Janet Iwasa
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Em 2008, algo incrível aconteceu: um homem ficou curado do HIV. Em mais de 70 milhões de casos de HIV, este foi, até hoje, o primeiro e último. Ainda não sabemos exatamente como ele ficou curado. É possível curar diversas doenças, tais como malária e hepatite C, mas por que não conseguimos o mesmo com o HIV? Bem, primeiro examinemos como o HIV infecta as pessoas e evolui para a AIDS.

O HIV é transmitido através de fluidos corporais. Sexo sem proteção e agulhas contaminadas são os principais meios de transmissão. Felizmente, ele não é transmitido pelo ar, pela água, nem por contato casual. Pessoas de qualquer idade, orientação sexual, sexo e raça podem contrair o HIV.

Uma vez dentro do organismo, ele infecta células do sistema imunológico. Seu principal alvo são os linfócitos T auxiliares, que ajudam a defender o organismo contra infecções bacterianas e fúngicas. O HIV é um retrovírus: é capaz de escrever seu código genético no genoma de células infectadas, fazendo-as criar mais cópias do vírus.

Durante o primeiro estágio da infecção pelo HIV, o vírus se replica dentro dos linfócitos T auxiliares, destruindo vários deles nesse processo. Nesse estágio, os pacientes normalmente apresentam sintomas como os da gripe, mas geralmente ainda não estão em perigo de morte. Porém, no período que vai de alguns meses a vários anos, durante o qual o paciente pode aparentar estar totalmente saudável, o vírus continua a se replicar e a destruir as células T. Quando a contagem de células T fica baixa demais, os pacientes correm sério risco de contrair infecções mortais que sistemas imunológicos saudáveis poderiam normalmente combater. Esse estágio da infeção por HIV é conhecido como AIDS.

A boa notícia é que existem medicamentos altamente eficazes no controle dos níveis virais, evitando que a contagem de células T baixe a ponto de o paciente desenvolver a AIDS. Com a terapia antirretroviral, a maioria dos soropositivos consegue ter uma vida longa e saudável e fica muito menos propensa a infectar outras pessoas.

Porém, há dois grandes detalhes. O primeiro é que os soropositivos precisam tomar os medicamentos pela resto da vida. Sem eles, o vírus pode se replicar de forma fatal.

Mas como esses medicamentos funcionam? Os mais comumente prescritos evitam que o genoma do vírus seja copiado e incorporado ao DNA da célula do hospedeiro. Outros impedem o vírus de amadurecer e se agrupar, fazendo com que não consiga infectar novas células.

Mas o HIV se esconde em outro lugar onde os medicamentos atuais não chegam: dentro do DNA de linfócitos T saudáveis. A maioria dos linfócitos T morre pouco depois de infectada pelo HIV. Mas em pouquíssimos casos, as instruções para criar mais vírus ficam inativas, às vezes durante anos. Mesmo que pudéssemos acabar com todos os vírus HIV em uma pessoa infectada, um desses linfócitos T poderia ativá-lo e começar a espalhá-lo novamente.

O outro detalhe importante é que nem todo mundo tem acesso ao tratamento que poderia salvar sua vida. Na África Subsaariana, onde estão 70% dos soropositivos do mundo, apenas um em cada três soropositivos tiveram acesso aos antirretrovirais em 2012. Não há uma solução fácil para esse problema. Uma combinação de obstáculos políticos, econômicos e culturais dificulta a prevenção e o tratamento eficazes. Mesmo nos EUA, o HIV ainda tira a vida de mais de 10 mil pessoas por ano.

Porém, há bons motivos para se ter esperança. Pesquisadores estão mais próximos do que nunca de uma cura definitiva. Uma das abordagens de pesquisa usa um medicamento que ativa todas as células que carregam a informação genética do vírus. Isso destruiria essas células, deixando o vírus exposto onde os medicamentos atuais conseguem destruí-lo. Outra abordagem é tentar usar ferramentas genéticas para extrair totalmente das células o DNA do HIV.

Embora uma cura em 70 milhões de casos pareça uma probabilidade desanimadora, é imensuravelmente melhor que nenhuma. Hoje sabemos que uma cura é possível, e isso pode nos dar o que precisamos para vencermos o HIV para sempre.