Dewitt Jones
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Durante grande parte da vida, fui fotógrafo da revista National Geographic. O melhor emprego do mundo. Bem, esse emprego mudou minha vida de uma forma bem surpreendente. É essa história que quero partilhar com vocês esta noite. Ela começou muito antes de eu segurar uma câmera. Minha família comprou a revista durante anos. Quando aprendi a ler, costumava pegá-la, levava para meu quarto e lia durante a noite. Meu pai dizia: "Dewitt, desligue as luzes. Vá dormir!" Eu acendia as luzes novamente. Eu pegava uma lanterna. Eu ficava acordado olhando as fotos desse pequeno livro amarelo, fotos que me mostravam as possibilidades que o mundo tinha a oferecer. Nunca imaginei que trabalharia para eles, nem que tiraria fotos para eles, mas eles já estavam mudando a maneira que eu encarava o mundo. Porque esta revista tem uma grande visão, muito simples, mas muito profunda. A tarefa que me passavam, toda vez que eu saía para um trabalho, era celebrar o que havia de bom no mundo, em vez de remoer o que estava errado. É por isso que guardamos essas revistinhas amarelas. É um grande sacrilégio jogar uma fora, vocês sabem disso. (Risos) Se todas essas revistas desaparecessem de uma vez, metade das casas desabariam sobre si mesmas. (Risos) Porque elas são sustentadas pelas grandes colunas amarelas no porão. (Risos) Por quê? Porque elas celebram o que há de bom no mundo. Quando comecei na National Geographic, eu não tinha noção do poder dessa visão e do quanto ela mudaria minha vida. Mas nossa visão controla nossa percepção, e nossa percepção vira nossa realidade. Das montanhas mais altas aos rios banhados pela luz do sol, às cachoeiras e aos arco-íris. Para todos os lugares que olhava, havia algo maravilhoso para eu fotografar. Para a National Geographic, o homem não é algo separado disso, ele é tão especial como qualquer outra coisa no planeta. E quanto mais eu comemorava o melhor da humanidade, mais eu conseguia ver. Eu comecei a ver isso na feição daqueles que trabalhavam, na linguagem corporal daqueles que atuavam, nos jovens ou nos mais velhos. Teria sido uma bela foto se ele não abrisse esse sorriso, não é? (Risos) Eu pude ver a luz que brilha, não sobre nós, mas a partir de nós. Que sai de dentro de nós, quando temos coragem de liberá-la. A mesma luz que vejo na natureza e que parece não precisar de confiança para se mostrar, que simplesmente nos agracia todos os dias com a delicadeza de uma flor, ou com as luzes de uma tempestade que está por vir. E quanto mais tirava fotos para a revista, mais eu via crescer o conflito entre a visão de mundo da National Geographic, e a visão de mundo na qual fui criado desde criança. Vocês conhecem, a lei da selva. Comer para não ser comido. Eu ganho e você perde. O segundo lugar é o primeiro perdedor. (Risos) Já vi isso numa camiseta. É uma maneira bem deprimente de se encarar a vida. (Risos) Muitos de nós encaram o mundo dessa forma, um mundo baseado no medo, na escassez e na competição. Mas não é isso que a natureza tem me mostrado. Ela tem me mostrado belezas incríveis e possibilidades me aguardando para além dessa loucura, dizendo: "Olá, olá..." Quero dizer, a Mãe Natureza nunca parou diante de uma floresta e disse: "Há apenas uma bela fotografia escondida aqui. Apenas um fotógrafo a encontrará e o resto de vocês serão grandes perdedores". (Risos) A natureza me disse: "Dewitt, quanto filme você tem? Manda ver. Vou usar todo o seu filme. Vou enchê-lo de beleza e de possibilidades como você nunca imaginou. Até minha mais minúscula semente". Essa é uma filosofia muito mais elegante e uma forma muito mais sensível de enxergar o universo. E, em algum momento, eu decidi abraçá-la. Decidi que, podendo escolher entre um mundo de escassez e medo, e um repleto de possibilidades, eu escolheria o de possibilidades. E não importa quão árida e deserta, sombria e vazia de possibilidades uma situação possa parecer, se eu puder apenas celebrar o que há de melhor nela, neste caso, descendo a fresta do cânion só para olhar por outro ângulo, eu poderei encontrar uma perspectiva que transforme o ordinário... em extraordinário. Através dessas lentes, dedicadas a celebrar, pude aprender uma das lições mais importantes da natureza: existe mais de