Quero começar hoje – aqui está. Um momento. Aqui vou eu. Olá. Quero começar hoje a falar da estrutura de um polipéptido. (Risos) No contexto dos "Perdidos", muitas pessoas perguntam "Que raio é aquela ilha?" E isso é normalmente seguido por, "Não, a sério, que raio é aquela ilha?" (Risos)
Porquê tantos mistérios? O que há no mistério que me atrai tanto? E eu estava a pensar sobre isso, sobre o que falar no TED. Quando falei com o simpático relações públicas do TED, e disse, "Ouça, de que devo falar?" Ele disse, "Não se preocupe com isso. Apenas seja profundo." (Risos) E isso foi muito consolador. Por isso obrigado, se estiver por aí.
Estava a tentar pensar, sobre que vou falar? É uma boa questão. Porque é que faço tantas coisas que impliquem mistério? E comecei a tentar perceber. E comecei a pensar sobre a razão pela qual faço o que faço, e comecei a pensar no meu avô. Eu amava o meu avô. Harry Kelvin era o seu nome, o pai da minha mãe. Morreu em 1986. Era um tipo fantástico. E uma das razões pelas quais era fantástico, é que depois da II Guerra Mundial fundou uma empresa de electrónica. Começou a vender peças sobresselentes, kits, para escolas e tal. Então ele tinha uma curiosidade incrível. Em miúdo via-o chegar até mim com rádios e telefones e todo o tipo de coisas. E ele abria-os, desaparafusava-os, e mostrava o seu funcionamento interno, aquilo que muitos de nós, tenho a certeza, dão por garantido. Mas é um presente fantástico para dar a um miúdo. Abrir uma coisa daquelas e mostrar como funciona e por que funciona e o que é. Ele era o derradeiro desconstrutor, de muitas maneiras. E o meu avô era o tipo de pessoa que não só desmontava coisas, mas também me fez interessar por todo o tipo de artes estranhas, como, por exemplo, impressão, como a tipografia. Sou obcecado pela impressão. Sou obcecado por serigrafia, encadernação e fabrico de caixas. Quando era miúdo, estava sempre, tipo, a desmanchar caixas e outras coisas.
E ontem à noite no hotel, desmanchei uma caixa de lenços de papel. Estava só a olhar para ela. E digo-vos, há... eu... é uma coisa linda. Juro por Deus. Quer dizer, quando olham para a caixa, e percebem mais ou menos como funciona. Rives está cá, e conheci-o há uns anos numa feira de livros; ele faz livros "pop-up". E estou obcecado pela engenharia do papel. Mas a dobragem, a impressão, onde as coisas se colam, sabem, as marcas para a tinta. Simplesmente adoro caixas. O meu avô era o tipo de pessoa que, de certa forma, me envolveu neste tipo de coisas. Ele também me fornecia ferramentas. Era um motivador fantástico, uma espécie de patrono das minhas criações. E arranjou-me uma câmara Super 8 quando tinha 10 anos. E em 1976, isso era um pouco anormal, ser um miúdo de 10 anos com acesso a uma câmara. E sabem, ele era tão generoso; eu nem conseguia acreditar. Ele não o fazia exactamente sem alguma manipulação. Isto é, eu chamava-o e dizia algo como, "Ouve, Avô, eu preciso mesmo desta câmara. Não percebes. Isto é, tipo... eu quero fazer filmes. Vou ser convidado para o TED um dia. Isto é..." (Risos)
E sabem, a minha avó era a maior. Porque ela punha-se ao telefone. E dizia, "Harry, é melhor do que se meter nas drogas. Ele devia fazer..." Ela era fantástica. (Risos) Então dei por mim a ter estas coisas, graças à ajuda dela e, assim do nada, tenho um sintetizador aos 14 anos, este tipo de coisas. E permitia-me fazer coisas que, para mim, eram o verdadeiro sonho. Ele acedia às minhas obsessões por outras coisas também, como a magia. Nós íamos a uma loja de magia em Nova Iorque chamada Lou Tannen's Magic. Era uma grande loja de magia. Num edificiozeco em Midtown. mas estávamos num elevador, o elevador abria-se e havia esta pequena loja de magia. Estávamos numa loja de magia. E era algo, era um lugar mágico. Por isso tive todo o tipo de truques de magia. Ó, vejam. Eu mostro-vos. Este tipo de coisas. Algo como isto. É bom, mas agora não me posso mexer. Agora, vou ter que fazer o resto disto assim. Vou estar do tipo, "Oh! Vejam aqui o meu computador!" (Risos)
Então, uma das coisas que comprei na loja de magia foi isto: A Misteriosa Caixa Mágica de Tannen. A ideia por trás da misteriosa caixa mágica era a seguinte: Com 10€ compram 35€ de magia. É uma poupança. (Risos) Agora, eu comprei isto há décadas e não estou a brincar. Se olharem para isto, vão ver que nunca foi aberta. Mas tenho isto desde sempre. Estava a olhar para isto, no meu escritório, na prateleira como sempre, e estava a pensar, porque é que nunca abri isto? Porque é que fiquei com ela? Eu não sou um coleccionador. Não guardo tudo mas por alguma razão não abri esta caixa. E senti que havia uma chave para isto, de alguma forma, em falar no TED de algo sobre o qual nunca falei, e que aborreceria as pessoas noutro lado qualquer. Então pensei, talvez haja uma razão para tudo isto. Comecei a pensar nisso. E havia um ponto de interrogação gigante. Eu adoro o design desta coisa, já agora. E comecei a pensar, porque é que nunca a abri.
