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Eu sou Americano, o que quer dizer, de forma geral que desconheço o futebol, a menos que seja aquele com rapazes do meu tamanho e do tamanho do Bruno a correr uns contra os outros a grande velocidade. Dito isto, tem sido bem difícil ignorar o futebol nas últimas semanas. (Julho 2010, Campeonato do Mundo de Futebol, na África do Sul) Eu vou ao Twitter e encontro uma série de palavras estranhas que nunca tinha ouvido FIFA, vuvuzela, piadas estranhas acerca de polvos. Mas aquela que me está a deixar mesmo intrigado, que ainda não consegui perceber, é esta frase "Cala a boca, Galvão." Se foram ao Twitter nestas últimas semanas, provavelmente viram isto. Tem sido um tema dominante.
Como sou um Americano monolingue, obviamente não sei o que a frase significa. Então fui ao Twitter, e perguntei a algumas pessoas se me podiam explicar "Cala a boca, Galvão." Felizmente, os meus amigos Brasileiros estavam mais que prontos para ajudar. Explicaram-me que a ave Galvão é um papagaio raro que está num perigo terrível. De facto, vou mostrar-vos um pouco sobre isto. Narrador: este é o Galvão, um tipo de ave muito raro nativo do Brasil. Todos os anos, mais de 300000 aves Galvão são mortas para os desfiles de Carnaval. Ethan Zuckerman: Obviamente, isto é uma tragédia, que na realidade é ainda mais grave. Vai-se a ver que o papagaio Galvão não só é muito bonito, útil para decorar chapéus e fantasias, torna-se evidente que tem propriedades alucinogénicas, o que significa que há um problema terrível com o abuso de aves Galvão. algumas pessoas doentes e depravadas foram vistas a snifar Galvão. E ele está fortemente ameaçado. O lado positivo é que a comunidade global -- mais uma vez, dizem-me os meus amigos brasileiros -- está unida para ajudar. Descobrimos que a Lady Gaga lançou um novo single -- na realidade 5 ou 6 singles pelo que podemos ver -- intitulados "Cala a boca, Galvão." E os meus amigos Brasileiros dizem-me que se eu fizer um tweet da frase "Cala a boca, Galvão" 10 cêntimos serão doados para uma campanha global para salvar esta ave rara e magnífica.
Bem, muitos de vós já perceberam que isto foi uma partida, e por acaso uma muito bem feita. "Cala a boca Galvão", na realidade, quer dizer algo muito diferente em Português. Refere-se especificamente a este indivíduo, Galvão Bueno, que é o comentador de futebol principal para a Rede Globo. Pelo que me disseram os meus amigos Brasileiros este homem é uma máquina de lugares-comuns. Ele consegue arruinar a partida mais interessante só por debitar lugares comuns constantemente. Por isso os Brasileiros foram ao primeiro encontro do Mundial contra a Coreia do Norte puseram esta faixa, começaram uma campanha no Twitter e tentaram convencer o resto de nós a fazer tweets com a frase "Cala a boca, Galvão". E de facto, tiveram tanto sucesso que isto liderou os tops no Twitter por duas semanas.
Bem, há aqui duas lições que podemos aprender com esta história. A primeira lição, que me parece de valor, é que não é possível falhar ao pedir às pessoas para serem activas online desde que activismo for simplesmente fazer um re-tweet de uma frase. Desde que o activismo seja assim simples, é fácil ter sucesso. A outra lição a aprender com esta história é que há imensos Brasileiros no Twitter. Mais de 5 milhões. Em termos de representação nacional 11 por cento dos utilizadores de internet Brasileiros estão no Twitter. É uma proporção bem superior à dos EUA ou do Reino Unido A seguir ao Japão, é a nacionalidade mais representada.
Se vocês estão a usar o Twitter ou outras redes sociais, e ainda não se aperceberam que há muitos Brasileiros nessa rede então vocês são como a maioria. Por que o que sucede numa rede social é que nós interagimos com pessoas que escolhemos para a nossa interacção. E se forem como eu, um geek Americano, branco e gordo, a tendência é para interagir com muitos outros geeks brancos e Americanos. E assim não se tem necessariamente a percepção que o Twitter é um espaço com uma forte presença Brasileira. É também surpreendente para muitos Americanos, que é um espaço com forte presença Afro-Americana. O Twitter fez alguma pesquisa. Observaram a sua população Eles acreditam que 24 por cento dos utilizadores do Twitter nos EUA são Afro-Americanos. Isto é aproximadamente o dobro da proporção dos Afro-Americanos na população total. E mais uma vez, foi uma grande surpresa para muitos utlizadores do Twitter, mas não deveria ser. E a razão por que não deveria ser é que em qualquer dia se pode ir aos temas dominantes (Trending Topics) e a tendência é para se encontrar tópicos que são quase totalmente conversas de Afro-Americanos.
