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De vez em quando passo os olhos por uma revista muito velha. Encontrei este teste de observação acerca da história da arca. E o artista que desenhou este teste de observação cometeu alguns erros, teve algumas falhas. Há mais ou menos 12 erros. Alguns são muito fáceis. Há um funil, uma parte de uma antena, um candeeiro e uma chave de corda na arca. Alguns são sobre os animais, o número. Mas há um erro fundamental na história geral da arca que não está reportado aqui. E o problema é: onde estão as plantas? Então agora temos Deus que vai submergir a Terra permanentemente, ou pelo menos por um longo período de tempo, e ninguém está a tomar conta das plantas. Noé teve que pegar em dois de cada tipo de pássaro, de cada tipo de animal, de cada tipo de criatura que se mexe, mas nenhuma referência a plantas. Porquê? Noutra parte da mesma história, todas as criaturas vivas são só as criaturas vivas que saíram da arca, então aves, gado e animais selvagens. As plantas não são criaturas vivas. É esta a questão. Esta é uma questão que não sai da Bíblia, mas é algo que tem sempre acompanhado a humanidade.
Vamos olhar para este bonito código que sai de um livro Renascentista. Aqui temos a descrição da ordem da natureza. É uma descrição bonita porque começa da esquerda - temos as pedras - e exactamente depois das pedras, as plantas que se limitam a viver. Temos animais que são capazes de viver e sentir, e, no topo da pirâmide, está o Homem. Este não é o Homem comum. É o "Homo studiosus" - o homem estudioso. Isto é bastante reconfortante para pessoas como eu - sou professor - isto estar ali no topo da criação. Mas é algo completamente errado. Sabem muito bem acerca dos professores. Mas também está errado acerca das plantas, porque as plantas não são apenas capazes de viver; são capazes de sentir. São muito mais sofisticadas no sentir do que os animais. Apenas para vos dar um exemplo, todos os ápices radiculares são capazes de detectar e monitorizar concorrentemente e continuamente pelos menos 15 tipos diferentes de parâmetros químicos e físicos. E também são capazes de mostrar e exibir um comportamento de tal forma maravilhoso e complexo que só pode ser descrito com o termo "inteligência". Bem, mas isto é algo - o subestimar as plantas é algo que está sempre connosco.
Vamos agora dar uma vista de olhos neste pequeno filme. Temos o David Attenborough. O David Attenborough é um verdadeiro amante das plantas. Ele fez alguns dos filmes mais bonitos acerca do comportamento das plantas. Agora, quando ele fala sobre plantas, tudo está correcto. Quando ele fala de animais, ele tende a esconder o facto de que as plantas existem. A baleia azul, a maior criatura que existe no planeta. Isso é errado, completamente errado. A baleia azul, é uma anã se comparada com a verdadeira maior criatura que existe no planeta - que é, esta maravilhosa, magnífica Sequoiadendron giganteum. (Aplausos) E este é um organismo vivo que tem uma massa de pelo menos 2000 toneladas. Agora, a história de que as plantas são uns organismos inferiores foi formalizada há muito tempo atrás por Aristóteles, que em "De Anima" - que é um livro muito influente para a civilização Ocidental - escreveu que as plantas se encontram na fronteira entre a vida e a não-vida. Têm apenas um tipo de alma num nível muito baixo. É chamada a alma vegetativa, porque lhes falta movimento, e então não precisam de sentir. Vamos ver.
Ok, alguns dos movimentos das plantas são muito bem conhecidos. Este é um movimento muito rápido. Esta é uma Dioneia, uma Venus mosqueira a caçar caracóis. Tenho pena do caracol. Isto foi algo que foi negado durante séculos, apesar das provas. Ninguém podia dizer que as plantas eram capazes de comer um animal, porque isso ia contra a ordem da natureza. Mas as plantas também são capazes de mostrar bastante movimento. Alguns são muito conhecidos, como o florir. É apenas uma questão de usar técnicas como o lapso de tempo. Algumas delas são muito mais sofisticadas. Olhem para este jovem feijão que se move constantemente para apanhar a luz. E é realmente muito gracioso. É como um anjo a dançar. Também são capazes de dançar. Estão realmente a brincar. Estes são jovens girassóis e aquilo que estão a fazer não pode ser descrito com qualquer outro termo que não brincar. Estão a treinar-se, como muitos animais jovens fazem, para a vida adulta, onde vão ser chamados para seguir a luz do sol todo o dia. São capazes de responder à gravidade, claro, e por isso os rebentos crescem contra o vector da gravidade e as raízes a favor do vector da gravidade. Mas também são capazes de dormir. Esta é a Mimosa pudica Então durante a noite, enrolam as folhas e reduzem o movimento, e durante o dia, temos a abertura das folhas - há muito movimento. Isto é interessante porque, esta maquinaria adormecida, está perfeitamente conservada. É a mesma nas plantas, nos insectos e nos animais. E então se precisarmos de estudar este problema de sono, é mais fácil estudar nas plantas, por exemplo, que nos animais, e é muito mais fácil mesmo éticamente. É uma espécie de experimentação vegetariana.
As plantas são até capazes de comunicar. São comunicadoras extraordinárias. Comunicam com outras plantas. São capazes de distinguir os parentes e os não parentes. Comunicam com plantas e outras espécies, e comunicam com animais produzindo químicos voláteis, por exemplo, durante a polinização. Agora com a polinização, é um assunto muito sério para as plantas, porque movem o pólen de uma flor para a outra, não conseguindo, no entanto, mover uma flor para a outra. Então, precisam de um vector, e este vector, é normalmente um animal. Muitos insectos têm sido usados pelas plantas como vectores para a polinização mas não apenas insectos; mesmo pássaros, répteis, e mamíferos como morcegos, ratos são normalmente usados para o transporte do polén. Este é um assunto sério. Temos plantas que dão aos animais um tipo de substância doce - muito energética - tendo em troca este transporte do polén. Mas algumas plantas manipulam os animais, como no caso das orquídeas que prometem sexo e nectar e não dão nada em troca pelo transporte do pólen.