E percebi que não a abri porque representa algo importante para mim. Representa o meu avô. Posso chorar no TED? Porque, não, não vou chorar. (Risos) É que isto representa possibilidades infinitas. Representa esperança. Representa potencial. E o que adoro nesta caixa, e apercebo-me que o que faço em qualquer actividade, é sentir-me atraído por possibilidades infinitas, pela sensação de potencial. E apercebo-me que o mistério é o catalizador da imaginação. Agora, esta não é a ideia mais revolucionária, mas quando comecei a pensar que talvez haja alturas em que o mistério é mais importante que o conhecimento, comecei a ficar interessado.
E então comecei a pensar no "Perdidos", e nas coisas que fazemos, e percebi que, meu Deus, as caixas misteriosas estão em tudo que eu faço! Em como, na criação do "Perdidos", o Damon Lindelof que criou a série comigo, estávamos incumbidos de criar a série e tínhamos muito pouco tempo para o fazer. Tínhamos 11 semanas e meia para escrever, fazer audições, escolher a equipa, filmar, editar, finalizar e entregar um piloto de 2 horas. Por isso não era muito tempo. E aquela sensação de possibilidade: que pode isto vir a ser? Não havia tempo para a desenvolver. Tenho a certeza que todos conhecem aquelas pessoas que vos dizem o que não podem fazer e o que devem mudar. E não havia tempo para isso, o que é de certa forma fantástico. E então fizemos esta série, e para aqueles de vós que nunca a viram, ou não a conhecem, eu posso mostrar este pequeno excerto do piloto, só para vos mostrar algo daquilo que fizemos.
Claire: Ajuda! Por favor, ajudem-me! Ajuda! Ajuda!
Jack: Tirem-no daqui! Levem-no para longe do motor! Tirem-no daqui!
J: Estás grávida de quantos meses?
C: Não sei. Acho que começaram agora.
JJA: Há 10 anos atrás, se quiséssemos fazer aquilo, tínhamos que matar um duplo. Bem, na verdade, (Risos) seria mais difícil. O segundo take seria do caraças. Então o que é fantástico, é que conseguimos fazer isto. E parte disso deveu-se à fantástica disponibilidade de tecnologia, sabermos que podíamos fazer tudo. Quer dizer, nunca poderíamos fazer aquilo. Poderíamos tê-lo escrito; não seríamos capazes de o mostrar como fizemos. E algo que também é fantástico para mim é o processo criativo, a tecnologia inspira-me de forma arrebatadora. Eu compreendo que aquela página em branco é a caixa mágica. Percebem? Deve ser preenchida com algo fantástico.
Eu tinha o guião do "Gente vulgar" que costumava folhear. O romance do guião era fantástico para mim; inspirava-me. Queria tentar encher páginas com o mesmo tipo de espírito, pensamento e emoção que aquele guião tinha. Então, sabem, eu adoro os computadores Apple. Sou obcecado. Então um computador Apple, como um Powerbook, como este computador, desafia-me. Basicamente, diz-me o que é que vais escrever que seja digno de mim? (Risos) Acho que é isso que sinto. Sinto-me compelido. E muitas vezes estou, sabem, esgotado. Não sai nada. Sabem como é? (Risos)
E é assim. No que diz respeito ao conteúdo, olhamos para histórias, pensamos, bem, o que são histórias senão caixas misteriosas? Há uma questão fundamental. Em TV, o primeiro acto é chamado de "teaser". É literalmente o "teaser" (provocador). É a grande questão. E sentimo-nos atraídos. Depois, claro, há outra questão. E continua por aí fora. Vejam, por exemplo, "A Guerra das Estrelas". Temos os robôs que conhecem a mulher misteriosa. Quem é ela? Não sabemos. Caixa misteriosa! Percebem? Então aparece o Luke Skywalker. Ele fica com o robô, vê-se uma imagem holográfica. Aprende-se: "Oh, é uma mensagem". Ela quer encontrar o Obi Wan Kenobi. É a sua única esperança. Mas quem é este Obi Wan Kenobi? Caixa misteriosa! Então continua e ele conhece o Ben Kenobi. O Ben Kenobi é o Obi Wan Kenobi. Raios! Percebem, mantém-nos (Risos) vocês nunca viram isto? (Risos) É enorme! Bem,
há esta coisa com as caixas misteriosas que me fez sentir compelido. E depois há aquilo do mistério, em termos de imaginação, o reter de informação. Sabem, fazê-lo intencionalmente é muito mais envolvente. Seja como o tubarão no filme "O tubarão", se o tubarão mecânico do Spielberg, Bruce, tivesse funcionado, não teria sido tão assustador; teríamos visto demasiado. Em "Alien - O Oitavo Passageiro", nunca se mostrou o alienígena: assustador! Até numa comédia romântica como "A primeira noite", eles estão num encontro. Lembram-se? E estão no carro, que faz muito barulho, então fecham a capota. Estão lá, mas não se ouve nada do que estão a dizer! Não se ouve uma palavra! Mas é o encontro mais romântico de sempre. E adoramo-lo porque não o ouvimos. Então para mim, é isso.
