Jimmy Wales
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Em 1962, Charles Van Doren, que viria a ser editor sénior na Britannica, disse que a enciclopédia ideal devia ser radical — devia deixar de ser prudente. Mas se conhecem a história da Britannica desde 1962, sabem que é tudo menos radical. continua ser uma enciclopédica cautelosa e pesada. A Wikipedia, por outro lado, começa com uma ideia muito radical, a de imaginarmos todos um mundo em que cada pessoa no planeta tem acesso livre à totalidade do conhecimento humano.

E é isso que fazemos. Portanto a Wikipedia — acabaram de ver uma pequena demonstração — é uma enciclopédia de domínio público. É escrita por milhares de voluntários em todo o mundo, em muitas línguas. É escrita com recurso a um software Wiki que é o tipo de software que ele acaba de demonstrar Qualquer pessoa pode editar e guardar, e é publicado na Internet imediatamente. Tudo na Wikipedia é gerido por uma equipa praticamente toda voluntária. Portanto, quando Yochai fala em novos métodos de organização, está exatamente a descrever a Wikipedia. Hoje vou falar um pouco mais sobre como funciona por dentro.

A Wikipedia pertence à Fundação Wikimedia, que eu fundei, uma organização sem fins lucrativos. O nosso objetivo, a meta central da Fundação Wikimedia, é fazer chegar uma enciclopédia gratuita a cada uma das pessoas no planeta. Se pensarmos no que isso significa, é muito mais do que construir apenas um website giro. Estamos mesmo interessados nos temas da divisão digital, da pobreza mundial, permitir que por todo o lado as pessoas tenham a informação de que precisam para tomar boas decisões. Assim, vamos ter de fazer muito trabalho que vai para além da Internet. Foi em grande parte por isso que optámos pelo modelo de licença livre, porque isso torna os empresários locais — ou quem quiser — aptos a pegar nos nossos conteúdos e a fazer o que quiserem com eles — podem copiá-los, redistribuí-los e podem fazê-lo com fins comerciais ou não.

Vão surgir, portanto, muitas oportunidades em torno da Wikipedia por todo o mundo. Somos financiados por donativos do público, e uma das coisas mais interessantes sobre isso é que é preciso muito pouco dinheiro para gerir a Wikipedia. Yochai mostrou-vos o gráfico do custo de uma impressora. E eu vou dizer-vos quanto custa a Wikipedia, mas primeiro vou mostrar a sua dimensão. Temos mais de 600 mil artigos em inglês. Temos um total de 2 milhões de artigos em muitas línguas diferentes. As maiores línguas são o alemão, o japonês, o francês. Todos os idiomas do leste europeu estão muito representados. Mas apenas cerca de um terço de todo o tráfego para a nossa rede se agrupa na Wikipedia inglesa, o que surpreende muita gente. Muita gente pensa na Internet em termos muito anglocêntricos, mas nós somos realmente globais. Estamos em muitas línguas. A que popularidade chegámos?

Estamos na lista dos 50 sítios de topo, somos mais populares que o New York Times. É aqui que chegamos à discussão de Yochai.

Isto mostra o crescimento da Wikipedia — somos aquela linha azul — e ali está o New York Times. O interessante é que o site do New York Times é uma gigantesca operação empresarial, nem faço ideia de quantas centenas de empregados tem. Nós temos exatamente um só funcionário, que é o responsável pelo desenvolvimento do software. E só é nosso empregado desde janeiro de 2005, todo o crescimento foi antes disso. Os servidores são geridos por um grupo de voluntários arraia-miúda, toda a edição é feita por voluntários. Não estamos organizados como uma organização tradicional que possam imaginar. As pessoas estão sempre a perguntar: "Quem é que manda nisto?" ou "Quem é que faz isso?" A resposta é: "Quem quiser contribuir". É uma coisa muito caótica e pouco habitual. Temos mais de 90 servidores atualmente, em três locais. São geridos por administradores de sistema voluntários que estão online. Posso ligar-me a qualquer hora do dia ou da noite e vejo oito a dez pessoas à minha espera para perguntar qualquer coisa, sobre os servidores. Isto seria insustentável numa empresa. Nunca seria sustentável ter uma equipa de pessoas de serviço 24 horas por dia a fazer o que nós fazemos na Wikipedia.

