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Transcript

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Translated by Sara Oliveira
Reviewed by Cláudia Lopes

0:11 Eu ensino química.

0:14 (Explosão)

0:15 Está tudo bem, está tudo bem. Mais do que apenas em explosões, a química está por todo lado. Alguma vez se viram num restaurante, completamente distraídos a fazer isto, uma e outra vez? Algumas pessoas estão a acenar que sim. Recentemente, mostrei isto aos meus alunos, e pedi-lhes para me tentarem explicar o porquê de isto acontecer. As questões e as conversas que se seguiram foram fascinantes. Vejam este vídeo que a Maddie, uma aluna minha, me mandou naquela noite.

0:56 (Estrondo) (Risos)

0:58 Agora, obviamente, como professor de química da Maddie, adorei o facto de ela ter ido para casa a pensar no assunto sobre este tipo de demonstrações ridículas que fizemos na aula. Mas o que me deixou mais fascinado foi que a curiosidade da Maddie a levou para outro nível. Se olharem para dentro daquela proveta, vocês podem ver uma vela. A Maddie está a usar a temperatura para enquadrar este fenómeno num novo cenário.

1:23 Sabem, as questões e a curiosidade como a da Maddie são os ímanes que nos atraemaos nossos professores, e eles transcendem toda a tecnologia e todos os chavões sobre educação. Mas se colocarmos a tecnologia à frente da curiosidade dos estudantes, podemos estar a privar-nos da nossa melhor ferramenta como professores: as perguntas dos nossos alunos. Por exemplo, transferir uma aula aborrecida da sala de aula para o ecrã de um dispositivo móvel pode poupar tempo de aula, mas se for o foco da experiência dos nossos alunos, é a mesma conversa desumanizante, apenas com outro aspeto. Mas, se em vez disso, tivermos a coragem de confundir os nossos alunos, de deixá-los perplexos, e de suscitar verdadeiras questões, através destas questões, nós, como professores, temos informação que podemos usar para fortalecer e desenvolver métodos mistos de ensino.

2:19 Portanto, deixando de lado o paleio do século XXI, a verdade é que dou aulas há já 13 anos, e foi preciso uma situação de risco de vida para me arrancar de 10 anos a pseudo-ensinar e para me ajudar a perceber que as perguntas dos alunos são as sementes da verdadeira educação, não um currículo que lhes dê amostras de informação aleatória.

2:46 Em maio de 2010, com 35 anos de idade, com uma criança de dois anos em casa e uma segunda a caminho, foi-me diagnosticado um grande aneurisma na base da aorta torácica. Isto fez com que fosse operado ao coração. Este é o email do meu médico. Quanto recebi isto — podem carregar no <i>Caps Lock</i> — passei-me completamente, ok? Mas senti-me surpreendentemente confortado na confiança que o meu cirurgião evidenciava. Onde é que este homem ia buscar tanta confiança, audácia?

3:20 Quando lhe perguntei, ele disse-me que eram três coisas. Primeiro, a sua curiosidade levou-o a fazer as perguntas difíceis antes do procedimento, sobre o que funcionava ou não. Em segundo lugar, ele aceitou, e deixou de ter medo, do confuso processo de tentativa e erro, o inevitável processo de tentativa e erro. E em terceiro lugar, depois de intensa introspeção, ele recolheu a informação de que precisava para delinear e rever o procedimento, e então, com uma mão firme, salvou a minha vida.

3:51 Eu aprendi muito com estas sábias palavras, e depois, quando voltei à sala de aulas no outono, escrevi as minhas próprias três regras que sigo ainda hoje quando planifico as aulas. Primeira regra: a curiosidade vem em primeiro lugar. As perguntas são as janelas para uma boa educação, e não ao contrário. Segunda regra: Aceitem a confusão. Todos somos professores. Sabemos que aprender é desagradável. E isso é porque o método científico está colocado na página cinco da secção 1.2 do capítulo 1 daquele que todos passamos à frente, ok, a tentativa e erro pode continuar a ser uma parte informal do que fazemos todos os dias na Catedral do Sagrado Coração na sala 206. E a terceira regra: Reflitam. O que fazemos é importante. Merece o nosso cuidado, mas também merece a nossa revisão. Podemos ser os cirurgiões das nossas salas de aula? Como se o que fazemos venha um dia a salvar vidas. Os nossos alunos merecem-no. E cada caso é diferente.

4:57 (Explosão)

4:58 Certo. Desculpem. O professor de química dentro de mim precisava mesmo de tirar isto do sistema antes de continuar.

5:04 Estas são as minhas filhas. Na direita temos a pequena Emmalou — somos uma família do sul. E, à esquerda, a Riley. Ora, a Riley vai ser grandedaqui a umas semanas. Vai fazer quatro anos, e toda a gente sabe que quando se tem quatro anos adoramos perguntar: "Porquê?" Sim. Porquê. Eu podia-lhe ensinar tudo porque ela é curiosa sobre tudo. Todos éramos naquela idade. Mas o desafio é para os futuros professores da Riley, os que ela ainda não conhece. Como vão eles usar esta curiosidade?

5:40 Sabem, posso dizer que a Riley é uma metáfora para todos os miúdos, e penso que desistir da escola pode acontecer de várias formas — desde o sénior que desiste antes do início das aulas ou aquela mesa vazia ao fundo da sala de aulas de uma turma do terceiro ciclo. Mas se nós, como educadores, deixarmos para trás o simples papel de divulgadores de conteúdo e abraçarmos um novo paradigma como cultivadores da curiosidade e da investigação, pode ser que possamos trazer um pouco mais de significado ao dia deles e despertar a sua imaginação.

6:13 Muito obrigado.

6:15 (Aplausos)