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Translated by Samuel Almeida
Reviewed by Sara LEITE

0:11 Sou uma pessoa sortuda. Tenho tido o privilégio de ver muita da nossa bonita Terra e das pessoas e criaturas que nela vivem. E a minha paixão surgiu quando tinha sete anos, quando os meus pais me levaram a Marrocos, no limite do Deserto do Sara. Agora imaginem uma pequena britânica num sítio que não era frio e húmido como em casa. Que experiência fantástica. E fez-me querer explorar mais.

0:40 Portanto, como realizadora, já fui de uma ponta da Terra à outra, à procura da melhor imagem e para capturar o comportamento animal como nunca antes visto. E mais, tenho muita sorte, porque posso partilhar isso com milhões de pessoas de todo o mundo. A ideia de ter novas perspectivas do nosso planeta e ser capaz de divulgar essa mensagem é o que me faz saltar da cama todos os dias.

1:09 Podem pensar que é bastante difícil encontrar novas histórias e novos temas, mas as novas tecnologias estão a mudar a forma como podemos filmar. Permite-nos captar novas e frescas imagens, e contar novas histórias. Nos 'Grandes Eventos da Natureza', uma série da BBC que fiz com o David Attenborough, foi isso mesmo que quisemos fazer.

1:34 Imagens de ursos-cinzentos são comuns. Devem pensar que as vêem frequentemente. Mas há um outro lado das suas vidas que raramente vemos e que nunca foi filmado. Portanto o que fizemos foi ir ao Alasca, que é onde se encontram os ursos das altas, quase inacessíveis encostas montanhosas para fazerem um lar. E a única forma de filmar isso é uma filmagem do ar.

2:05 (Vídeo) David Attenborough: Pelo Alasca e Colômbia Britânica, milhares de famílias de ursos acordam dos seus sonos de inverno. Não há nada para comer aqui em cima, mas as condições eram ideias para a hibernação. Muita neve para construírem um antro. Para encontrarem comida, as mães têm que levar as crias pela encosta, onde a neve já estará a derreter. Mas a descida pode ser um desafio para pequenas crias. Estas montanhas são locais perigosos, mas, em última análise, o destino destas famílias, bem como o de todos os ursos no Pacífico Norte, depende do salmão.

3:32 KB: Adoro aquela imagem. Fico sempre com arrepios cada vez que a vejo. Aquilo foi filmado a partir de um helicóptero utilizando uma câmera giro-estabilizada. É um equipamento fantástico, porque é como ter um tripé voador, grua e um dolly tudo junto. Mas a tecnologia só não chega. Para apanhar as imagens a valer, é uma questão de estar no sítio certo à hora certa. E aquela sequência foi particularmente difícil.

3:59 Não filmámos nada no primeiro ano. Tivemos que voltar no ano seguinte, de volta aos locais remotos do Alasca. E estivemos lá com um helicóptero durante duas semanas. E finalmente tivemos sorte. As nuvens desapareceram, o vento acalmou-se, e até o urso apareceu. E conseguimos filmar aquele momento mágico.

4:24 Para um realizador, tecnologias novas são ferramentas fantásticas, mas a outra coisa que realmente me entusiasma é quando novas espécies são descobertas. Ora, quando ouvi falar de um animal, sabia que tinha que o filmar para a minha próxima série, 'Américas Selvagens', para a National Geographic. Em 2005, uma nova espécie de morcego foi descoberta nas florestas nubladas do Equador. E o que foi fascinante naquela descoberta é que também resolveu o mistério sobre o que polinizava uma flor única. Depende apenas daquele morcego.

5:02 Ora, a série ainda não foi para o ar, portanto são os primeiros a ver isto. Vejam o que pensam. (Vídeo) Narrador: O morcego polinizador. Um poço de néctar delicioso encontra-se no fundo do carpelo comprido de cada flor. Mas como chegar lá? A necessidade é a mãe da evolução. (Música) Este morcego de 6 centímetros tem uma língua de 9 centímetros, a mais comprida em relação ao comprimento do corpo de qualquer mamífero no mundo. Se fosse humano, teria um língua de 2,7 metros. (Aplausos) KB: Mas que língua. Filmámos aquilo ao cortar um pequeno buraco no fundo da flor e utilizar uma câmara que abrandava a acção 40 vezes. Portanto imaginem a velocidade daquilo na vida real.

6:44 Frequentemente as pessoas perguntam-me, "Qual é o teu lugar favorito no planeta?" E a verdade é que não tenho um. Existem tantos lugares fantásticos. Mas alguns locais acabam por nos chamar de volta. E um local remoto -- fui lá pela primeira vez como mochileira; voltei várias vezes para fazer filmagens; recentemente para o 'Américas Selvagens' -- é o Altiplano nas alturas da Cordilheira dos Andes na América do Sul, e é o local mais 'fora deste mundo' que conheço. Mas, a 4500 metros, é duro. É gelado, e o ar fino afecta-nos. Às vezes é difícil respirar, sobretudo quando se carrega equipamentos de filmagem pesados. E as dores de cabeça são como ressacas constantes. Mas a vantagem daquela atmosfera fina é que permite-nos ver as estrelas no céu com uma claridade fantástica. Vejam.

7:50 (Vídeo) Narrador: Uns 2500 km a sul dos trópicos, entre o Chile e a Bolívia, a Cordilheira dos Andes muda completamente. Chama-se 'Altiplano', ou 'planícies altas' -- um local de extremos e contrastes extremos. Onde os desertos gelam e as águas fervem. Mais parecido com Marte que com a Terra, parece igualmente hostil para a vida. As próprias estrelas -- a 3700 metros, o ar seco e fino é perfeito para observar as estrelas. Alguns dos astrónomos do mundo têm telescópios por perto. Mas ao olhar para cima com o olho nu, não precisam de um. (Música) (Aplausos)

10:04 KB: Muito obrigada por me terem deixado partilhar algumas imagens da nossa magnífica, fabulosa Terra. Obrigada por permitirem que partilhasse isso convosco. (Aplausos)