Então a grande questão que enfrentamos agora e que tem estado na mesa há alguns anos é: corremos o risco de um ataque nuclear? Bem, há uma pergunta ainda mais importante que é provavelmente ainda mais importante que isso, é a noção de eliminar permanentemente a possibilidade de um ataque nuclear, eliminando a ameaça de vez. E eu gostava de vos expor a questão de que desde que desenvolvemos os primeiros armamentos atómicos até este preciso momento, na verdade vivemos num mundo nuclear perigoso que é caracterizado por duas fases, que vou abordar convosco já de seguida.
Em primeiro lugar, começámos a era nuclear em 1945. Os Estados Unidos tinham desenvolvido algumas armas atómicas através do Projecto Manhattan, e a ideia era muito simples: usaríamos o poder do átomo para acabar com as atrocidades e horror da interminável 2ª Guerra Mundial em que estávamos envolvidos tanto na Europa como no Pacífico. E em 1945, nós éramos a única potência nuclear. Nós tínhamos umas quantas armas nucleares, duas das quais lançámos no Japão, em Hiroshima, e uns dias mais tarde em Nagasaki, em Agosto de 1945, matando cerca de 250.000 pessoas ao todo.
E durante uns anos, nós fomos a única potência nuclear na Terra. Mas em 1949, a União Soviética decidiu que era inaceitável nós sermos a única potência nuclear, e eles começaram a igualar o que os Estados Unidos tinham desenvolvido. E desde 1949 a 1985 houve tempo extraordinário para construir um arsenal nuclear que absolutamente ninguém poderia ter imaginado na década de 40. Então em 1985 -- cada uma daquelas bombas ali é equivalente a centenas de ogivas nucleares -- o mundo tem 65.00 ogivas nucleares, e sete membros de uma coisa que se denominou como o "clube nuclear".
E foi um tempo extraordinário, e eu vou abordar algumas das mentalidades que nós -- que os Americanos e o mundo estavam a vivenciar. Mas eu quero chamar-vos a atenção de que 95 por cento das armas nucleares num certo período de tempo desde 1985 -- e desde aí, claro -- faziam parte dos arsenais dos Estados Unidos e da União Soviética. Após 1985, e antes da queda da União Soviética, começamos o desarmamento do ponto de vista nuclear. Começámos o desarmamento, e diminuímos o número de ogivas nucleares no mundo para um total de 21.000. É um número muito difícil com que lidar, porque o que fizémos foi, entre aspas, "desactivarmos" algumas ogivas. Elas provávelmente ainda são útilizáveis. Podem ser reactivadas, mas da forma como fazem a contagem, que é muito complicada, pensamos que temos um terço das armas nucleares que tínhamos antes. Mas nós adicionámos também, durante aquele período de tempo, dois novos membros ao clube nuclear: o Paquistão e a Coreia do Norte.
Então ainda hoje em dia temos a arsenal nuclear pleno distribuído por vários países de todo o mundo, mas sob circunstâncias muito diferentes. Então vou falar-vos sobre uma história de ameaça nuclear em dois capítulos. O capítulo um vai de 1949 a 1991, quando caiu a União Soviética, e com o que estávamos a lidar, na altura e ao longo daqueles anos, era a corrida das super potências às armas nucleares. Era caracterizada por uma nação contra outra nação, num impasse frágil. E basicamente, vivemos todos aqueles anos, e há quem argumente que ainda vivemos, numa situação de estarmos na iminência, literalmente, de um apocalipse, de uma calamidade planetária. É incrível que tenhamos sobrevivido à situação.
Éramos totalmente dependentes durante aqueles anos deste espantoso acrónimo, chamado DAM. Significa Destruição Assegurada Mutuamente. Significava que se vocês nós atacassem, nós atacávamos-vos, prácticamente em simultâneo, e o resultado final seria a destruição do vosso país e do meu. Então a ameaça da minha própria destruição impedia-me de lançar um ataque nuclear sobre vocês. Foi a forma como vivemos. E o perigo disso, claro está, é que um erro de interpretação do écran de um radar podia na verdade causar um contra-lançamento, apesar do primeiro país não ter na verdade lançado nada. Durante este capítulo um, havia um grande nível de consciencialização pública sobre uma potencial catástrofe nuclear, e uma imagem indelével foi implantada nas nossas mentes colectivas que, de facto, um holocausto nuclear seria absolutamente e globalmente destructivo, e poderia, de alguma forma, significar o fim da civilização como a conhecemos. Então este foi o capítulo um.
