Houve uma altura na minha vida quando tudo parecia perfeito. Onde quer que eu fosse, sentia-me em casa. Todos os que conheci, senti como que se os conhecesse desde sempre. E quero partilhar convosco como cheguei aí e o que aprendi desde que de lá saí.
Foi aqui que começou. E isto levanta uma pergunta existencial, ou seja, se estou a ter esta experiência de completa ligação e total consciência, por que não reparam em mim, e onde é este tempo e este espaço? Isto é em Los Angeles, na Califórnia, onde vivo. Esta é uma fotografia da polícia. Aquele é mesmo o meu carro. Estamos a menos de um quilómetro e meio de um dos maiores hospitais de Los Angeles, chamado Cedars-Sinai. E a situação é que um carro cheio de paramédicos, na sua viagem de renorno a casa, depois do trabalho, passou pelos destroços, e informaram a polícia que não havia sobreviventes dentro do carro, que o condutor estava morto, que eu estava morto. A Polícia aguarda que os bombeiros cheguem para desencarcerar o corpo do condutor, que jazia no interior do carro. Quando o fazem, descobrem que por trás do vidro , encontram-me - E o meu crânio está esmagado, e a minha clavícula está esmagada, todas, excepto duas das minhas costelas, a minha pélvis e ambos os braços. Estão todos esmagados, mas ainda se sente a pulsação. E fazem-me chegar ao tal hospital mais próximo o Ceders-Sinai, onde, nessa mesma noite, recebi 45 unidades de sangue, por causa das minhas hemorragias internas - o que significa a reposição total de todo o meu sangue - antes que conseguissem restabelecer a circulação. Estou em suporte de vida completo, e sofro um AVC grave, e o meu cérebro cai em coma.
Os comas medem-se numa escala de 15 a três, 15 é um coma ligeiro. Três é o mais profundo. E se repararem, verão que existe apenas uma forma de conseguir um três. Praticamente, não há sinais de vida vistos de fora, de todo. Estive mais de um mês no nível 3 da escala de coma de Glasgow, e é neste estado de coma profundo, no limbo entre a minha vida e a minha morte, que experienciei a ligação e consciência totais no espaço interior.
O que a minha família, que olhava do exterior, tenta perceber é uma forma diferente de questão existêncial, ou seja, o tempo de que demorará para que seja possível estabelecer uma ligação entre a mente potencialmente comatosa que observam, e uma mente real, que defino simplesmente como o funcionamento cerebral que subsiste na minha cabeça. Agora, generalizando, quero que imaginem que são uns eternos alienígenas, que observam a Terra a partir do Espaço, e que o vosso programa preferido transmitido pelo satélite intergalático de televisão é o canal Terra, e a vossa série preferida é a série humana. A razão pela qual penso que isto vos deve despertar tanto interesse, deve-se ao facto de a consiência ser tão interessante, tão imprevisível, e tão frágil.
E foi este o nosso começo. Todos temos origem no Rio Awash, na Etiópia. O espetáculo começou com efeitos especiais tremendos, devido às mudanças climatéricas catastróficas - o que parece interessante, fazendo o paralelismo com os dias de hoje. Devido à inclinação da Terra no seu eixo e àquelas mudanças climatéricas catastróficas, tivémos de procurar maneiras de encontrar alimentos melhores, e tivémos de aprender - eis a Lucy; foi de onde todos surgimos - tivémos de aprender como partir ossos de animais, utilizar ferramentas para o fazer, alimentarmo-nos do tutano, para que os nossos cérebros crescessem mais. Portanto, desenvolvemos a nossa consciência como resposta a esta ameaça global.
Poderão continuar a observar como a consciência evoluiu ao ponto de que na Índia, em Madhya Pradesh, existe uma das duas mais antigas formas de Artes Rupestre, em rocha, conhecidas. É uma cúpula que precisou entre 40 a 50.000 golpes, com uma ferramenta de pedra, para ser criada. e esta é a pirmeira expressão conhecida de arte no planeta. E a razão pela qual isto nos liga à consciência hoje, é que, todos nós, ainda hoje, enquanto crianças, a primeiríssima forma que desenhamos é um círculo. Depois, a próxima coisa que fazemos é desenhar um ponto no centro do círculo. Criámos um olho - e o olho evolui ao longo de toda a nossa história. Existe o Deus egípcio Hórus, que simboliza prosperidade, sabedoria e saúde. E isso estendeu-se até ao presente com a nota de dólar dos Estados Unidos, que contêm um olho da providência.
