Catherine Reitman
784,587 views • 13:14

Me sinto com muita sorte por estar aqui hoje. Deveria dizer que não sou uma acadêmica - poxa, eu mal tenho um diploma universitário - mas eu me encontrei numa posição muito afortunada. Eu sou a "showrunner" da minha própria série. "Showrunner" é como chamam "a chefa", na televisão, por isso o blazer. Mesmo dizendo isso para vocês, parece estranho, porque não faz muito tempo, quatro anos agora, que me sentia completamente impotente, incompetente, e, especificamente, como se não tivesse escolha. Vocês já sentiram um formigamento por dentro? Que você foi feito para mais, que algo fora da sua vida determinada estava te chamando, mas não se sentiu à altura disto? Se sim, não comece a suar. Quero falar sobre a escolha que você tem de crescer fora da sua zona de conforto. Passei a maior parte da vida adulta sentindo que não tinha escolha. Vivia num constante estado de rejeição. Eu sou atriz. Passei minha carreira indo a salas, tentando desesperadamente convencer alguém de que eu era a versão perfeita daquele personagem, só para me dizerem "não". Tenho certeza que todos vocês pensam que atuar é uma carreira muito glamorosa. E a ironia é que a maioria dos tipos criativos trabalha uma pequena porcentagem de tempo, se trabalha. Então eu me irritei. Se estivesse tentando te vender este suéter e você dissesse "não", eu poderia culpar o suéter. Mas quando o produto é você mesmo, fica cada vez mais difícil dormir à noite. Por mais apaixonada que eu fosse por atuar, estava muito enjoada de sentir que não era a responsável pela minha própria carreira. Fiz algo que pareceu um pouco ilegal. Comecei a escrever, não muito bem. E senti como, não sei, senti que escrever era para alguém mais esperto que eu, ou mais especial que eu. Mas tive umas ideias, uma em particular, uma pequena ideia. Pensei em uma comédia dramática médica que se passaria em um hospital pediátrico. Eu sei, hilário. (Risos) Em vez de dar um tempo para desenvolver essa ideia inicial, eu a lancei para um veterano da indústria. E esse cara, esperto, com um supercurrículo, em quem realmente confio. Também é um ótimo pai. Aqueles que conhecem meu pai, Ivan Reitman, sabem que ele é considerado um dos pais da comédia. É o cara que fez Caça-Fantasmas. Sim. E ele também está aqui hoje. Feliz aniversário, pai! (Vivas) (Aplausos) Eu sinto muito pela história que estou prestes a contar. (Risos) Se você conhece meu pai, ele é muito franco. Sim. Nunca esquecerei sua cara. Ele me olhou bem nos olhos e disse: "Catherine, uma comédia dramática médica? Deixe isso para Aaron Sorkin". Aquelas palavras ficaram ressoando no meu cérebro por semanas: "Deixe isso com Aaron Sorkin, deixe isso com Aaron". E toda vez que ia escovar os dentes: "Deixe isso com Aaron Sorkin". (Risos) Tentando estacionar: "Deixe isso com Aaron Sorkin". (Risos) Tudo devia ser deixado para Aaron Sorkin, que é responsável por escrever The Newsroom e Nos Bastidores do Poder, e notavelmente ganhou um oscar com A Rede Social. Cara inteligente. Mas sim, aquilo me derrubou. Eu deixei a ideia por aí e me senti envergonhada até por ter pisado fora da minha zona de conforto. Se este momento é algo com que você pode se identificar, em que reprimiu sua mágica e desvalorizou a si mesmo, tenho ótimas novidades. Esse é um momento absolutamente necessário para identificar a escolha. Eu fico insistindo na escolha porque acho muito importante notar que há uma. Eu acho que isso nos empodera. Mas antes de darmos esse passo, vamos, por um segundo, examinar o que acontece se você disser "não", porque fazemos isso sempre, certo? Você não tem que dizer "sim". Pode ignorar sua voz interior e ouvir uma voz mais crítica que está sempre por ali, certo? "Você não é esperto o bastante, especial o bastante." Lembra daquele professor que não esperava muito de você? O ex que pensava que você era um fracasso? Ele não estava sempre errado. E se você falhar? Como se sentiria com isso? Seria tão diferente do seu estado atual de passividade criativa? Para mim, os dois estados eram iguais. A ideia de escrever algo e não ir a lugar algum, falhar, e não escrever, porque tinha muito medo de falhar, eram praticamente iguais. Se você falhar, pode sobreviver? Eu acho que pode. Fale com alguém em seu leito de morte. Em 2011, Bronnie Ware lançou um livro do seu período como enfermeira paliativa. Ela documentou os maiores arrependimentos das pessoas no leito de morte. O arrependimento número um dessas pessoas era: "Queria ter tido coragem de viver uma vida mais verdadeira para mim e não ter me preocupado tanto com o que os outros esperavam de mim". Você pode processar isso de diferentes maneiras, mas para mim, o que importa é que é nossa responsabilidade ouvir nossa voz interior para sermos nós mesmos. Vamos avançar um pouco, vamos considerar apenas o incômodo. Minha ideia de Aaron Sorkin, pai, ainda não estava pronta. Mas Aaron Sorkin não se tornou Aaron Sorkin deixando que qualquer um que tivesse feito algo antes dele o parasse. Certo? Reconheço, ele é um homem branco, e isso abriu oportunidades, pode apostar. Não é só minha opinião, é