Nós inventamos. A minha empresa inventa todos os tipos de novas tecnologias em montes de áreas diferentes. E nós fazemo-lo por duas razões. Inventamos pela diversão. Inventar é algo muito divertido de fazer. E também inventamos pelo lucro. Ambos estão relacionados porque o lucro demora tanto tempo que, se não for divertido não teríamos tempo para o levar a cabo. por isso, fazemos isto invenção orientada para a diversão e o lucro em grande parte do que fazemos, mas também temos programas em que inventamos para a Humanidade, onde pegamos em alguns dos nossos inventores, e dizemos-lhes, existem problemas em que tenhamos uma boa ideia para resolver um problema que aflija o mundo? E resolvê-lo da forma que sempre tentamos resolver os problemas, que é com soluções dramáticas, doidas, fora do convencional. o Bill Gates é um dos nossos mais inteligentes que trabalha nestes problemas. E também financia este trabalho, por isso obrigado. Por isso, vou muito resumidamente discutir alguns problemas que temos problemas em que já temos algumas soluções a ser estudadas.
Então, a vacinação é uma das técnicas chave na saúde pública, uma coisa fantástica. mas no mundo em desenvolvimento muitas vacinas estragam-se antes que sejam administradas. e isto acontece porque precisam de ser preservadas no frio. A maioria das vacinas precisa de temperaturas de refrigeração. Estragam-se muito rapidamente se assim não for. E se não se tiver uma rede de energia estável, isso não acontece, por isso, há miúdos que morrem. Não se trata apenas da perda das vacinas; trata-se daqueles miúdos que não são vacinados. Esta é uma das formas como as vacinas são transportadas. São arcas de Esferovite. São transportadas por pessoas, mas também se vêm nas traseiras de carrinhas. Nós temos uma solução diferente. Bom, uma destas arcas de esferovite durará cerca de quatro horas, com gelo.
E nós pensámos, isto não é suficientemente bom. Por isso criámos isto. Isto dura seis meses sem energia, absolutamente nenhuma energia, porque perde menos de metade de um watt. Ora, este é o nosso protótipo de segunda geração. O protótipo de terceira geração está, neste momento, a ser testado, no Uganda. Ora, a razão pela qual fomos capazes de inventar isto foram duas ideias chave. Uma é que isto é semelhante a uma câmara criogénica, algo onde manter nitrogénio ou hélio líquido. Têm um isolamento incrível, portanto vamos colocar algum isolamento incrível aqui. A outra ideia é algo interessante, que é, já não se pode chegar lá dentro, porque se se abrir e tentar colocar a mão, deixa-se entrar o calor e o jogo termina. Por isso, a lateral desta coisa parece mesmo uma máquina da Coca-cola. distribui pequenos frascos individuais. Então, uma simples ideia, que esperamos venha a mudar a forma como as vacinas são distribuídas, em África e por todo o mundo.
Avancemos para a malária. A Malária é um dos grandes problemas de saúde. A Esther Duflo falou um pouco acerca disto. 250 milhões de pessoas por ano. a cada 43 segundos morre uma criança em África. 27 morrerão durante a minha palestra. E não há uma maneira para nós, neste país perceber o que realmente isso significa para as pessoas envolvidas. Outro comentário da Esther foi que reagimos quando acontece uma tragédia como no Haiti mas a tragédia é contínua. Por isso, o que podemos fazer acerca disso? Bem, muitas coisas já foram tentadas durante muitos anos para resolver a questão da malária. Pode usar-se spray, o problema está nas questões ambientais. Pode-se tratar as pessoas e criar consciência. Isso é maravilhoso, só que os lugares que têm problemas sérios de malária, não têm sistemas de saúde. Uma vacina seria algo espantoso, mas ainda não funcionam. Tem-se tentado desde há muito tempo. Existem alguns candidatos bastante interessantes. É difícil de criar uma vacina para esta doença. Podem distribuir-se mosquiteiros, e os mosquiteiros são muito eficientes se forem usados. Nem sempre são usados para esse fim. As pessoas usam-nos para pescar. Nem sempre chegam para toda a gente. E os mosquiteiros têm efeito na epidemia, mas nunca vamos extingui-la com eles.
Ora, a malária é uma doença incrivelmente complicada. Podíamos passar horas a rever isto. Tem um estilo de vida tipo telenovela. Eles têm sexo. Entranham-se no nosso fígado. atravessam as nossas células sanguíneas. É uma doença incrivelmente complicada, mas essa é, na verdade, a razão para a acharmos tão interessante e pela qual trabalhamos na malária. Existem imensos potenciais caminhos. Um deles podia ser melhores diagnósticos. Por isso, esperamos este ano fazer protótipos destes aparelhos. Um faz um diagnóstico automático da malária da mesma forma que funciona um medidor de glucose nos diabéticos. Pega-se numa gota de sangue, coloca-se ali, e automaticamente dá-nos o resultado. Actualmente, é necessário um complicado procedimento laboratorial, criar um monte de slides de microscópio e ter um técnico a examiná-los.
