Tina Seelig
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Passei quase duas décadas observando o que faz algumas pessoas terem mais sorte que outras e tentando ajudar as pessoas a melhorarem a sorte delas. Ensino empreendedorismo, e todos nós sabemos que a maioria dos novos empreendimentos fracassa, e que os inovadores e os empreendedores precisam de toda a sorte possível.

Então, o que é sorte? Sorte é definida como sucesso ou fracasso causado aparentemente pelo acaso. Aparentemente. Essa é a palavra-chave. Parece que é acaso porque raramente vemos todos os fatores que levam as pessoas a terem sorte. Mas percebi, observando há muito tempo, que a sorte raramente é um raio, isolado e repentino. É muito mais parecida com o vento, que sopra constantemente. Às vezes, é calma; às vezes, sopra em rajadas; e, às vezes, vem de caminhos que nem se imagina.

Então, como se atrai os ventos da sorte? É fácil, mas não é óbvio. Vou compartilhar três coisas que vocês podem fazer para construir um veleiro para atrair os ventos da sorte. A primeira coisa que querem fazer é mudar o relacionamento de vocês consigo mesmos. Estejam dispostos a correr pequenos riscos que os tirem de sua zona de conforto. Quando somos crianças, fazemos isso o tempo todo. Temos que fazer isso se iremos aprender a andar, falar, andar de bicicleta, ou até aprender mecânica quântica, certo? Precisamos ser alguém que não anda de bicicleta numa semana e passa a andar na semana seguinte, o que nos obriga a sair de nossa zona de conforto e correr alguns riscos. O problema é que, conforme envelhecemos, raramente fazemos isso. Restringimos o sentido de quem somos e não nos desenvolvemos mais.

Com meus alunos, passo muito tempo incentivando-os a sairem da zona de conforto e correrem alguns riscos. Como faço isso? Começo pedindo que preencham um medidor de riscos. É basicamente uma coisa divertida que desenvolvemos em classe na qual planejamos quais riscos estão dispostos a correr. Fica claro muito rapidamente para eles que correr riscos não é algo binário. Há riscos intelectuais, físicos, financeiros, emocionais, sociais, éticos e políticos. Depois de fazer isso, comparam seu perfil de risco com o dos outros, e percebem rapidamente que todos são realmente diferentes.

Então, eu os incentivo a se desenvolverem, a correrem alguns riscos que os tirem da zona de conforto. Por exemplo, posso lhes pedir para correr um risco intelectual e tentar lidar com um problema que não haviam experimentado antes; ou um risco social, conversando com alguém sentado ao lado deles no trem; ou um risco emocional, dizendo talvez a alguém que realmente se importam como se sentem.

Eu mesma faço isso o tempo todo. Cerca de 12 anos atrás, eu estava em um avião, num voo de manhã bem cedo para o Equador. Geralmente, eu só colocaria meus fones de ouvido, iria dormir, acordar, trabalhar um pouco, mas decidi correr um pequeno risco, e comecei a conversar com o homem sentado ao meu lado. Eu me apresentei, e descobri que ele era editor. Interessante. Tivemos uma conversa fascinante. Aprendi tudo sobre o futuro da indústria editorial. Já havia se passado mais da metade do tempo de voo, e decidi correr outro risco: abri meu laptop e compartilhei com ele a proposta de um livro sobre algo que eu fazia em minha aula. Ele foi muito educado, leu a proposta e disse: "Sabe, Tina, não vai dar certo para nós, mas muito obrigado por compartilhar". Está bem, aquele risco não funcionou. Fechei meu laptop. No final do voo, trocamos informações de contato.

Alguns meses depois, eu o contatei e disse: "Mark, gostaria de vir para minha aula? Estou fazendo um projeto sobre reinventar o livro, o futuro da indústria editorial". Ele disse: "Ótimo, adoraria ir". Ele foi à minha aula e tivemos uma ótima experiência.

Alguns meses depois, escrevi para ele novamente. Dessa vez, enviei vários vídeos de outro projeto de meus alunos. Ele ficou tão intrigado com um dos projetos dos alunos, que achou que poderia virar um livro, e quis conhecer os alunos.

Devo dizer que fiquei um pouquinho ressentida.

(Risos)

Ele queria fazer um livro com meus alunos e não comigo. Está bem, estava tudo certo. Então, convidei-o para vir, e ele e seus colegas vieram para Stanford, encontraram-se com os alunos e, depois, almoçamos juntos. Um dos editores me perguntou: "Já pensou em escrever um livro?"

Respondi: "Engraçado você perguntar". Apresentei exatamente a mesma proposta que eu havia mostrado ao chefe dele um ano antes. Em duas semanas, eu tinha um contrato, e, em dois anos, o livro tinha vendido mais de um milhão de cópias no mundo todo.

(Aplausos)

Agora, vocês podem dizer: "Ah, você tem muita sorte". É claro que tive sorte, mas a sorte foi o resultado de uma série de pequenos riscos que corri, começando por dizer olá. Qualquer um pode fazer isso. Não importa onde estejamos na vida, não importa onde estejamos no mundo, mesmo que nos achemos a pessoa mais sem sorte, podemos correr pequenos riscos que nos tiram de nossa zona de conforto. Começamos a construir um veleiro para atrair sorte.

