Aumentam as ameaças na sequência da morte de Bin Laden. Fome na Somália. Spray de pimenta da polícia. Cartéis cruéis. Linhas de cruzeiro cáusticas. Decadência da sociedade. 65 mortos. Aviso de maremoto. Ciberataques. Combate às drogas. Destruição maciça. Tornado. Recessão. Incumprimento. Dia do juízo final. Egito. Síria. Crise. Morte. Desastre. Oh, meu Deus.
Então, estes foram apenas alguns dos clipes, que eu colecionei durante os últimos 6 meses. Poderiam ser facilmente os últimos 6 dias, ou os últimos 6 anos. A questão é que os média dão-nos preferencialmente histórias negativas, pois são a essas que prestamos atenção. E há uma boa razão para isso. A cada segundo de cada dia, os nosso sentidos assimilem muito mais informação, do que a que podemos processar nos nossos cérebros.
E porque nada é mais importante para nós, do que a sobrevivência, a primeira paragem de toda esta informação é uma parte antiga do lobo temporal chamada amígdala. Ora, a amígdala é o nosso primeiro detector de alerta, o nosso detector de perigo. Classifica e pesquisa minuciosamente toda a informação, procurando por algo no ambiente que poderá prejudicar-nos. Assim, dadas uma dúzia de notícias iremos olhar preferencialmente para as notícias negativas. E aquele ditado antigo dos jornais, "Se há sangue, vende", é bem verdade. Portanto, dados todos os dispositivos digitais, que nos trazem todas estas notícias negativas, 7 dias por semana, 24 hora por dia, não é de admirar que somos pessimistas. Não é de admirar que as pessoas pensem, que o mundo está a tornar-se pior.
Mas talvez esse não seja o caso. Talvez, em vez disso, são as distorções trazidas até nós do que está realmente a acontecer. Talvez, o enorme progresso que fizemos durante o último século através de um conjunto de forças está, na verdade, a acelerar para um ponto em que temos o potencial de nas próximas 3 décadas de criar um mundo de abundância Agora, não estou a dizer que não temos o nosso conjunto de problemas -- a crise climática, a extinção de espécies, escassez de água e energia -- certamente temos. E como humanos, somos muito melhores a ver a forma dos problemas antecipadamente, mas em última instância, resolvemo-los.
Então, vamos olhar para o que este último século tem sido, para vermos para onde estamos a ir. Durante os últimos 100 anos, a esperança média de vida mais do que duplicou, o rendimento médio per capita ajustado à inflação em todo o mundo triplicou. A mortalidade infantil diminuiu por um fator de 10. Adicionem a isto o custo da alimentação, eletricidade, transporte, comunicação desceram 10 a 1000 vezes. Steve Pinker mostrou-nos que, na realidade, estamos a viver durante a época mais pacífica de sempre na história do Homem. E Charles Kenny que a literacia global passou de 25% para mais de 80% nos últimos 130 anos. Estamos realmente a viver numa época extraordinária. E muitas pessoas esquecessem disto.
E as nossas expectativas estão cada vez mais altas. Na verdade, redefinimos o que a pobreza significa. Pensem nisto, na América atualmente, a maioria das pessoas abaixo da linha de pobreza ainda têm eletricidade, água, sanitários, frigoríficos, televisão, telemóveis, ar condicionado e carros. Os barões da indústria mais ricos do último século, os imperadores neste planeta, nunca poderiam ter sonhado com tais luxos.