Por outro lado, sabem, seria ainda melhor se não fosse preciso retirar o sangue. E se se olhasse para o olho, ou se olhasse para os vasos sanguíneos do branco do olho, de facto, poder-se-á fazer isto directamente, sem tirar qualquer sangue, ou pelo leito ungueal. Porque, ao observarmos atentamente as nossas unhas, podemos ver vasos sanguíneos. E assim que vemos os vasos sanguíneos, pensamos poder ver a malária. Podemos vê-la por causa desta molécula chamada hemozoin. É produzida pelo parasita da malária. e é uma substância cristalina muito interessante, pelo menos é interessante para os físicos que estudam o estado sólido. Há um monte de coisas bestiais que podemos fazer com isso.
Este é o nosso laboratório de laser femtosecond. Portanto, isto cria impulsos de luz eles duram um femto segundo. O que é mesmo, mesmo muito curto. Trata-se de um impulso de luz que tem apenas a duração de um comprimento de onda. Portanto é um monte de fotões todos a surgir e a atingir em simultâneo. O que cria um elevadíssimo poder. Permite-nos fazer todo o tipo de coisas interessantes. Em particular, deixa-nos encontrar a hemozoin. Aqui está uma imagem de glóbulos vermelhos. E agora podemos efectivamente mapear onde estão a hemozoin e os parasitas da malária dentro desses glóbulos vermelhos. E usando tanto esta técnica como outras técnicas ópticas, achamos poder fazer este diagnóstico. Também temos outra terapia orientada pela hemozoin, para a malária, uma forma, em casos agudos, para realmente pegar no parasita da malária e filtrá-lo para fora do sistema sanguíneo, algo como a diálise, mas para aliviar a carga parasitária.
Este é o nosso super-computador. Somos uma espécie de fulanos do software, por isso, qualquer que seja o problema que coloquem, gostamos de tentar resolvê-lo com software. Um dos problemas que têm se estiverem a tentar erradicar a malária ou reduzi-la, é que não sabem qual é a coisa mais eficaz a fazer. Ok, já ouvimos falar dos mosquiteiros antes. Gasta-se uma quantia por mosquiteiro, ou podia pulverizar-se. Podem administrar-se fármacos. Existem todas estas intervenções. Mas têm diferentes tipos de eficácia. Como vamos saber? Por isso criámos, usando o nosso super-computador, o melhor modelo computorizado da malária, do mundo, que vos iremos mostrar agora.
Escolhemos Madagáscar. Temos cada estrada, cada aldeia, quase, cada centímetro quadrado de Madagáscar. temos todos os dados da precipitação e os dados da temperatura. Isso é muito importante porque a humidade e a precipitação dizem-nos se temos poças de água parada para a reprodução dos mosquitos. Então, essa é a base de todo o trabalho. Depois tem de se introduzir os mosquitos, e isso tem de ser modelado além da forma como eles vêm e vão. Por fim dá-nos isto. Isto é a malária a espalhar-se por todo o Madagáscar. E isto na parte final da estação chuvosa. Agora vamos para a estação seca. Praticamente desaparece na estação seca. Não há onde os mosquitos se reproduzam, e depois, é claro, no ano seguinte volta em fúria Ao fazer este tipo de simulações, queremos erradicar ou controlar a malária milhares de vezes no software, antes que possamos efectivamente fazê-lo na vida real. Ser capaz de simular tanto os factores económicos - quantos mosquiteiros versus spray? - ou os factores sociais - o que acontecerá se a agitação se espalhar?
também tentamos estudar o nosso inimigo. Esta é a imagem com uma câmara de alta velocidade de um mosquito. E, daqui a pouco, vamos ver uma imagem do fluxo de ar. Aqui, estamos a tentar visualizar o fluxo de ar em torno das asas do mosquito com pequenas partículas que iluminamos com um laser. Ao entender como voam os mosquitos, esperamos entender como impedi-los de voar. Ora bem, uma forma de os impedir de voar é com DDT. Este é um anúncio real. Esta é uma daquelas coisas que não se consegue inventar. Em tempos, esta foi a técnica base, e, de facto, muitos países livraram-se da malária com o DDT. Foi assim com os estados Unidos. Em 1935 haviam 150.000 casos por ano de malária nos Estados Unidos, mas o DDT e um esforço massivo na saúde pública conseguiram esmagá-la.
Por isso pensámos... fizemos todas estas coisas focadas no plasmodium, o parasita envolvido. O que podemos fazer ao mosquito? Bom, vamos tentar matá-lo com electrónica comercial. Ora, isto parece parvoíce, mas cada um destes aparelhos tem qualquer coisa interessante que talvez possa ser usado. O vosso leitor Blu-ray tem um laser azul muito barato. A vossa impressora a laser tem um galvanómetro espelhado que serve para dirigir um raio laser de forma muito precisa. É isso que faz os pequenos pontos na folha. E, é claro, há o processamento de sinais e as câmaras digitais. Então e se juntássemos tudo isso para os disparar do céu com lasers?