A segunda coisa que queremos fazer é mudar nosso relacionamento com outras pessoas. Precisamos entender que todos que nos ajudam em nossa jornada desempenham um papel importante em nos levar até nossos objetivos. E se não demonstrarmos gratidão, além de não concluirmos o ciclo, estaremos perdendo uma oportunidade. Quando fazem algo por nós, estão usando aquele tempo que poderiam passar com eles mesmos ou com mais alguém, e precisamos reconhecer o que estão fazendo.

Organizo três programas de bolsas de estudo em Stanford, muito concorridos, e, quando envio as cartas aos alunos que não foram aprovados, sei que haverá pessoas desapontadas. Algumas delas me enviam mensagens se lamentando. Outras enviam mensagens perguntando: "O que eu poderia fazer para ter mais sucesso da próxima vez?" E, de vez em quando, alguém me envia uma mensagem agradecendo pela oportunidade.

Isso aconteceu há cerca de sete anos. Um jovem chamado Brian me enviou uma bonita mensagem dizendo: "Sei que fui reprovado duas vezes nesse programa, mas quero lhe agradecer pela oportunidade. Aprendi muito com o processo de inscrição".

Fiquei tão encantada pela cortesia da mensagem que o convidei para vir me conhecer. Passamos algum tempo conversando e pensando em uma ideia para um projeto de estudo independente juntos. Ele estava no time de futebol de Stanford, e decidiu fazer um projeto sobre análise de liderança naquele contexto. Começamos a nos conhecer incrivelmente bem naquele trimestre. Ele assumiu o projeto em que começou a trabalhar no estudo independente e o transformou, no final, em uma empresa chamada "Play for Tomorrow", em que ensina a crianças de origem menos favorecida a realmente criarem a vida que sonham ter.

O importante a respeito dessa história é que nós dois acabamos atraindo os ventos da sorte como resultado da mensagem de agradecimento dele. Mas foram ventos que não esperávamos no início.

Ao longo dos últimos dois anos, criei alguns planos para minha própria vida para me ajudar a realmente incentivar o agradecimento. Meu favorito é que, no final de cada dia, olho minha agenda, revejo todas as pessoas com quem me encontrei e envio mensagens de agradecimento a cada uma delas. Leva apenas alguns minutos, mas, no final de cada dia, sinto-me incrivelmente agradecida, e asseguro a vocês que minha sorte aumentou.

Primeiro, precisamos correr alguns riscos e sair da zona de conforto. Segundo, precisamos demonstrar gratidão. E terceiro, precisamos mudar nosso relacionamento com as ideias. A maioria olha as novas ideias que surgem em seu caminho e as julgam. "Essa é uma ótima ideia" ou "Essa é uma péssima ideia". Mas, na verdade, é muito mais sutil. Ideias não são nem boas nem ruins. De fato, as sementes de péssimas ideias são, muitas vezes, algo realmente extraordinário.

Um de meus exercícios favoritos em minhas aulas sobre criatividade é ajudar os alunos a promoverem uma atitude de olhar para péssimas ideias pelas lentes das possibilidades. Dou a eles um desafio: criar uma ideia para um novo restaurante. Eles têm que propor as melhores ideias e as piores ideias para esse restaurante. As melhores ideias são coisas como um restaurante no alto de uma montanha com um belo pôr do sol, ou um restaurante em um navio com uma vista maravilhosa. As péssimas ideias são coisas como um restaurante em um depósito de lixo, ou um restaurante muito sujo com serviço terrível, ou um restaurante que serve sushi de barata.

(Risos)

Eles entregam todas as ideias para mim, leio as ótimas ideias em voz alta, então, rasgo-as e jogo fora. Pego, então, as ideias horríveis e as redistribuo. Agora, cada equipe tem uma ideia que outra equipe achou horrível, e o desafio deles é transformá-la em algo brilhante.

Eis o que acontece. Em cerca de dez segundos, alguém diz: "Essa é uma ideia sensacional". Eles têm cerca de três minutos antes de mostrar a ideia para a classe. E o restaurante no depósito de lixo? No que ele se transformou? Bem, eles vão buscar toda a comida que sobrou de grandes restaurantes, que seria jogada fora, e levar a outro restaurante a um preço muito menor, com todas as sobras. Não é genial? Ou o restaurante sujo com péssimo serviço? Virou um restaurante que é um local de treinamento para futuros donos de restaurante descobrirem como evitar os imprevistos. E o restaurante com sushi de barata? Virou, é claro, um sushi bar com todo tipo de ingredientes muito interessantes e exóticos.

Se olharem as empresas, os empreendimentos muito inovadores ao seu redor, aos quais não damos muito valor agora e que mudaram nossa vida, sabem de uma coisa? Todos eles começaram como ideias malucas, que, ao serem apresentadas a outras pessoas, a maioria delas disse: "Isso é loucura, nunca vai funcionar".

Então, sim, às vezes, as pessoas nasceram em circunstâncias terríveis, e, às vezes, a sorte é um raio que nos atinge com algo maravilhoso ou terrível. Mas os ventos da sorte estão sempre por aí, e, se estiverem dispostos a correr alguns riscos, a sair e demonstrar gratidão e olhar as ideias, mesmo que sejam malucas, pelas lentes das possibilidades, podemos construir um veleiro cada vez maior para atrair os ventos da sorte.

Obrigada.

(Aplausos)