Os cães têm interesses. Interessa-lhes cheirarem-se entre eles, perseguir esquilos. E se não fizermos disso uma recompensa em treino, será apenas uma distracção. Sempre me atingiu como um pensamento realmente assustador que quando vemos um cão no parque, e o dono está a chamá-lo, e o dono diz, sabem, "cãozinho, vem cá, vem cá," e o cão pensa, "Humm, interessante. estou a cheirar o rabo deste cão, o dono está a chamar, é uma escolha difícil." Certo? Rabo, dono -- rabo ganha. Quero dizer, vocês perdem. Não podem competir com o meio ambiente, se tiverem um cérebro de cão adolescente. Portanto, quando treinamos, tentamos ter sempre em conta o ponto de vista do cão.
Ora, estou aqui basicamente porque há um certo desacordo no treinamento de cães neste momento -- que de um lado , temos pessoas que pensam que treinam um cão, primeiro, fazendo regras, regras humanas. E não têm em consideração o ponto de vista do cão. Portanto o humano diz, "Vais fazer assim, raios. Vamos forçar-te a fazer coisas contra a tua vontade, adaptadas à nossa vontade." Depois, número dois -- mantemos estas regras um segredo para o cão. E depois número três -- agora podemos punir o cão por quebrar as regras que ele nem sequer conhecia. Então ganham um pequeno cachorro, ele chega -- o seu único crime foi crescer. Quando era um pequeno cachorro, ele punha as suas patas na vossa perna -- sabem, não é giro? E vocês diziam, "Oh, lindo cãozinho." Vocês baixavam-se, davam-lhe festas -- recompensavam-no por saltar para cima de vocês. O seu único erro é que ele é um Mastim Tibetano, e que uns meses depois ele pesa, sabem, 36 quilos. De cada vez que salta para cima de vocês ele recebe todo o tipo de abusos. Quero dizer, é medonho o abuso a que os cães são sujeitos.
Portanto, toda esta questão de dominação -- número um, o que temos no treino de cães é esta interpretação à rato Mickey de um sistema social complexo. E eles levam isto muito a sério. Cães macho levam muito a sério a hierarquia, porque previne as lutas físicas. Claro, cães fêmea -- cadelas -- por outro lado, têm certas correcções cadela às regras hierárquicas dos machos. A número um é, "Eu tenho, tu não" E o que vão ver é que, uma cadela de nível muito, muito baixo consegue facilmente ficar com um osso de um macho de alto nível. Ora, adaptamos no treino de cães esta noção de domínio, ou do cão alfa -- tenho a certeza de que já ouviram falar disto.
Os cães são frequentemente abusados. Cães, cavalos, e humanos -- estas são as três espécies que mais abusos sofrem na vida. E a razão está inscrita no seu comportamento: é o facto de sempre voltarem e pedirem desculpa. Como, "Oh, desculpe por me ter batido, estou mesmo desolado, sim, a culpa é minha." Eles são mesmo tão "bativeis". E é por isso que lhes batem. O pobre cachorro salta para cima, vocês abrem o manual dos cães, o que é que vêm? "Agarrar nas patas da frente, apertá-las, bater nas patas de trás, esguichar sumo de limão no focinho, bater-lhe na cabeça com um jornal enrolado, dar-lhe uma joelhada no peito, virá-lo de costas." Porque cresceu? E porque está a ter um comportamento que vocês lhe ensinaram? Isto é absurdo. Pergunto aos donos, "Bem, como gostariam que o cão vos cumprimente?" E as pessoas dizem, "Bem, não sei, sentado, acho." Eu digo, "Vamos ensiná-lo a sentar." E então damos-lhe uma razão para sentar. Porque a primeira etapa é basicamente ensinar ao cão ISL. Podia falar com vocês e dizer, "Laytay-chai, paisey, paisey." Vamos, alguma coisa devia acontecer agora. Porque é que não respondem? Oh, vocês não falam Swahili. Bem, tenho notícias para vocês. O cão não fala inglês, ou americano, ou espanhol, ou francês.
