Alguém disse uma vez que a política é claramente "entretenimento para pessoas feias." Por isso, com isso em mente, sinto-me realmente em casa. Outra coisa que gostava de dizer é que é uma honra, como político, apresentar uma TED talk, particularmente aqui no Reino Unido, onde a reputação da política, devido ao escândalo das despesas dos deputados, se tem afundado tanto.
Houve mesmo uma história recente segundo a qual os cientistas tinham pensado em substituir, nas suas experiências, os ratos com os políticos. E alguém perguntou: "Porquê?" e eles disseram: "Bem, não há falta de políticos, ninguém se preocupa verdadeiramente com o que lhes acontece e, além do mais, há certas coisas que os ratos nunca farão." (Risos)
Agora, eu sei que todos vós adoram dados, por isso vou começar com um diapositivo rico em informação. Penso que este é o mais importante facto a reter na política britânica ou americana, e que é: Nós já não temos dinheiro. Nós temos grandes défices financeiros. Este é o meu relógio do défice público global, e, como podem ver, está em 32 triliões e sempre a somar.
E eu penso que o que isto gera é um simples reconhecimento de que existe neste momento uma questão política acima de todas as outras, que é esta: Como é que tornamos as coisas melhores sem gastar mais dinheiro? Porque não vai haver muito dinheiro para melhorar os serviços públicos, ou para melhorar o governo, ou para melhorar tantas das coisas sobre as quais os políticos falam. Por isso, o que se segue é que se pensarem que tudo gira à volta de dinheiro - que apenas se consegue medir o sucesso nos serviços públicos, na saúde, na educação e na polícia pelo gasto de mais dinheiro, apenas se pode medir progresso pelo gasto de dinheiro - ficarão desolados.
Mas se pensarem que muitas outras coisas são importantes e levam ao bem-estar, coisas como as relações familiares, a amizade, a comunidade, os valores - então, na verdade, este é um tempo incrivelmente entusiasmante para se ser político. E o simples argumento que eu quero defender esta noite, o argumento muito claro é este: se nós combinarmos a filosofia política correcta, o pensamento político correcto, com a incrível revolução da informação que tem tido lugar, e de que todos vós sabem muito mais do que eu, penso que há uma oportunidade incrível de refazer verdadeiramente a política, refazer o governo, refazer os serviços públicos, e atingir o que está naquele diapositivo, que é um grande aumento do nível de bem-estar. Esse é o argumento que eu vos quero apresentar hoje.
Por isso, começando com a filosofia política. Não estou a dizer, de todo, que os conservadores britânicos têm todas as respostas. Claro que não temos. Mas há duas coisas que, fundamentalmente, guiam a filosofia conservadora que são realmente relevantes para todo este debate. A primeira coisa é a seguinte: nós acreditamos que se dermos às pessoas maior poder e controlo sobre as suas vidas, se lhes dermos mais escolhas, se as pusermos em posições de liderança, então, na verdade, podemos criar uma sociedade mais forte e melhor. E se juntarmos este facto à incrível abundância de informação que temos no nosso mundo hoje, penso que podemos completamente, como disse, refazer a política, refazer o governo, refazer os serviços públicos.
A segunda coisa em que acreditamos é em seguir a natureza humana. A política e os políticos apenas serão bem sucedidos se tentarem na realidade tratar as pessoas como elas são, e não como gostavam que elas fossem. Agora, se combinar este pensamento muito simples e muito conservador - seguir o cerne da natureza humana - com todos os avanços na economia comportamental, alguns dos quais acabámos de ouvir, mais uma vez, penso que conseguiremos atingir um verdadeiro aumento no bem-estar, na felicidade, numa sociedade mais forte sem tem de gastar necessariamente muito mais dinheiro.
Agora, porque é que eu acho que esta é a altura de apresentar este argumento? Bem, receio que vão ouvir uma curta e condensada lição de história sobre aquilo que eu diria serem três passagens da história: a era pré-burocrática, a era burocrática e aquela em que vivemos agora, que penso ser uma era pós-burocrática. Uma forma mais simples de pensar nisto é que passámos de um mundo de controlo local, depois para um mundo de controlo central, e agora estamos num mundo de controlo popular. Poder local, poder central, agora, poder popular.
Aqui está o Rei Canuto, Rei há milhares de anos. Ele pensava que podia controlar as ondas; mas não conseguia controlar as ondas. Na verdade, ele não conseguia controlar quase nada, porque se se fosse Rei há milhares de anos, embora ainda demorasse horas e horas e semanas e semanas para atravessar o teu próprio país, não havia muito que estivesse sob o teu controlo. Não se controlava a política, a justiça, a educação, a saúde, o bem-estar. Podia-se apenas ir para guerra e o poder reduzia-se a isso. Esta foi a era pré-burocrática, uma era em que tudo tinha de ser local. Tinha de haver um controlo local porque não havia qualquer informação disponível a nível nacional, porque as viagens eram tão restritas. Por isso isto foi a era pré-burocrática.