uma resposta correta. Existe mais de uma. Há milhares de formas de se encontrar a melhor perspectiva de cada desafio. Aprendi isso rapidamente no meu período na National Geographic. Eles me enviaram para a cidade de Smith River, no norte da Califórnia. A região produz cerca de 80% dos lírios do país, e essa era a história que eu tinha que contar. Eu tinha a abordagem dos lírios colhidos, dos não colhidos e do menino que os colhia. Uma resposta correta. Uma boa resposta. Mas, como fotógrafo, eu nunca paro por aí. Tirei esta foto, peguei outra lente, andei por algumas fileiras, ajoelhei e encontrei outra resposta correta. Os mesmos parâmetros do problema agora vistos sob um ponto de vista totalmente diferente. A resposta correta que preferi naquele dia foi esta. Esta é uma técnica avançada de levitação que aprendi durante os anos. (Risos) Três respostas corretas. Muitas coisas começam a mudar quando se percebe o mundo na perspectiva de que há mais de uma resposta correta. Primeiro, você nunca deve procurar por apenas uma resposta correta. Há sempre mais. Então, quando você começa a encontrar mais e mais repostas, você se acostuma cada vez mais a transformar obstáculos em oportunidades. A revista me enviou para as montanhas do Selkirk, na Columbia Britânica. Linda região. Estava passeando e encontrei um campo de dentes-de-leão. Eu deveria ter ficado empolgado, mas não fiquei. Não sei por quê. Em vez de pegar minhas câmeras e começar, eu tirei uma foto simples e pensei: "Não sei, a luz não está boa. Volto amanhã". Eu não me interessei. Sabemos o que acontece quando não temos interesse. Amanhã vira outro dia, outro dia vira semana que vem e até eu voltar naquele campo, não havia mais flores dentes-de-leão. Havia bolinhas de soprar. Eu queria dentes-de-leão, eu tinha bolinhas de soprar. Estava quase partindo, quando escutei uma voz em minha cabeça: "Dewitt, o que você pode celebrar daqui? O que há de bom nesse cenário? Você queria dentes-de-leão, você tem bolinhas de soprar! Bolinhas, bolinhas... pouco depois, já estava no chão junto com elas. Estava rolando sobre as bolinhas. Estava sobre e debaixo das bolinhas de soprar. E de repente... Uau! (Risos) Uau! Que cena maravilhosa. Parece que sempre esteve lá, bastava observar com as lentes de celebração. Linda imagem, mas já consigo escutar os críticos resmungarem: "Dewitt, você é tão Poliana". (Risos) "O mundo está pegando fogo, guerras, terrorismo, pobreza, aquecimento global, e você está tirando fotos de bolinhas de soprar!" (Risos) Então eu digo aos críticos: "Troque de lente!" Comemorar o que há de bom não significa ignorar a dor e o sofrimento que existem no planeta. Significa colocar esses problemas em um contexto maior e mais equilibrado. Um contexto onde se pode ver que há mais coisas certas que erradas. Quando uso a lente de celebrar, quando realmente me permito ver e me conectar com a beleza do mundo, sinto-me como um copo tão cheio que está prestes a transbordar. Eu sinto... como se estivesse apaixonado. É isso que sinto. Pense nisso. Lembre-se de quando esteve apaixonado, você acorda cedo, cambaleia até o banheiro e pensa: "A escova de dentes! Que milagre!" (Risos) E ainda tem a saboneteira e a toalha. Tudo é lindo, e você se sente repleto e com muita energia. Isso não me surpreende, porque, quando estamos apaixonados, nos conectamos com uma grande energia, que chamamos de paixão. Paixão. O que não daríamos para nos conectar com a energia da paixão diariamente? Bem, cenas extraordinárias fazem isso, elas despertam paixão. Então não importa quão estranha seja a situação, primeiro vou me perguntar: "O que pode ser comemorado aqui? Pelo que vou me apaixonar?" Neste caso é fácil, porque esta é a minha filha. Muitos pais ajudariam suas filhas nesta situação. (Risos) Mas isso não importa. Sempre que conseguia encontrar o bom de cada situação, eu me apaixonava e me energizava para melhorá-la e me livrar de todo o resto. Em vez de nos prendermos ao que há de errado, como sempre fazemos, o que há de bom? Essa pergunta nos conecta com a nossa paixão. Ela nos dá energia! Celebrar o que há de bom nos dá a energia necessária para buscar a próxima resposta certa. Como disse Michelangelo: "E vi um anjo na pedra, então a esculpi para libertá-lo". "E vi um anjo na pedra, então a esculpi para libertá-lo". Todos os dias, podemos escolher com qual lente queremos enxergar o mundo. É nossa escolha. Quanto mais escolho usar a lente que celebra, mais eu descubro, tanto na fotografia como na minha vida pessoal, que a diferença entre uma boa foto e uma ótima foto é muito menor do que eu poderia imaginar. Boa foto. Uma flor em uma praia de Maui. Mais alguns centímetros... ótima foto. Ótima foto. Boa foto: um caubói em Bryce Canyon, chamado Binky, acreditem ou não. (Risos) Eu estava adorando as fotos do Binky,

