John McWhorter
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A língua que estou a falar neste momento está a tornar-se na nossa língua universal, para o melhor ou para o pior. Sejamos francos, é a língua da Internet, é a língua da finança, é a língua do controlo de tráfego aéreo, da música popular,

da diplomacia. O Inglês está em todo o lado.

Agora, o mandarim chinês é falado por mais pessoas, mas há cada vez mais chineses a aprenderem inglês do que ingleses nativos a aprenderem chinês. Segundo o que ouvi da última vez, existem, neste momento, duas dúzias de universidades na China a ensinar tudo em inglês. O inglês está a dominar.

E, além disso, prevê-se que, para o final do século, quase todas as línguas que agora existem — existem cerca de 6000 — deixarão de ser faladas. Restarão apenas algumas dezenas. E ainda por cima, estamos num momento em que a tradução instantânea em direto não só é possível, como também melhora todos os anos.

A razão que me leva a recitar-vos estas coisas é porque consigo dizer que estamos a chegar a um ponto em que vai começar a ser feita uma pergunta: "Porque devemos aprender línguas estrangeiras, "para além do inglês, se essa é a língua estrangeira?" Aprender outra para quê, quando estamos a chegar a um ponto em que quase toda a gente no mundo será capaz de comunicar numa só?

Acho que existem bastantes razões, mas primeiro quero mencionar aquela de que, provavelmente, mais ouviram falar, porque, na verdade, é mais perigosa do que pensam. É a ideia de que a língua canaliza os nossos pensamentos, que o vocabulário e a gramática de diferentes línguas dá a toda a gente um tipo diferente de viagem de ácidos, por assim dizer. É uma ideia maravilhosamente sedutora, mas é algo preocupante.

Não é que seja completamente falsa. Por exemplo, em francês e espanhol a palavra para mesa é, por alguma razão, feminina. Então, "la table, "la mesa," há que aceitá-lo. Demonstrou-se que, se vocês falam uma dessas línguas e vos perguntassem como imaginariam uma mesa a falar, então, muito mais vezes, do que apenas por acaso um francês ou um espanhol diz que uma mesa falaria com uma voz feminina e aguda. Então se forem franceses ou espanhóis, para vocês uma mesa é uma mulher, ao contrário do que se forem ingleses.

É difícil não adorar dados como estes, e muitas pessoas vos dirão que isso significa que existe uma visão global que vocês têm, se falarem uma dessas línguas. Mas têm que ter cuidado, porque imaginem que alguém nos põe sob um microscópio, em que "nós" são os que falamos inglês de nascença. Qual é a visão geral do inglês?

Então, por exemplo, vamos pegar num nativo inglês. No ecrã, está o Bono. Ele fala inglês. Presumo que ele tem uma visão global. Agora, aquele é o Donald Trump. À sua maneira, ele também fala inglês.

(Risos)

E aqui está Ms. Kardashian, que também fala inglês. Então estão aqui três pessoas que falam a língua Inglesa. Que visão global têm essas três pessoas em comum? Que visão global é modelada através do inglês que os une? É um conceito altamente preocupante. Está a surgir um consenso gradual de que a língua pode modelar o pensamento, mas tende a ser em flutuações psicológicas, frágeis e obscuras. Não é uma questão de vos dar uns óculos diferentes para o mundo.

Agora, se assim é, então, porquê aprender novas línguas? Se não vai mudar a forma como pensamos, quais seriam as outras razões? Existem algumas. Uma dela é de que, se queremos assimilar uma cultura, se queremos beber nela. se queremos tornar-nos parte dela, quer a língua canalize ou não a cultura — o que parece ser duvidoso — se queremos assimilar a cultura, temos que ter algum nível de controlo da língua em que a cultura é conduzida. Não existe outra forma.

Existe uma ilustração interessante disto. Tenho que me tornar um pouco obscuro, mas, a sério, deviam ver. Há um filme do realizador canadiano Denys Arcand — leiam em inglês na página, "Dennis Ar-cand," se quiserem procurá-lo. Ele realizou um filme chamado "Jesus de Montreal." Muitas das personagens são franco-canadianos vibrantes, apaixonados, interessantes, mulheres que falam francês. Há uma cena próxima do fim, em que têm que levar um amigo a um hospital anglófono. No hospital, eles têm que falar inglês. Agora, eles falam inglês mas não é a sua língua nativa, e preferiam não falar inglês. Falam-no mais devagar, têm sotaques, não são idiomáticos. De repente, estas personagens, por quem nos apaixonámos, tornam-se caricaturas de si mesmas, são sombras de si próprias.

