Larry Brilliant
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Sou o homem mais sortudo do mundo. Assisti ao último caso de varíola assassina no mundo. Estava na Índia, o ano passado, e posso ter visto os últimos casos de poliomielite no mundo. Não há nada que nos faça sentir melhor a bênção e a honra de trabalhar num programa como este do que saber que desapareceu uma coisa tão terrível.. (Aplausos) Por isso, vou mostrar-vos umas imagens revoltantes. São difíceis de ver, mas devem olhar para elas com otimismo, porque o horror destas imagens será compensado

com o conforto animador de saber que já não existem. Mas primeiro, vou falar-vos um pouco da minha experiência. A minha formação não é propriamente a formação médica convencional de que podiam estar à espera. Quando eu era interno em São Francisco, ouvi falar dum grupo de nativos americanos que tinham ocupado a Ilha de Alcatraz e de uma nativa americana que queria dar à luz naquela ilha, mas nenhum médico queria lá ir para ajudá-la no parto. Fui a Alcatraz e vivi na ilha durante várias semanas. Ela deu à luz, eu aparei o bebé e vim-me embora da ilha. Desembarquei em São Francisco. Toda a imprensa queria falar comigo

porque as minhas três semanas na ilha tinham-me tornado num especialista dos assuntos índios. (Risos) Apareci em todos os programas de televisão. Viram-me na TV, chamaram-me e perguntaram-me se eu queria entrar num filme e representar um jovem médico dum grupo de estrelas do "rock" que viajavam de autocarro de São Francisco a Inglaterra. Eu disse que sim, que faria isso. Assim, tornei-me médico num filme absolutamente horrível chamado "Medicine Ball Caravan." (Risos) Nos anos 60, ou se estava num autocarro, ou fora dele; eu estava lá dentro. A minha mulher, de há 37 anos, e eu apanhámos o autocarro. A nossa viagem de autocarro levou-nos de São Francisco a Londres, Tínhamos trocado de autocarro no Oceano Atlântico. Depois apanhámos mais dois autocarros e atravessámos a Turquia, o Irão, o Afeganistão, atravessámos o Passo Khyber para o Paquistão, como qualquer outro jovem médico.

Estes somos nós no Passo Khyber, aquele é o nosso autocarro.

Tivemos muita dificuldade em atravessar o Passo Khyber, mas acabámos por chegar à Índia. Depois, como toda a gente da nossa geração, fomos viver para um mosteiro nos Himalaias. (Risos) Isto era apenas como um estágio para os que andam a estudar medicina. (Risos) Estudámos com um homem sábio, um guru chamado Karoli Baba, que me disse para me desfazer da túnica, vestir um fato de três peças, ir para a ONU como diplomata e trabalhar para a Organização Mundial de Saúde. Ele fez uma profecia incrível de que a varíola seria erradicada,

era uma dádiva de Deus à humanidade, por causa do trabalho difícil de cientistas dedicados. Essa profecia concretizou-se.

Esta rapariguinha é Rahima Banu. Foi o último caso mundial da varíola assassina. Este documento é o certificado que a comissão mundial assinou, certificando que o mundo tinha erradicado a primeira doença da História. A chave para a erradicação da varíola foi a deteção precoce e uma resposta rápida Vou pedir-vos que repitam comigo: deteção precoce e resposta rápida. São capazes de dizer isto? Público: Deteção precoce e resposta rápida. Larry Brilliant: A varíola foi a pior doença da História. Matou mais pessoas que todas as guerras da História. No século passado, matou 500 milhões de pessoas. Vocês já andam a ler Larry Page. Há aqui gente que lê muito depressa. No ano em que Larry Page e Sergey Brin — por quem tenho um certo afeto e uma recente afiliação —

no ano em que eles nasceram, morreram com varíola dois milhões de pessoas. Declarámos a varíola erradicada em 1980. Este é o diapositivo mais importante que já vi sobre saúde pública. [Soberanos mortos pela varíola] porque mostra que os mais ricos e os mais fortes, os reis ou as rainhas do mundo, não estavam imunes a morrer de varíola. Não podemos duvidar que estamos todos no mesmo barco.

Mas ver a varíola na perspetiva de um soberano é a perspetiva errada. Devemos vê-la na perspetiva duma mãe, que vê o seu filho com esta doença e não pode fazer nada. Dia um, dia dois, dias três, dia quatro, dia cinco, dia seis. Uma mãe a olhar para o filho. No dia seis, vemos as pústulas a ficarem duras. Dia sete, mostram as cicatrizes clássicas da umbilicação da varíola. Dia oito.

