Stefan Sagmeister

Stefan Sagmeister: O poder do tempo de folga

2,957,657 views • 17:40
Subtitles in 29 languages
Up next
Details
Discussion
Details About the talk
Transcript 29 languages
Translated by Volney Faustini
Reviewed by Durval Castro
0:11

Eu dirijo um estúdio em Nova Iorque. A cada sete anos eu fecho tudo ao longo de um ano para buscar alguns pequenos experimentos, coisas que são difíceis de se finalizar ao longo de um ano normal de trabalho. Nesse ano não ficamos disponíveis para nenhum de nossos clientes. Estamos totalmente fechados. E como você pode imaginar, é um tempo agradável e energético.

0:41

No começo, ao abrir o estúdio em Nova Iorque para juntar duas paixões: música e design. E nós criamos vídeos e pacotes para muitos músicos que vocês conhecem. E para um outro tanto que vocês nunca ouviram falar. Como imaginei, assim como em muitas coisas na vida que eu de verdade amo, eu me adapto a elas. E, com o passar do tempo fico cheio delas. E com certeza, no nosso caso, nosso trabalho começou a parecer igual. Vocês veem aqui um olho de vidro no corte do miolo do livro. Praticamente a mesma ideia, então na embalagem do perfume no livro, um corte no miolo. Então decidi fechar por um ano.

1:26

Sabemos também que hoje, gastamos os primeiros 25 anos de nossa vida em aprendizado. E em seguida outros 40 anos que são reservados para o trabalho. E então na outra extremidade, ficamos com cerca de 15 anos para a aposentadoria. Então pensei que seria proveitoso cortar cerca de 5 anos do período da aposentadoria e intercalá-los nos anos de trabalho. (Aplausos) Isso é sem dúvida muito proveitoso para mim. Mas provavelmente, até mais importante é que o trabalho que resulta desses anos acaba se direcionando de volta para a empresa, e para a sociedade de uma maneira geral, mais do que simplesmente beneficiar um ou dois netos.

2:21

Há um companheiro de TED que falou dois anos atrás, Jonathan Haidt, que definiu seu trabalho em três diferentes níveis. E isso fez muito sentido para mim. Eu posso ver meu trabalho como um emprego. Eu o faço por dinheiro. É comum esperar o fim de semana, já nas quintas-feiras. E é quase certa a necessidade de um hobby como um mecanismo estabilizador. Numa carreira eu estou definitivamente mais engajado. Mas ao mesmo tempo há períodos em que penso: será que todo esse trabalho duro vale a pena? Enquanto na terceira, na vocação, muito provávelmente eu também daria duro mesmo se não fosse financeiramente compensado por isso.

3:03

Não sou uma pessoa religiosa, mas eu dou atenção à Natureza. Eu passei meu primeiro sabático na cidade de Nova Iorque. Aí procurei algo diferente no meu segundo sabático. Europa e EUA não me pareceram animadores porque eu já os conhecia bem. Então escolhi a Ásia. As mais bonitas paisagens que havia visto na Ásia foram Sri Lanka e Bali. Sri Lanka ainda tinha a guerra civil. Então fui para Bali. É uma maravilhosa sociedade, orientada ao artesanato.

3:33

Eu cheguei em Setembro de 2008, e de imediato comecei a trabalhar. Há uma maravilhosa inspiração que vem do ambiente em si. No entanto, a primeira coisa que eu precisava era um repelente de insetos tipográficos porque definitivamente eles dominam a área. E aí eu precisava de alguma forma de revidar a todos os cães selvagens que cercavam minha casa, e me atacavam ao longo de minhas caminhadas matinais. Então criei uma série de 99 retratos em camisetas. Cada um dos cães em uma camiseta. Como forma de vingança com uma mensagem levemente marota (Risos) na parte de trás da camiseta. (Risos)