Agora há um grande problema por detrás de todo este comportamento que vimos. Como é possível fazer tudo isto sem um cérebro? Precisamos de esperar até 1880, quando este grande homem, Charles Darwin, publica um livro maravilhoso e impressionante que começa uma revolução. O título é "O Poder do Movimento das Plantas." Ninguém estava autorizado a falar de movimento nas plantas antes de Charles Darwin. No seu livro, assistido pelo seu filho Francis - que foi o primeiro professor de fisiologia das plantas do mundo, em Cambridge - consideraram todos os movimentos em 500 páginas. E no último parágrafo do livro, é uma espécie de marca de estilo, porque o Charles Darwin deixava, no último parágrafo do livro, a mensagem mais importante. Ele escreveu, "Não é de todo um exagero dizer que a ponta da radícula age como o cérebro num dos animais inferiores." Isto não é uma metáfora. Escreveu algumas cartas muito interessantes a um dos seus amigos que era J. D. Hooker, naquela altura Presidente da Royal Society a autoridade científica máxima na Bretanha, então, falando do cérebro das plantas.
Agora, este é um ápice radicular a crescer contra um declive. Podem reconhecer este tipo de movimento, o mesmo movimento que as minhocas, cobras e todos os animais que se movimentam no solo sem pernas demonstram. E não é um movimento fácil, porque, para ter este tipo de movimento, é preciso mover regiões diferentes da ráiz e sincronizar estas regiões diferentes sem ter um cérebro. Estudámos então o ápice radicular, e descobrimos que tem uma região específica representada aqui a azul - vamos chamar-lhe a zona de transição. E esta região, é uma região muito pequena. Tem menos de um milímetro. E nesta pequena região temos o mais alto consumo de oxigénio nas plantas, e mais importante, temos aqui este tipo de sinais. Os sinais que aqui vêem são potenciais de acção, são os mesmo sinais que os neurónios do meu cérebro, do nosso cérebro, usam para trocar informação. Agora sabemos que o ápice radicular tem apenas umas centenas de células que demonstram este tipo de recurso mas sabemos o quão grande é o ápice radicular de uma pequena planta, como o centeio. Temos quase 14 milhões de raízes. Temos 11,5 milhões de ápices radiculares e o comprimento total de 600 ou mais kilómetros e uma área superficial muito elevada.
Agora, vamos imaginar que cada ápice radicular trabalha em rede com todos os outros. Temos aqui, à esquerda, a internet e à direita, o aparelho radicular. Funcionam do mesmo modo. São uma rede de pequenas máquinas computacionais, a trabalhar em rede. E porque é que são tão semelhantes? Porque evoluíram pelo mesmo motivo: para sobreviver à predação. Funcionam do mesmo modo. Então podemos remover 90% do aparelho radicular e as plantas continuam a funcionar. Podemos remover 90% da Internet e ela continua a funcionar. Uma sugestão, então, para as pessoas que trabalham com redes: as plantas são capazes de vos dar óptimas sugestões sobre como fazer evoluir as redes.
E outra possibilidade é uma possibilidade tecnológica. Vamos imaginar que conseguimos construir robôs e que os robôs são inspirados nas plantas. Até agora, o Homem tinha-se inspirado apenas no Homem ou nos animais para produzir um robô. Temos o animalóide - os robôs normais inspirados nos animais, insectóides, e por aí adiante. Temos os andróides que são inspirados no Homem. Mas porque é que não temos nenhum plantóide? Bem, se queremos voar, é bom que olhemos para as aves, para sermos inspirados pelas aves. Mas se queremos explorar os solos, ou se queremos colonizar novos territórios, a melhor coisa que podemos fazer é inspirarmo-nos nas plantas que são mestres em fazê-lo. Temos outra possibilidade na qual estamos a trabalhar no nosso laboratório, que é construir híbridos. É muito mais fácil construir híbridos. Um híbrido é algo meio máquina e meio ser vivo. É muito mais fácil trabalhar com plantas do que com animais. Têm poder computacional. Têm sinais eléctricos. A ligação à máquina é muito mais fácil, muito mais éticamente possível também. E estas são três possibilidades nas quais estamos a trabalhar para a construção de híbridos, movidos a algas ou pelas folhas e, finalmente, pelas partes mais poderosas das plantas, pelas raízes.
Bem, obrigado pela vossa atenção. E antes que termine, gostava de tranquilizar-vos que nenhum caracol foi magoado na preparação desta apresentação. Obrigado.
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As plantas comportam-se de formas estranhamente inteligentes: lutam com os predadores, maximizam a disponibilidade de alimento... Mas poderemos pensar nelas como tendo realmente uma forma de inteligência própria? O botânico Italiano Stefano Mancuso apresenta provas intrigantes.
Stefano Mancuso is a founder of the study of plant neurobiology, which explores signaling and communication at all levels of biological organization, from genetics to molecules, cells and ecological communities. Full bio »
Translated into Portuguese by Ana Brochado
Reviewed by Sérgio Lopes
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Plants are not just able to live; they are able to sense.” (Stefano Mancuso)
18:14 Posted: Apr 2009
Views 880,464 | Comments 314
23:19 Posted: Apr 2007
Views 519,515 | Comments 98
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