A base de tudo isto é a tecnologia, e mais recentemente, as tecnologias de crescimento exponencial. O meu bom amigo Ray Kurzweil mostrou que qualquer ferramenta que se torna uma tecnologia de informação salta nesta curva, na Lei de Moore, e sofre a duplicação da performance do preço a cada 12 a 24 meses. É por isso que o telemóvel no vosso bolso é literalmente 1 milhão de vezes mais barato e mil vezes mais rápido do que um supercomputador dos anos 70. Agora, olhem para esta curva. Isto é a Lei de Moore durante os últimos 100 anos. Quero que prestem atenção a duas coisas nesta curva. Primeiro, o quanto suave é -- ao longo de bons e maus tempos, tempos de guerra e tempos de paz, recessão, depressão e tempos de crescimento. Isto é o resultado de computadores mais rápidos a serem usados para construir computadores ainda mais rápidos Isto não abranda para qualquer um dos nosso grandes desafios E também, apesar de estar traçado na curva da lei à esquerda, está a curvar para cima. O ritmo a que a tecnologia está a tornar-se mais rápida. é em si cada vez mais rápida.
E nesta curva, ao longo da Lei de Moore, estão um conjunto extraordinário de tecnologias poderosas disponíveis para todos nós. Computação em nuvem, ao que os meus amigos na Autodesk chamam de computação infinita; sensores e redes; robótica; impressão 3D, que é a capacidade para democratizar e distribuir produção personalizada em todo o planeta; biologia sintética; combustíveis, vacinas e alimentos; medicina digital; nanomateriais; e inteligência artificial. Quer dizer, quantos de vós viram a vitória no Jeopardy pelo computador Watson da IBM? Quer dizer, aquilo foi épico. Na verdade, percorri as manchetes à procura da melhor manchete de jornal que podia. E adorei esta: "Watson Derrota Adversários Humanos". O Jeopardy não é um jogo fácil. É sobre as nuances da linguagem humana. E imaginem se permitissem inteligências artificias, como esta, na nuvem disponível para qualquer pessoa com um telemóvel.
Há 4 anos atrás, aqui no TED, Ray Kurzweil e eu começamos uma nova universidade chamada Universidade da Singularidade E ensinamos aos nossos estudantes todas estas tecnologias, e particularmente como é que elas podem ser usadas para resolver os grandes desafios da humanidade. E todos os anos pedimos-lhes para criarem uma empresa, um produto, ou um serviço, que possa afetar de forma positiva as vidas de mil milhões de pessoas numa década. Pensem nisso, o facto de que, literalmente, um grupo de estudantes pode tocar hoje, as vidas de mil milhões de pessoas. Há 30 anos atrás, isto teria soado a ridículo. Atualmente podemos apontar para dezenas de empresas, que fizeram exatamente isso.
Quando penso sobre a criação de abundância, não se trata de criar uma vida de luxúria para todos neste planeta; trata-se de criar uma vida de possibilidade. Trata-se de pegar naquilo que é escasso e torna-lo abundante. Vejam, a escassez é contextual, e a tecnologia é uma força libertadora de recursos. Deixem-me dar-vos um exemplo.
Então, esta é uma história de Napoleão III em meados dos anos 1800. Ele é o indivíduo à esquerda. Ele convidou para jantar o Rei de Sião. Todas as tropas de Napoleão eram alimentadas com talheres de prata, e Napoleão com talheres de ouro. Mas o Rei de Sião, foi alimentado com talheres de alumínio. Notem que, alumínio era o metal mais valioso do planeta, valia mais do que o ouro e platina. É a razão pela qual a ponta do Monumento a Washington é feita de alumínio. Vejam que, embora o alumínio corresponda a 8,3% da massa terrestre, ele não se apresenta como um metal puro. Está todo ligado por oxigénio e silicatos. Mas então, a tecnologia da eletrólise surgiu e tornou o alumínio tão barato, que o usamos com uma mentalidade despesista.
Vamos então projetar esta analogia no futuro. Pensamos sobre a escassez da energia. Senhoras e senhores, nós estamos num planeta, que é banhado com 5000 vezes mais energia do que podemos usar num ano. 16 terawatts de energia atinge a superfície da Terra a cada 88 minutos. Não se trata de ser escassa, trata-se de acessibilidade. E há boas notícias neste campo. Pela primeira vez, este ano o custo da eletricidade produzida por energia solar é 50% da eletricidade produzida a diesel na Índia -- 8,8 rupias contra 17 rupias. O custo da energia solar desceu 50% no último ano. No mês passado, o MIT lançou um estudo mostrando que no fim desta década, nas partes solarengas dos Estados Unidos da América, a eletricidade solar será 6 cêntimos o kilowatt-hora comparado com os 15 cêntimos como média nacional.