4:27

Um pouco antes de sair de Nova Iorque eu decidi que eu poderia reformar o meu estúdio. E simplesmente deixei todo o trabalho para eles. E eu não tenho que fazer nada. Eu fui atrás de móveis. E aconteceu que todos os móveis que eu mais gostava, eu não tinha condições de comprar. E tudo que eu tinha condições de pagar, eu não gostava. Então uma das coisas que procuramos em Bali foram os móveis para o escritório. Esse, com certeza, ainda serve para os cães selvagens. Ainda não está terminado. Eu creio que, quando cheguei a esse abajur, (Risos) eu finalmente tinha feito as pazes com os cães. (Risos)

5:13

E então tem mesa de café. Bolei também uma mesa de café. Chama-se Esteja Aqui Agora. Inclui 330 bússolas. E fizemos especialmente as xícaras de espresso escondendo um imã por dentro, e que faz essas bússolas ficarem doidinhas, buscando nelas o Norte. Então essa é uma cadeira muito falante, do tipo prolixo. Eu também comecei a meditar pela primeira vez em minha vida em Bali. E ao mesmo tempo, eu tenho consciência plena de quão chato é ficar ouvindo o relato da felicidade alheia. Então não irei fundo nisso.

5:56

Muitos de vocês conhecem esse outro companheiro do TED, Danny Gilbert, cujo livro, na verdade eu adquiri através do clube do livro do TED. Creio que demorou uns quatro anos até que finalmente eu o lesse, durante um sabático. E tive a satisfação de ver que na verdade ele havia escrito o livro num ano sabático. E vou lhes mostrar algumas pessoas que fizeram bem ao buscar anos sabáticos.

6:21

Este é Ferran Adria. Muitas pessoas consideram que ele é hoje o melhor chef do mundo com seu restaurante ao Norte de Barcelona, el Bulli. Seu restaurante fica aberto sete meses ao ano. Ele fecha ao longo de cinco meses para desenvolver experimentos com toda sua equipe de cozinha. Seus últimos números são muito impressionantes. Ele pode sentar, ao longo do ano, ele pode sentar 8.000 clientes. E ele tem 2,2 milhões de solicitações de reservas.

6:50

Eu olhei para o meu ciclo, sete anos, um ano sabático, é 12,5 por cento do meu tempo. E se olhar para empresas que são mais bem sucedidas que a minha, 3M, desde 1930 dá ao seus engenheiros 15 por cento para se dedicar ao que quiserem. Há alguns bom sucessos. A fita adesiva veio desse programa, assim como foi quando Art Fry desenvolveu o 'post it' ao longo de seu tempo pessoal na 3M. Google, é claro, é famosa por dar 20 por cento para os engenheiros de software para se dedicarem a seus projetos pessoais.

7:31

Quem aqui já realizou um sabatico? Creio que temos 5 por cento. Então não sei se você viu o seu vizinho erguer a mão. Mas pergunte a eles se foi bem sucedido ou não. Eu conclui que para encontrar o que vou gostar no futuro, a melhor maneira é conversando com pessoas que já realizaram isso melhor ainda do que minha visão particular.

8:05

Quando tive a ideia de sair, o processo foi que eu tomei a decisão e daí coloquei em minha agenda diária. E daí falei para o máximo de pessoas que eu poderia compartilhar para que não houvesse jeito de eu me acovardar mais para a frente. (Risos)

8:22

No começo, no meu primeiro sabático, foi um desastre. Eu imaginei que daria para fazer isso sem um planejamento, que esse vácuo de tempo, de alguma forma iria ser maravilhoso e motivador para a geração de ideias. Mas não foi. Eu simplesmente, sem um plano, simplesmente reagi às pequenas solicitações - não as de trabalho, para essas eu havia dito não - mas às pequenas coisas. Me correspondendo com revistas de Design japonesas, e coisas assim. Então virei meu próprio estagiário. (Risos)

9:00

E rapidamente fiz uma lista das coisas que eu me interessava, coloquei-as num hierarquia, dividi em pedaços de tempo e daí fiz meu plano, bem como no Colegial. O que diz aqui? Segunda das oito à nove: escrever história. Das nove às dez: pensando no futuro. Não fui muito bem sucedido. E assim por diante. E na verdade, especificamente no ponto de partida do primeiro sabático, acabou me ajudando muito bem. O que tirei dele? Eu voltei a ficar próximo do design, mais uma vez. Eu me diverti. Financeiramente, pensando no prazo longo, fui bem sucedido. Por causa das melhorias em qualidade, podíamos dar preços mais altos.