E depois, por fim, há aquela ideia, esticando um pouco o paradigma, a ideia da caixa misteriosa. Ou seja, aquilo que pensamos que vemos, e aquilo que estamos mesmo a ver. E é verdade em tantos filmes e histórias. E quando vemos o "E.T. - O extraterrestre", por exemplo, este filme inacreditável sobre o quê? É sobre um extra-terrestre que conhece um miúdo. Certo? Bem, não. "E.T. - O extraterrestre" é sobre divórcio. Sobre uma família de coração desfeito pelo divórcio e, em última análise, sobre um miúdo que não encontra o seu caminho. "Assalto ao arranha-céus". Um filme de acção/aventura louco e divertido num edifício. É sobre um tipo que está à beira do divórcio. Ele aparece em Los Angeles, com o rabo entre as pernas. Há grandes cenas, talvez não sejam as mais cenas mais espectacularmente dramáticas da história do cinema, mas grandes cenas. Há uma meia hora de investimento nas personagens antes de vermos aquilo de que estamos à espera.
Quando olhamos para "O tubarão", a cena de que estamos à espera -- temos o ecrã? Este é o tipo de cenas de que nos lembramos e esperamos ver n'"O tubarão". Ela está a ser comida; há um tubarão. Acontece que "O tubarão" é, na verdade, sobre um tipo que está a lidar com o seu lugar no mundo, com a sua masculinidade, com a sua família, como é que vai conseguir sobreviver nesta nova cidade. Esta é uma das minhas cenas preferidas de sempre, e esta não é a cena de que necessariamente nos lembramos quando pensamos n'"O tubarão". Mas é uma cena fantástica.
Pai: Chega cá. Dá cá um beijo.
JJA: Não é? "Porquê? Porque 'tou a precisar?" A melhor cena de sempre, certo? Então, olhamos para "O tubarão", e vemos lá aquele tipo de coisas, o investimento nas personagens, que é exactamente aquilo que está dentro da caixa? Percebem? É como quando as pessoas fazem sequelas, ou copiam filmes de um certo tipo, estão a copiar as coisas erradas. Não é suposto copiar-se o tubarão ou o monstro. Deve copiar-se, se é que vão copiar algo, copiar a personagem. Copiar aquilo que interessa. Ou seja, olhar para dentro de nós mesmos e perceber o que temos cá dentro. Porque em última análise, a caixa misteriosa somos todos nós. É assim.
E depois a distribuição. Há alguma caixa misteriosa maior que uma sala de cinema? Não é? Vamos ao cinema e estamos com tanta vontade de ver alguma coisa. O momento em que as luzes se apagam é muitas vezes a melhor parte. E sentimo-nos cheios daquele sentimento fantástico de entusiasmo e antecipação. E muitas vezes o filme decorre e de repente algo acontece e ficamos "Oh!", e depois acontece outra coisa e ficamos, "Hmm...". Quando é um grande filme, nós entramos na onda e estamos dispostos a entregarmo-nos a ele.