O que é estranho é que mesmo que nós soubéssemos que haveria uma espécie de obliteração civilizacional, empenhámo-nos na América numa série -- e de facto, na União Soviética -- no planeamento de uma série de respostas. Foi absolutamente incrível. A primeira premissa era de que destruiríamos o mundo, e a segunda premissa era, porque é que não nos preparamos para isso? E o que nós nos oferecemos foi um conjunto de coisas. Vou apenas examinar algumas coisas, só para reavivar a vossa memória. Se nasceram antes de 1950, isto é apenas --- considerem isto entretenimento, senão é um regresso ao passado.
Este era Bert, a Tartaruga (Video) Isto era basicamente uma tentativa de ensinar aos alunos na escola que se nos envolvêssemos num confronto nuclear e numa guerra atómica, o que queríamos que eles fizessem era basicamente baixarem-se e protegerem-se. Era esse o princípio. Vocês -- se houvesse um confronto nuclear prestes a atingir-nos, e se fossem para baixo da mesa, tudo ficaria OK.
Eu não me saí muito bem em psiquiatria na faculdade de medicina, mas era interessado, e acho que isto era uma ideia seriamente delirante.
Em segundo lugar, dissemos às pessoas para irem para as suas caves e construírem um abrigo de aço. Talvez pudesse ser um escritório enquanto não havia uma guerra atómica, ou até a podiam usar como sala de TV, ou, como muitos adolescentes descobriram, um lugar muito, muito seguro para alguma privacidade com a namorada. Na verdade -- então os abrigos antiaéreos tinham usos múltiplos. Ou podiam comprar um abrigo pré-fabricado que podiam simplesmente enterrar no solo. Bem, os abrigos de bombas naquela altura -- vamos assumir que compraram um pré-fabricado -- que custava umas centenas de dólares talvez uns 500, se comprassem um chique. No entanto, qual a percentagem de americanos pensam vocês que tiveram um abrigo nas suas casas? Que percentagem viveu numa casa com um abrigo de bomba?
Menos de dois por cento. Cerca de 1.4 por cento da população, tanto quanto se sabe, não fez nada nem arranjou um espaço no seu sotão ou sequer construíu um abrigo de bomba. Muitos edifícios, edifícios públicos, pelo país -- isto na cidade de Nova Iorque -- tinham pequenas placas da protecção civil e a ideia era que vocês iriam a correr para um destes abrigos e ficarem seguros dos ataques nucleares. E um dos maiores delírios do governo de todos os tempos foi algo que aconteceu nos primórdios da Federal Emergency Management Agency, FEMA, como a conhecemos e todos sabemos como se comportaram depois do Katrina. Aqui está o seu primeiro grande anúncio público. Eles propunham -- na verdade foram escritos seis livros sobre isto -- um plano de recolocação em caso de crise que estava dependente dos Estados Unidos terem três ou quatro dias de aviso que os Soviéticos nos iriam atacar. Então o objectivo era evacuar as cidades alvo. Nós levaríamos as pessoas das cidades alvo para o campo.
E digo-vos, eu testemunhei mesmo no Senado sobre a ideia absolutamente ridícula que nós iríamos mesmo evacuar, e na verdade teríamos um aviso de três ou quatro dias. Era uma ideia completamente bizarra. No entanto eles tinham uma outra ideia por detrás desta, apesar de -- eles diziam ao público que nos iria salvar. A ideia era que nós forçaríamos os soviéticos a realinhar os alvos das suas armas nucleares -- caríssimas -- e potencialmente dobrar o seu arsenal, não só para bombardear o alvo original, mas também para bombardear os locais para onde as pessoas iriam. Era isto que aparentemente, na verdade, estava por detrás disto tudo. Era mesmo muito, muito assustador.
O ponto fulcral disto é que estávamos a lidar com uma forma completamente desligada da realidade. Os programas de protecção civil estavam desligados da realidade do que assistiriamos numa guerra nuclear total. Então organizações como "Médicos para a Responsabilidade Social", cerca de 1979, começaram a dizer isto publicamente. Eles iam fazer bombardeamentos. Iam à vossa cidade, e diziam, "Aqui está um mapa da vossa cidade. É isto que vai acontecer se sofrermos um ataque nuclear." Então não há possibilidade de resposta médica, ou preparação significativa para uma guerra nuclear total. Então tínhamos de prevenir guerras nucleares se quiséssemos sobreviver. Esta desconexão nunca foi resolvida na verdade. O que aconteceu foi -- quando chegarmos ao capítulo dois da era da ameaça nuclear, que começou em 1945.