Estamos nos 1400 milhões de visualizações de página por mês, portanto tornou-se uma coisa realmente enorme. Tudo é gerido pelos voluntários. O custo total mensal para a nossa largura de banda é de cerca de 5 mil dólares. Esse é essencialmente o nosso custo principal. Podíamos na realidade prescindir do funcionário. Contratámos o Brian porque, há dois anos, ele trabalhava só a meio-tempo e a tempo inteiro na Wikipedia, então contratámo-lo para ele poder ter vida própria e ir ao cinema de vez em quando. Quando se tem uma organização tão caótica impõe-se a pergunta: Porque é que não é uma porcaria? Porque é que o sítio é tão bom como é?

Antes de mais, até que ponto é bom? É bastante bom. Não é perfeito, mas é muito melhor do que se podia esperar, dado o nosso modelo completamente caótico. Quando o veem editar a minha página com qualquer coisa ridícula, vocês pensam: "isto vai degenerar e tornar-se lixo". Mas quando vemos testes de qualidade — ainda não houve muitos e encorajo as pessoas a fazerem mais — que compararam a Wikipedia a coisas tradicionais, ganhámos de caras.

Uma revista alemã comparou a Wikipedia alemã, que é bastante mais pequena do que a inglesa, ao Encarta da Microsoft e à Brockhaus Multimedia, e nós ganhámos a todos os níveis. Contrataram especialistas para analisar artigos e comparar a qualidade, e ficámos muito satisfeitos com o resultado. Muita gente já ouviu falar na controvérsia Bush-Kerry na Wikipedia. Os "media" cobriram amplamente o assunto. Começou com um artigo na revista Red Herring. Os jornalistas ligaram-me e — enfim, devo dizer que soletraram bem o meu nome, mas queriam era dizer era que a eleição Bush-Kerry era tão conflituosa, que estava a desfazer a comunidade da Wikipedia. Então citaram-me dizendo: "São as mais conflituosas na história da Wikipedia." O que eu disse foi que não eram contenciosas de todo. Portanto é um ligeiro erro de citação. Os artigos estavam a ser bastante editados. Na verdade tivemos que trancá-los em diversas ocasiões. A revista Time escreveu recentemente que "Por vezes, são necessárias ações extremas "e Wales trancou os artigos sobre Kerry e Bush "durante grande parte de 2004." Isto depois de eu ter dito ao jornalista que tivemos de trancá-los ocasionalmente um pouco aqui e ali. De modo geral, a verdade é que o tipo de polémicas que poderíamos pensar haver no seio da comunidade Wikipedia não são polémicas de todo.

Os artigos sobre temas controversos são muito editados, mas não causam muita controvérsia na comunidade. O motivo é que a maioria das pessoas entende a necessidade de manter a neutralidade. A verdadeira luta não é entre a direita e a esquerda — parece que é isso o que a maior parte das pessoas presume — mas entre o partido dos sensatos e o partido dos idiotas. E nenhum lado do espetro político tem o monopólio dessas qualidades. A verdade sobre o caso específico do incidente Bush-Kerry é que os artigos Bush-Kerry estiveram trancados durante menos de 1% do tempo em 2004, e não porque eram polémicos; mas apenas devido ao vandalismo rotineiro que às vezes acontece até no palco, por pessoas... por vezes até jornalistas que me disseram ter vandalizado a Wikipedia e ficaram surpreendidos com a rapidez com que foi consertado. E eu disse — digo sempre — por favor não façam isso, não é bom. Então como é que fazemos isto? Como gerimos o controlo de qualidade? Como é que funciona?

