Return to the talk Return to talk

Transcript

Select language

Translated by Elisabete Valente
Reviewed by Amanda Ferreira

0:11 Estou aqui hoje para falar sobre mudança social, não de uma nova terapia ou nova intervenção ou de uma nova maneira de trabalhar com crianças ou algo do género, mas de um novo modelo de negócio para a mudança social, uma nova maneira de resolver o problema.

0:26 Na Grã-Bretanha, 63% dos homens que terminam pequenas sentenças na prisão voltam a transgredir no prazo de um ano. Agora, quantas transgressões anteriores acham que eles conseguiram cometer, em média? Quarenta e três. E quantas vezes mais acham que eles estiveram na prisão? Sete.

0:51 Por isso, fomos falar com o Ministro da Justiça, e perguntámos ao Ministro da Justiça: "Quanto valeria para si "se menos homens cometessem reincidências?" Algum valor terá, certo? Quero dizer, existem os custos de prisão, existem os custos da polícia, existem os custos de tribunal, todas estas coisas em que estamos a gastar dinheiro para lidar com estas pessoas. Qual é o valor disso?

1:13 Agora, claro que nos preocupamos com o valor social. A Social Finance, a organização que ajudei a criar, preocupa-se com matéria social. Mas queríamos estabelecer o caso económico, porque se pudermos estabelecer o caso económico, então o valor desta ação seria extremamente recompensador. E se ambos conseguirmos acordar um valor e um modo de medir se fomos bem sucedidos na redução dessas reincidências, então, seremos capazes de fazer algo que acreditamos ser importante.

1:41 A ideia chama-se Acordo de Impacto Social. Ora, o Acordo de Impacto Social, é simplesmente isto: se conseguirmos que o governo aprove, podemos criar um contrato que só é pago se funcionar. Portanto, isto significa que eles podem tentar coisas novas sem o inconveniente de terem que pagar caso não tenha funcionado, o que, para muitos departamentos do governo, pode ser um caso sério.

2:05 Agora, muitos de vocês devem ter percebido que existe um problema neste ponto, que é o longo período de tempo que leva a medir se os resultados foram atingidos. Portanto, temos que juntar algum dinheiro. Utilizamos o contrato para angariar fundos de investidores socialmente motivados. Investidores socialmente motivados. É uma ideia interessante, certo? Mas, na verdade, existem muitas pessoas que, se lhes for dada uma oportunidade, adorariam investir em algo que leva ao bem social. E aqui está uma oportunidade. Vocês também querem ajudar o governo a descobrir se existe um modelo económico melhor, não simplesmente deixar estes indivíduos saírem da prisão e esperar até que voltem a transgredir para voltar a colocá-los na prisão, mas antes trabalhar com eles direcionando-os para outros caminhos, reduzindo os crimes e as vítimas?

2:53 Portanto, encontramos alguns investidores, estes pagam por um conjunto de serviços, e se estes serviços forem bem sucedidos, então, melhoram os resultados, e com estas reduções de transgressões medidas, o governo poupa dinheiro, e com estas poupanças, pode pagar os resultados. E os investidores não só recebem o seu dinheiro de volta, como obtêm um retorno.

3:15 Então, em março de 2010, assinámos o primeiro Acordo de Impacto Social com o Ministério da Justiça para a Prisão de Peterborough. O acordo era trabalhar com 3000 transgressores divididos em três grupos de 1000 cada. Cada um destes grupos seria analisado durante os dois anos que se seguiam à saída da prisão. Teriam um ano para cometer os seus crimes, seis meses para passarem pelo sistema judicial, e depois seriam comparados com um grupo tirado do computador nacional da polícia, tão semelhante quanto possível, e nós seríamos pagos desde que atingíssemos uma classificação mínima de redução de 10%, por cada condenação que não acontecesse. Portanto, somos pagos pelos crimes não cometidos. Agora se atingirmos esses 10% de redução em todos os três grupos, os investidores recebem 7,5% de retorno anual do seu investimento, e se fizermos melhor do que isso, eles podem chegar a receber até 13% de retorno anual do seu investimento, o que é bom.

4:15 Portanto, aqui todos ganham, certo? O Ministério da Justiça pode tentar um novo programa e só paga se funcionar. Os investidores têm duas oportunidades: pela primeira vez, podem investir em mudança social. Além disso, obtêm um retorno razoável, e também sabem que os primeiros investidores neste tipo de coisas, terão de acreditar. Terão de preocupar-se com o programa social, mas se isto construir um historial em cinco ou dez anos, aí então, podemos alargar essa comunidade de investidores à medida que mais pessoas ganham confiança no produto. Os fornecedores de serviços, pela primeira vez, têm uma oportunidade de fornecer serviços e aumentar a evidência do que estão a fazer de um modo realmente construtivo, e aprender e demonstrar o valor do que estão a fazer em cinco ou seis anos, não apenas um ou dois, como normalmente acontece de momento. A sociedade ganha: menos crimes, menos vítimas. Agora, os transgressores também beneficiam. Em vez de simplesmente saírem da prisão com 46 libras no bolso, metade deles sem saberem onde vão passar a primeira noite fora da cadeia, na realidade, alguém se encontra com eles na prisão, toma conhecimento dos seus problemas, encontra-se com eles no portão, leva-os para um sítio onde ficarem, dá-lhes a conhecer subsídios, dá-lhes a conhecer oportunidades de emprego, reabilitação para a toxicodependência, doença mental, tudo o que for necessário.