E se temos energia abundante também temos água em abundância Agora, falemos sobre as guerras da água. Lembram-se quando Carl Sagan virou a nave espacial Voyager de volta para a Terra, em 1990 logo depois de ter passado Saturno? Ele tirou a foto famosa. Como se chamava? "Um Ponto Azul Pálido". Porque nós vivemos num planeta de água. Vivemos num planeta coberto por 70% de água. Sim, 97,5% é água salgada, 2% é gelo, e lutamos por meio porcento da água do planeta, mas aqui também há esperança. E há tecnologia a chegar, não em 10 ou 20 anos, mas agora mesmo. Há nanotecnologia a chegar, nanomateriais.
E a conversa que tive esta manhã com o Dean Kamen, um dos maiores inovadores de "faça você mesmo", gostaria de partilhar convosco -- ele deu-me autorização para o fazer -- a sua tecnologia chamada Slingshot (fisga) que muitos de vós poderão ter ouvido falar, é do tamanho de um pequeno frigorifico de dormitório. É capaz de gerar mil litros de água potável por dia a partir de qualquer fonte -- água salgada, água poluída, latrina -- por menos de 2 cêntimos o litro. O presidente da Coca-Cola acabou de concordar em fazer um grande teste de centenas destas unidades no mundo em desenvolvimento. E se isso se concretizar, e eu tenho toda a confiança que irá, A Coca-Cola irá implantar isto globalmente em 206 países em todo o planeta. Este é o tipo de inovação, potenciada por esta tecnologia, que existe atualmente.
E nós vimos isto nos telemóveis- Meu Deus, nós vamos atingir 70% de penetração dos telemóveis no mundo em desenvolvimento até ao final de 2013. Pensem nisso, que um guerreiro Masai com um telemóvel no meio do Quénia tem melhor comunicação móbil que o presidente Reagan tinha há 25 anos atrás. E se eles estiverem um smartphone no Google, têm acesso a mais conhecimento e informação, que o presidente Clinton tinha há 15 anos atrás. Eles estão a viver num mundo de abundância de informação e comunicação, que ninguém podia jamais prever. Melhor que isso, as coisas em que vós e eu gastamos dezenas e centenas de milhares de dólares -- GPS, vídeo em HD e imagens estáticas, bibliotecas de livros e música, tecnologia de diagnóstico médico -- estão agora, literalmente a se desmaterializar e a se desvalorizar nos vossos telemóveis.
Provavelmente a melhor parte disto é o que está para vir na área da saúde. No mês passado, tive o prazer de anunciar conjuntamente com a Fundação Qualcomm algo chamado de X Prémio Qualcomm Tricorder de 10 milhões de dólares. Estamos a desafiar equipas de todo o mundo para basicamente combinar estas tecnologias num dispositivo móvel para o qual possamos falar, porque tem inteligência artificial, podem tossir nele, podem picar o dedo nele. E para ganhar, precisa de ser capaz de o diagnosticar melhor que uma equipa de médicos certificados. Portanto imaginem este dispositivo, literalmente, no meio do mundo em desenvolvimento, onde não existem médicos, 25% do peso da doença e 1,3% dos trabalhadores dos cuidados de saúde. Quando este dispositivo sequencia o ARN ou ADN de um vírus que não o reconhece, telefona para o Centro de Prevenção e Controlo de Doenças e previne que a pandemia ocorra em primeiro lugar.