Então, ao olhar para este espectáculo todo a partir do espaço, parece que até entendemos, compreendemos que o recurso mais precioso do planeta azul é a nossa consciência. Por que é a primeira coisa que desenhámos; rodeámo-nos de imagens dela; é, provavelmente, a imagem mais comum do planeta. Mas não. Nós tomamos a nossa consciência como algo garantido. Quando era produtor em Los Angeles, nunca pensei nisso, nem por um segundo. Até que me foi arrancada, nunca pensei nisso. E o que aprendi desde esse evento e durante a minha recuperação, é que a consciência está sob ameaça neste planeta, de maneiras nunca antes vistas. Estes são apenas alguns exemplos.
E a razão pela qual me sinto tão honrado por aqui estar, a falar hoje, na Índia, é porque a Índia distingue-se tristemente por ser a capital dos traumatismos cranianos, em todo o mundo. Essa estatística é tão triste. Não há lacuna mais drástica e repentina entre mente potencial e real do que um traumatismo craniano grave. Cada um pode requerer mais de uma década de reabilitação, o que significa que a Índia, a não ser que algo mude, está a acumular uma necessidade de milénios de reabilitação. O que ocorre nos Estados Unidos é um traumatismo a cada 20 segundos - um milhão e meio a cada ano - enfarte a cada 40 segundos, A cada 70 segundos, alguém sucumbe à doença de Alzheimer. Todas estas representam lacunas entre mentes em potência e mentes reais.
Eis algumas outras categorias, se olharem para todo o planeta. A Organização Mundial de Saúde diz-nos que a depressão é a doença número um na Terra, no que diz respeito aos anos vividos em incapacidade. Descobrimos que a segunda fonte de incapacidade é a depressão compreendida entre as idades dos 15 aos 44 anos. As nossas crianças estão a tornar-se deprimidas a uma velocidade alarmante. Descobri, durante a minha recuperação, que a terceira causa mais importante de morte entre adolescentes é o suicídio. Se olharem para alguns destes outros items - concussões. Metade das admissões dos adolescentes, nos Serviços de Urgência, devem-se a concussões. Se falo em enxaquecas, 40 porcento da população sofre de dores de cabeça episódicas. 15 porcento sofre de enxaquecas que os incapacitam por largos dias.
Tudo isto conduz - adição ao computador, só para dizer que: a coisa mais frequente que fazemos é utilizar aparelhos digitais. O adolescente médio envia 3.300 mensagens de texto, a cada [mês]. Falamos de uma sociedade que se está a retirar para a depressão e a dissociação, quando nos estamos a confrontar, potencialmente, com a próxima grande catástrofe, que é a mudança climática. Então aquilo que os deixa surpreendidos, ao observar o espetáculo humano, é, vamos confrontar e endereçar a mudança climatérica catastrófica que poderá estar no nosso destino ao evoluir a nossa consciência, ou iremos continuar a fechar os olhos?
E isso porventura levar-vos-à a observar um episódio, um dia do centro médico Cedars-Sinai, e a considerar a diferença entre mente em potência e mente real. Isto é uma coleção compacta de imagens por ressonância magnétia de electroencefalogramas que acompanha 156 canais de informação. Não é o meu EEG no Cedars; é o seu EEG desta noite e da noite anterior. É o que a nossa mente faz todas as noites, para digerir o dia e para preparar a ponte a partir da mente em potência, enquanto dormimos, para a mente real quando acordamos na manhã seguinte. Era assim que eu estava quando regressei do hospital, depois de quase quatro meses. A forma em ferradura que vêm no meu crânio é onde fui operado e entraram no meu cérebro, para fazerem as cirurgias necessárias para que me salvassem a vida. Mas se olharem verdadeiramente para o olho da consciência, aquele único olho que conseguem ver, estou a olhar para baixo, mas deixem-me dizer-vos como me senti nesse ponto. Não me senti vazio; senti tudo em simultâneo. Senti-me vazio e cheio, com calor e frio, eufórico e deprimido. Porque o cérebro é o primeiro computador quântico completamente funcional, do mundo, pode ocupar-se de múltiplos estados, ao mesmo tempo. E, com todos os reguladores internos do meu cérebro danificados, senti tudo em simultâneo.
