Melinda Epler
2,412,340 views • 9:37

Em 2013, eu era executiva de uma empresa internacional de engenharia em São Francisco. Era o emprego dos meus sonhos. A culminação de todas as habilidades que adquiri ao longo dos anos: narrativa, impacto social, mudança de comportamento. Eu era chefe de marketing e cultura e trabalhava com os maiores sistemas de saúde do país, usando tecnologia e mudança cultural para reduzir radicalmente o consumo de energia e água e melhorar o impacto social. Eu causava uma mudança real no mundo. E foi a pior experiência profissional da minha vida. (Risos)

Eu "bati no teto de vidro" com força. Doeu demais. Embora houvesse problemas maiores, a maior parte do que aconteceu foram pequenos comportamentos e padrões que lentamente minaram minha capacidade de fazer bem o meu trabalho. Eles destruíram minha confiança, minha liderança e capacidade de inovar. Por exemplo, minha primeira apresentação na empresa. Fui até a frente da sala apresentar a estratégia que acreditava ser a ideal para a empresa. A que me contrataram para criar. Olhei ao redor da sala para meus colegas executivos.

E eu os vi pegarem os celulares e olharem para os laptops. Eles não estavam prestando atenção. Assim que comecei a falar, as interrupções começaram e as pessoas falavam sem parar. Algumas de minhas ideias foram simplesmente descartadas e depois repetidas por outra pessoa e apoiadas. Eu era a única mulher naquela sala. E precisava de um aliado.

Pequenos comportamentos e padrões como estes, todos os dias, repetidamente, desgastam as pessoas. Rapidamente, minha energia acabou. Quanto estava pra baixo, eu li um artigo sobre a cultura do local de trabalho tóxico e as microagressões. Microagressões: depreciações diárias, insultos, comunicação negativa verbal e não verbal, intencional ou não, que impedem a capacidade de fazer bem o trabalho. Isso era familiar. Comecei a perceber que não estava falhando. Era a cultura à minha volta que estava falhando comigo. E eu não estava sozinha.

Comportamentos e padrões como estes todos os dias afetam pessoas sub-representadas no local de trabalho. E isso tem um impacto real nos nossos colegas, empresas e na nossa capacidade coletiva de inovar. Na indústria da tecnologia, queremos soluções rápidas. Mas não há varinha mágica para corrigir a diversidade e a inclusão. A mudança acontece uma pessoa de cada vez, um ato e uma palavra de cada vez.

Erramos ao enxergarmos diversidade e inclusão como um projeto paralelo que as pessoas estão lá fazendo, ao invés do trabalho interno que precisamos fazer juntos. E esse trabalho começa ao desaprendermos o que sabemos sobre sucesso e oportunidade. Nos disseram toda a nossa vida que, se trabalharmos duro, valerá a pena, teremos o que merecemos, viveremos nosso sonho. Mas isso não é verdade para todos. Algumas pessoas trabalham dez vezes mais para chegar ao mesmo lugar devido a muitos obstáculos impostos pela sociedade. Gênero, raça, etnia, religião, deficiência, orientação sexual, classe social, geografia, tudo isso pode significar mais ou menos oportunidades de sucesso.

E é aí que entra o "ser aliado". Ser aliado é entender o desequilíbrio nas oportunidades e trabalhar para corrigi-lo. Ser aliado é enxergar a pessoa ao lado. E a pessoa ausente, que deveria estar ao nosso lado. Primeiro, apenas sabendo pelo que estão passando. E então, ajudando-as a ter sucesso e a prosperar conosco. Ao trabalharmos pra desenvolver equipes mais diversificadas e inclusivas, os dados mostram que nos tornamos mais inovadores, produtivos e lucrativos.

Então, quem é um aliado? Todos nós podemos ser aliados uns dos outros. Como uma mulher branca, cisgênero, nos Estados Unidos, de muitas maneiras sou muito privilegiada. E de algumas eu não sou. Trabalho duro todos os dias pra ser uma aliada de pessoas com menos privilégios que eu. E preciso de aliados também.

