Mike Biddle
1,164,409 views • 10:58

Eu sou um homem do lixo. E vocês podem achar interessante que eu tenha me tornado um homem do lixo, porque eu realmente odeio lixo. Espero que nos próximos 10 minutos eu possa mudar a maneira como vocês pensam sobre muitas coisas nas vidas de vocês. E eu gostaria de começar pelo início. Pense em quando você era apenas uma criança. Como você olhava para as coisas na sua vida? Talvez fosse como nas regras infantis: Isso é meu se eu vi primeiro A pilha toda são coisas minhas se eu estou construindo algo Quanto mais coisas forem minhas, melhor E é claro, são suas coisas se estão quebradas

(Risos)

Depois de passar cerca de 20 anos na indústria de reciclagem, tornou-se claro para mim que nós não necessariamente deixamos estas regras infantis para trás enquanto nos tornamos adultos. E deixem-me contar porque eu tenho este ponto de vista. Porque a cada dia nas nossas plantas industriais ao redor do mundo nós manipulamos cerca de 450 mil kgs de coisas descartadas pelas pessoas. Parece que 450 mil kgs por dia é muita coisa, mas isso é como uma gota dos bens duráveis que são descartados todo ano ao redor do mundo — bem abaixo de um porcento. De fato, as Nações Unidas estimam que há cerca de 39 bilhões de kgs por ano de lixo eletrônico que são descartados pelo mundo a cada ano — e esta é uma das partes que crescem mais rapidamente em nosso fluxo de lixo. E se vocês somarem a isso bens duráveis como automóveis e assim por diante, esse número mais do que dobra. E é claro, quanto mais desenvolvido o país, maiores estas montanhas.

Agora, quando vêem estas montanhas, a maioria das pessoas pensa em lixo. Nós vemos "minas de superfície". E a razão pela qual vemos minas é porque há muita matéria prima valiosa que foi usada para fazer todas essas coisas, para começar. E é cada vez mais importante que descubramos como extrair esta matéria prima destes fluxos extremamente complicados de lixo. Porque nós ouvimos toda a semana no TED, que o mundo está se tornando um lugar menor, com mais pessoas nele que querem cada vez mais coisas. E é claro, eles querem os brinquedos e as ferramentas que muitos de nós pensam que fazem parte da vida.

E o que é usado para fazer brinquedos e ferramentas que usamos todos os dias? São sobretudo diversos tipos de plástico e diversos tipos de metais. E os metais, nós normalmente retiramos de minérios que extraímos de minas em constante ampliação ao redor do mundo. E os plásticos nós obtemos a partir de petróleo, pelo qual vamos para localidades cada vez mais remotas e perfuramos poços cada vez mais profundos para extrair. E essas práticas possuem significantes implicações econômicas e ambientais que estamos começando a ver hoje em dia.

A boa notícia é que estamos começando a recuperar materiais das coisas que chegam ao fim de sua vida útil e começando a reciclá-las. particularmente em regiões do mundo como aqui na Europa que possuem políticas de reciclagem em vigor que requerem que as coisas sejam recicladas de uma maneira responsável. A maior parte do que é extraído de nossas coisas no fim da vida útil quando chega à reciclagem, são os metais. Para colocar isso em perspectiva — e eu estou usando o alumínio como representante dos metais, porque é o metal mais comum — se suas coisas chegam à reciclagem, provavelmente 90% dos metais serão recuperados e reutilizados para outros fins. Com os plásticos é uma história completamente diferente: bem menos de 10% são reciclados. De fato, é algo como 5%. A maior parte é incinerada ou depositada em aterros.

