Megan Washington
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Quando concordei f-f-fazer isto, não sabia se queriam que falasse ou cantasse. Mas quando me disseram que o tópico era a linguagem, senti que havia algo que tinha de dizer.

Eu tenho um... problema. Não é a pior coisa do mundo. Estou bem. Não estou a arder. Eu sei que outras pessoas no mundo têm que lidar com coisas b-b-bem piores, mas para mim... a linguagem e a m-m-música estão intrinsecamente ligadas por uma coisa.

Essa coisa é a minha g-g-gaguez. Pode parecer curioso, dado que eu passo muito tempo da minha vida no p-p-palco. Talvez achem que me sinto à vontade a falar em público e à vontade aqui, a falar com vocês. Mas a verdade é que passei a minha vida até agora — e incluindo agora — no pânico mortal de falar em público. Cantar em público, é completamente diferente. (Risos) Mas já vamos falar disso. Nunca falei sobre isto tão explicitamente. Acho que é porque sempre tive a esperança de que, quando fosse adulta, já não gaguejasse. Sempre vivi com a ideia de que, quando fosse crescida, teria aprendido a falar f-f-francês, e que, quando crescesse, teria aprendido a gerir o meu dinheiro, e, que quando crescesse, não gaguejaria, e conseguiria falar em público e talvez ser primeira-ministra, e tudo seria possível e... vocês sabem. (Risos) Eu consigo falar disto agora porque cheguei a um ponto em que — quer dizer, tenho 28 anos. Tenho a certeza de que já sou adulta. (Risos) E sou uma mulher adulta, que vive a sua vida como artista, com problemas de fala. Por isso, mais vale ser sincera.

Há lados interessantes no que toca à gaguez. Para mim, o pior que pode acontecer é conhecer outro g-g-gago. (Risos) Isto aconteceu-me em Hamburgo, quando um rapaz que conheci disse: "Olá, o m-m-m-meu nome é Joe." e eu disse: "Ah, olá, o m-m-m-meu nome é Meg." Imaginem o meu pânico quando me apercebi de que ele pensou que eu estava a gozar com ele. (Risos)

As pessoas pensam que eu estou sempre embriagada. (Risos)

Pensam que eu me esqueci do nome delas quando hesito antes de o dizer. E é algo muito estranho, porque os nomes próprios são a coisa pior. Se vou usar a palavra "quarta-feira" numa frase, quando estou quase a dizê-la e sinto que vou gaguejar, consigo mudar a palavra para "amanhã", ou "o dia depois de terça-feira", ou outra coisa qualquer. É desajeitado, mas dá para me safar, porque, ao longo do tempo, desenvolvi um método alternativo de fala em que, mesmo no último minuto, mudo a palavra e engano o cérebro. Mas não posso mudar o nome das pessoas. (Risos) Quando cantava muito "jazz", trabalhava muito com um pianista que se chamava S-s-steve. Como já se devem ter apercebido, os "s" e os "t", juntos ou separados, são o meu ponto fraco. Mas eu tinha de apresentar a banda enquanto eles improvisavam, e quando chegava ao S-s-steve, muitas vezes bloqueava no "st". Era um pouco constrangedor e acabava com a energia. Então, depois de alguns incidentes como este, o Steve tornou-se no "Seve", (Risos) e ultrapassámos assim a situação.

Já fiz muita terapia, e uma forma comum de tratamento é utilizar a técnica chamada "fala suave", que é quando quase cantamos tudo o que dizemos. Quase juntamos tudo nesta maneira cantante de professora do pré-escolar, que nos faz soar muito serenos, como se tivéssemos tomado Valium, (Risos) e tudo estivesse calmo. Eu não sou nada assim. E uso bastante isto. Uso realmente. Uso quando tenho que estar em tertúlias na TV ou quando tenho que dar entrevistas na rádio, quando é primordial a economia de tempo no ar . (Risos) Passo por isto desta forma no meu trabalho. Mas como uma artista que sente que o seu trabalho é somente baseado numa plataforma de honestidade e de ser real, parece que isto é batota.

É por isso que, antes de cantar, gostaria de vos dizer o que cantar significa para mim. É mais do que emitir sons bonitos, é mais do que criar c-c-canções bonitas. É mais do que se sentir conhec-c-cido ou entendido. É mais do que fazer-vos sentir o que estou a sentir. Não se trata de mitologia, ou de me mitificar para vocês. De alguma maneira, através de uma função sináptica milagrosa do cérebro humano, é impossível gaguejar quando cantamos. Quando eu era mais nova, este era um método de tratamento que funcionava muito bem para mim: cantar, então eu cantava muito. É por isso que aqui estou hoje.

(Aplausos)

Obrigada.

Cantar, para mim, é um alívio. É o único momento em que me s-s-sinto fluente. É o único momento em que o que sai da minha boca é exatamente o que eu queria dizer. (Risos) Então, eu sei que esta é uma palestra TED, mas agora vou fazer um musical TED. Esta é uma canção que compus no ano passado.

Muito obrigada. Obrigada.

(Aplausos)

(Piano)

♪ Eu seria linda ♪

♪ mas o meu nariz ♪

♪ é ligeiramente grande demais ♪

♪ para a minha cara ♪

♪ E eu seria uma sonhadora ♪

♪ mas o meu sonho ♪

♪ é ligeiramente grande demais ♪

♪ para este espaço ♪

♪ Eu seria um anjo ♪

♪ mas a minha auréola ♪

♪ fica pálida com o brilho ♪

♪ da tua graça ♪

♪ Eu seria um "joker" ♪

♪ mas essa carta ♪ ♪ parece tola quando jogamos ♪

♪ o nosso ás ♪

♪ Eu gostaria de saber ♪

♪ Há estrelas no inferno? ♪

♪ E gostaria de saber ♪

♪ saber se percebes ♪

♪ que me fazes perder tudo o que conheço ♪

♪ Que não posso escolher ♪ ♪ deixar ou não ♪

♪ E eu ficaria aqui para sempre ♪

♪ mas a minha casa ♪

♪ é ligeiramente longe demais ♪

♪ deste lugar ♪

♪ Eu juro que tentei ♪

♪ abrandar♪

♪ quando estou a seguir o teu ritmo ♪

♪ Mas tudo o que eu podia pensar ♪

♪ vagueando pela cidade ♪

♪ era se eu fico bonita à chuva. ♪

♪ Eu não sei como alguém ♪

♪ assim tão encantador ♪

♪ me faz sentir feia ♪

♪ Tanta vergonha ♪

♪ Gostaria de saber ♪

♪ Há estrelas no inferno? ♪

♪ Eu gostaria de saber ♪

♪ saber se tu percebes ♪

♪ que me fazes perder tudo que conheço ♪

♪ que eu não posso escolher ♪ ♪ deixar ou não ♪

Muito obrigada. (Aplausos)