: não faça coisas diferentes. E, de repente, dizemos para fazer e não funciona. De fato, vocês podem falhar de dois modos nesse novo mundo. Um, está fazendo algo em que deve seguir um procedimento difícil, é negligente e erra. Como deveria ser tratado? Provavelmente deveria ser demitido. Ou está fazendo algo novo, que ninguém fez antes, e erra completamente. Como deveria ser tratado? Pizza grátis! Deveria ser tratado melhor do que quem foi bem-sucedido. É a chamada falha inteligente. Por quê? Porque não pode colocá-la no currículo.

Então quero deixar vocês com a explicação de por que viajei 96 mil km da minha mesa. Quando percebi o poder deste novo mundo, larguei meu trabalho seguro de professor e comecei uma escola virtual de negócios, a primeira no mundo, para ensinar às pessoas como fazer isso acontecer. E usei alguns aprendizados sobre algumas regras que tive por conta própria. Se estiverem interessados, podem saber mais em worldaftermidnight.com, mas tenho aplicado isso a mim mesmo há mais de uma década, e ainda estou aqui, ainda tenho minha casa e, o mais importante: espero ter feito o suficiente para injetar um pouco de tinta verde nas suas vidas, de modo que, quando forem embora e estiverem tomando sua próxima decisão absolutamente sensata e racional, vocês vão parar e pensar: "Hum, será que isso ainda fará sentido em nosso novo mundo após a meia-noite?" Muito obrigado. (Aplausos) Obrigado, obrigado. (Aplausos)