Al Gore disse há bocado que a imagem mais divulgada do mundo, a imagem mais vezes impressa no mundo, era a da Terra. Mas esta foi em 1974 e, nessa época, esta fotografia era a fotografia mais vezes impressa por toda a parte porque imprimimos 2000 milhões de exemplares desta fotografia

e entregámo-las, de mão em mão, porta a porta, para mostrar às pessoas e perguntar-lhes se tinham varíola em casa, porque era esse o nosso sistema de vigilância. Não tínhamos o Google, não tínhamos motores de busca, não tínhamos computadores. No dia nove — vemos esta foto e ficamos horrorizados — eu vi esta foto e disse: "Obrigado, meu Deus", porque é óbvio que se trata apenas de um caso vulgar de varíola e sei que esta criança vai viver.

No dia 13, estão a formar-se crostas, as pálpebras estão inchadas, mas sabemos que a criança não tem nenhuma infeção secundária. No dia 20, embora fique toda a vida com cicatrizes, vai viver. Há outros tipos de varíola que não são assim. A varíola confluente, em que não há um único local no corpo onde possamos pôr um dedo sem estar coberto de lesões. A varíola maligna, que matou 100% das pessoas que a apanharam. A varíola hemorrágica, a mais cruel de todas, que tinha uma predileção por mulheres grávidas. Vi morrer umas 50 mulheres. Todas tinham varíola hemorrágica. Nunca vi ninguém morrer com ela, senão mulheres grávidas. Em 1967, a OMS entrou num programa ambicioso para erradicar uma doença. Nesse ano, havia 34 países afetados pela varíola. Em 1970, estavam reduzidos a 18 países.

Em 1974, estavam reduzidos a cinco países. Mas, nesse ano, a varíola explodiu por toda a Índia. A Índia foi o local em que a varíola teve o seu último poiso. Em 1974, a Índia tinha uma população de 600 milhões. Há 21 estados na Índia com línguas diferentes, o que é o mesmo que dizer 21 países diferentes. Há 20 milhões de pessoas na estrada, em qualquer momento, em autocarros, comboios, a pé; 500 000 aldeias, 120 milhões de famílias e nenhuma delas queria comunicar se tinham um caso de varíola em casa, porque pensavam que a varíola era uma visita duma deusa, Shitala Mata, a mãe fria, e era mau meter desconhecidos dentro de casa, quando a deusa lá estava.

Não incentivava a comunicar a varíola. Não era só a Índia que tinha deusas da varíola, havia deusas da varíola presentes por todo o mundo. Portanto, para erradicar a varíola a vacinação em massa não funcionaria. Podíamos vacinar toda a gente na Índia, mas um ano depois, haveria mais 21 milhões de bebés ou seja, a população do Canada na altura. Não chegava vacinar toda a gente. Era preciso encontrar cada caso de varíola no mundo ao mesmo tempo, e traçar um círculo de imunidade em volta dele. Foi o que nós fizemos. Só na Índia, os meus 150 000 melhores amigos e eu fomos de porta em porta,

com a mesma imagem, a cada casa na Índia. Fizemos mais de mil milhões de visitas ao domicílio. Neste processo, aprendi uma coisa muito importante. Sempre que fazíamos uma pesquisa casa a casa, tínhamos um pico no número de relatos de varíola. Quando não fazíamos a pesquisa, tínhamos a ilusão de que a doença não existia. Quando fazíamos pesquisa, tínhamos a ilusão de que havia mais doença. Era necessário um sistema de vigilância porque precisávamos de deteção precoce, de resposta rápida. Portanto, pesquisámos e pesquisámos e encontrámos todos os casos de varíola na Índia. Tínhamos uma recompensa. Aumentámos a recompensa.

Continuámos a aumentar a recompensa.