Esta foi uma visualização feita por Fernando Viegas e Martin Wattenberg, dois excepcionais designers de visualizações, que observaram o tráfego no Twitter por um fim de semana e essencialmente descobriram que muitos destes tópicos dominantes eram basicamente conversas segregadas -- e de formas que são inesperadas. Acontece que o derrame de petróleo no Golfo do México é maioritariamente uma conversa de brancos, enquanto que churrascos são uma conversa maioritariamente entre negros. O que é inacreditável a este respeito é que se vocês quiserem variar aqueles que estão a seguir no Twitter, está literalmente à distância de um clic. Vocês clicam em "churrasco" e lá está uma conversa completamente diferente com pessoas diferentes a participar. Porém, a regra é que, a maioria de nós não faz isso. Acabamos dentro destas bolhas filtradas, como o meu amigo Eli Pariser lhes chama, onde vemos as pessoas que já conhecemos e as pessoas que são parecidas com as que já conhecemos. A tendência é para não termos uma visão mais ampla.
Para mim, isto surpreende porque a internet não era para ser assim. Se regressarmos aos primórdios da internet, quando ciber-utopistas como Nick Negroponte estavam a escrever grandes obras como "A Vida Digital" o que se previa era que a internet ia ser uma força incrivelmente poderosa para atenuar diferenças culturais, para nos colocar todos num plano de igualdade de uma forma ou outra. Negroponte começou este livro com uma história acerca de como é difícil construir ligações no mundo dos átomos. Ele estava numa conferência sobre tecnologia na Florida e estava a ver algo completamente absurdo, que eram garrafas de água Evian na mesa. E Negroponte diz que é uma loucura. Isto é a velha economia. É a economia de transportar estes átomos todos pesados, lentos, através de grandes distâncias, que é muito difícil de se fazer. Estamos a caminho de um futuro de bits, onde tudo é rápido e sem peso, pode estar em todo o lado no mundo em qualquer momento. E isto vai mudar o mundo como o conhecemos.
Bem, Negroponte teve razão a respeito de muitas coisas. Ele estava completamente errado neste caso. Verifica-se que em muitos casos os átomos são muito mais transportáveis que os bits. Se eu for a uma loja nos EUA, é muito, muito fácil comprar água que foi engarrafada nas Fiji, e transportada de forma dispensiosa para os EUA. É surpreendentemente difícil para mim encontrar um filme Fijiano. É mesmo difícil escutar música Fijiana. É extremamente difícil para mim aceder às notícias Fijianas, o que é estranho, porque há muita coisa a passar-se nas Fiji. Há um governo revolucionário. Há um governo militar. Há opressão da imprensa. É na realidade um lugar a que provavelmente deveríamos estar a prestar atenção no momento.
Isto é o que eu acho que se está a passar. Penso que a tendência é para repararmos muito na infraestrutura da globalização. Nós observamos a estrutura que torna possível a vida neste mundo interligado online. E essa é uma estrutura que inclui coisas como rotas aéreas. Inclui coisas como cabos de telecomunicações e internet por cabo. Nós vemos um mapa como este e parece que o mundo é plano por que tudo está a um nó ou dois de distância na rede. Vocês podem apanhar um vôo em Londres, e chegar a Bangalore nesse dia. Dois saltos, estão em Suva, capital das Fiji. Está lá tudo.
Quando observamos o que efectivamente flui sobre estas redes, obtemos uma visão muito diferente. Começamos a ver como os aviões se movem no globo, e de súbito descobrimos que o mundo não é nada plano. Tem imensos obstáculos. Há partes do mundo que estão muito, muito bem ligadas. Há um caminho gigante no céu entre Londres e Nova Iorque. mas vejam este mapa e podem observar por dois ou três minutos. Não se vêem muitos aviões a seguir da América do Sul para África. E podem ver que há partes do mundo que estão sistematicamente desligadas. Quando paramos de observar a infraestrutura que permite as ligações, e observamos o que realmente se passa, começamos a perceber que o mundo não funciona propriamente da forma como nós pensamos.