Portanto a primeira etapa do treino é ensinar ISL ao cão -- Inglês com uma segunda língua. E é assim que utilizamos comida na mão como atracção, e utilizamos comida porque estamos a lidar com donos. E minha mulher não necessita de comida -- ele é uma excelente treinadora, muito melhor que eu. Eu não preciso de comida, mas o dono médio diz, "Cachorrinho, senta." Ou fazem, "Senta, senta, senta." Estão a fazer sinais manuais em frente do rabo do cão por alguma razão, como se o cão tivesse um terceiro olho ali -- é absurdo. Sabem, "Senta, senta." Não, nós fazemos, "Cachorro, senta" -- pronto, ele percebe em 6 a 10 tentativas.
Depois deixamos de utilizar comida como atracção, e agora o cão sabe que "sentar" quer dizer sentar, e vocês conseguem realmente comunicar com o cão numa frase em inglês perfeitamente estruturada. "Phoenix, vem cá, toma isto, e vai ao Jamie, por favor." E eu ensinei-lhe "Phoenix", "vem cá", "toma isto", "vai ao" e o nome do meu filho, "Jamie". E o cão pode levar um recado, e eu tenho o meu pequeno cão de procura e salvamento. Ele encontrará Jamie onde ele estiver, sabem, onde os miúdos costuma estar, a partir pedras perto de um riacho ou qualquer coisa, e levar-lhe uma pequena mensagem que diz, "Hei, o jantar está pronto. Volta para o jantar."
Portanto, neste momento, o cão sabe o que queremos que ele faça. E vai fazê-lo? Não necessariamente, não. Como eu disse, se ele está no parque e houver um rabo para cheirar, porquê voltar para o dono? O cão vive convosco, o cão pode ter-vos a qualquer hora, o cão pode cheirar o vosso rabo, se quiserem, quando ele quiser. Neste momento está no parque, e vocês estão a competir com cheiros, e outros cães, e esquilos.
Portanto a segunda etapa do treino é ensinar o cão a querer fazer o que queremos que ele faça, e isto é muito fácil. Nós utilizamos o principio de Premack. Basicamente, fazemos seguir um comportamento de baixa frequência -- um que o cão não queira fazer -- por um de alta frequência, vulgarmente conhecido por "problema de comportamento", ou um hobby de cão -- algo que o cão gosta de fazer. Isso torna-se uma recompensa para o comportamento de baixa frequência. Por isso fazemos, "senta", no sofá, "senta", cocegas na barriga, "senta", olha, atiro uma bola de ténis, "senta", diz olá aquele outro cão. Sim, pomos "cheira rabo" na lista. "Senta", cheira rabo.
Então agora todas aquelas distracções que estavam contra o treino agora tornam-se recompensas que funcionam para o treino. E o que estamos a fazer, essencialmente, é estar-mos a ensinar o cão, mais ou menos -- -- estamos a deixar o cão pensar que é ele que nos está a treinar. E posso imaginar este cão, sabem, falando através da vedação para, digamos, um Akita, dizendo, "Uau, os meus donos, são tão fáceis de treinar. Eles são como "Golden Retrievers". Eu só tenho de me sentar, e eles fazem tudo. Eles abrem as portas, eles conduzem o meu carro, eles massajam-me, eles atiram-me bolas de ténis, eles cozinham para mim e servem-me a comida. É como, se apenas me sento, é o meu comando. Então tenho o meu próprio porteiro pessoal, condutor, massagista, cozinheiro e criado". E agora o cão está realmente contente. E isto, para mim, é o que o treino deve ser. Portanto realmente motivamos o cão a querer fazer, de forma que a necessidade de castigo raramente aparece.
Agora passamos à terceira fase, quando agora -- há alturas, sabem, quando o papá é que sabe. E eu tenho um pequeno letreiro no meu frigorífico, que diz, "Porque eu sou o papá, é por isso". Desculpa, não há mais explicações -- "Eu sou o papá, tu não, senta". E há alturas -- por exemplo, se os amigos do meu filho deixam a porta aberta, os cães têm de saber que não passam desta linha. Isto é uma questão de vida ou morte. Deixam isto, a santidade da vossa casa, e podem ser atropelados na estrada. Portanto algumas coisas temos de fazer saber ao cão, "Não podes fazer isto".