O capítulo dois começa em 1991. Quando a União Soviética se dissolveu, perdemos efectivamente aquele adversário como atacante potencial dos Estados Unidos, na generalidade. Não desapareceu completamente. Eu já volto a falar nisso. Mas de 1991 até ao tempo presente, enfatizado pelos ataques de 2001, a ideia de uma guerra nuclear total diminuiu e a ideia de um acontecimento único, de um acto de terrorismo nuclear é o que temos agora. Apesar do cenário ter mudado muito consideravelmente, o facto é que nós não mudámos a nossa imagem mental do que significa uma guerra nuclear. Então vou falar-vos quais as implicações disso daqui a um segundo. Então, o que é a ameaça do terror nuclear? Há quatro ingredientes chave para a descrever.
A primeira coisa é que as armas nucleares globais, naquelas reservas que vos mostrei naqueles mapas originais, não estão uniformemente seguras. E não estão particularmente seguras na antiga União Soviética, agora Rússia. Há muitos, muitos locais onde as ogivas estão armazenadas e, de facto, muitos locais onde materiais cindíveis, como o urânio altamente enriquecido e plutónio não estão absolutamente seguros. Eles estão disponíveis para compra, são roubados, enfim. Eles são adquiríveis, vamos dizer isto assim. De 1993 até 2006, a Agência Internacional de Energia Atómica documentou 175 casos de roubo nuclear, 18 dos quais envolvia urânio altamente enriquecido ou plutónio, os ingredientes chave para construir uma arma nuclear. A reserva global de urânio altamente enriquecido é de cerca de 1.300, no mínimo, a cerca de 2.100 toneladas métricas. Mais de 100 megatoneladas destas estão armazenadas de forma muito insegura em instalações russas. Quanto deste material é que pensam que seria preciso para construir uma bomba de 10 quilotoneladas? Bem, vocês precisam de cerca de 34 quilos.
Então, o que gostava de vos mostrar é o que seria preciso para conter 34 quilos de urânio altamente enriquecido. Não estou a fazer publicidade. Isto é só -- na verdade, se eu fosse a Coca-cola, ficaria angustiado com isto -- (Risos) -- mas basicamente, aqui está.
Isto é o que vocês precisariam para roubar ou comprar da tal reserva de 100 toneladas métricas relativamente inseguras para criar o tipo de bomba que foi usada em Hiroshima. Talvez queiram considerar o plutónio como outro material cindível que podem utilizar numa bomba. Então -- vão precisar de 4 a 5 quilos de plutónio. Bem, plutónio, entre 4 e 5 quilos: isto. Isto é plutónio suficiente para fazer uma arma atómica do tamanho da de Nagasaki. Bem esta situação, eu já -- vocês sabem, não gosto muito de pensar nisto, apesar de ter arranjado um emprego que de qualquer forma eu tenho de pensar sobre isto. Então a questão é que estamos muito, muito inseguros nos termos de desenvolver este material. O segundo ponto é, então e conhecimento técnico?
E existe muita controvérsia sobre se as organizações terroristas têm conhecimentos para construírem uma arma nuclear. Bem, há muito conhecimento técnico por aí. Há uma quantidade inacreditável de conhecimento técnico por aí. Aqui temos informações detalhadas em como construír uma arma nuclear a partir de peças. Há livros sobre como construir uma bomba nuclear. Há planos sobre como criar uma quinta terrorista onde na verdade se pode construir e desenvolver todos os componentes e montá-los. E toda esta informação é relativamente disponível. Se tiverem uma licenciatura em física, eu gostaria de sugerir -- apesar de eu não ter, por isso até pode ser mentira -- mas algo semelhante a isso permitir-vos-ia, com a informação que existe disponível, construir na verdade uma arma nuclear.
O terceiro elemento da ameaça do terror nuclear é que, quem é que faria uma coisa destas? Bem, o que estamos a assistir agora é a um nível de terrorismo que envolve indivíduos que são altamente organizados. Eles são muito dedicados e empenhados. Eles são apátridas. Alguém disse uma vez, a Al Qaeda não tem uma morada para devoluções, por isso se nos atacarem com uma arma nuclear, qual é a resposta, e para quem dirigimos a resposta? E eles são à prova de retaliação. Como não há uma retribuição real possível que fizesse alguma diferença, pois há pessoas dispostas a desistir das suas vidas para assim nos causar danos, torna-se aparente que a ideia completa desta destruição mutuamente assegurada não funcionaria.