até que movi o Binky uns dez metros, até a porta do estábulo. Ótima foto. Boa foto: a ponte Golden Gate com a lua nova no pôr do sol. Dá para ficar melhor que isso? Quinze minutos depois, ótima foto. Mude suas lentes, mude sua vida! Dou palestras por todo o país, para diferentes tipos de pessoas. Vocês sabiam que todas elas buscam essas lentes de celebrar? Todos querem experimentá-la. Todos nós temos as lentes. Elas só esperam que as peguemos. Por que não usamos? Talvez seja porque todos os dias a internet e a mídia nos bombardeiam com o que está errado no mundo. E é tão fácil acreditar. É tão fácil encarar a escuridão. Mas você não preferiria focar a luz em vez da escuridão? Você não preferiria focar o bom, em vez de focar o ruim? Essa é a mudança pela qual passamos quando usamos as lentes de celebrar. Se eu sempre uso essas lentes? Não, oras. Eu sou humano. Muito tempo atrás, recebi uma pedra de toque. Uma pedra de toque e um guia. Se algum dia eu tirasse as lentes eu teria ajuda para voltar a usá-las. E é isso que quero oferecer para vocês hoje, ao contar a história de como recebi essas duas coisas. Eu estava tirando fotos em uma ilha na costa da Colúmbia Britânica. E não estava indo bem. (Risos) O tempo estava ruim, minhas fotos também. Mas eu estava pronto para sair e tirar mais fotos. Eu carregava uma mala de câmeras enorme e um tripé, quando olhei adiante. Nos degraus da pousada em que eu estava hospedado, havia um menino de cinco anos, com um grande sorriso no rosto. Ele me olhou e perguntou: "Você tem uma câmera?" Eu estava decorado de câmeras. (Risos) Respondi: "Sim, eu tenho". Ele levantou as mãos e eu percebi que ele me fez a pergunta, porque ele tinha uma câmera mágica. Ela era amarela. Tinha lentes azuis. O visor era vermelho, o botão de rebobinar era turquesa, e havia um pequeno canudo saindo dela. Ele perguntou: "Posso fotografar com você?" Isso era uma das últimas coisas que eu queria, mas eu não sabia como dizer não, então disse: "Vamos lá". Então fomos para a floresta e eu tirei minha primeira foto. Ele era tão bonitinho, ele se espremia na frente do tripé, dava passos para trás, levantava a câmera e (Clique) "Tirou a foto?" "Tirei." (Risos) Novamente aquele sorriso. Nós continuamos. Eu tirando fotos e resmungando, ele tirando fotos e sorrindo. Então começou a chover. Começou a chover. Eu estava preparando a última foto ruim de um dia feio. Ele estava sentado na grama, perto de mim, observando atentamente meu equipamento. Ele então me olhou e perguntou: "A sua câmera tem suco? " (Risos) Respondi: "Não". Ele disse: "A minha tem". (Risos) Bebendo daquele canudinho. (Risos) A pergunta dele quase acabou comigo. Se minha câmera tinha suco? Não, a minha não, mas a dele tinha. Eu que estava com a perspectiva errada. Eu que perdi a paixão de procurar pela próxima resposta correta. Não havia mais nada a dizer. Eu saí para comprar uma câmera de suco. (Risos) (Aplausos) Todos os dias, Adam e essa câmera me lembram de celebrar o que há de bom no mundo. E todas as vezes que celebro, todas as vezes que me permito me apaixonar por tudo isso, eu realmente vejo um mundo de luz e possibilidades. Todos vocês já viram, não apenas nos rostos de seus filhos e netos. Está sempre lá. A beleza do mundo, do nosso mundo, nos dá o maravilhoso exemplo de como viver, como amar. Exemplo de ceia posta, de copo transbordando. Se deixarmos a beleza nos preencher, nós também transbordaremos. E isso será perceptível em tudo o que fizermos. Nos nossos ideais, na paixão e compaixão que sentimos, no amor que não mais teremos medo de demonstrar. Essa perspectiva, essa lente, pode mudar a sua vida, assim como mudou a minha. Meus amigos, observem esta imagem e celebrem o que há de bom no mundo! Muito obrigado. (Aplausos)