estatística. Como mulher "showrunner", muitas vezes me vejo nessas conversas, falando sobre como papéis chave na indústria do entretenimento não estão indo para mulheres. Tenho como prática contratar mulheres, predominantemente, mesmo se seus currículos não forem os melhores. Mas Aaron Sorkin não é o problema. Ele é meramente o titular. Atualmente ele ocupa o cargo, o que significa que você é o desafiante. E sim, seu caminho para a arena deve ser um desafio. E para fazer isso, você tem que entrar na arena. É aí que a escolha entra em jogo. Meu caminho como desafiante começou depois que dei à luz ao meu primeiro filho, Jackson. Voltei a trabalhar muito cedo. Falo isso porque tive depressão pós-parto. E alguns anos atrás, ninguém falava de depressão pós-parto, porque muitos associavam isso ao estigma de que você estava mal. Bem, eu não estava mal, estava experimentando um desequilíbrio hormonal. Era como se tivesse tendo uma crise de identidade. Não me sentia eu mesma quando estava com meu filho; não me sentia eu mesma no trabalho, o que tornou meu primeiro trabalho ao voltar, gravar um filme independente na Filadélfia, difícil. E isso coincidiu com meu primeiro Dia das Mães. Eu estava longe do meu filho de seis semanas, rodeada de comediantes homens, e eles começaram a me perturbar. Me provocando, dizendo que iam enviar um cartão de Dia das Mães por mim. Seria mais íntimo se eles assinassem "da babá"? Meu filho já estava chamando... (Suspiro) (Sopro) Meu filho já estava chamando a babá de mãe? Como podem ver, eu chorei. Eu desmoronei ali mesmo. Ainda lembro da cara deles. Foi tão constrangedor, dolorido e silencioso, mas também teve algo muito engraçado sobre isso, mas eu não sabia na época. Voltei para o quarto do hotel e liguei para meu marido, que também é meu parceiro de produção, um cara inteligente, e ele disse: "Você precisa escrever isso. Vemos TV o tempo todo. Quando foi a última vez que viu essa história? Você não deve ser a única passando por isso". Lá estava, certo? A escolha. E dessa vez, nossa, eu disse "sim". Eu escrevi, me atrapalhei toda. Foi embaraçoso e não era perfeito. E para aqueles que conhecem minha série, Workin' Moms, sabem que esse foi o final do episódio piloto, seguido da minha personagem personificando o momento com um grito de guerra para um urso enorme. Se agora você está considerando a ideia de dizer "sim" à escolha, tenho duas considerações. Um: é muito trabalho. Não quero minimizar isso. Você vai ter trabalho. Dois: esse trabalho tem que ser especificamente para você. Sua voz deve soar tão aguda que você não poderá ser confundido com ninguém. Workin' Moms é isso para mim. Me senti confiante escrevendo sobre como é ser uma mãe que trabalha, porque sei como é difícil, sei quão humilhante é. Também sei o quão luxuoso é. Posso deixar meu filho, filhos agora, e fazer algo só para mim. Se está considerando dizer "sim" para a escolha, não quero cortar sua alegria, mas outros vão. Você não é o único que vai tentar. No início, quando vendi minhas séries foi para uma rede norte-americana. E como não tinha nada no meu currículo, eles colocaram outro showrunner. E esse cara, que a propósito ainda é meu amigo, muito engraçado, sua tarefa número um era ter certeza que meu show tivesse conexão com o máximo de pessoas possível. Em que mundo o grito de guerra de uma mãe para um urso tem relação com alguém? Meu show era direcionado para mulheres montanhistas? Lá estava novamente... aquela escolha. Eu podia me agarrar às minhas armas e ser considerada difícil, ou podia acreditar na experiência dele. Fiz o piloto para a emissora; sem a cena do urso; e algumas outras cenas que não eram tão obviamente engraçadas. A emissora aprovou. Tinham outro show de uma mãe que trabalha em desenvolvimento, que era muito particular, muito bom, e também produzido por Louis C.K., ironicamente, o titular ou Aaron Sorkin do meu gênero atual. Aquela lição foi difícil, mas importante. Veja, se vai ser corajoso o suficiente para dizer "sim" para a escolha, você também deve ter coragem para se ater à sua ideia porque isso será testado. O bom é que os direitos reverteram para mim e, depois de muitas tentativas, meu show acabou passando pela mesa da criadora de tendências que realmente assume riscos Sally Cato da CBC. Ela aprovou o piloto para as séries. Lembro de sentar com ela pela primeira vez porque ela comentou como a peculiaridade do show era muito próxima a ela. Então talvez ser específico é na verdade uma conexão. Talvez você veja isso e ainda assim não esteja pronto para dizer "sim". Essa é uma parte muito valiosa da jornada. Só você sabe quando é a hora de entrar na arena. Acabei de dizer "sim" para a segunda temporada. (Suspiro) E estou para começar esse processo com um novo show que está completamente fora da minha zona de conforto. Ouso dizer que também está fora da zona de Aaron Sorkin. (Risos) Que, só para registrar, é um gênio e vai superbem. Seja lá com o que você foi presenteado, e é uma dádiva, estou aqui não para encorajar, mas exigir que você pelo menos considere. Por que não você? Entre na arena. Obrigada. (Aplausos)