Este é Sulaiman Abu Ghaith, e Sulaiman era um dos principais tenentes de Osama Bin Laden. Ele escreveu muitas, muitas declarações para este efeito: "nós temos o direito de matar quatro milhões de americanos, dois milhões dos quais devem ser crianças." E não temos de viajar além mar para encontrar pessoas dispostas a causar danos, pelas mais variadas razões. McVeigh e Nichols, e o ataque de Oklahoma City em 1990 foi um bom exemplo de terroristas nascidos cá. E se eles tivessem conseguido uma arma nuclear? O quarto elemento é que os alvos de maior valor dos Estados Unidos são acessíveis, desprotegidos e abundantes.
Isto seria uma conversa para outro dia, mas o nível de preparação que os Estados Unidos conseguiram desde o 9/11 de 2001 é inacreditavelmente inadequado. O que viram depois do Katrina é um indicador excelente do quanto os Estados Unidos estão pouco preparados para qualquer tipo de grande ataque. Sete milhões de cargueiros com contentores entram nos Estados Unidos todos os anos. Cinco a sete por cento são inspeccionados -- cinco a sete por cento.
Este é Alexander Lebed, que era um general que trabalhava com o Yeltsin que falou, e apresentou ao Congresso, esta ideia que os russos tinham desenvolvido -- estas malas-bomba. Elas eram de baixo rendimento -- 0.1 a 1 quilo tonelada, a de Hiroshima tinha cerca de 13 quilo toneladas -- mas o suficiente para fazer uma quantidade inacreditável de danos. E o Lebed veio aos Estados Unidos e disse-nos que muitas, muitas -- mais de 80% das malas-bomba estavam na verdade desaparecidas. E elas são assim. São dispositivos na verdade muito simples. Vocês colocam os elementos numa mala. E torna-se muito portátil. A mala pode ser colocada convenientemente na bagageira do vosso carro. Levam-na para onde a querem levar, e depois podem detoná-la.
Vocês não queiram construir uma mala-bomba, e depois compram uma daquelas instáveis ogivas nucleares que existem. Este é o tamanho do "Little Boy", a bomba que foi lançada em Hiroshima. Tinha 3 metros de comprimento, pesava 4.000 quilos.Vocês vão até ao vosso aluguer de camiões local e por 50 dólares ou isso, alugam um camião que tem a capacidade certa, e vocês levam a vossa bomba, colocam-na no camião e estão prontos a seguir. Pode acontecer. Mas o que significaria e quem sobreviveria? Não podemos ter um número exacto para este género de probabilidade, mas o que estou a tentar dizer é que nós temos todos os elementos disso a acontecer. Qualquer um que descarte a ideia de uma arma nuclear ser usada por um terrorista está a iludir-se.
Acho que há muitas pessoas na comunidade de agências de informação -- muitas pessoas que lidam com este trabalho em geral pensam que é quase inevitável, excepto se fizermos algumas coisas para realmente tentar debelar o risco, como mais restrições, mais prevenção, maior controle, sabem, melhores inspecções aos contentores de carga que entram no país e assim por diante. Já muito que pode ser feito para ficamos mais seguros. Neste momento particulpar, podemos eventualmente acabar por ver uma explosão nuclear numa das nossas cidades. Não penso que aconteça uma guerra nuclear total tão cedo, apesar de mesmo isso não estar fora de hipótese. Ainda existem armas nucleares suficientes nos arsenais das super potências para destruir a Terra muitas, muitas vezes. Existem pontos de ignição na Índia e Paquistão no Médio Oriente, na Coreia do Norte, outros locais onde o uso de armas nucleares, quando iniciadas localmente poderiam rapidamente entrar numa situação em que enfrentaríamos uma guerra nuclear total. É muito inquietante.
Ora bem. Ok. Estou no meu camião, e conduzimos até à Brooklyn Bridge. Estamos a chegar, e trazemos aquele camião que vocês viram algures para aqui, para o distrito financeiro. Isto é uma bomba de 10 quilo-toneladas, ligeiramente mais pequena que a usada em Hiroshima. E quero apenas concluir isto dando-vos alguma informação. Eu acho -- um conceito do estilo "coisas que podem ser úteis". Então, primeiro, isto seria mais terrível do que qualquer coisa que possamos imaginar. Seria o fim. E se estivessem num raio de 800 metros do local onde a bomba deflagrasse, teriam cerca de 90 por cento de hipóteses de não sobreviver. Se estivessem no local da deflagração, seriam vaporizados. E isso é -- estou só a dizer, isso não é bom.