Há alguns elementos, sobretudo políticas sociais e alguns elementos de software. O mais importante é a nossa política do ponto de vista neutro. Foi uma coisa que instituí desde o princípio como princípio-base da comunidade absolutamente indiscutível. É um conceito social de cooperação, portanto não falamos muito de verdade e objetividade. Isto porque, se dissermos que só vamos escrever a verdade sobre um tema, isso não nos ajuda nada a saber o que havemos de escrever, porque posso não concordar convosco qual é a verdade. Mas temos este calão de "neutralidade", com a sua longa história na comunidade, que basicamente diz que, sempre que há um assunto controverso, a Wikipedia não deverá tomar posição. Devemos apenas relatar o que fontes credíveis disseram sobre o tema. Esta política de neutralidade é muito importante para nós, porque permite que uma comunidade muito diversificada possa unir-se e trabalhar em conjunto.

Temos colaboradores muito diversificados, em termos de contexto político, religioso e cultural. Ao termos esta firme política de neutralidade, que é não-negociável desde o início, garantimos que as pessoas trabalham em conjunto e que as entradas não se tornam numa guerra entre a esquerda e a direita. Se alguém se envolver nesse comportamento, é convidado a sair da comunidade. A revisão por pares, em tempo real. Cada alteração é assinalada na página de alterações recentes. Assim que é feita uma mudança, ela vai para essa página. Essa página de alterações também foi carregada para o canal IRC, que é um canal de conversa na Internet que as pessoas monitorizam com diversas ferramentas de software. Podem receber por RSS, podem receber notificações de mudanças por correio eletrónico. Os utilizadores podem definir uma lista a observar. A minha página está na lista de bastantes voluntários, porque às vezes é vandalizada. Portanto, o que se passa é que alguém vai reparar na modificação muito depressa, e depois simplesmente anulam-na.

Há um "feed" de páginas novas, por exemplo, Podemos ir a uma dada página da Wikipedia e ver cada nova página à medida que é criada. Isto é muito importante, porque muitas páginas novas são apenas lixo que tem que ser apagado. Mas são das coisas mais interessantes e engraçadas sobre a Wikipedia, alguns dos novos artigos. Alguém começa um artigo sobre um assunto interessante, outras pessoas acham intrigante, intervêm e ajudam a torná-lo muito melhor. Há alterações feitas por utilizadores anónimos, o que é uma das coisas mais controversas e intrigantes da Wikipedia. Chris pôde fazer a alteração — não teve sequer de fazer login, apenas foi ao sítio e fez uma alteração. Acontece que só cerca de 18% de todas as alterações no site são feitas por utilizadores anónimos. É muito importante que se perceba que a vasta maioria das alterações publicadas no site provêm de uma comunidade muito coesa de cerca de 600 a 1000 pessoas que estão em constante comunicação. E temos mais de 40 canais IRC, 40 listas de correio. Toda esta gente se conhece. Comunicam. Temos reuniões fora da rede.

Estas são as pessoas que fazem a maioria do sítio, e, de certa forma, são semiprofissionais no que fazem, já que os níveis que definimos para nós mesmos são iguais ou mais altos do que os níveis de qualidade profissionais. Nem sempre atingimos esse nível, mas é o que tentamos fazer.

Assim, é esta comunidade unida quem toma conta do sítio, e são algumas das pessoas mais inteligentes que já conheci. Claro que faz parte do meu trabalho dizer isso, mas é verdade. O tipo de pessoa atraída pela ideia de escrever uma enciclopédia por diversão tende a ser bastante inteligente.

As ferramentas e o software. Há muitas ferramentas que nos permitem — a nós, a comunidade — autogerir-nos e gerir todo o trabalho. Este é um exemplo do histórico de uma página sobre a terra plana, e vemos algumas mudanças que foram feitas. O bom desta página é que podemos olhar para isto e pensar de imediato: "Ok, já percebi." Quando alguém olha para ela, vê que alguém — um número IP anónimo — fez uma alteração na minha página. Isso parece suspeito — quem é esta pessoa? e vê de imediato todas as alterações a vermelho, todas a alterações que foram feitas. "Ok, estas palavras foram mudadas", coisas assim. É uma das ferramentas que podemos usar para rapidamente gerir o histórico de uma página.

