Aparna Mehta
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Oi. Meu nome é Aparna. Sou viciada em compras...

(Risos)

e viciada em devoluções on-line.

(Risos)

Bem, pelo menos eu era. De uma vez, eu tinha dois ou três pacotes de roupas entregues a mim dia sim, dia não. Eu comprava intencionalmente o mesmo item em tamanhos e cores diferentes, porque não sabia o que realmente queria. Eu comprava a mais, experimentava tudo e devolvia o que não dava certo. Uma vez, minha filha me viu devolver alguns desses pacotes e disse: "Mãe, acho que você tem um problema".

(Risos)

Eu não achava que tinha. É frete e devolução grátis, certo?

(Risos)

Eu nem sequer pensava duas vezes nisso, até ouvir uma estatística no trabalho que me chocou.

Sou diretora de soluções globais para o varejo de primeira linha e nós estávamos em uma reunião com um dos meus maiores clientes, discutindo como simplificar os custos. Uma das maiores preocupações deles era administrar as devoluções. Só na temporada passada de fim de ano, eles tiveram 7,5 milhões de peças de roupa devolvidas.

Eu não conseguia parar de pensar nisso. O que acontece com todas essas roupas devolvidas? Então cheguei em casa e pesquisei. E eu descobri que todos os anos, 1,8 bilhões de quilos em roupas devolvidas acabam no aterro. É como se todos os residentes nos EUA pegassem o saco da lavanderia e decidissem jogá-lo no lixo.

Eu fiquei horrorizada. Pensei: "De todas as pessoas, eu devia poder ajudar a evitar isso".

(Risos)

Meu trabalho é encontrar soluções para questões logísticas como essas, não criá-las. Essa questão se tornou pessoal para mim. Eu disse: "Sabe de uma coisa? Temos que resolver isso". E podemos, com alguns dos sistemas existentes que já estão em vigor.

Comecei a me perguntar: "Como chegamos aqui?" Apenas seis anos atrás, um estudo indicou que oferecer retornos on-line gratuitos levaria os clientes a gastar mais. Começamos a ver empresas oferecendo retornos on-line gratuitos para impulsionar mais vendas e proporcionar uma experiência melhor. O que não percebemos é que isso levaria a mais itens sendo devolvidos também. Nos EUA, as empresas perderam US$ 351 bilhões em vendas só em 2017. Os varejistas estão lutando para recuperar as perdas. Eles tentam colocar o item devolvido on-line para ser vendido novamente, o vendem para um parceiro de desconto ou para um liquidante. Basicamente, se as empresas não conseguem encontrar um lugar para este item, rápida e economicamente, o lugar dele se torna o lixo.

De repente, me senti muito culpada por ser aquela compradora, alguém que contribui para isso. Quem teria pensado que meu comportamento inocente de compras estaria prejudicando não somente a mim, mas o nosso planeta também?

E enquanto pensava no que fazer, fiquei imaginando: "Por que o item tem que ser devolvido ao varejista, pra começar?" E se houvesse outro jeito, que beneficiasse a todos? E se quando uma pessoa estivesse tentando devolver alguma coisa, pudesse ir para o próximo comprador que a quisesse, e não para o varejista? E se, em vez de uma devolução, eles pudessem fazer o que chamo de "virada verde"? Os consumidores poderiam usar um aplicativo para tirar fotos do item e verificar a condição ao devolvê-lo. Sistemas de inteligência artificial poderiam organizar as roupas por condição, perfeito estado ou ligeiramente usado, e direcioná-las para a pessoa apropriada. Roupas em perfeito estado poderiam ir automaticamente para o próximo comprador, e roupas ligeiramente usadas podiam ter o preço reduzido e serem oferecidas on-line novamente. O varejista pode decidir as regras, quantas vezes um determinado item pode ser revendido. Tudo o que o consumidor precisaria fazer seria obter um código móvel, levá-lo para o local de envio mais próximo para ser embalado e enviado, indo assim de um comprador para o outro e não para o aterro.

Vocês podem perguntar: "As pessoas realmente se dariam a todo esse trabalho?" Acho que sim se elas tivessem incentivos, como pontos de fidelidade ou o dinheiro de volta. Vamos chamá-lo de "dinheiro verde". Haveria toda uma oportunidade de ganhar dinheiro desta nova base de clientes que compraria os itens devolvidos. Este sistema faria de uma coisa divertida como fazer compras, uma experiência espiritual que ajuda a salvar nosso planeta.

(Aplausos)

Isso é viável, provavelmente levaria seis meses pra mexer em alguns dos nossos sistemas existentes e executar um piloto. Mesmo antes que qualquer um desses sistemas logísticos entre em vigor, cada um de nós compradores pode agir agora, se todos os adultos nos EUA fizerem algumas pequenas mudanças no comportamento de compras. Aproveitem o tempo extra para pesquisar e pensar: "Eu realmente preciso desse item?" Não: "Eu realmente 'quero' esse item?", antes de fazerem uma compra. E se cada um de nós adultos nos EUA devolvêssemos cinco itens a menos este ano, manteríamos 111 milhões de quilos em roupas fora do aterro. Redução de 6%, apenas com isso. Este problema ambiental que criamos não é para daqui a milhares de anos, está acontecendo hoje e deve acabar agora para evitar o aumento de aterros em todo o mundo.

Quero deixar pra minha filha e pra filha da minha filha um lugar melhor e mais limpo do que eu encontrei, então não só parei de comprar a mais, mas também reciclo religiosamente. E vocês também podem. Não é difícil. Antes de enchermos os carrinhos de compras e os aterros com itens extras que não queremos, vamos parar na próxima vez que fizermos compras on-line e pensar duas vezes no que todos realmente queremos: um belo planeta Terra para chamar de lar.

Obrigada.

(Aplausos) (Vivas)