Podem ter a certeza. Um raio de 3 km, teriam 50 por cento de hipóteses de serem mortos, e num raio de 12 quilómetros -- agora estou a falar em morrerem instantâneamente -- algures entre os 10 e os 20 por cento de hipóteses de morrerem. O que se passa é que a experiência da detonação nuclear é -- no primeiro instante, dez milhões de graus Fahrenheit no núcleo aqui, onde se dá a detonação, e uma quantidade extraordinária de energia sob a forma de calor, radiação aguda e efeitos da explosão. Um enorme vento tipo furacão, e a destruição de edifícios quase totalmente, dentro deste circulo amarelo. E onde me vou focar, enquanto chego a uma conclusão sobre isto, é isso, o que é que acontece se estiverem aqui? Bem, se estivéssemos a falar sobre os primórdios de uma guerra nuclear total, vocês, aqui, estavam tão mortos como as pessoas aqui. Um ponto irrelevante. O que quero dizer, no entanto, é que há muito que podemos fazer por vocês que estão aqui, se sobreviveram à explosão inicial. Vocês têm, quando se dá a explosão -- e já agora, se acontecer mesmo, não olhem para ela.
Se olharem para ela, vocês vão ficar cegos, quer temporáriamente quer permanentemente. Por isso se tiverem forma de o evitar, como, evitar olhar, isso será uma coisa excelente. Se vocês sobreviverem, mas se estiverem perto de uma arma nuclear, vocês têm -- depois da explosão -- vocês têm 10 a 20 minutos, dependendo do tamanho e exactamente do local onde deflagrou, para saírem do caminho antes de uma quantidade letal de radiação caír directamente da nuvem em forma de cogumelo que subiu. Naqueles 10 a 15 minutos, o que têm de fazer -- e digo isto muito a sério -- é afastarem-se cerca de 1.5km do centro da explosão. E o que acontece é -- isto é -- vou mostrar-vos algumas plumas de radioactividade. Em 20 minutos ela desce até ao chão. Em 24 horas, a radiação letal é espalhada pelos ventos predominantes, e geralmente mais nesta direcção em particular -- vai para noroeste.
Então se estão nas proximidades, têm de se afastar. Se estiverem a sentir o vento -- e este vento tremendo agora que vocês vão sentir -- e vocês querem seguir na perpendicular do vento ou contra o vento, se forem na verdade capazes de ver onde é que se deu a explosão. Vocês têm de sair dali. Se vocês não saírem dali, vocês vão ficar expostos à radiação letal em muito pouco tempo. Se não conseguirem saír, queremos que vá para um abrigo e fique lá. Agora, num abrigo numa área urbana significa que vocês têm de estar quer numa cave o mais funda possível, ou têm de estar num andar -- um andar alto -- se a bomba tiver deflagrado no chão, que seria, mais alta do que um nono andar. Por isso têm de estar num décimo andar ou mais alto, ou numa cave. Mas basicamente, têm de sair da cidade o mais rápido possível. E se fizerem isso, vocês podem sobreviver a uma explosão nuclear.
Nos dias seguintes e até cerca de uma semana, haverá uma nuvem de radiação, que será mais uma vez espalhada pelo vento por mais uns 24 a 32 quilómetros -- neste caso, sobre Long Island. E se estiverem na zona directa de radiação, têm mesmo de estar abrigados ou então têm de saír daquele local, e isso é claro. Mas se estiverem abrigados, podem na verdade sobreviver. A diferença entre conhecer a informação do que vocês vão fazer pessoalmente, ou não ter esta informação, pode salvar a vossa vida, e ela pode significar a diferença entre 150.000 a 200.000 mortes de uma coisa como esta e meio milhão a 700.000 fatalidades.
Então, o planeamento de resposta no século vinte e um é possível e também é essencial. Mas em 2008, não existiam uma única cidade americana que tivesse feito planos efectivos para lidar com um desastre de explosão nuclear. Parte do problema é que os próprios coordenadores de emergência, pessoalmente, ficam psicologicamente esmagados pela ideia de uma catástrofe nuclear. Eles ficam paralizados. Se lhes disserem "nuclear", eles vão pensar, "Oh meu deus, vamos todos morrer. Para quê? É fútil." E estamos a tentar dizer-lhes "Não é fútil. Podemos alterar as taxas de sobrevivência fazendo algumas coisas com senso comum."