Outra coisa que fazemos no seio da comunidade é deixar tudo bastante inacabado. A maior parte das regras sociais e dos métodos de trabalho são deixados totalmente em aberto no software. Tudo está em páginas Wiki. E assim não há nada na programação que imponha as regras. O exemplo que apresento aqui é a página de Artigos Para Eliminar. Como mencionei há pouco, escreve-se ASDFASDF precisa de ser apagado. Em casos como esse, os administradores apagam a página. Não há motivo para grande debate. Mas, como podem imaginar, há muitas outras áreas onde a questão é: "Terá valor para entrar numa enciclopédia? "A informação é corroborável? Será um embuste? Será verdade? O que é?" Precisávamos de um método social para obtermos as respostas. Então o método que surgiu naturalmente dentro da comunidade foi o "Páginas Para Eliminar". No caso concreto que temos aqui, trata-se de um filme, "Twisted Issues", e a primeira pessoa diz: "Supostamente isto é um filme. Chumba miseravelmente no teste do Google." O teste do Google é procurar no Google e ver se lá está, porque se uma coisa não aparece no Google, provavelmente é porque não existe. Não é uma regra perfeita, mas é um bom ponto de partida para uma pesquisa rápida. Então alguém diz: "Apaga, por favor. Não é digno de nota." Depois alguém diz: "Espera, encontrei-o. "Encontrei-o no livro Film Threat Video Guide: "Os 20 Filmes Underground Que Você Precisa de Ver." Ok. Vem outro e diz: "Arruma isso." Outro diz: "Encontrei-o no IMDB. É de manter." O interessante nisto é que o software é... — estes votos são apenas texto digitado numa página. Não é bem uma votação mas antes um diálogo. É verdade que ao fim do dia um administrador pode rever tudo isto e dizer: "Ok, 18 para apagar, dois para manter, apagamos". Mas noutros casos, pode haver 18 para apagar e dois para manter e nós mantemos, porque se os últimos dois para manter disseram: "Esperem lá. Ninguém viu isto mas eu encontrei-o num livro, "descobri um link para uma página e vou limpá-lo amanhã, "Por favor não o apaguem." então o artigo sobreviverá. Também é relevante quem são as pessoas a votar. Como eu digo, é uma comunidade coesa. Cá em baixo: "Manter, filme verdadeiro", Rick Kay.

Rick Kay é um wikipediano muito conhecido que faz um enorme trabalho com o vandalismo, os embustes e votos para eliminação. A voz dele tem bastante peso na comunidade porque ele sabe o que faz. Então, como se governa tudo isto? As pessoas querem saber sobre administradores, coisas dessas. O modelo de governação da Wikipedia, a governação da comunidade, é uma mistura de consensos muito confusa mas funcional — ou seja, tentamos não votar no conteúdo de artigos, porque a opinião da maioria não é necessariamente neutra. Alguma democracia, todos os administradores — os que têm a capacidade de eliminar páginas, mas não têm o direito de eliminar páginas, têm sempre de seguir todas as regras — mas são eleitos pela comunidade. Por vezes, há pessoas — iscas casuais da Internet — que gostam de acusar-me de escolher os administradores a dedo, para influenciar o conteúdo da enciclopédia. Rio-me sempre disto porque, por acaso, não faço ideia de como são eleitos. Há um certo grau de aristocracia. Tiveram uma indicação disso quando mencionei que a voz de Rick Kay pesaria mais do que alguém que não conhecemos.

Às vezes faço esta palestra com a Angela, que acaba de ser reeleita pela comunidade para o Conselho da Fundação, com mais do dobro dos votos da pessoa que não ganhou. E envergonho-a sempre porque digo que a Angela, por exemplo, podia fazer , impunemente, o que lhe apetecesse na Wikipedia, porque é muito admirada e poderosa. Mas a ironia é que Angela pode fazer isso porque é aquela pessoa que se sabe que nunca quebraria qualquer regra da Wikipedia. Também gostava de dizer que ela é a única pessoa que conhece todas as regras da Wikipedia. Depois há a monarquia, e esse é o meu papel na comunidade. Uma vez descrevi isto em Berlim e, no dia seguinte, o cabeçalho do jornal dizia: "Sou a Rainha da Inglaterra" Não foi bem isso que eu disse. A questão é que o meu papel na comunidade, no mundo do software livre há uma longa tradição do modelo do ditador benevolente. Se olharem para a maioria dos grandes projetos de software livre, têm apenas uma pessoa responsável que todos concordam que é o ditador benevolente. Eu não gosto do termo ditador benevolente, e não penso que a minha função ou papel no mundo das ideias seja ser o ditador do futuro de todo o conhecimento humano compilado pelo mundo. Simplesmente não é apropriado. Mesmo assim, é necessário um certo grau de monarquia, por vezes temos de tomar uma decisão, e não queremos ficar demasiado atolados em processos formais de decisão.