Então para mim, seja isso, ou a TV, ou um iPod, computador, telemóvel. É engraçado. Eu sou, como já disse, um fanático pela Apple, e há cerca de um ano estava online de manhã para ver uma apresentação do Steve Jobs, que faço sempre. E ele começa, estava a apresentar o iPod vídeo, e o que é que estava no iPod gigante por trás dele? "Perdidos"! Eu nem fazia ideia. E percebi que, uau, o círculo se completava. A inspiração que eu obtenho da tecnologia que agora usa as coisas que eu faço, que se inspira nelas, para vender tecnologia. É de loucos! (Risos)
Ia mostrar-vos mais umas coisas, mas já não o vou fazer. Quero só mostrar-vos mais uma coisa que não tem a ver com nada. É algo online; não sei se o já o viram antes. Fizeram isto há 6 anos. É uma coisa que foi feita por uns tipos que tinham experiência em efeitos visuais. Mas o que quero dizer é que eles fizeram coisas usando as caixas misteriosas que eles tinham, que todos têm agora. Compreendi que aquilo que o meu avô fez por mim quando eu era miúdo, toda a gente tem acesso agora. Não precisam de um avô como o meu, embora gostassem de ter. Mas tenho que vos dizer que isto foi feito num computador Quadra 950. A resolução é um bocadinho baixa. E usaram um software Infinity que deixou de ser feito há 15 anos. O autor fez coisas com um aspecto tão fantástico como outras que vi saírem de Hollywood.
O tipo mais incrível de mistério, eu acho, é agora a questão do que vem a seguir. Porque agora isto está democratizado. Agora, a criação de media está em todo o lado. Aquilo que eu tive sorte de ter e pelo qual tive que implorar quando era miúdo é agora ubíquo. E então, há uma imensidão de oportunidades por aí. E quando penso nos realizadores que há por aí que teriam sido silenciados, que foram silenciados no passado, é algo muito entusiasmante.
Eu costuma dizer em aulas e palestras e tal, a alguém que quer escrever, "Vai! Escreve! Faz a tua cena." É grátis, não precisas de permissão para escrever. Mas agora posso dizer, "Vai fazer o teu filme!". Não há nada que te impeça de obter a tecnologia. Podem alugar ou comprar coisas da prateleira que são tão boas, ou quase tão boas, como as coisas que estão a ser usadas por entre aspas, "pessoas legítimas". Nenhuma comunidade está bem servida quando só a elite tem controlo. E sinto que isto é uma oportunidade fantástica para ver o que anda por aí.
Quando fiz o "Missão Impossível 3", tínhamos fantásticos efeitos visuais. A ILM fez os efeitos; era incrível. E um sonho meu fazer parte daquilo. E há um par de cenas no filme, como estes momentos que vos vou mostrar. Há esta.
Ok, obviamente tenho uma obsessão por explosões grandes e loucas. O meu efeito visual preferido no filme é este que vos vou mostrar. E é uma cena em que a personagem do Tom acorda. Ele está grogue, louco, fora de si. E o tipo acorda, e enfia-lhe a arma no nariz e dispara uma pequena cápsula para o seu cérebro que vai usar mais tarde para o matar, como fazem os vilões.
JJA: Ok. Quando filmámos esta cena, estávamos a fazer assim, o actor que tinha a arma, um actor Inglês, Eddie Marsan, um tipo espectacular, e estava sempre a pegar na arma e a metê-la no nariz do Tom, e a magoá-lo. E eu aprendi isto bem cedo na minha carreira: não magoar o nariz do Tom. (Risos) Há 3 coisas que não queremos fazer. A número 2 é: não magoar o nariz do Tom. Então o Eddie tem a arma, e ele é o tipo mais porreiro, um tipo Inglês muito querido. E ele diz: "Desculpa, não te quero magoar". E eu digo, "Tens que o fazer. Isto tem que ficar bem". E então percebi que tínhamos que fazer algo, porque não estava a funcionar assim. E eu, literalmente, lembrei-me do que teria faria se tivesse a câmara Super 8 que o meu avô me deu naquela sala, e percebi que não tinha que ser a mão do Eddie Marsan. Podia ser a do Tom. E o Tom saberia exactamente que força usar. Ele não se ia magoar.
Então pegámos na mão dele e pintámo-la para se parecer com a do Eddie. Pusemo-la na manga do Eddie, e então a mão que se vê, e vou mostrar-vos de novo, não é a mão do Eddie, é a do Tom. Então o Tom está a fazer dois papeis. (Risos) E não pediu mais dinheiro. É aqui. Vejam outra vez. Aquilo está ele. A acordar. Está desnorteado, passou por muita coisa. A mão do Tom. A mão do Tom. A mão do Tom. (Risos). E é isto. Obrigado. Não precisam de tecnologia de ponta para fazerem coisas que funcionem em filmes. E a caixa misteriosa, em honra ao meu avô, fica fechada. Obrigado. (Aplausos)
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J.J. Abrams percorre o amor pelo mistério oculto, uma paixão que é evidente nos seus filmes e séries, incluindo "Nome de Código: Cloverfield", "Perdidos" e "A Vingadora", até ao seu início mágico.
Writer, director and producer J.J. Abrams makes smart, addictive dramas like TV's Lost, and films like Cloverfield and the new Star Trek. Full bio »
Translated into Portuguese by Sérgio Lopes
Reviewed by Paulo Calçada
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17:06 Posted: Dec 2007
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22:52 Posted: Apr 2008
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