O objectivo aqui é minimizar as mortes. E eu só quero deixar-vos com os pontos pessoais que acho que podem estar interessados. A chave para sobreviver a uma explosão nuclear é sair, e não ir em direcção ao perigo. É basicamente tudo aquilo de que falámos aqui. E quanto mais longe vocês estiverem, maior será o tempo que vos separa da explosão; e quanto maior a separação entre vocês e da atmosfera exterior, melhor será. Então a separação -- se possível com tijolos ou cimento, ou indo para uma cave -- a distância e o tempo é que vos vão salvar.
Aqui está o que têm de fazer. Primeiro, como disse, não olhem para a luz se puderem. Não sei se conseguem resistir em fazer isso. Mas vamos assumir, teoricamente, que querem fazê-lo. Procurem manter a vossa boca aberta, para os vossos tímpanos não rebentarem com as pressões. Se estiverem muito perto da explosão, na verdade têm de se baixar e cobrir como o Bert vos disse, Bert a Tartaruga. E vão querer ir para baixo de alguma coisa para não se ferirem ou serem mortos por objectos, se for possível. Vão querer afastar-se da queda inicial de radiação da nuvem, como disse, em poucos minutos. E abrigo e local. Querem ir contra o vento ou perpendicular até cerca de 2km.
Sabem, se estiverem na rua e virem edifícios horrivelmente destruídos naquela direcção, e menos destruídos aqui, então sabem que foi ali que se deu a explosão, vá por aqui, contando que estejam a ir contra o vento. Quando tiver saído e sido evacuado, vão querer manter manter o máximo da pele, da boca e do nariz cobertos, desde que isso não vos impeça de se movimentarem e saír dali. E finalmente, vocês querem ser descontaminados o mais rápido possível. E se estiverem vestidos, dispam as vossas roupas todas, e procurem um sítio para tomarem um duche para remover a radiação que seria -- o material radioactivo que possa estar em vocês. E depois vão querer ficar num abrigo de 48 a 72 horas no mínimo, mas vão esperar com esperança -- vocês vão ter o pequeno rádio de emergência, e vão ficar à espera que alguém vos diga que é seguro saír lá para fora. É isso que precisam de fazer.
Concluindo, a guerra nuclear é menos provável que no passado, mas não está de forma alguma fora de questão, e não se pode sobreviver a ela. O terrorismo nuclear é possível -- pode ser provável -- mas pode-se sobreviver. E este é Jack Geiger, que é um dos heróis da comunidade de saúde pública dos E.U.A. E o Jack afirmou que a única maneira de lidar com algo nuclear, seja guerra ou terrorismo, é a abolição das armas nucleares. E se querem que alguma coisa funcione depois de resolver o aquecimento global eu peço-vos que pensem sobre o facto de nós termos de fazer algo sobre esta inaceitável, inumana realidade das armas nucleares no nosso mundo.
Agora, este é o meu slide favorito da protecção civil e eu -- (Risos) -- não quero ser indelicado, mas este -- ele já não está ao trabalho. Não queremos saber, ok. Isto foi-me enviado por alguém que é um aficionado dos procedimentos de defesa civil, mas o que está em questão é que a América passou por tempos difíceis. Não estamos concentrados, não fizemos o que é preciso fazer, e agora estamos a enfrentar o potencial de um horrível, inferno na Terra. Obrigado.
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Got an idea, question, or debate inspired by this talk? Start a TED Conversation.
A face do terror nuclear mudou desde a Guerra Fria, mas o especialista em medicina de catástrofe Irwin Redlener lembra-nos que a ameaça ainda é real. Ele olha para contramedidas absurdas da história e dá-nos conselhos práticos em como sobreviver a um ataque.
Dr. Irwin Redlener spends his days imagining the worst: He studies how humanity might survive natural or human-made disasters of unthinkable severity. He's been an outspoken critic of half-formed government recovery plans (especially after Katrina). Full bio »
Translated into Portuguese by Mia Martin
Reviewed by Tiago Guedes
Comments? Please email the translators above.
29:42 Posted: Sep 2007
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23:43 Posted: Jun 2007
Views 493,989 | Comments 258
23:34 Posted: Jul 2006
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