Como exemplo de como isto tem sido ou de como isto pode ser importante, recentemente tivemos uma situação em que um sítio neonazi descobriu a Wikipedia e disseram: "Isto é horrível, este sítio de conspiração judaica. "vamos apagar certos artigos que não nos agradam. "Vemos que eles têm um processo de votação "— temos 40 mil membros e vamos mandá-los para ali. "Vão todos votar para apagar estas páginas." Conseguiram que aparecessem 18 pessoas . Aí têm a matemática neonazi. Acham sempre que têm 40 mil membros quando têm 18. Mas lá conseguiram que aparecessem 18 pessoas que votaram de forma bastante absurda para a eliminação de um artigo perfeitamente válido. Claro que a votação terminou cerca de 85 a 18, portanto não foi um perigo real para o nosso processo democrático. Por outro lado, as pessoas disseram: "O que vamos fazer? "Quer dizer, isto pode acontecer. e se algum grupo se organizar a sério "e quiser votar?" Então eu disse: "Bem, que se dane, vamos mudar as regras." Esse é o meu trabalho na comunidade: dizer que não permitiremos que a nossa abertura e liberdade enfraqueçam a qualidade dos conteúdos. Enquanto confiarem em mim para fazer o meu papel, então é uma posição válida para mim. Claro que, se eu fizer um mau trabalho, os voluntários são livres de ir embora não posso dizer a ninguém o que fazer.

A conclusão é que, para compreender como funciona a Wikipedia, é importante entender que o modelo Wiki é a nossa forma de trabalhar, mas não somos anarquistas fanáticas da web. Na realidade, somos muito flexíveis quanto a metodologia social, porque em última instância, a paixão da comunidade é pela qualidade do trabalho, não necessariamente pelo processo que usamos para o gerar. Obrigado. (Aplausos)

Ben Saunders: Olá, sou Ben Saunders. Jimmy, mencionou que a imparcialidade era uma chave para o sucesso da Wikipedia. Parece-me que muitos dos manuais usados para educar as nossas crianças são tendenciosos. Tem visto a Wikipedia ser usada por professores, e pensa que a Wikipedia pode mudar a educação?

Jimmy Wales: Sim, muitos professores começam a usar a Wikipedia. Até há uma história mediática sobre a Wikipedia, que julgo que é falsa. Baseia-se na história dos blogues contra os jornais. E a história é: há esta loucura, a Wikipedia, mas os académicos e os professores odeiam-na. Acontece que isso não é verdade. A última vez que recebi um email de um jornalista que dizia: "Porque é que os académicos detestam a Wikipedia?" respondi do meu email de Harvard, porque fui lá recentemente nomeado membro: "Bem, nem todos a detestam." Mas acho que haverá um enorme impacto. Temos mesmo um projeto que me entusiasma pessoalmente, que é o projeto Wikibooks, um esforço para criar manuais em todas as línguas. Isso é um projeto muito maior, vai levar uns 20 anos a pôr em prática. Mas parte disso é cumprir a nossa missão de dar uma enciclopédia a cada uma das pessoas no planeta. Não quer dizer que os vamos inundar de CDs tipo AOL. Quer dizer que vamos dar-lhes uma ferramenta que podem usar. Para muita gente no mundo, se lhes der uma enciclopédia escrita a nível universitário, não lhes servirá de nada sem uma panóplia de materiais de literacia para levá-los até ao ponto em que podem usufruir dela. O projeto Wikibooks é um esforço nesse sentido. — pode até nem vir de nós, há inovação de todos os tipos por aí. Mas manuais escolares de domínio público são a próxima grande novidade na educação.