E temos de impor, mas sem força. As pessoas confundem-se sobre o que é um castigo. Eles pensam que um castigo é algo horrível. Aposto como muitos de vocês pensam assim, certo? Pensam que é algo doloroso, ou assustador, ou horrível. Não necessariamente. Existem várias definições sobre o que é um castigo, mas uma definição, a mais popular, é -- Um castigo é um estímulo que reduz o comportamento imediatamente precedente, de forma a que seja menos provável que ocorra no futuro. Não necessita de ser horrível, assustador ou doloroso. E podia dizer, se não precisa de ser, então talvez não deva ser.
Eu estava a trabalhar com um cão muito perigoso, há cerca de um ano -- e este era um cão que tinha posto ambos os donos no hospital, mais o cunhado, mais o filho. E apenas concordei trabalhar com ele se prometessem que o mantinham dentro de casa, e nunca o levassem para fora. O cão foi submetido a eutanásia mais tarde, mas trabalhei com este cão durante uns tempos. Muita da agressão ocorreu perto da cozinha, por isso enquanto lá estava -- isto foi na quarta visita -- obrigamos durante quatro horas e meia o cão a ficar deitado no seu tapete. E ele era mantido lá pela insistência calma do dono. Quando o cão tentava sair do tapete, ela devia dizer, "Rover, no tapete, no tapete, no tapete". O cão quebrou a ordem de ficar deitado no tapete por 22 vezes nas quatro horas e meia enquanto ela cozinhou o jantar, porque havia muitas das agressões relacionadas com comida. A desobediência a ordem foi diminuindo. Estão a ver, o castigo estava a funcionar. O problema de comportamento estava a desaparecer. Ela nunca levantou a voz. Se o tivesse feito, teria sido mordida. Não é um bom cão para se gritar. E muitos dos meus amigos treinam animais realmente formidáveis -- ursos grizzly, se alguma vez viram um urso grizzly na televisão ou no cinema, foi um amigo meu que o treinou. Baleias assassinas -- adoro isso porque vos excita. Como é que ralhamos com um urso grizzly? "Urso mau, urso mau!" Voum! A vossa cabeça está agora a voar pelo ar a 100 metros de distancia, ok? Isto é de doidos.
Portanto, onde podemos ir daqui? Queremos um caminho melhor. Os cães merecem melhor. Mas para mim, a razão tem efectivamente a ver com cães, tem a ver com observar pessoas a treinar cachorros, e perceber que eles têm uma capacidade de interacção horrível, horrenda capacidade de relacionamento. Não apenas com o seu cachorro, mas com o resto da família. Quero dizer, o meu clássico de sempre é outro "vem cá". Vocês vêm alguém no parque -- e vou tapar o microfone ao dizer isto, porque não quero acordar-vos -- e está o dono no parque, e o seu cão ali, e ele diz, "Rover, vem cá. Rover, vem cá. Rover, vem cá, seu filho de uma cadela." O cão diz, "Acho que não." (Risos) Quero dizer, quem no seu perfeito juízo pensa que um cão se quer aproximar de alguém a gritar daquela maneira? Em vez disso, o cão diz, "Eu conheço esse tom, eu conheço esse tom. Antes, quando me aproximei, fui castigado ali." Estava a entrar num avião -- isto, para mim, foi um momento essencial na minha carreira, e realmente cimentou o que eu queria fazer com toda esta coisa de treino de cachorros -- a noção de como ensinar cachorros de uma forma amigavel a quererem fazer o que nós queremos que façam, para que não tenhamos de os forçar. Sabem, eu treino o meu filho. E o ponto fulcral foi, eu estava a entrar num avião para Dallas, e na segunda fila estava um pai, presumo, e um rapaz pequeno de cerca de 5 anos, dando pontapés na cadeira da frente. "Johnny, não faças isso." Pontapé, pontapé, pontapé. "Johnny, não faças isso." Pontapé, pontapé, pontapé. Estou mesmo aqui com o meu saco. O pai inclina-se, agarra-o assim e faz-lhe a cara feia. A cara feia é isto -- quando ficamos cara a cara com um cachorro ou criança, e dizemos, "O que estás a fazer? Pára já com isso, pára, pára!" E eu pensei, "Oh meu Deus, o que é que faço?" Aquela criança perdeu tudo -- aquela de duas pessoas em quem ele pode confiar neste mundo absolutamente puxou-lhe o tapete debaixo dos pés. E eu pensei, "Digo a este idiota para parar?" Pensei, "Ian, não te metas, não te metas, sabes, continua a andar." Fui para o fundo do avião Sentei-me, e um pensamento ocorreu-me. Se tinha sido com um cão, tinha-me atirado a ele. (Risos) Se ele tivesse dado um pontapé a um cão, eu tinha-lhe dado um murro. Ele violentou uma criança, agarrou a criança desta maneira e eu deixo passar.