Mas aqui, aqui está a maior força para trazer um mundo de abundância. Eu chamo-lhe os "mil milhões emergentes". Portanto, as barras brancas aqui são a população. Acabamos de passar a marca dos 7 mil milhões na Terra. E a propósito, a maior proteção contra a explosão populacional é tornar o mundo instruído e saudável. Em 2010, tinhamos pouco menos de 2 mil milhões de pessoas online, ligadas. Até 2020, aumentará de 2 para 5 mil milhões de utilizadores da Internet. 3 mil milhões de mentes novas que nunca foram ouvidas antes estão a conectar-se à conversa global. O que irão querer estas pessoas? O que irão consumir? O que irão desejar? E ao invés de haver um abrandamento económico estamos prestes a ter a maior injeção económica de sempre. Estas pessoas representam dezenas de triliões de dólares injectados na economia global. E elas irão ficar mais saudáveis usando o Tricorder, e tornar-se-ão mais instruídas ao usarem a Academia Khan, e por, literalmente, serem capazes de usar impressão 3D e computação infinita [tornar-se-ão] mais produtivas do que nunca.
Então, o que poderiam 3 mil mihões emergentes saudáveis, instruídos e produtivos membros da humanidade nos trazer? Que tal, um conjunto de vozes que nunca ouvimos antes. Que tal dar aos oprimidos onde quer que estejam, a voz para serem ouvidos e a voz para agirem pela primeira vez? O que irão trazer estes 3 mil milhões de pessoas? E quanto às contribuições que nem podemos prever? Uma coisa que aprendi no X Prémio é que equipas pequenas impulsionadas pela sua paixão com um enfoque claro podem fazer coisas extraordinárias, coisas que apenas grandes organizações e governos podiam fazer no passado.
Deixem-me partilhar e terminar com uma história que me entusiasmou bastante. Existe um programa de que alguns de vós podem ter ouvido falar. É um jogo chamado Foldit. Foi lançado na Universidade de Washington em Seattle. E isto é um jogo onde as pessoas podem realmente pegar numa sequência de aminoácidos e perceber como é que a proteína se vai dobrar. E como se dobra dita a sua estrutura e funcionalidade. E é muito importante para a pesquisa em medicina. E até agora, tem sido um problema de supercomputadores.
E este jogo tem sido jogado por professores universitários e assim por diante. E são literalmente, centenas de milhares as pessoas que entraram online e começaram a jogar. E mostrou que, de facto, atualmente, o mecanismo humano de reconhecimento de padrões é melhor a dobrar proteínas que os melhores computadores. E quando estas pessoas procuraram quem era a melhor pessoa no mundo a dobrar proteínas, não era um professor do MIT, não era um estudante da CalTech, era uma pessoa de Inglaterra, de Manchester, uma mulher que, durante o dia, era uma assistente executiva numa clínica de reabilitação e, à noite, era a melhor dobradora de proteínas do mundo.
Senhoras e senhores, o que me dá uma tremenda confiança no futuro é o facto de que, temos agora mais poder como indivíduos para fazer parte dos grandes desafios deste planeta. Temos as ferramentes com esta tecnologia exponencial. Temos a paixão do inovador do "faça você mesmo". Temos o capital de um filantropo da tecnologia. E temos 3 mil milhões de mentes novas que vêm online para trabalhar connosco para solucionar os grandes desafios, para fazer aquilo que devemos fazer. Estamos e vamos viver em décadas extraordinárias.
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No palco do TED2012, Peter Diamandis apresenta argumentos a favor do otimismo – diz que iremos inventar, inovar e criar formas de solucionar os desafios que pairam sobre nós. “Não estou a dizer que não temos o nosso conjunto de problemas; temo-los certamente. Mas em última análise, derrotá-los-emos".
Peter Diamandis runs the X Prize Foundation, which offers large cash incentive prizes to inventors who can solve grand challenges like space flight, low-cost mobile medical diagnostics and oil spill cleanup. He is the chair of Singularity University, which teaches executives and grad students about exponentially growing technologies. Full bio »
Translated into Portuguese by Carlos Gonçalves
Reviewed by Rossana Lima
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17:43 Posted: Jun 2007
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16:46 Posted: Feb 2012
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15:31 Posted: Sep 2008
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