Rodemos e olhemos para mim frontalmente. Isto é, agora, um avanço instantâneo para o ponto onde tive alta pelo sistema de saúde. Olhem para aqueles olhos. Não consigo focar aqueles olhos. Não consigo seguir uma linha de texto num livro. Mas o sistema fez-me avançar porque, como a minha família veio a descobrir, não existe conceito a longo prazo no sistema de saúde. Danos neurológicos, 10 anos de reabilitação, requerem uma perspetiva a longo prazo.
Mas olhemos para além dos meus olhos. Isto é um estudo minucioso e detalhado de radiação gama, que usa radiação gama para mapear funcões tri-dimensionais no cérebro. É necessário um laboratório para o ver a três dimensões, mas a duas dimensões, julgo que podem ver a bela simetria e iluminação de uma mente normal, a funcionar. Eis o meu cérebro. Esta é a consequência de mais de um terço do lado direito do meu cérebro ter sido destruido pelo derrame. Então a minha família, enquanto avançávamos, e descobrimos que o sistema de saúde nos tinha posto de lado, teve de tentar encontrar soluções e respostas. E durante esse processo - que levou muitos anos - um dos médicos disse que a minha recuperação, o meu grau de avanço, dada a significância do traumatismo craniano que houvera sofrido, era um milagre. E foi aí que comecei a escrever um livro, porque não pensei que fosse um milagre. Pensei que houvessem elementos miraculosos, mas também não achei que fosse justo que uma pessoa tenha de batalhar e procurar por respostas quando isto é uma pandemia na nossa sociedade.
Então, desta experiência da minha recuperação, quero partilhar quatro aspectos em particular - Chámo-os os quatro C's da consciência - que me ajudaram a desenvolver a minha mente em potência de volta para a mente real com que trabalho todos os dias. O primeiro C é o treino cognitivo. Ao contrário do vidro estilhaçado do meu carro, a plasticidade do cérebro significa que houve sempre uma possibilidade, com tratamentos, para treinar o cérebro, para que possam re-ganhar e aumentar o vosso nível de alerta e consciência. A plasticidade significa que sempre houve esperança para a nossa razão - esperança para a nossa capacidade de reconstruir essa função. De facto, a mente pode redefinir-se a si própria, e isto é demonstrado por dois especialistas, chamados Hagen e Silva, já nos idos 1970's. A perspetiva global é que mais de 30 porcento das crianças em idade escolar têm dificuldades de aprendizagem, que não são auto-corrigíveis, mas, com o tratamento apropriado, pode-se-lhes fazer um rastreio, detetados e corrigidos, evitando o seu falhanço académico. Mas o que descobri, é que é quase impossível encontrar alguém que proporcione esse tratamento ou cuidado.
Eis o que o meu neuropsicólogo me providenciou quando realmente encontrei alguém que o soubesse aplicar. Não sou um médico, logo não irei falar acera dos vários sub-testes. Falemos apenas nota máxima do Q.I.. A nota máxima do Q.I. é o processamento mental - o quão rapidamente podem adquirir informação, retê-la e recuperá-la - que é essencial para o sucesso na vida de hoje. E podem ver aqui que há três colunas. Não-testável - isso foi quando estava em coma. E depois rastejei-me ao ponto de obter uma nota de 79, que é um pouco abaixo da média. No sistema de cuidados de saúde, se se aproximam da média, estão feitos. Isto foi quando fui libertado do sistema. O que quer realmente dizer Q.I. médio? Isto significou que, quando me fizeram um teste de duas horas e meia que qualquer um de vós demoraria 50 minutos a fazer, poderia ter a pior nota negativa. Isto é um nível muito, muito baixo para que podessem correr comigo do sistema de cuidados de saúde. Depois submeti-me ao treino cognitivo. E deixem que vos mostre o que aconteceu na coluna mais à direita, quando fiz o meu treino cognitivo ao longo de algum tempo. Isto não é suposto acontecer. O Q.I., supostamente, estabiliza e solidifica-se por volta dos 8 anos de idade.
