Gregory Berns
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Quantos de vocês são fãs de cachorro? Levantem a mão. Excelente! E quanto aos fãs de gatos? Certo, vocês podem ir para o intervalo mais cedo. (Risos) Então, dos amantes de cachorros e dos amantes de gatos que querem ser amantes de cães, (Risos) quantos de vocês já pensaram: "Não seria incrível saber o que meu cão está pensando?" Acho que sabemos o que nossos cães estão pensando, certo? Eu comecei um projeto, e vou contar um pouquinho... É basicamente uma história estúpida sobre truques de cachorro. Começou com este cão, chamado Newton, que era meu cão favorito, na verdade. Eu tive vários ao longo da vida, mas Newton era o meu favorito, e ele viveu até os 15 anos. Depois que ele faleceu, eu pensei que uso a ressonância magnética há décadas para estudar tomada de decisões humanas e o que motiva as pessoas. Por que não usamos isso em outros animais? Com certeza, os outros animais têm muitos dos sentimentos e motivações que as pessoas têm. Mas essa é uma área da ciência que as pessoas não gostam de abordar. Então, comecei esse projeto cerca de quatro anos atrás para descobrir o que os cães pensam, especialmente o que pensam sobre nós. Quando falamos em humanos, temos duas formas de saber o que as pessoas estão pensando: podemos perguntar a elas, e às vezes elas nos dirão, se souberem, e se quiserem que saibamos o que estão pensando; ou podemos observar ações, nós podemos observar comportamentos, tentar deduzir o que estão pensando por meio de suas ações. Com animais, e cachorros, não podemos perguntar. Podemos perguntar, e achar que eles nos respondem, mesmo assim, não sabemos o que estão pensando. Então só nos sobram seus comportamentos: podemos observar suas ações e tentar inferir o que estão pensando. Esse é o princípio do behaviorismo, e existe desde Pavlov. Mas há algumas complicações nisso, e, como humanos, tentamos antropomorfizar tudo. É mais ou menos nessa área que me tornei muito intrigado com a possibilidade de tentar descobrir o que os cães pensam, por meio da ressonância magnética. A técnica é simples. Existe há décadas. A ideia é: se estivéssemos estudando um humano, o colocaríamos na máquina, fazendo alguma tarefa específica, e mediríamos seu fluxo sanguíneo, ou atividade cerebral, e tentaríamos descobrir quais partes do cérebro estão trabalhando. Simples, tendo um aparelho de ressonância, não é extremamente agradável, mas as pessoas fariam. Como fazer isso com outros animais? Como fazer com um cachorro? Vou mostrar o que descobrimos. Aqui está um vídeo curto. É o nosso vídeo sobre treinamento e demonstra como fizemos isso. Antes de começar, vocês verão dois cachorros neste vídeo. A primeira é minha cadela, Callie. A substituta do Newton. Ela foi adotada aqui em Atlanta, num abrigo de cães. Amávamos tanto o Newton, que nunca poderíamos ter um outro pug. Então Callie é um "antipug". A outra cadela é a Mckenzie, uma border collie. Vamos começar, irei falando enquanto assistimos. [Callie - Conhecendo o equipamento] Este é o Mark Spivak, meu colega nesse desafio, um treinador de cães. Primeiro, precisávamos descobrir como fazer os cães entrarem no tubo, colocar uma bobina em volta de sua cabeça para captar as ondas cerebrais, e deixá-los absolutamente parados. Estamos vendo que Callie não é muito obediente; ela não tem nenhuma habilidade especial. Mas tem uma ótima característica: ela gosta de cachorro-quente. Mark está fazendo um adestramento com som. Toda vez que ela chega perto do que queremos que faça ele aperta o clique e ela ganha um cachorro-quente. Esta é a primeira vez que ela é apresentada à bobina de cabeça, nós não sabíamos, nesse momento, se isso seria possível. [McKenzie - Conhecendo o equipamento] McKenzie, a border collie, é altamente treinada. Ela aprende com rapidez, e sua dona, como vemos, a coloca na bobina rapidamente. (Vídeo) Dona: Boa garota! Sim! Está muito para frente? Gregory Berns: Sim, queremos que a caixa cerebral fique no centro, bem ai. Ótimo. (Palco) Gregory Berns: Se já fizeram uma ressonância magnética, sabem que nos pedem para ficarmos parados, certo? Esse é o grande desafio. [Mckzenzie - Sem descanso para o queixo] Eu não sabia se seria possível, até ver isso. Isso foi depois de treinar por cinco minutos. Quando eu vi, soube que seria possível. [Callie - Treinando com descanso de queixo] O que vocês viram McKenzie fazer era bom, mas não o bastante. O que buscávamos, se quiséssemos obter informações que se comparassem às humanas... (Vídeo) GB: Você é perfeita! Excelente! Bom trabalho! (Palco) GB: Mark disse que eu teria que ser