Na indústria da tecnologia, como em outras indústrias, há muitas pessoas sub-representadas, que enfrentam obstáculos e discriminação. Mulheres, pessoas não binárias; que não se identificam necessariamente como homem ou mulher; minorias raciais e étnicas, LGBTQIA, pessoas com deficiência, veteranos, qualquer um com mais de 35 anos.

(Risos)

Temos um grande preconceito em relação à idade na indústria da tecnologia. E em muitas outras. Há sempre alguém menos privilegiado. Neste palco, nesta sala. Nas empresas, equipes e cidades. As pessoas são aliadas por diferentes razões. Encontrem um motivo. Pode ser nos negócios: os dados mostram que equipes diversificadas e inclusivas são mais produtivas, lucrativas e inovadoras. Pode ser por equidade e justiça social. Porque nós temos uma longa história de opressão e desigualdade, na qual precisamos trabalhar juntos. Ou pode ser pelas crianças, para que cresçam com oportunidades iguais. E cresçam criando oportunidades iguais para os outros. Encontrem um motivo. Para mim, são os três. Encontrem um motivo e programem-se para estar presentes para alguém que precise.

Então, o que podemos fazer como aliados? Comecem não prejudicando ninguém. É nosso trabalho como aliados saber o que são microagressões e não cometê-las. Como aliados devemos ouvir, aprender, desaprender e reaprender, cometer erros e continuar aprendendo. Deem toda a sua atenção. Fechem os laptops, guardem os celulares e prestem atenção. Se uma pessoa é nova ou é a única diferente na sala, ou está apenas nervosa, isso vai fazer uma enorme diferença em como ela se mostrará.

Não interrompam. Pessoas sub-representadas são mais propensas a serem interrompidas, apenas deem um passo atrás e escutem. Ecoem e atribuam. Se eu tiver uma ótima ideia, você a ecoa e depois a atribui a mim, e nós prosperamos juntos. Aprendam a linguagem que uso para descrever minha identidade. Saibam como pronunciar meu nome. Conheçam meus pronomes: ele, ela, eles. Saibam a linguagem que uso para descrever minha deficiência, etnia, religião. Isso realmente importa para as pessoas, então, se não souberem, é só perguntar. Escutem e aprendam.

Um executivo me disse recentemente que depois de fazer aliados na equipe, todos começaram a se policiar para evitar as interrupções. "Eu sinto muito por eu estar te interrompendo agora, continue." "Ela tem uma ótima ideia, vamos escutar."

Número dois, defendam pessoas sub-representadas com pequenos gestos. Intervenham, vocês podem mudar as dinâmicas de poder na sala. Se virem alguém diferente na sala, que estiver sendo menosprezado, interrompido, façam ou digam alguma coisa. Convidem pessoas sub-representadas para falar. E digam não aos painéis sem pessoas sub-representadas. Indiquem alguém pra um trabalho e incentivem-no a aceitá-lo e a aproveitar novas oportunidades. E isso é realmente importante: ajudem a normalizar o "ser aliado". Quando uma pessoa é privilegiada, é mais fácil defender os aliados. Portanto, usem o privilégio para criar mudanças.

Três, mudem a vida de alguém significativamente. Façam-se presentes para alguém ao longo da carreira. Orientem ou patrocinem, deem oportunidades à medida que crescem. Se voluntariem num programa "STEM", atendendo a jovens carentes. Mudem sua equipe pra ser mais diversificada e inclusiva. E firmem compromissos reais para gerar mudanças. Mantenham a vocês e sua equipe responsáveis por criar mudanças.

E, por fim, ajudem a defender a mudança em toda a sua empresa. Quando se ensinam os funcionários a serem aliados, os programas de diversidade e inclusão ficam mais fortes. Podemos ser aliados uns dos outros, dentro ou fora do trabalho.

Então, percebi recentemente que eu ainda tenho vergonha e um medo persistente daquele momento em minha carreira quando me senti totalmente sozinha, excluída e sem apoio. Há milhões de pessoas lá fora, como eu, agora mesmo, se sentindo assim. E não é preciso muito para nos fazermos presentes pelos outros. Quando estamos presentes e nos apoiamos uns nos outros, nós prosperamos juntos. E, quando prosperamos, construímos equipes melhores, melhores produtos e empresas. "Ser aliado" é algo poderoso. Tentem.

Obrigada.

(Aplausos)