5:32 Vejamos outro exemplo: trabalhar com crianças carenciadas. As obrigações de impacto social funcionam lindamente para qualquer área em que existam, de momento, provisões extremamente dispendiosas que produzem maus resultados para as pessoas. As crianças em casas de acolhimento temporário estão propensas a maus resultados. Apenas 13% atingem um nível razoável de 5 exames de Certificação Geral do Ensino Secundário aos 16 anos, contra os 58% da população em geral. O mais problemático é que 27% dos transgressores em prisão passaram algum tempo em casas de acolhimento. Ainda mais preocupante, e trata-se de uma estatística do Ministério do Interior, 70% das prostitutas passaram algum tempo em casas de acolhimento. O Estado não é um bom pai. Mas existem programas excelentes para adolescentes que estão no limiar do acolhimento e 30% das crianças que vão para o acolhimento são adolescentes.

6:24 Então, definimos um programa com a Câmara Municipal do Condado de Essex para testar o apoio terapêutico familiar intensivo dessas famílias com adolescentes no limiar do sistema de acolhimento. Essex paga apenas na eventualidade de poupar nos custos de acolhimento. Os investidores disponibilizaram 3,1 milhões de libras. Este programa começou no mês passado. Outros, relacionados com os sem abrigo em Londres, com a juventude, o emprego e a educação noutras partes do país. Existem agora 13 Acordos de Impacto Social na Grã-Bretanha, e espantosos níveis de interesse por esta ideia em todo o mundo. David Cameron disponibilizou 20 milhões de libras num fundo de respostas sociais para apoiar esta ideia. Obama sugeriu 300 milhões de dólares no orçamento dos E.U.A. para este tipo de ideias e estruturas para avançar com o projeto, e tantos outros países têm demonstrado um interesse considerável.

7:18 Então, o que causou este entusiasmo? Porque é isto tão diferente para as pessoas? Bem, o primeiro elemento, de que falámos, trata-se de inovação. Permite testar novas ideias de um modo mais fácil para toda a gente.

7:34 O segundo elemento que [o projeto] traz é o rigor. Ao trabalhar para resultados, as pessoas têm mesmo de testar e fazer um levantamento de dados da situação com a qual está a lidar. Vejamos o exemplo de Peterborough, adicionamos a gestão de casos das diferentes organizações com as quais estamos a trabalhar para que eles saibam o que realmente tem sido feito com os diferentes prisioneiros, e, ao mesmo tempo, eles aprendem com o Ministério da Justiça, e nós aprendemos, porque recolhemos os dados, o que realmente acontece, quer sejam novamente detidos ou não. E nós aprendemos e adaptamos o programa, em conformidade.

8:06 Isto conduz a um terceiro e novo elemento: a flexibilidade. Porque, regra geral, quando se gasta dinheiro governamental, gasta-se o nosso dinheiro, o dinheiro dos impostos, e as pessoas responsáveis estão muito conscientes disso portanto, a tentação é a de controlar com exatidão como se gasta o dinheiro. Qualquer empresário nesta sala sabe que a versão 1.0, o plano de negócio, não é a que normalmente funciona. Portanto, quando tentam fazer algo deste género, precisam de flexibilidade para se adaptarem ao programa. Mais uma vez, em Peterborough, começámos com um programa, mas também recolhemos dados, e durante um período de tempo, alterámos ligeiramente o programa para adicionarmos uma série de outros elementos para adaptar o serviço e alcançar as necessidades de longo prazo bem como as de curto prazo: maior envolvimento da parte dos prisioneiros, e envolvimento a longo prazo também.

9:04 O último elemento é a parceria. Existe, no momento, um velho debate que se levanta com muita frequência: melhoria do Estado, melhoria do setor público, melhoria do setor privado, melhoria do setor social, para muitos destes programas. Na verdade, para criarmos mudança social, precisamos da competência de todos estes setores de modo a fazer com que funcione. E isto cria uma estrutura através da qual se podem combinar.

9:28 Então, com o que é que ficamos? Ficamos com meios das pessoas poderem investir em mudança social. Encontrámos milhares, possivelmente, milhões de pessoas, que desejam uma oportunidade de investir em mudança social. Encontrámos campeões em todo o setor público desejosos de fazer a diferença. Com este tipo de modelo, podemos ajudar a juntá-los.

9:49 Obrigado.

9:51 (Aplausos)