Então aqui está o problema que me tem interessado na última década. O mundo está, de facto, a tornar-se mais globalizado. Mais interligado. Um maior número dos problemas existe à escala global. Mais da economia existe à escala global. E os nossos média são menos globais a cada dia que passa. Se vocês viram uma emissão televisiva nos EUA dos anos 1970 35 a 40 por cento seriam notícias internacionais nas notícias da noite. Isto desceu para 12 a 15 por cento. E isto tende a dar-nos uma visão distorcida do mundo. Aqui está um slide que Alisa Miller mostrou num TED Talk anterior. Alisa é a presidente da Public Radio International e fez um cartograma, que é basicamente um mapa distorcido baseado no que as emissões de televisão nos EUA incluíram durante um mês. Vê-se que quando se distorce um mapa com base na atenção prestada ao mundo pelos noticiários Americanos ela encontra-se reduzida a uns EUA gigantes e exagerados e uns quantos países que nós invadimos. Basicamente é disto que falam os nossos média. E antes que concluam que isto é característico dos noticiários Americanos -- que são horríveis, e eu concordo que são horríveis -- eu tenho mapeado média de prestígio como o New York Times, e obtenho os mesmos resultados. Quando olhamos para o New York Times, para os outros média de prestígio, obtemos uma visão dos países mais ricos e dos países que já invadimos.
Acontece que os novos média não estão a ajudar-nos assim tanto. Aqui está um mapa feito por Mark Graham ali do Oxford Internet Institute. Isto é um mapa dos artigos na Wikipédia que foram geo-codificados. Vão reparar que existe um grande peso da América do Norte e Europa ocidental. Até com enciclopédias, onde estamos a criar o seu conteúdo online, o maior peso é o do local onde se encontram muitos autores da Wikipédia. em prejuízo do conteúdo relativo ao resto do mundo. No Reino Unido podemos pegar no computador ao sairmos desta sessão, e ler um jornal da Índia ou da Austrália, do Canadá e, Deus nos livre, dos EUA. Mas provavelmente não o faremos. Se observarmos a audiência dos média online -- neste caso, dos 10 países com mais utilizadores de internet -- mais de 95 por cento da leitura de notícias diz respeito às notícias locais. É um daqueles casos raros em que os E.U.A. estão de facto um pouco melhor do que o Canadá porque nós efectivamente gostamos mais de ler dos vossos média, do que vice-versa.
Tudo isto me leva a pensar que estamos num estado que eu chamei de Cosmopolitanismo Imaginário. Temos a internet. Pensamos que estamos a obter uma visão ampla do mundo. Ocasionalmente deparamo-nos com uma página em Chinês, e decidimos que temos realmente a tecnologia mais avançada que existe para nos ligarmos ao resto do mundo. Esquecendo que na maior parte do tempo estamos só a ver os resultados dos Boston Red Sox. Isto é um problema real -- não apenas porque os Red Sox estão a ter uma época má -- trata-se de um problema real porque, conforme estamos a debater aqui no TED, os problemas reais do mundo os problemas que são interessantes para resolver são globais em escala e alcance, exigem conversas globais para se atingir soluções globais. Este é um problema que temos que resolver.
Então aqui estão as boas notícias: Ao longo de seis anos tenho estado com estas pessoas. Este é um grupo chamado Global Voices. Trata-se de uma equipa de autores de blogs de todo o mundo. A nossa missão é consertar os média do mundo. Começámos em 2004. Como podem constatar não tivemos grandes resultados até agora. Nem creio que por nós próprios apenas iremos conseguir resolver o problema. Porém, quanto mais penso nisto, mais acredito que as coisas que aprendemos neste caminho são lições interessantes acerca de como podemos reorganizar a internet se a quisermos usar para ter uma visão mais ampla do mundo. A primeira coisa a considerar é que há partes do mundo que são regiões escuras em termos de atenção. Neste caso -- no mapa do mundo à noite feito pela NASA -- estão escuros literalmente, por causa da falta de electricidade. E eu costumava pensar que uma região escura neste mapa queria dizer que não se iria obter média dessa região por que há outras necessidades mais prementes.
O que começo a verificar é que sim, pode obter-se média, mas requer um grande esforço, e é preciso muito encorajamento. Uma destas regiões escuras é Madagáscar, um país habitualmente mais famoso pelo filme da Dreamworks do que é conhecido por causa das pessoas amáveis que lá vivem. As pessoas que fundaram o clube Foko em Madagáscar não estavam motivadas pela mudança da imagem do seu país. Eles estavam a fazer algo mais simples. Era um clube para aprender Inglês e para aprender sobre computadores e a internet. Porém o que aconteceu é que Madagáscar teve um golpe de Estado violento. A maioria dos média independentes foi encerrada. E os estudantes da secundária que estavam a aprender a usar blogs no clube Foko subitamente viram-se a falar para uma audiência internacional acerca das manifestações, da violência, de tudo o que se passava neste país. Uma iniciativa muito modesta com a finalidade de pôr pessoas à frente de computadores, publicando as suas ideias, publicando média independente, acabaram por ter um enorme impacto sobre o que sabemos acerca deste país.
