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Translated by Gustavo Rocha
Reviewed by Leonardo Silva

0:11 Um computador é um meio incrivelmente poderoso para a expressão criativa, mas na maior parte, essa expressão fica confinada às telas de nossos laptops e celulares. E eu gostaria de lhes contar uma história sobre levar esse poder do computador para movimentar as coisas e interagir com elas fora da tela para o mundo físico no qual vivemos.

0:32 Há alguns anos, recebi uma ligação de uma loja de roupas de luxo, Barneys New York, e quando me dei conta, eu estava projetando esculturas cinéticas de fachada para as vitrines.

0:42 O nome desta é "The Chase". Há dois pares de sapatos, um masculino e um feminino, e eles encenam uma perseguição lenta e tensa pela vitrine onde o homem corre atrás da mulher e invade seu espaço pessoal, e ela então se afasta. Cada um dos sapatos tem imãs, e há imãs por baixo da mesa que movimentam os sapatos.

1:02 Meu amigo Andy Cavatorta estava construindo uma harpa robótica para a turnê Biophilia da Bjork e eu acabei construindo os componentes eletrônicos e o software de controle motor para fazer as harpas se moverem e tocarem. A harpa tem quatro pêndulos separados, e cada pêndulo tem 11 cordas. Então, a harpa balança em seu eixo e também gira para poder tocar notas diferentes, e as harpas são todas conectadas para que possam tocar as notas certas na hora certa durante a música.

1:30 Eu construí uma exposição interativa de química no Museu de Ciência e Indústria em Chicago, e essa exposição permite às pessoas usarem objetos físicos para segurar elementos químicos da tabela periódica e colocá-los juntos para provocar reações químicas. E o museu reparou que as pessoas estavam passando muito tempo nessa exposição, e uma pesquisadora de um centro de educação científica na Austrália decidiu estudar essa exposição e tentar descobrir o que estava acontecendo. E ela descobriu que os objetos físicos que as pessoas usavam estavam ajudando-as a entender como usar a exposição, e ajudavam as pessoas a aprender de um jeito social.

2:05 E quando pensamos nisso, faz muito sentido, que usar objetos físicos especializados ajudaria as pessoas a usar uma interface mais facilmente. Quero dizer, nossas mãos e mentes são otimizadas para pensar e interagir com objetos tangíveis. Pensem no que acham mais fácil de usar, um teclado físico ou um teclado na tela como num celular?

2:26 Mas o que eu percebi sobre todos esses projetos diferentes é que eles tinham que ser construídos do zero, desde os componentes eletrônicos e as placas de circuito impresso e todos os mecanismos até chegar ao software. Eu queria criar algo em que pudéssemos mover objetos sob o controle de computadores e criar interações em torno dessa ideia, sem ter que passar por esse processo de construir algo do zero toda vez.

2:50 E minha primeira tentativa para isso foi no MIT Media Lab com o professor Hiroshi Ishii, E nós construímos esse conjunto de 512 eletroímãs diferentes, e juntos eles conseguiam mover objetos em sua superfície. Mas o problema disso era que esses ímãs custam mais de 10 mil dólares. Embora todos sejam bem pequenos, juntos eles eram tão pesados que a mesa sobre a qual estavam começava a envergar. Eu queria construir algo em que pudéssemos ter esse tipo de interação em qualquer superfície de mesa.

3:20 E para explorar essa ideia, eu construí um exército de pequenos robôs, e eles têm o que chamamos de rodas holonômicas. São essas rodas especiais que podem se movimentar facilmente em qualquer direção, e quando acoplamos esses robôs a um projetor de vídeo, temos ferramentas físicas para interagir com informação digital. Aqui está um exemplo do que estou dizendo. Esta é uma aplicação de edição de vídeo onde todos os controles para a manipulação do vídeo são físicos. Então se quisermos ajustar a cor, basta entrar no modo de cor, e temos três mostradores diferentes para ajustar a cor, ou se quisermos ajustar o áudio, temos dois mostradores diferentes para isso, esses objetos físicos. Aqui os canais esquerdo e direito ficam em sincronia, mas se quisermos, podemos sobrescrever pegando ambos ao mesmo tempo. E a ideia é termos os benefícios de velocidade e eficiência ao usar esses mostradores físicos junto com a flexibilidade e versatilidade de um sistema que foi projetado em software.

4:18 E esta é uma aplicação de mapas para a resposta a desastres. E temos esses objetos físicos que representam a polícia, bombeiros, e um expedidor pode pegá-los e colocá-los no mapa para mostrar às unidades aonde ir, e a posição das unidades no mapa se sincroniza com a posição das unidades no mundo real.

4:38 Esta é uma aplicação de conversa por vídeo. É impressionante quanta emoção podemos passar com alguns movimentos simples de um objeto físico.

4:47 Com essa interface abrimos um grande leque de possibilidades entre jogos de tabuleiro tradicionais e jogos de arcade, em que as possibilidades de interação física possibilitam tantos estilos de jogo diferentes.

4:59 Mas umas das áreas sobre a qual mais estou animado em usar essa plataforma é a aplicação para problemas que são difíceis para computadores ou pessoas resolverem sozinhos. Um exemplo é o enovelamento de proteínas. Aqui temos uma interface em que temos alças físicas nas proteínas, e podemos segurar essas alças e tentar mover a proteína e enovelá-la de maneiras diferentes. E se a movermos de um jeito que não faz muito sentido com a simulação molecular subjacente, temos um retorno físico em que podemos sentir de verdade essas alças físicas nos pressionando. Sentir o que acontece dentro de uma simulação molecular é um nível totalmente diferente de interação.

5:38 E estamos somente começando a explorar o que é possível quando usamos software para controlar o movimento de objetos em nosso ambiente. Talvez esse seja o computador do futuro. Não há tela sensível ao toque. Não há qualquer tecnologia visível. Mas quando quisermos conversar por vídeo ou jogar um jogo ou preparar os slides de nossa próxima palestra TED, os objetos na mesa ganham vida.

6:02 Obrigado.

6:04 (Aplausos)