9:42

E provavelmente e mais importante, basicamente em todos os nossos trabalhos feitos nos sete anos que sucederam o primeiro sabático vieram da reflexão feita naquele específico ano. E eu vou mostrar-lhes alguns dos projetos que vieram nos sete anos, após o sabático. Um dos padrões de pensamento que eu estava envolvido era que a mesmice está incrivelmente sobre avaliada. Essa ideia toda de que tudo precisa ser exatamente igual funciona para muito, muito poucos padrões de empresas, e não para todo mundo.

10:15

Nos pediram para fazer o design de identidade da Casa de Música, o centro de música construído por Rem Koolhass em Porto, Portugal. E mesmo no meu desejo de criar uma identidade que não usasse a arquitetura, eu fracassei nisso. E principalmente porque percebi lá na apresentação de Rem Koolhaas na cidade de Porto onde ele conversou sobre o significado do conglomerado de várias camadas. O qual eu entendi após ter traduzido do discurso da arquitetura para o Inglês comum, basicamente quando se faz os logos. E aí eu entendi que a construção em si era o logo.

10:55

Aí ficou muito fácil Colocamos máscaras sobre ele, olhamos nas profundezas do seu chão, olhamos para todos os lados, Oeste, Norte, Sul, Leste, para cima e para baixo. De uma maneira bem particular, colorimos por ter um amigo que desenvolveu um software para isso, o Gerador de Logo da Casa de Música. Que é conectada a um scanner. Você coloca a imagem nele, como essa imagem de Beethoven. E o software, num segundo, vai lhe dar o logo de Beethoven pela Casa de Música. Para que, quando você realmente precisar desenhar um poster de Beethoven, se torne mais que prático, por causa da informação visual do logo e o poster em si, é exatamente o mesmo.

11:39

Para que sempre se encaixe junto, conceitualmente, é claro. Se a música de Zappa é tocada, ela ganha seu próprio logo. Ou Philip Glass ou Lou Reed ou os Chemical Brothers que já se apresentaram lá, ganham o seu próprio logo da Casa de Música. Funciona igual internamente com o presidente ou o diretor musical, a ponto de nos seus cartões de visitas, termos incluido o retrato da Casa de Música. Aqui é um orquestra inteira morando dentro de um prédio. Tem uma identidade mais transparente. O caminhão que eles usam para a tour. Ou se tem uma orquestra contemporânea menor, de 12 pessoas que fazem um remix do seu título.

12:23

E uma das coisas que facilitam realizar é que você pode pegar a tipologia do logo e criar uma peça publicitária com ela. Como este poster da Donna Toney, ou Chopin, ou Mozart, ou La Monte Young. Você pode pegar o formato e fazer um tipografia dele. Você pode fazer crescer por debaixo da pele. Você pode ter um poster de um evento da família em frente da casa, ou uma rave embaixo da casa, ou um programa semanal como também serviços educacionais.

12:56

Uma segunda tirada. Até aqui, nesta situação eu tinha sido envolvido ou utilizado a linguagem do design para razões de promoção, o que para mim estava tudo certo. De um lado não tenho nada contra vender. Meus pais são ambos vendedores. Mas eu senti que eu investi tanto tempo para aprender essa linguagem, como faço para promove-la? Deve ter algo a mais. E a série inteira de trabalhos veio dela. Alguns podem até ter visto. Eu mostrei parte dela em outros eventos do TED, sob o título "Coisas que aprendi na vida até aqui". E eu vou mostrar dois agora.