mais demonstrativo do que costumo ser. (Risos) (Vídeo) GB: Perfeito! Sim! (Risos) (Palco) GB: percebam que colocamos um pequeno descanso para o queixo porque tínhamos que dar aos cães um apoio para a cabeça. McKenzie se adapta a ele rapidamente. Ela está em um aparelho que simula o real. Está indo muito bem, mas isso ainda é muito movimento. A parte mais complicada é o barulho da máquina, que escutam no fundo do vídeo. Essas são gravações que fizemos para acostumar os cães no treinamento É bem alto. Então colocamos um volume baixo para acostumá-los. Mas, na verdade, é perto de 95 decibéis, como uma britadeira. (Vídeo) GB: Isso mesmo! (Palco) GB: Isso é após cerca de um ou dois meses de treinamento. [Callie - Treinamento com escâner] Nesse momento estamos na sala de ressonância magnética. Esse é provavelmente o treinamento mais caro já realizado. (Risos) São cerca de US$ 500 por uma hora de uso do aparelho. (Risos) Mas tínhamos que usar a máquina real em algum momento. Ainda não sabíamos como os cães reagiriam ao campo magnético. O principal ponto que eu quero que reparem é que estavam fazendo de boa vontade, estavam se divertindo. Esse é o grande objetivo do projeto. Nós tratamos os animais como membros da família. Não os sedamos nem os amarramos. [Callie - Treinamento final] Isso é cerca de dois meses de treinamento. Fizemos algumas modificações no descanso do queixo, até um cão de abrigo, como Callie, pode fazer isso. [Apoio do queixo, protetor de ouvido, tubo, sinais manuais] Se olharem bem, verão que ela está usando protetores de ouvido. Isso é muito importante, porque o escâner é barulhento e o ouvido canino é bem sensível. [Isso significa "cachorro-quente"] Outra coisa que fizemos... (Risos) Sério, isso é experimento científico. (Risos) [Isso significa "sem cachorro-quente"] Esse é o vídeo de treinamento. Começamos com os sinais "com cachorro-quente, sem cachorro-quente" porque não sabíamos se iria funcionar, então vimos que precisávamos de algo bem simples. Esse é um clássico condicionamento pavloviano, em que ensinamos dois sinais de mão: este é "cachorro-quente", e este "sem cachorro-quente". Se a técnica funcionar, o que veremos serão atividades no sistema de recompensa do cérebro neste primeiro sinal, mas não neste. Também preparei uma apresentação. Quando começamos esse projeto, se espalhou pela comunidade de Atlanta a notícia de que estávamos fazendo escaneamentos loucos nos cérebros de cães. Procurávamos por voluntários, por pessoas que gostassem de treinar e tivessem cães bem comportados. Isso ainda continua. Se você tem um cão que pode realizar isso, ou você acredita que pode, me procurem. Porque o projeto não acabou, ele cresceu. Vocês viram os vídeos preliminares. Esta é uma das minhas fotos favoritas, é como se captasse... esse foi o primeiro dia em que fizemos o escaneamento real. Esta foto captura a confusão humana. Estávamos perdidos, tentando adivinhar como iríamos fazer. Mas Callie sabia, tinha sido treinada, estava fazendo isso há dois meses; então ela estava pronta. A cabeça amarrada é apenas para manter os protetores de ouvido no lugar. Esta é a visão olhando pelo outro lado, pelo outro lado da máquina. Este é um cachorro chamado Zen. Um labrador com golden retriever amarelo. O que estudávamos, no início, era o sistema de resposta à recompensa. Muito simples, tínhamos dois sinais de mão, e queríamos comparar a resposta do cérebro a cada um deles. Como falei, temos muitos cães fazendo isso agora, não apenas cachorros de abrigo. Temos cães de assistência, cachorros de abrigos, na verdade de todas as raças. Antes de mostrar alguns resultados quero dizer uma coisa sobre a anatomia do cérebro. O cérebro canino... Esta imagem não está em escala. O cérebro canino é mais ou menos do tamanho de uma ameixa ou de um limão, dependendo do tamanho do cachorro. Não é grande, mesmo se for um cão de grande porte, a maior parte da cabeça são músculos, tenham em mente isso. Mas gosto de apresentar esse slide porque mostra a semelhança dos cérebros dos animais. Logo podem perceber estruturas semelhantes. à direita, essa estrutura é o cerebelo, que controla vários tipos de movimentos, abaixo dele está o tronco cerebral. Na verdade a parte do cérebro que é diferente é o que chamamos de córtex cerebral. É essa parte superior, com dobras. As diferenças entre o cérebro dos cães e dos humanos são em relação ao tamanho do córtex e sua quantidade de dobras. As dobras conseguem conter maior área de superfície cerebral em um determinado volume. De modo geral, quanto mais dobras o cérebro tiver, maior área de superfície, maior é a capacidade