Tínhamos um quadro das datas de visitas feitas, escrito em todas as casas. Quando fizemos isso, o número de casos mundiais reportados caiu para zero. Em 1980, declarámos o globo isento de varíola. Foi a maior campanha na história das ONU, até à guerra do Iraque. 150 000 pessoas de todo o mundo médicos de todas as etnias, religiões, culturas e países, que lutaram lado a lado, irmãos e irmãs,

em conjunto, não uns contra os outros, numa causa comum para tornar o mundo melhor. Mas a varíola era a quarta doença que se pretendia erradicar. Falhámos outras três vezes. Falhámos contra a malária, a febre amarela e a bouba. Mas, em breve, talvez vejamos erradicada a poliomielite. A chave para a erradicação da pólio é deteção precoce, resposta rápida. Este pode ser o ano em que erradicamos a pólio. Será a segunda doença da História. David Heymann, que nos está a ver pela Internet — David, continua. Estamos perto. Só nos faltam quatro países. (Aplausos)

Sinto-me como Hank Aaron. Barry Bonds pode substituir-me a qualquer altura. Vamos riscar outra doença desta lista de coisas terríveis que nos preocupam. Eu estava na Índia a trabalhar no programa da pólio. O programa de prevenção da pólio são quatro milhões de pessoas, que vão de porta em porta. É este o sistema de vigilância. Mas temos que ter deteção precoce, resposta rápida. A cegueira é a mesma coisa. A chave para detetar a cegueira é fazer exames epidemiológicos

e descobrir as causas da cegueira, para podermos criar a resposta correta. A Fundação Seva foi iniciada por um grupo de ex-alunos do Programa de Erradicação da Varíola, que, depois de terem subido à montanha mais alta, provaram o elixir do êxito da erradicação duma doença e quiseram prová-lo de novo. Nos últimos 27 anos os programas Seva em 15 países devolveram a vista a mais de dois milhões de cegos. A Seva arrancou porque queríamos aplicar essas lições de vigilância e epidemiologia a uma coisa que ninguém estivesse a considerar como um problema de saúde pública, a cegueira, que até aí era considerada apenas como uma doença clínica. Em 1980, Steve Jobs deu-me aquele computador, um Apple número 12, que ainda está em Katmandu e ainda está a trabalhar. Devíamos leiloá-lo e ganhar dinheiro para a Seva. Fizemos o primeiro inquérito de saúde no Nepal que jamais tinha sido feito e o primeiro inquérito sobre a cegueira a nível do país, jamais feito.

Tivemos resultados espantosos. Em vez de descobrirmos o que julgávamos ser o caso — que a cegueira era provocada sobretudo pelo glaucoma e pelo tracoma — ficámos estupefactos ao descobrir que a cegueira era causada sobretudo pelas cataratas. Não podemos curar ou evitar aquilo que não sabemos que existe. Nos vossos pacotes TED há um DVD, "Visão Infinita", sobre o Dr. V e o Hospital dos Olhos Aravind. Espero que o vejam. Aravind, onde se iniciou o projeto Seva, é hoje o maior e o melhor hospital oftalmológico do mundo. Este ano, este hospital devolverá a visão

a mais de 300 000 pessoas em Tamil Nadu, na Índia. (Aplausos) A gripe das aves. Estou aqui a representar de todas as coisas terríveis — esta pode ser a pior de todas. A chave para evitar ou mitigar a pandemia da gripe das aves é a deteção precoce, uma resposta rápida. Não vamos ter uma vacina nem quantidades adequadas de um antiviral para combater a gripe das aves, se ela ocorrer nos próximos três anos. A OMS simula a progressão da pandemia. Estamos agora na fase três da fase de alerta da pandemia apenas com um pouco de transmissão homem-a-homem, mas não há transmissão sustentada de homem-a-homem-a-homem. Quando a OMS disser que passámos à fase quatro, não será como o Katrina. O mundo, como o conhecemos, parará.

Os aviões deixarão de voar. Entraríamos num avião com 250 pessoas que não conhecemos, a tossir e a espirrar, quando sabemos que algumas delas podem ter uma doença que nos pode matar, e para a qual não temos antivirais nem vacina? Eu fiz um estudo dos melhores epidemiólogos mundiais, em outubro. São todos especialistas de gripes. Fiz-lhes as perguntas que vocês deviam gostar de fazer: Quais são as probabilidades de vir a haver uma pandemia? Se ela ocorrer, qual será o grau de gravidade? 15% disseram que achavam que ia haver uma pandemia dentro de três anos. Mas muito pior do que isso, 90% disseram que achavam que iria haver uma pandemia no prazo da vida dos nossos filhos` ou dos nossos netos.