Na próxima parte da lição de história, temos a linda imagem da Revolução Industrial britânica. De repente, todo o tipo de transportes, de informações de viagem eram possíveis, e isto deu lugar ao nascimento daquilo que eu gosto de apelidar de "era burocrática". Espero que este slide faça uma bonita transição. Muito bem. De repente, temos o Estado grande, forte e central. Foi capaz - e apenas ele foi capaz - de organizar a saúde, a educação, a polícia, a justiça. E era um mundo, como disse, não de poder local, mas de poder central. Tinha absorvido todo aquele poder das localidades. Foi capaz de fazer isso sozinho.
A próxima grande etapa, com que todos vós estão tão familiarizados é: a revolução maciça de informação. Considerem apenas este facto: Há 100 anos, enviar estas 10 palavras custava 50 dólares. Hoje, nós estamos conectados com Long Beach e com qualquer outro sítio, e a todas estas localizações secretas por uma fracção desse custo, e conseguimos enviar e receber enormes quantidades de informação sem quaisquer custos. Por isso nós estamos hoje a viver numa era pós-burocrática, onde o verdadeiro poder popular é possível.
O que é que isto significa para a nossa política, para os nossos serviços públicos, para o nosso governo? Bem, eu não posso, no tempo que tenho, dar muitos exemplos, mas deixem-me apresentar apenas uma das maneiras em que a vida pode mudar. E isto é tão óbvio, de certa forma, porque vocês pensam na forma como todos nós temos mudado a forma de fazermos compras, a forma como viajamos, a forma como os negócios são feitos. Isto já aconteceu; a revolução da informação e da Internet já se infiltrou nas nossas sociedades de tantas formas diferentes, mas ainda não conseguiu tocar no nosso governo em todos os aspectos.
Por isso, como é que podemos fazer com que isto aconteça? Bem, eu penso que existem três formas principais de isto trazer uma mudança enorme: na transparência, na escolha e na responsabilização, em dar-nos um poder popular genuíno. Se pensarmos em transparência, aqui está um dos meus websites preferidos, o Portal de Responsabilização do Missouri (Missouri Accountability Portal). Antigamente, apenas o governo podia ter a informação, apenas um grupo restrito de pessoas conseguia tentar obter essa informação e questioná-la e desafiá-la. Agora aqui, num website de um Estado dos Estados Unidos, todo o dólar gasto por esse governo é pesquisável, é analisável, é verificável.
Pensem na enorme mudança que isso significa: qualquer empresa que queira negociar um contrato público consegue ver o que está actualmente a ser gasto. Qualquer pessoa que pense "Eu podia prestar um melhor serviço, eu podia distribuí-lo mais barato", está tudo disponível lá. Só agora, no governo e na política, começámos a fazer algo muito simples quando comparado com o que se faz no mundo dos negócios com a revolução da informação. Por isso, a transparência total fará uma enorme diferença. Neste país, se ganharmos as eleições, faremos com que todos os gastos do governo acima de 25.000 libras sejam transparentes e estejam disponíveis online, pesquisáveis para qualquer pessoa ver. Vamos disponibilizar todos os contratos - estamos a anunciar isto hoje - na Internet para que todos possam ver quais são os termos, quais são as condições, dando uma melhor aplicação ao dinheiro, mas também aumentos significativos, creio eu, no bem-estar da população.
Escolha. Todos vós fazem compras online, comparam online, fazem tudo online, e ainda assim esta revolução apenas se iniciou agora nos serviços públicos como a educação ou o sistema de saúde ou a polícia, e vão ver esta mudança claramente. Devíamos estar a fazer esta mudança utilizando a revolução da informação no nosso país, com sites de saúde onde pudéssemos pesquisar e ver quais as operações que funcionam bem, quais os registos que os médicos têm, as condições de higiene dos hospitais, quem é o melhor no controlo de infecções - toda a informação que estaria guardada no Departamento da Saúde está agora disponível para que todos a possam ver.
E a terceira destas grandes mudanças: responsabilização. Esta, creio, é uma mudança enorme. Este é um mapa de crimes. É um mapa de crimes em Chicago. Por isso, em vez de termos uma situação onde apenas a polícia tem a informação acerca de que crimes são cometidos onde, e temos de empregar pessoas no governo para tentar responsabilizar a polícia, de repente, temos esta grande abertura para o poder popular, onde nós, como cidadãos, podemos ver que crimes estão a ser cometidos - onde, quando e por quem - e podemos responsabilizar a polícia. E podem ver isto, que se parece com um chapéu de cozinheiro, mas que, na verdade, é um assalto, aquele a azul. Podemos ver onde é que este crime está a ser cometido, e temos a oportunidade de responsabilizar as nossas forças policiais. Essas três formas - transparência, responsabilização e escolha - farão uma enorme diferença.