Agora, o Jornal da Associação Médica Nacional deu à minha autobiografia uma avaliação clínica detalhada, o que não é muito usual. Não sou um médico. Não tenho qualquer conhecimento de medicina. Mas eles sentiram as evidências de que havia informação importante e válida no livro, e comentaram-no quando fizeram a revisão completa, aos seus pares, acerca do mesmo. Mas fizeram uma pergunta. Disseram, "Isto é repetível?" Foi uma pergunta justa, porque a minha autobiografia era simplesmente a maneira como encontrei soluções que funcionassem, para mim.
A resposta é sim, e pela primeira vez, é com extremo gosto que consigo partilhar dois exemplos. Aqui está alguém, o que fizeram enquanto se submeteu ao treino cognitivo, com as idades de sete e 11 anos. E aqui está outra pessoa na escola secundária, universidade, ou como lhe queiram chamar. E esta pessoa é particularmente interessante. Não entrarei pela intradispersão patente nos sub-testes, mas, ainda assim, eles tinham questões neurológicas. Mas essa pessoa poderia ser identificada como tendo uma incapacidade de aprendizagem. E, com auxílio, proseguiram para a universidade, e tiveram uma vida cheia de acordo com as suas oportunidades.
Segundo aspecto: Ainda tinha enxaquecas debilitantes. Dois elementos que funcionaram comigo neste caso, aprendi, que 90 porcento das dores de cabeça e de pescoço, se devem a um desequilíbrio musculo-esquelético. O sistema cranio-mandibular é crítico nessa parte. E quando passei por isso e encontrei soluções, esta é a inter-relação entre a articulação Temporomandibular e os dentes. Mais de 30 porcento da população tem uma desordem, doença ou disfunção na mandíbula, que afeta todo o corpo. Tive a sorte de encontrar um dentista que aplicou todo um universo de tecnologia, como verão, para provar que, se ele reposicionasse o meu maxilar inferior, as dores de cabeça estariam resolvidas, mas que depois os meus dentes não estariam na posição correta. Ele, depois, fixou o meu maxilar inferior na posição devida enquanto, ontodonticamente, colocou os meus dentes no alinhamento certo. Então, os meus dentes na verdade mantiveram o meu maxilar inferior na posição correta. Isto afetou todo o meu corpo.
Se isto soa como uma coisa estranhíssima de se dizer, e não uma afirmaçao consistente - Como pode o maxilar inferior afetar todo o corpo? - deixem-me apenas destacar se vos pedisse, amanhã, para porem um grão de areia entre os vossos dentes, e para irem dar uma bela, longa caminhada, quanto tempo demoraria para que tivessem de tirar esse grão de areia? Esse desalinhamento minúsculo. Tenham em conta, não há nervos nos dentes. É por essa razão notório que o que aqui mosto, o antes e o depois, seja muito semelhante. É difícil ver a diferença. Agora tentem por alguns grãos de areia entre os vossos dentes, e vejam a diferença que faz. Eu ainda tinha enxaquecas.
O próximo problema determinante foi que, se 90 porcento das dores de cabeça e pescoço são causadas por desequilíbrio, os outros 10 porcento, de longe - se deixarem de lado aneurismas e cancro cerebral e problemas hormonais - são a circulação. Imaginem o sangue a percorrer-vos o corpo - disseram-me no Centro Médio da UCLA - como um sistema fechado. Existe um grande cano, com sangue a percorrê-lo. E ao redor desse tubo estão os nervos extraindo o seu suplemento nutritivo do sangue. É mais ou menos isto. Se pressionarem uma mangueira num sistema fechado, esta inchará noutro sítio qualquer. Se esse sítio onde incha for dentro do maior nervo do vosso corpo, o vosso cérebro, terão uma enxaqueca vascular. Isto é um grau de dor apenas conhecido por outras pessoas que sofram de enxaquecas vasculares. Ao utilizar esta tecnologia, isto é mapeamento a três dimensões. Isto é um MRI MRA MRV, um MRI volumétrico. Ao utilizar esta tecnologia, os especialistas no Centro Médio de UCLA conseguiram identificar onde estava a acontecer a compressão na mangueira. Um cirurgião vascular retirou a maior parte de [incerto] de ambos os lados do meu corpo. E nos meses e anos seguintes, senti o próprio fluxo neurológico da vida vir a mim.