Pensavam que, se houver uma pandemia, vai atingir mil milhões de pessoas. Poderão morrer 165 milhões de pessoas. Haverá uma recessão e uma depressão mundiais quando o nosso sistema de inventário "just-in-time" e o delgado elástico da globalização falharem. O custo para a nossa economia. de um a três biliões de dólares. será muito pior para toda a gente do que 100 milhões de mortos, porque haverá muito mais gente a perder os seus postos de trabalho e os benefícios da assistência à saúde. As consequências são quase inimagináveis. Vai ser cada vez pior porque as viagens são cada vez melhores. Vou mostrar-vos uma simulação do aspeto duma pandemia para percebermos do que estamos a falar. Suponhamos, por exemplo, que o primeiro caso ocorre no sul da Ásia. Inicialmente, evolui lentamente. Ocorre em dois ou três locais discretos. Depois, ocorrem surtos secundários e a doença espalha-se de país para país, tão depressa, que nem sabemos o que foi que nos atingiu.

Ao fim de três semanas, está presente no mundo inteiro.

Se tivéssemos um botão "desfazer", se pudéssemos voltar atrás e isolá-la,

apanhá-la logo que ela começou — se conseguíssemos descobri-la cedo

e tivéssemos uma deteção precoce e uma resposta rápida, e pudéssemos pôr cada um desses vírus na cadeia — é a única forma de lidar com uma pandemia. Vou mostrar-vos porque é que é assim. Temos uma piada. Esta é uma curva epidémica. Toda a gente em medicina acaba por saber o que é isto. A piada é a seguinte: um epidemiólogo gosta de chegar a uma epidemia aqui mesmo e cavalgar gloriosamente a curva descendente. (Risos) Mas normalmente não conseguimos fazer isso.

Normalmente chegamos mais ou menos aqui. Nós queremos chegar aqui, para podermos deter a epidemia. Mas nem sempre conseguimos fazer isso. Mas há uma organização que tem sido capaz de encontrar uma forma de saber quando ocorrem os primeiros casos.

Chama-se GPHIN: é a Rede Mundial de Informações de Saúde Pública.

Aquela simulação que vos mostrei e que vocês julgaram tratar-se da gripe das aves, era a SARS. A SARS é a pandemia que não aconteceu. Não aconteceu porque a GPHIN descobriu a pandemia em gestação da SARS três meses antes de a OGM a ter anunciado e, por causa disso, conseguimos deter a pandemia da SARS. Penso que temos uma enorme dívida de gratidão para com a GPHIN e Ron St. John que, espero, esteja no público algures — está ali — e que é o fundador da GPHIN. (Aplausos) Olá, Ron! (Aplausos) O TED trouxe Ron de Otava, onde está a sede da GPHIN não só porque a GPHIN descobriu cedo a SARS

mas — devem ter visto a semana passada que o Irão anunciou que têm gripe das aves no Irão — porque a GPHIN descobriu a gripe das aves no Irão, não a 14 de fevereiro mas em setembro passado. Precisamos de um sistema de alerta precoce que nos proteja contra as coisas que são o pior pesadelo da humanidade. Portanto, o meu desejo TED baseia-se no denominador comum destas experiências. A varíola — deteção precoce, resposta rápida. A cegueira, a pólio — deteção precoce, resposta rápida. Pandemia da gripe das aves — deteção precoce, resposta rápida. É uma litania. É tão óbvio que a única forma de lidar com estas novas doenças

é descobri-las precocemente e detê-las antes que se espalhem. Portanto, o meu desejo TED é que vocês ajudem a montar um sistema global — um sistema de alerta precoce — que nos proteja contra os piores pesadelos da humanidade. Pensei chamar-lhe "Deteção Precoce". Mas, na verdade, devia chamar-se "Total Early Detection." [TED] (Risos) O que é?

(Aplausos)

O que é? (Aplausos) Estou a falar muito a sério. Como esta ideia nasceu no TED gostava que fosse um legado do TED e gostava que se chamasse o International System for Total Early Disease Detection.

[INSTEDD] INSTEDD passa a ser o nosso lema.

Em vez duma pandemia oculta de gripe das aves, encontramo-la imediatamente e podemos contê-la. Em vez de um novo vírus causado pelo bioterrorismo ou pelo erro biológico, encontramo-la e podemos contê-la. Em vez de acidentes industriais como derrames de petróleo ou a catástrofe no Bopal, encontramo-los e reagimos a eles. Em vez de fome, oculta até ser tarde demais, detetamo-la e reagimos-lhe. Em vez de um sistema que pertence apenas a um governo, oculto nas entranhas do governo, vamos montar um sistema de deteção precoce que seja gratuito a toda a gente do mundo, na sua língua.