A maioria das pessoas pensa que isso é porque plásticos são materiais descartáveis, com pouco valor agregado. Mas na realidade plásticos são várias vezes mais valiosos que alumínio. E há mais plásticos produzidos e consumidos pelo mundo em termos de volume anualmente que o alumínio. Então por que é que um material tão valioso e abundante não é recuperado a um nível próximo a de um material menos valioso? Bom, isso ocorre principalmente porque metais são muito fáceis de reciclar a partir de outros materiais ou de outros metais. Eles possuem densidades bem diferentes. Possuem propriedades elétricas e magnéticas diferentes. E possuem até cores diferentes. De forma que é muito fácil tanto para humanos quanto para máquinas separar estes metais uns dos outros e de outros materiais. Plásticos possuem densidades que variam muito pouco. Possuem propriedades elétricas e magnéticas idênticas ou muito similares. E qualquer plástico pode ser de qualquer cor, como vocês devem saber bem. Portanto as maneiras tradicionais de separar materiais simplesmente não funcionam para os plásticos.

Outra consequência de os metais serem tão fáceis de reciclar por humanos é que muita de nossas coisas do mundo desenvolvido — e, infelizmente, dos Estados Unidos em particular, onde não temos políticas de reciclagem em vigor como aqui na Europa — são enviadas a países em desenvolvimento para reciclagem de baixo custo. Por algo como um dólar ao dia, pessoas selecionam dentre nossas coisas. Eles extraem o que podem, principalmente metais — placas de circuito e assim por diante — e deixam para trás principalmente o que não podem recuperar, ou seja, principalmente os plásticos. Ou eles queimam os plásticos para chegar aos metais em casas de queimar como vocês vêem aqui. E eles extraem os metais manualmente. Embora esta possa ser a solução de baixo custo econômico, certamente não é a solução de baixo custo ambiental ou de baixo custo para a saúde e a segurança. Eu chamo isso de especulação ambiental. E isso não é justo, nem seguro e não é sustentável.

Como os plásticos são tão abundantes — e, a propósito, aqueles outros métodos não levam à recuperação dos plásticos, obviamente — mas ainda assim as pessoas tentam recuperá-los. Este é apenas um exemplo. Esta é uma foto que tirei de cima dos telhados de uma das maiores favelas do mundo, em Mumbai, India. Eles armazenam plásticos nos telhados. Depois os trazem para oficinas como estas, e as pessoas se esforçam para separar os plásticos, por cor, por formato, pelo tato, por qualquer técnica que possam utilizar. E algumas vezes recorrem à técnica conhecida como "queimar e cheirar" pela qual eles queimam o plástico e cheiram a fumaça para tentar determinar o tipo do plástico. Nenhuma destas técnicas resulta em uma quantidade de reciclagem de nenhuma maneira significante. E, a propósito, por favor, não tentem esta técnica em casa.

Então o que devemos fazer em relação a este material moderno (que pelo menos costumávamos chamar de modernos), o plástico? Bom, eu certamente acredito que ele é valioso e abundante demais para seguir sendo depositado no solo ou sendo queimado. Assim, por volta de 20 anos atrás, eu literalmente comecei a mexer em minha garagem, tentando descobrir como separar estes materiais tão parecidos uns com os outros, e eventualmente recrutei muitos dos meus amigos, no mundo da mineração e no mundo dos plásticos, e nós começamos a visitar laboratórios de mineração pelo mundo. Porque, afinal, estamos fazendo mineração nas minas de superfície. E eventualmente nós desvendamos o segredo. Esta é a última fronteira da reciclagem. É o último material principal a ser recuperado em quantidade significativa na Terra. E nós finalmente descobrimos como fazer isso. E, no processo, começamos a recriar o modo como a indústria fabrica plásticos.

O modo tradicional de fabricar plásticos é com petróleo ou petroquímicos. Você quebra as moléculas, combina-as de maneiras específicas para fazer todos os maravilhosos plásticos dos quais desfrutamos todos os dias. Nós dissemos: "Deve haver um jeito mais sustentável de fabricar plásticos". E não somente sustentável de um ponto de vista ambiental, mas também do ponto de vista econômico. Bem, um bom ponto de partida é o lixo. que com certeza não custa tanto quanto petróleo, e é abundante, como espero que vocês tenham podido perceber pelas fotografias. E já que não estamos quebrando os plásticos em moléculas e recombinando-os, estamos usando uma abordagem de mineração para extrair estes materiais.