Entrar numa cultura e só poder compreender as pessoas através desse tipo de filtro é nunca entrar verdadeiramente na cultura. Então, na medida em que centenas de línguas serão abandonadas, uma razão para as aprender é porque são bilhetes para podermos participar na cultura das pessoas que a falam, só em virtude do facto de que é o seu código. Então, aí está uma razão.

Segunda razão: já foi demonstrado que, se falarmos duas línguas, é menos provável termos demência e provavelmente somos mais multifacetados. Estes são fatores que se definem cedo, e isso devia dar-nos alguma indicação de quando começar a ensinar outra língua ao vosso filho. O bilinguismo é saudável.

E então, terceiro. As línguas são simplesmente divertidas. Muito mais divertidas do que nos dizem. Por exemplo, em árabe "kataba" — ele escreveu, "yaktubu" — ele escreve, ela escreve. "Uktubu" — escreve, no imperativo. O que é que estas coisas têm em comum? Todas estas coisas têm em comum as consoantes no meio como pilares. Elas ficam quietas, e as vogais dançam à volta das consoantes. Quem não quereria enrolar isso à volta da boca? Acontece o mesmo com o hebraico, e com o amárico, a principal língua da Etiópia. É divertido.

Ou línguas que têm diferentes ordens das palavras. Aprender a falar com uma ordem diferente das palavras é como guiar no lado diferente da rua, se forem a certo país, ou o sentimento que temos quando pomos extrato de Hamamélia nos olhos e sentimos o formigueiro. Uma língua pode fazer-nos isso.

Então, por exemplo, "The Cat in the Hat Comes Back", um livro a que, certamente, todos regressamos, como o "Moby Dick." Uma frase lá é: "Sabes onde o encontrei? "Sabes onde ele estava? Estava a comer bolo na banheira, "Sim, estava!" Ótimo. Agora, se aprenderem isso em mandarim, então têm que dominar: "Tu podes saber, eu soube onde o encontrar? "Estava banheira dentro devorando bolo. "Sem dúvida, a devorar a mastigar!" Isto sabe bem. Imaginem conseguirmos fazer isso anos e anos a fio.

Ou, já aprenderam cambojano? Nem eu, mas se aprendesse, enrolaria na boca não uma dúzia de vogais de padeiro como o inglês tem mas umas boas 30 vogais diferentes a moverem-se em redor na boca cambojana, como abelhas numa colmeia. É isso que uma língua nos consegue dar.

E mais direto ao assunto, vivemos numa era em que nunca foi mais fácil aprender outra língua. Antes, tínhamos que ir a uma sala de aula, onde estaria um professor diligente — um professor genial — mas ele apenas estaria lá a certas horas e teríamos de lá ir, e não seria muitas vezes. Tínhamos de ir a uma aula, e, se não tivéssemos isso, tínhamos algo chamado uma gravação. Aprendi o básico assim. Mas essa gravação não tinha muita informação tal como as cassetes, ou mesmo aquele objeto antigo conhecido por CD. Sem ser isso, tínhamos livros que não funcionavam, Era assim que era.

Hoje podemos deitar-nos no chão da sala de estar, a beber whisky e aprendermos sozinhos qualquer língua que quisermos com ótimos conjuntos como o Rosetta Stone. Eu também recomendo vivamente a não tão conhecida Glossika. Podemos fazê-lo a qualquer hora e, assim, podemos fazê-lo mais e melhor. Podemos ter os prazeres matinais em várias línguas. Eu vejo "Dilbert" em várias línguas todas as manhãs; pode melhorar as nossas capacidades. Não podíamos fazer isso há 20 anos, quando a ideia de ter qualquer língua que quiséssemos no bolso, a partir do telemóvel, iria parecer ficção científica para pessoas muito sofisticadas.

Então recomendo vivamente que aprendam línguas sozinhos, para além da que eu estou a falar. porque nunca houve melhor altura para fazê-lo. É muito divertido. Não vai alterar a vossa mente, mas vai certamente surpreender-vos.

Muito obrigada.

(Aplausos)