mental, se preferirem. Há muitas semelhanças e algumas diferenças. Estou mais interessado nas semelhanças. Porque, se fossemos ter uma convergência de experimentos com cães e outros animais, as estruturas cerebrais têm que ser as mesmas ou similares. Darwin afirmou isso há 150 anos. Como são os resultados? Esta é uma forma breve de resumir o experimento que mostrei em que os cães recebem dois sinais de mãos, e temos uma média de resultados em relação a 12 cachorros, acho que realizamos o experimento com 20 cães. As partes laranjas mostram quais partes do cérebro são mais ativas ao sinal de recompensa, ao sinal de cachorro-quente. O que quero enfatizar é que a resposta cerebral não é direcionada ao cachorro-quente, e sim ao sinal que significa "cachorro-quente". Podem pensar que isso não é relevante; é cachorro-quente. Não é de se surpreender que cachorros gostem deles. Mas é uma coisa importante porque treinamos esse sinal. Os cachorros aprenderam a representação simbólica de um cachorro-quente e aprenderam a reconhecer esse significado. As partes do cérebro que estão ativas são as áreas de recompensas. Há duas áreas mais intensas. Há uma maior atividade, na área do cérebro chamada córtex nuclear. É uma parte que todos mamíferos têm, essa área possui maior número de receptores de dopamina no cérebro. O ponto principal que liga recompensa e motivação à ação. Normalmente, quando ela está ativa no humano ou em outro animal, significa que algo importante aconteceu, e o animal precisa agir. Nesse caso é simples, eles irão comer o cachorro-quente. Bem, e daí? Provamos que cérebros caninos gostam de cachorro-quente. Esse foi só o começo. Isso começou há quatro anos, desde então continuamos e fizemos várias outras experiências. A maior parte dos cães desta foto ainda está no projeto. Nós fizemos experimentos para saber como funciona o olfato, ou o sistema canino para o odor, como identificam pessoas diferentes, e outros cães em seu lar pelo cheiro. Uma das coisas que descobrimos, no sistema de recompensa: a mesma parte do cérebro é ativada quando o cão sente o cheiro de uma pessoa familiar, mesmo que esse humano não esteja presente. Isso mostra que os cães têm representações para nós ou para as nossas identidades, que persistem quando não estamos presentes. Quando me perguntam: "Os cães sentem nossa falta?", tenho que dizer que sim, há evidências de que lembram de seus humanos, de que se importam com a gente, e isso é ligado ao sistema de resposta às recompensas. Isso continua sendo apenas cachorro-quente? Para responder isso, uma das outras coisas que fizemos foi repetir o experimento, em que mostramos diferentes sinais de mão. Com uma pequena diferença: mudamos quem fazia os sinais. Faz diferença se são os donos dos cachorros que fazem o sinal? Pode um estranho fazer os sinais? Ou ainda, pode um computador fazê-los? Porque, se acreditam em Pavlov e em todos os behavioristas que vieram depois, isso não deveria importar, porque qualquer sinal que indica uma recompensa em comida é igual, se os animais e cães forem como uma espécie de robôs. Na verdade, achamos uma diferença. O interessante é que nem todos os cães são iguais. Por exemplo, Callie teve uma resposta muito maior nessa área do cérebro quando um estranho ou mesmo um computador fazia os sinais e não eu! (Risos) Outros cachorros no projeto, alguns dos golden retrievers do laboratório podem ter o padrão oposto, tiveram as maiores respostas com seus donos. Isso é muito interessante porque nos oferece um biomarcador do perfil de personalidade canina. Com isso, geramos um novo projeto com o qual estamos muito animados. Nós nos associamos com a Canine Companions for Independence, que é a maior organização de treinamento de cães no país. Se conhecem cães de serviço, sabem que é muito difícil de treiná-los. O treinamento é caro e a taxa de sucesso é baixa. Cerca de 35% dos cães que entram no programa para serem treinados como cães de assistência conseguirão; os outros 2/3 serão liberados e adotados. Então, nos associamos ao CCI, e eles estão treinando seus cães para passar pela ressonância. Tentaremos prever quais dos cães serão bons animais de assistência. Eu amo esse projeto porque, mesmo que tenhamos começado com apenas meu exemplo bobo de tentar entender o que meus cães pensam, e se eles me amam, isso se tornou muito maior. Cachorros são especiais. Foram os primeiros animais a serem domesticados. Eles acompanham os humanos desde que os humanos são humanos. Olhar para seu cérebro é como olhar para o passado, nos dá uma dica de como a ligação cão-humano foi formada. Obrigado. (Aplausos)