Façamo-lo de modo transparente, não governamental, sem ser propriedade dum só país ou duma só empresa, com sede num país neutro, com uma cópia de segurança redundante numa zona horária diferente, num continente diferente. Vamos montá-lo na GPHIN. Comecemos com a GPHIN. Aumentemos os "sites" que eles pesquisam de 20 000 para 20 milhões. Aumentemos as línguas que eles pesquisam de sete para 70, ou mais. Vamos construir mensagens de confirmação usando SMS ou mensagens instantâneas para ter informações de pessoas que estão num raio de 100 metros do rumor que ouvimos

se ele é válido, realmente. Juntemos a confirmação por satélite. Vamos juntar gráficos espantosos do Gapminder, em primeiro plano. Cresceremos como uma força moral no mundo, encontrando essas coisas terríveis antes que mais ninguém tenha ouvido falar nelas, e enviando-lhes as nossas respostas, para que, no próximo ano, em vez de nos encontrarmos aqui, a lamentar-nos das coisas terríveis que existem no mundo, tenhamos unido as nossas forças, utilizado competências únicas e a magia desta comunidade e nos sintamos orgulhosos de termos feito tudo o que pudemos para deter pandemias, outras catástrofes e mudar o mundo, começando neste preciso momento. (Aplausos) Chris Anderson: Uma palestra espantosa. Primeiro, para que todos percebam: disse que, criando motores de busca, procurando padrões na Internet,

podemos detetar alguma coisa suspeita

antes da OMS, antes de qualquer outra pessoa, não foi? Dê-nos um exemplo de como isso pode ser verdade. Larry Brilliant: Você não fica furioso com a violação dos direitos de autor? CA: Não. Até gosto dela. LB: Bom, você sabe como é Ron St. John. Espero que vá ter com ele logo ao jantar e fale com ele. Quando iniciámos a GPHIN... Em 1997, houve um surto de gripe das aves — o H5N1. Foi em Hong Kong. Um médico notável em Hong Kong respondeu imediatamente, matando 1,5 milhões de galinhas e aves. Detiveram esse surto no início. Deteção imediata, resposta imediata. Depois, passaram alguns anos e falava-se muito na gripe das aves. Ron e a sua equipa em Otava começaram a explorar a Internet — só exploraram 20 000 "sites" diferentes sobretudo periódicos — e leram e ouviram falar de uma preocupação com muitas crianças que tinham febre alta e sintomas de gripe das aves. Informaram a OMS. A OMS levou algum tempo a agir, porque a OMS só recebe um relatório de um governo porque se trata das Nações Unidas. Mas eles conseguiram alertar a OMS e dar-lhe a conhecer que havia um grupo surpreendente e inexplicado de doenças que pareciam gripe das aves. Aconteceu que se tratava de SARS. Foi assim que o mundo descobriu a SARS. Por causa disso, conseguimos deter a SARS. O que é importante é que, antes de haver a GPHIN, 100% de todos os relatórios mundiais de coisas más — quer se falasse da fome da gripe das aves ou do Ébola — 100% de todos esses relatórios provinham de países. Na altura em que estes tipos em Otava — com um orçamento de 800 000 dólares por ano — começaram a agir, 75% de todas as notícias do mundo provinham da GPHIN. e 25% de todas as notícias do mundo vinham de todos os outros 180 países. Isto é que é mesmo interessante: depois de estarem a trabalhar uns anos, o que é que acham que aconteceu a esses países? Sentiram-se bastante estúpidos. Começaram a enviar as suas notícias mais cedo. Agora, a percentagem das notícias desceu para 50%, porque outros países começaram a dar notícias. Portanto, podemos encontrar doenças precocemente, explorando a Internet? Claro que podemos. Podemos encontrá-las ainda mais cedo do que a GPHIN o faz hoje? Claro que podemos. Viram que eles encontraram a SARS usando o motor de busca chinês umas seis semanas antes de a encontrarem usando o motor de busca inglês. Estavam a pesquisar apenas em sete línguas. Estes vírus maus não têm qualquer intenção de se mostrarem primeiro em inglês, em espanhol ou em francês. (Risos) Portanto, sim, quero agarrar na GPHIN, quero construir em cima dela. Quero acrescentar-lhe todas as línguas do mundo que pudermos. Quero tornar isto aberto a toda a gente, para que o responsável pela saúde, em Nairobi ou em Patna, no Bihar tenha o mesmo acesso que as pessoas em Otava ou em CDC. Quero torná-lo parte da nossa cultura em que haja uma comunidade de pessoas que estão a observar os piores pesadelos da humanidade e que isso seja acessível a toda a gente.