E tem tudo a ver com isto. Estas capacidades de relacionamento são tão fáceis. Quero dizer, nós como humanos, a nossa ligeireza quando escolhemos o nosso companheiro de vida baseado nos três Cs -- cor exterior, conformidade, cara linda. Sabem, como um pequeno robot. É assim que entramos numa relação, e é belo durante um ano. E então aparece um pequeno problema de comportamento. Não muito diferente do ladrar de um cão. O marido não lava as suas roupas, ou a mulher está sempre atrasada, o que quer que seja, ok? E então começa, e entramos nesta coisa, e a nossa retroacção pessoal -- há duas coisas sobre isso. Quando vemos pessoas interagir com animais ou outras pessoas, há pouca retroacção, é pouco frequente. E quando acontece, é mau, é feio. Vêem, é especialmente em família, especialmente com o cônjuge, especialmente com os filhos, especialmente com os pais. Vê-se especialmente no local de trabalho, especialmente de chefe a empregado. É como se existisse uma espécie de regozijo ali -- que efectivamente temos prazer quando os outros fazem coisas erradas, de forma a que possamos lamentar e resmungar e refilar com eles.
E isto, eu diria, é a maior idiossincrasia humana que temos. É realmente. Tomamos o bom por garantido, e lamentamos e gememos ao mau. E acho que toda esta noção destas capacidades devia ser ensinada -- sabem, cálculo é fantástico. Quando era criança era um perito em cálculo. Não percebo nada disso agora, mas conseguia fazê-lo quando era criança. Geometria, fantástico, sabem, mecânica quântica -- são coisas bestiais. Mas não salvam casamentos e não educam filhos.
E a minha visão do futuro é, e o que quero fazer com esta coisa dos cachorros, é ensinar as pessoas que, sabem, o vosso marido é igualmente fácil de treinar. Provavelmente mais fácil -- se têm um Rotty, muito mais fácil de treinar. Os vossos filhos são fáceis de treinar. Tudo o que têm a fazer é observá-los verificar no tempo o comportamento, e digamos, a cada cinco minutos, fazer a pergunta, "É bom, ou é mau?" Se for bom, dizer, "Isso foi mesmo bem, obrigado." Isso é uma técnica de treino tão poderosa. Isto devia ser ensinado nas escolas. Relações -- como é que negoceiam? Como é que negoceiam com o vosso amigo que quer o vosso brinquedo? Sabem, como preparar-vos para a primeira relação? E então sobre educar crianças? Pensemos como o fazemos -- uma noite na cama, uma gravidez, e depois estamos a criar a coisa mais importante na vida -- uma criança. Não, isto é o que devia ser ensinado -- bem viver, os bons hábitos, que são tão difíceis de quebrar como os maus hábitos. Portanto, isso será o meu desejo para o futuro. Ah, raios, queria acabar exactamente a tempo, mas tenho oito, sete, seis, cinco, quatro, três, dois -- portanto muito obrigado, foi a minha apresentação, obrigado. (Aplausos)
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Falando na conferencia EG de 2007, o treinador Ian Dunbar pede-nos para vermos o mundo através dos olhos dos nossos amigos cães. Conhecendo a perspectiva dos nossos animais de estimação, podemos ganhar o seu amor e confiança. É uma mensagem que ultrapassa o mundo animal.
Veterinarian, dog trainer and animal behaviorist Ian Dunbar understands our pets' point of view. By training dog owners in proper conduct (as much as he trains the dogs themselves), he hopes to encourage better relationships with dogs -- not to mention their friends and children, too. Full bio »
Translated into Portuguese by Pedro Ferreira
Reviewed by Orlando Figueiredo
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09:18 Posted: Dec 2007
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03:30 Posted: Dec 2006
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05:48 Posted: Aug 2008
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