Agora, um obstáculo que estou a ver é que a maioria não fala Malgaxe. Suspeito também que a maioria de vós nem sequer fala Chinês -- o que é um pouco triste se formos a ver, porque é agora a língua mais representada na internet. Felizmente há quem esteja a tentar ultrapassar este obstáculo. Se estiverem a usar o Google Chrome e forem a um site em Chinês, podem reparar nesta caixa bonitinha no topo, que automaticamente detecta que a página está em Chinês e muito rapidamente, à distância de um clic vos dá uma tradução da página. Infelizmente é uma tradução automática da página. E enquanto que o Google é muito bom com certas línguas, é bastante mau em Chinês. Os resultados podem ser bem engraçados. O que vocês querem -- o que eu realmente quero, é a possibilidade de carregar num botão para pôr este documento na fila à espera de uma pessoa que o traduza.
Se pensam que isto é absurdo, não é. Hoje, existe um grupo na China, chamado Yeeyan. Yeeyan é um grupo de 150000 voluntários que estão online diariamente. Eles procuram o conteúdo mais interessante em Inglês. O que corresponde mais ou menos a 100 artigos por dia de grandes jornais e websites. Eles publicam-nos na web gratuitamente. Este é o projecto de um indivíduo chamado Zhang Lei, que estava a viver nos E.U.A. durante os tumultos de Lhasa e que não acreditava como a cobertura nos média Americanos era tão parcial. Ele disse: "Se houver apenas uma coisa que eu posso fazer, eu vou começar a traduzir, para que as pessoas entre estes países se comecem a entender um pouco melhor." A minha pergunta para vós é: Se o grupo Yeeyan consegue organizar 150000 pessoas para traduzir a internet de Inglês para Chinês, onde está o Yeeyan da língua Inglesa? Quem está a pesquisar o Chinês, que agora tem 400 milhões de utilizadores de internet? O meu palpite é que pelo menos um deles terá algo de interessante para dizer.
Ora, mesmo que consigamos encontrar uma forma de traduzir desde o Chinês, não há garantia que vamos encontrar o conteúdo. Quando procuramos informação online, temos essencialmente duas estratégias. Usamos muito motores de busca. E a busca é fantástica se soubermos do que andamos à procura. Mas se aquilo que queremos é a descoberta fortuita (Serendipismo) se queremos tropeçar em algo que não sabíamos que precisávamos, a nossa filosofia é a de procurar nas nossas redes sociais, procurar pelos nossos amigos. O que é que eles estão a ver? Talvez devêssemos ver isso também. O problema com isto é que essencialmente ao fim de algum tempo nos limitamos à "sabedoria do rebanho" Juntamo-nos com um grupo de pessoas que são provavelmente semelhantes a nós, com interesses semelhantes. E é muito, muito difícil obter informação de outros rebanhos, de outras partes do mundo onde as pessoas se reúnem para falar dos seus próprios interesses. Para ter sucesso, de certa forma, precisamos de quem nos empurre para fora do nosso rebanho e para dentro de outro. Precisamos de um guia.
Apresento-vos Amira Al Hussaini. Ela é Editora do Global Voices para o Médio Oriente. Ela tem os empregos mais difíceis neste mundo. Não só tem que impedir os nossos voluntários Israelitas e Palestinianos de se matarem uns aos outros, ela tem que descobrir o que é que vos interessará acerca do Médio Oriente. E nesse sentido, tentar trazer-vos para fora da vossa órbita normal, e tentar que prestem atenção a uma história acerca de alguém que deixou de fumar para o mês do Ramadão, ela tem que saber algo acerca de uma audiência global. Ela tem que saber algo acerca das histórias que estão disponíveis. Basicamente, ela é uma DJ. Uma curadora com experiência que sabe que material tem à disposição, que sabe escutar a sua audiência, que sabe fazer uma selecção e liderar as pessoas de uma forma ou outra. Penso que isto não é necessariamente um processo algorítmico. E penso que o que é espectacular na internet é que fazer com que seja muito mais fácil para os DJs atingirem uma audiencia mais vasta. Eu conheço a Amira. Posso perguntar-lhe sobre o que ler. Mas com a internet ela está numa posição em que ela pode dizer a muitas pessoas o que ler. E vocês podem ouvi-la a ela também, se esta é uma forma que vos interessa de terem a vossa web alargada.