13:35

Esta parede inteira de bananas em diferentes estados de maturação no dia de abertura desta galeria em Nova Iorque. Ela diz: "Auto confiança produz bons resultados." Isto é depois de uma semana. Após duas semanas, três semanas, quatro semanas, cinco semanas. E você pode perceber que a auto confiança volta, mas nem tanto. Aqui são algumas fotos que os visitantes me enviaram. (Risos)

14:04

E então a cidade de Amsterdã nos deu uma praça e nos pediu que fizéssemos algo. Usamos as placas de pedra como uma matriz para a nossa pequena arte. Obtivemos 250 mil moedas do Banco Central, em diferentes contrastes. Então pegamos novinhas em folha, brilhantes, de tamanho médio, e muito velhos, escuros. E com a ajuda de 100 voluntários, ao longo de uma semana, criamos essa razoável tipografia floral que soletrava: "Obsessão torna a vida pior e meu trabalho melhor".

14:41

E a ideia é claro, era de tornar o tipo tão precioso que como uma audiência você poderia estar entre, "Devo pegar o máximo de dinheiro que puder? Ou devo deixar a peça intacta como ela está agora?" Enquanto construíamos a arte ao longo da semana, com uma centena de voluntários, um bom número de vizinhos ao redor da praça se tornou íntimo dela e se apaixonou. Então ao terminarmos, e na primeira noite veio um cara com grandes sacos plásticos e raspou o maior número de moedas que ele poderia carregar, e um dos vizinhos chamou a polícia.

15:20

E a polícia de Amsterdã em toda a sua sabedoria, veio, viu, e queriam proteger o trabalho de arte. E eles varreram todas as moedas e colocaram sob custódia na delegacia. (Risos) Você pode vê-los varrendo. Você os vê varrendo bem aqui. Essa é a polícia, dando um jeito em tudo. Então após oito horas é bem isso o que sobrou de toda a obra. (Risos)

15:51

Nós estamos trabalhando para iniciar um projeto ainda maior em Bali. É um filme sobre a felicidade. E aqui pedimos a uns porcos para fazer os títulos para nós. Eles não foram caprichosos o suficiente. Então pedimos para mamãe gansa agir, e esperava dela de alguma forma, um serviço mais elegante e bonito. E penso que ela excedeu Ficou algo muito ornamental. E meu estúdio está muito perto de uma floresta com macacos. E os macacos na floresta dos macacos olharam, na verdade, razoavelmente felizes. Então pedimos para que os caras fizessem de novo. E eles fizeram um bom trabalho, mas eu tive alguns problemas na leitura. Então, aquilo que você mesmo não faz não é concluído de maneira adequada.

16:42

Esse filme vai estar na praça nos próximos dois anos. Então vai levar um tempo. E é claro, você pode pensar que fazer um filme sobre a felicidade pode não valer a pena, e também com certeza você pode sempre ir e se encontrar com esse cara aqui.

17:00

Vídeo: (Risos) 'E eu estou feliz por estar vivo.' 'Estou feliz, estou vivo. Estou feliz, estou vivo.'

17:24

Stefan Sagmeister: Obrigado. (Aplausos)

A cada sete anos, o designer Stefan Sagmeister fecha seu estudio em Nova Iorque para um ano sabático, visando rejuvenescer e renovar sua perspectiva criativa. Ele explica o valor, muitas vezes desprezado, de sair da rotina e mostra como seu tempo em Bali inspirou projetos inovadores.

About the speaker
Stefan Sagmeister · Graphic designer

Renowned for album covers, posters and his recent book of life lessons, designer Stefan Sagmeister invariably has a slightly different way of looking at things.

Renowned for album covers, posters and his recent book of life lessons, designer Stefan Sagmeister invariably has a slightly different way of looking at things.