Agora, eu também disse que o outro princípio que penso que devíamos trabalhar é o de compreender as pessoas, compreender as tendências da natureza humana, assim podemos alcançar muito mais coisas. Temos uma enorme revolução na compreensão das razões pelas quais as pessoas se comportam da forma que comportam e uma excelente oportunidade pôr esse conhecimento e informação a bom uso. Estamos a trabalhar com algumas dessas pessoas. Como disse, estamos a ser aconselhados por algumas destas pessoas, para tentarmos documentar toda esta experiência.
Deixem-me dar-vos um exemplo que penso ser incrivelmente simples e que adoro. Queremos que as pessoas sejam mais eficientes em termos energéticos. Porquê? Reduz a pobreza de combustíveis, reduz as suas despesas, e reduz, ao mesmo tempo, as emissões de carbono. Como é que fazemos isto? Bem, temos tido campanhas informativas do governo ao longo dos anos onde vos dizem para desligarem as luzes quando saem de casa. Até tivemos - um ministro do governo disse-nos uma vez para escovar os dentes no escuro. Penso que as campanhas não duraram muito tempo. Vejam o que isto faz. Este é um pedaço simples de economia comportamental. A melhor maneira de fazer com que alguém reduza a sua despesa de electricidade é mostrar-lhes os seus próprios consumos, e mostrar-lhes aquilo que os seus vizinhos estão a gastar, e depois mostrar o que um vizinho com consciência energética gasta. Este tipo de economia comportamental pode transformar a atitude das pessoas de uma forma que todo o bullying e toda a informação e toda a campanha de um governo não pode simplesmente alcançar. Outros exemplos prendem-se com a reciclagem. Todos sabemos que precisamos de reciclar mais. Como é que fazemos com que isto aconteça? A experiência da América prova que, na verdade, se pagarmos às pessoas para reciclarem, se lhes dermos uma cenoura em vez da vara, podemos transformar os seus comportamentos.
Então e qual é a consequência de tudo isto? Aqui estão os meus dois discursos preferidos dos Estados Unidos dos últimos 50 anos. Obviamente, aqui temos o do Presidente Kennedy com a incrivelmente simples e poderosa formulação: "Não perguntes aquilo que o teu país pode fazer por ti; pergunta o que tu podes fazer pelo teu país", um sentimento incrivelmente nobre. Mas quando ele fez aquele discurso, o que podíamos fazer para construir uma sociedade mais forte e melhor? Podíamos lutar pelo nosso país, podíamos morrer pelo teu país, podíamos servir na função pública do nosso país, mas não chegávamos a ter informação, o conhecimento e a capacidade para ajudar a construir uma sociedade mais forte da forma que podemos hoje.
E eu penso que um discurso ainda mais fascinante, do qual eu vou ler um excerto, que resume o que eu disse no começo sobre acreditar que há mais na vida para além do dinheiro, e mais coisas que devíamos experimentar e medir sem ser o dinheiro. E isto é a linda descrição de Robert Kennedy sobre a razão pela qual o Produto Interno Bruto diz tão pouco: Ele "não é um indicador da saúde das nossas crianças, da qualidade da sua educação, ou da alegria das suas brincadeiras. Ele não inclui a beleza da nossa poesia ou a força dos nossos casamentos, a inteligência do nosso debate público. Não mede a sagacidade nem a coragem, nem a nossa sabedoria nem a nossa aprendizagem, nem a nossa compaixão nem a nossa devoção ao nosso país. Ele mede tudo, resumindo, excepto aquilo que faz a nossa vida valer a pena."
Mais uma vez, um sentimento que foi tão nobre e lindamente expresso há 40 anos, e um bonito sonho de há 40 anos, mas agora com os enormes avanços nas tecnologias da informação, com as enormes mudanças na economia comportamental, com tudo o que sabemos sobre como se melhora o bem-estar, se combinarmos essas visões de dar poder às pessoas, e usarmos a informação para tornar isso possível, usando o conhecimento sobre como funciona a natureza humana, e, ao mesmo tempo, compreendendo por que razão as pessoas se comportam da forma que comportam, é um sonho mais fácil de realizar hoje do que era quando há 40 anos aquele lindo discurso foi feito.
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O líder do Partido Conservador britânico diz que estamos a entrar numa nova era onde os próprios governos têm menos poder (e menos dinheiro) e as pessoas, graças à tecnologia, têm mais. Retirando novas ideas da economia comportamental, ele explora a forma como estas tendências podem levar a uma política mais inteligente.
David Cameron is the prime minister of the UK and the leader of the UK's Conservative Party. Full bio »
Translated into Portuguese by Ana Luísa Bernardino
Reviewed by Nuno Couto
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16:43 Posted: Jul 2009
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