Ora bem, na nossa Empresa, a isto chamamos "o momento chuchar o mindinho".
E se fossemos capazes de o fazer? Bem, suspendam o descrédito por um momento, e pensemos no que poderia acontecer se o pudéssemos fazer. Bem, poderíamos proteger alvos de grande valor como clínicas. As clínicas estão cheias de pessoas com malária. estão doentes e por isso menos capazes de se defender dos mosquitos. Queremos mesmo protegê-las. É claro que, se o fizermos, também podemos proteger o nosso quintal. E os agricultores poderiam proteger as suas colheitas que querem vender aos armazéns de agricultura biológica porque os nossos fotões são 100 por cento orgânicos. São completamente naturais.
Bom, na verdade ainda se torna melhor que isto. Poderão, se forem realmente inteligentes, fazer incidir um laser não letal sobre o bicho antes de o atingir, e poderão ouvir a frequência das asas, e poderão medir o tamanho. E então poderão decidir: este é um insecto que quero matar, ou um que não quero matar? A lei de Moore tornou a computação barata, tão barata que podemos medir a vida de um insecto em particular e decidir se vive ou se morre. Ora, acontece que apenas matamos os mosquitos fêmea. São os únicos que são perigosos. Os mosquitos apenas se alimentam de sangue para pôr ovos. Os mosquitos alimentam-se - a sua nutrição quotidiana é realmente de néctar das flores. De facto, no laboratório, alimentamos os nossos com uvas. Mas a fêmea precisa da refeição de sangue. Então, isto soa mesmo a loucura, certo? Gostariam de ver?
Ok, então o nosso departamento jurídico preparou um aviso. E aqui está. (Risos) Ora bem, depois de pensar um pouco sobre isto, pensámos, sabem, provavelmente seria mais simples fazer isto com um laser não letal. Por isso o Eric Johanson que construiu o aparelho na verdade, com peças compradas no eBay. E aqui o Pablo Folman, que tem mosquitos no tanque. Temos aqui o aparelho. E vamos mostrar-vos, em vez do laser letal, que será um movimento muito breve, instantâneo vamos ter um ponteiro laser verde que vai estar sobre o mosquito, na realidade, durante um longo período, caso contrário não o conseguirão ver muito bem. Continua Eric.
Eric Johanson: O que temos aqui é um tanque do outro lado do palco. E temos este ecrã de computador que consegue ver os mosquitos à medida que eles vão voando. E se o Pablos agitar os nossos mosquitos um pouco, podemos vê-los a voar em círculos. Ora, este é um método de processamento de imagem bastante simples. E deixem-me mostrar-vos como funciona. Aqui podem ver que os insectos estão a ser monitorados e estão a voar por aqui, o que até é divertido. Em seguida podemos iluminá-los com um laser. Bom, isto é um laser com pouca potência, e podemos até ouvir uma frequência de bater de asas. Por isso serão capazes de ouvir alguns mosquitos a voar.
Nathan Myhrvold: O que estão a ouvir é o bater de asas de um mosquito.
EJ: Finalmente, vejamos o que parece isto. Aqui podem ver os mosquitos à medida que voam, a serem iluminados. Agora abrandamos bastante para que tenham a oportunidade de ver o que está a acontecer. Aqui temos no modo de alta velocidade. Então este sistema que foi construído para a TED ilustra que é tecnicamente possível construir um sistema como este. E estamos a investigar muito seriamente como fazê-lo numa boa relação custo-beneficio para ser usado em lugares como África e outras partes do mundo.
NM: Então não teria nenhuma piada mostrar-vos tudo isto sem mostrar-vos o que realmente acontece quando os atingimos. (Risos) (Risos) Isto é muito satisfatório. (Risos) Este foi um dos primeiros que fizemos. A energia aqui está um bocadinho elevada. (Risos) Vamos saltar aqui um segundo e vão ver outro. Aqui está outro. Bang. Isto é muito interessante, estamos sempre a matá-los; nunca conseguimos que as asas parassem a meio do voo. O motor das asas é muito persistente. Quer dizer, aqui estamos a estourar as asas, mas o motor das asas continua até ao fim.
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as últimas invenções de Nathan Myhrvold e da sua equipa - tão brilhantes quanto audazes - recordam-nos que o mundo precisa de criatividade audaciosa para lidar com grandes problemas como a malária. E à medida que essa ideia se alicerça, ele revela uma demonstração ao vivo de um novo aparelhómetro que atinge mosquitos, que você tem de ver para acreditar.
Nathan Myhrvold is a professional jack-of-all-trades. After leaving Microsoft in 1999, he's been a world barbecue champion, a wildlife photographer, a chef, a contributor to SETI, and a volcano explorer. Full bio »
Translated into Portuguese by Patricia Grade
Reviewed by Rafael Eufrasio
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17:14 Posted: Jun 2008
Views 246,649 | Comments 52
04:45 Posted: Oct 2009
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09:31 Posted: Aug 2009
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