Comunicação, o próximo C. Este é problemático. Toda a consciência é sobre comunicação. E neste caso, com muita sorte, uma das clientes do meu pai tinha um marido que trabalhava na Fundação Alfred Mann para Investigação Científica. O Alfred Mann é um físico brilhante e inovador, fascinado com a construção de pontes entre lacunas na consciência, seja restituir a audição aos surdos, a visão aos cegos, ou o movimento aos que estão paralizados. Dar-vos-ei apenas um exemplo, hoje sobre o movimento, nos que estão paralizados. Trouxe comigo, da Califórnia do Sul, o aparelho FM. Ei-lo, seguro numa mão. Pesa menos de um grama. Então, dois deles implantados no corpo, pesariam menos que um cêntimo. Cinco deles ainda pesariam menos do que 20 cêntimos.
Onde é que eles estão, dentro do corpo? Foram simulados e testados para durar no corpo, salvos de corrosão, por mais de 80 anos. Então, ficam lá e mantêm-se lá. Aqui estão os locais do implante. O conceito para que têm estado a trabalhar - e têm protótipos funcionais - é que os coloquemos ao longo dos pontos motores do corpo onde são necessários. A unidade principal é então colocada no cérebro. Um aparelho FM no córtex do cérebro, o córtex motor, enviará sinais em tempo real aos pontos motores nos músculos relevantes, para que a pessoa seja capaz de mover o braço, digamos, em tempo real, caso tenham perdido o controlo do seu braço. E outros aparelhos FM implantados nas pontas dos dedos, ao contatarem uma superfície, enviarão uma mensagem ao córtex sensorial do cérebro, para que a pessoa sinta uma sensação de toque. Será isto ficção científica? Não. Porque estou a usar a primeira aplicação desta tecnologia. Não consigo controlar o meu pé esquerdo. Um aparelho de rádio controla todos os passos que dou. E um sensor levanta-me o pé sempre que caminho.
E, finalmente, quero partilhar a razão pessoal por que isto foi tão importante para mim e mudou a direção da minha vida. No meu coma, uma das presenças que notei foi a de alguém que senti ser um protetor. E quando saí do meu coma, reconheci a minha família, mas não me lembrava do meu próprio passado. Gradualmente, lembrei-me que o protetor era a minha mulher. E sussurrei as boas notícias pelo meu maxilar partido, que estava fechado com arames, à minha enfermeira da noite. E na manhã seguinte, a minha mãe explicou-me que eu nem sempre tinha estado nesta cama, neste quarto, que havia trabalhado em filmes e em televisão e que tinha tido um acidente e que sim, era casado, mas que a Marcy havia morrido instantaneamente no acidente. E durante o tempo em que estive em coma, ela tinha sido sepultada na sua cidade natal, em Fénix. Nos anos negros que se seguiram, tive de compreender o que me restava, se tudo o que tornava os dias especiais tinha desaparecido. E à medida que descobria estas ameaças à consciência e a maneira como estas rodeiam o mundo e contém a vida de cada vez mais pessoas a cada dia, descobri o que realmente restou. Acredito que podemos ultrapassar as ameaças à nossa consciência, que o espetáculo humano pode ser transmitido durante os milénios que estão por vir. Acredito que todos podemos brilhar.
Lakshmi Pratury: Fique mais um segundo. Fique apenas mais um segundo.