Nós temos custos de capital consideravelmente menores em nosso equipamento industrial. Nós economizamos muita energia. Não sei quantos outros projetos no planeta atualmente podem economizar de 80 a 90 porcento da energia gasta em comparação com o método de fabricação tradicional. E em vez de gastar várias centenas de milhões de dólares para construir uma fábrica de produtos químicos que somente produzirá um tipo de plástico durante toda sua vida, nossas instalações podem fabricar qualquer tipo de plástico. E nós fazemos substituições imperceptíveis para o plástico que é feito de petroquímicos. Nossos clientes podem desfrutar de imensas economias em CO2. Eles conseguem fechar o ciclo com seus produtos. E conseguem fabricar produtos mais sustentáveis.

No curto tempo que resta, eu quero lhes dar uma pequena noção de como nós fazemos isso. Começa com equipamentos que trituram o lixo em pedaços bem pequenos. Eles recuperam os metais e deixam para trás o que é chamado de resíduo de trituração — é o lixo deles — uma mistura bastante complexa de materiais, mas predominantemente composta de plásticos. Nós retiramos aquilo que não é plástico, como os metais que os equipamentos deixaram passar, carpet, espuma, borracha, madeira, vidro, papel, você escolhe. Até um eventual animal morto, infelizmente, E aqui isso vai para a primeira parte do nosso processo, que é mais como a reciclagem tradicional. Nós peneiramos o material, usamos ímãs, usamos classificação com ar. Neste ponto, parece com a fábrica do Willy Wonka.

Ao final deste processo, temos um composto de vários plásticos misturados: diversos tipos de plásticos e diversas qualidades de plásticos. Isso vai para a parte mais sofisticada de nosso processo, e a parte realmente difícil, o processo de separação em etapas, começa. Nós moemos o plástico até deixá-lo aproximadamente do tamanho de uma unha. Usamos um processo altamente automatizado para classificar estes plásticos, não somente por tipo, mas também por qualidade. E do final desta parte do processo saem pequenos flocos de plástico: um tipo, uma qualidade. Nós então usamos classificação óptica para classificar este material. Misturamos o plástico em silos com capacidade de 22.500-kgs Levamos o material para extrusores onde o derretemos, o empurramos por pequenos buracos, fazemos fios plásticos parecidos com spagueti. E então cortamos estes fios em pedaços que chamamos de "pellets" (pastilhas). E esta se torna a moeda da indústria de plásticos. Este é o mesmo material que se obtém do petróleo. E hoje, nós o produzimos a partir das suas coisas velhas. e este material vai diretamente para suas coisas novas.

(Aplausos)

Então agora, em vez de suas coisas acabarem depositadas a céu aberto em um país em desenvolvimento ou literalmente virando fumaça, vocês podem encontrar suas coisas velhas de volta sobre suas mesas em forma de novos produtos, nos seus escritórios, ou de volta ao uso em casa. E estes são apenas alguns exemplos de companhias que estão comprando nosso plástico, substituindo plástico virgem, para fabricar novos produtos.

Eu espero ter mudado o modo como vocês olham para pelo menos parte das coisas na sua vida. Nós pegamos dicas da Mãe Natureza. A Mãe Natureza desperdiça muito pouco, e reutiliza praticamente tudo. Espero também que vocês parem de ver-se como consumidores — este é um rótulo que eu odiei toda a minha vida — e pensem que apenas estão usando recursos em uma forma, até que eles possam ser transformados em outra coisa para outro uso mais tarde. E por fim, espero que concordem comigo em mudar um pouco a última das regras infantis que mencionei anteriormente para: "se estão quebradas, são coisas do Mike."

Obrigado por seu tempo.

(Aplausos)