Assim que vocês começam a alargar a visão, a ter vozes a alumiar aquelas regiões escuras, assim que começam a traduzir, a tratar dos conteúdos, vocês vão parar a lugares mesmo estranhos. Esta é uma imagem dequele que deve ser o meu blog favorito, que é Afrigadget. AfriGadget é um blog que vê a tecnologia num contexto Africano. Especificamente está a ver um ferreiro em Kibera, Nairobi que está a transformar o veio de transmissão de um Land Rover num cinzel. Quando olhamos para esta imagem podemos pensar "Porque é que eu haveria de me interessar por isto?" Na verdade, este indivíduo pode explicar-vos isto. Este é Erik Hersman. São capazes de o ter visto nesta conferência. Ele é conhecido por "Africano Branco". Ele é por um lado um geek americano afamado, mas é também um Queniano. Ele nasceu no Sudão, cresceu no Quénia. É uma "figura de ponte". Ele tem efectivamente pés em ambos os mundos -- um no mundo da comunidade tecnófila Africana, outro no mundo da comunidade tecnófila Americana. Por isso ele é capaz de contar a história deste ferreiro em Kibera e transformá-la numa história sobre recondicionamento da tecnologia, sobre inovação dentro dos constrangimentos materiais, acerca da busca de inspiração à base de reutilização de materiais. Ele conhece um mundo e está a encontrar uma forma de o comunicar a outro mundo, sendo que ele tem ligações profundas a ambos. Estas figuras de ponte, estou convencido, são o futuro de como podemos fazer a visão do mundo mais ampla através da internet.
O que se passa com as pontes é que em última instância precisamos de alguém que as atravesse. E aqui começamos a falar dos xenófilos. Se eu estivesse na liga de futebol americano (NFL) suspeito que iria passar o tempo entre épocas a tratar das feridas, gozar o tempo em casa, por aí fora -- talvez a gravar um álbum de hip-hop. Dhani Jones, que é um jogador defensivo dos Cincinnati Bengals, tem uma abordagem diferente em relação às férias. Dhani tem um programa de televisão. Chama-se "Dhani Tackles the Globe" E todas as semanas neste programa, Dhani viaja para um país diferente. Ele procura uma equipa local, treina com eles por uma semana e joga uma partida com eles. A sua motivação para isto não é apenas o desejo de dominar luta Muay Thai. É que para ele, a prática de desporto é a linguagem que lhe permite ver toda a vastidão e maravilha do mundo. Para alguns de nós pode ser a música, para outros pode ser a comida. Para muitos de nós pode ser literatura ou a escrita. Mas todas estas são técnicas diferentes que permitem sair em exploração do mundo e encontrar o nosso lugar nele.
O objectivo do meu TED Talk hoje não é de vos persuadir a abraçar a vossa xenofilia. Acredito -- dado que estão numa conferência chamada TEDGlobal -- que a maioria de vós são xenófilos quer usem essa palavra quer não. Em vez disso o meu desafio é o seguinte: Não é suficiente tomar a decisão pessoal de pretender um mundo mais vasto. Temos que descobrir como reorganizar os sistemas que nós temos. Temos de consertar os nossos média. Temos de consertar a internet. Temos de consertar a educação. Temos de consertar a nossa política de imigração. Temos de procurar meios de gerar serendipismo de generalizar a tradução, de encontrar formas de acarinhar e celebrar as figuras de ponte. E temos que descobrir como cultivar os xenófilos. É isto que estou a tentar fazer. Eu preciso da vossa ajuda.
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É certo que a internet liga o mundo mas a maioria acaba prestando atenção àqueles que são como nós próprios. Ethan Zuckerman, autor de blogs e tecnófilo, pretende fomentar a partilha das histórias de todo o mundo. Ele fala-nos de estratégias inteligentes para irmos além do mundo que a nossa conta no Twitter nos mostra e lermos as notícias em idiomas que nem sequer conhecemos.
Ethan Zuckerman studies how the world -- the whole world -- uses new media to share information and moods across cultures, languages and platforms. Full bio »
Translated into Portuguese by Nuno Lima
Reviewed by Sofia Nunes
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[According to Twitter] 24 percent of American Twitter users are African-American. That’s about twice as high as African-Americans are represented in the population.” (Ethan Zuckerman)
04:29 Posted: May 2008
Views 612,910 | Comments 157
03:56 Posted: Apr 2009
Views 191,591 | Comments 31
04:34 Posted: May 2009
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