Sabem, quando ouvi o Simon - por favor sentem-se; quero falar com ele apenas um segundo - Quando li o livro dele, fui a LA ao seu encontro. Estava então sentado num restaurante, à espera que aparecesse um homem que obviamente apresentaria algumas dificuldades ... Não sei no que estava a pensar. E ele estava a caminhar. Não esperava que a pessoa que ia conhecer fosse ele. E depois encontrámo-nos e falámos e eu pensei, ele não se assemelha em nada a alguém que foi construido a partir do nada. E depois fiquei espantado com o papel que a tecnologia tinha tido na sua recuperação. E temos este livro, nas livrarias. O que mais me espantou foi o detalhe doloroso com que foi escrito, cada hospital onde esteve, cada tratamento a que se submeteu, cada quase-falha que teve, e como, acidentalmente, tropeçou nas inovações. Penso então que este único detalhe passou despercebido pelas pessoas. Fale um pouco acerca do que tem na sua perna.
Simon Lewis: Eu sabia que, quando estava a temporizar esta palestra, não teria tempo para fazer nada acerca - Ora cá está. Esta é a unidade de controle. E isto grava cada passo que dei desde há, ooh, cinco ou seis anos para cá. E se fizer isto, talvez o microfone não o ouça. Aquele pequeno apito seguido de dois apitos está agora ligado. Quando o pressiono novamente, apitará três vezes, E isso significa que está pronto para a ação. E este é o meu amigo. Quer dizer, carrego-o todas as noites. E funciona. Funciona. E o que gostaria de acrescentar porque não tive tempo...
O que faz? Na verdade, mostrar-vos-ei aqui em baixo. Isto aqui em baixo, se a câmera o conseguir apanhar, isto é uma pequena antena. Debaixo do meu calcanhar, há um sensor que deteta quando o meu pé deixa o chão - é o chamado levantamento do calcanhar. Isto está sempre a piscar, vou deixá-lo de fora para que o possam ver. Mas isto está sempre a piscar. Está a enviar sinais a tempo real. E se andarem mais rápido, se eu andar mais rápido, isto deteta o que se chama de intervalo de tempo, que é o intervalo entre cada levantamento de calcanhar. E acelera a quantidade e nível do estímulo. As outras coisas em que trabalharam - não tive tempo de o dizer na minha palestra - é que restituiram audição funcional a milhares de pessoas surdas.
Poderia contar-vos a história: seria uma tecnologia descontinuada, mas Alfred Mann encontrou-se com o médico que se ia reformar, [Dr. Schindler.] E ele ia reformar-se - toda a tecnologia seria perdida, porque nenhum fabricante de material médico lhe pegaria por ser uma coisa pouco importante. Mas há milhões de pessoas surdas no mundo, e o implante coclear já permitiu que milhares de pessoas surdas ouçam, agora. Funciona. E outra coisa é que estão a trabalhar em retinas artificiais para os cegos. E esta, esta é a geração implantável. Porque o que não disse na minha palestra é que isto é de facto do exoesqueleto. Vou explicar isso. Porque a primeira geração é do exoesqueleto, envolve a perna, à volta do membro afetado. devo dizer-vos, são espantosos - há ums centena de pessoas que trabalham naquele edifício - engenheiros, cientistas, e outros membros da equipa - sempre.
Alfred Mann configurou a sua fundação para avançar com esta pesquisa porque viu que o capital de risco nunca financiaria algo do género. A audiência alvo é demasiado pequena. Pensarão, há muitas pessoas paralizadas no mundo, mas é muito pouco, e a quantidade de pesquisa, o tempo dispendido, as autorizações da FDA, o tempo de coleta é muito longo, para que o capital de risco se interesse. Então ele viu a necessidade e avançou. É um homem notável. Fez muita ciência de ponta.
LP: Então, quando tiverem oportunidade, passem algum tempo com o Simon. Obrigado. Obrigado.
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Após um acidente catastrófico, de viação, que o deixou em coma, Simon Lewis conseguiu recuperar - física e mentalmente - para além de todas as expectativas. Na INK Conference, ele conta-nos como esta história extrema o levou a preocupar-se com todas as ameaças à consciência, e como as ultrapassar.
Simon Lewis is the author of "Rise and Shine," a memoir about his remarkable recovery from a car accident and coma, and his new aproach to our own consciousness. Full bio »
Translated into Portuguese by Mafalda Dias
Reviewed by Rafael Eufrasio
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21:48 Posted: Apr 2007
Views 1,295,461 | Comments 337
23:07 Posted: Apr 2009
Views 527,095 | Comments 119
18:44 Posted: Mar 2008
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