Hoje vou falar de energia e clima. E isso pode parecer um pouco surpreendente já que o meu trabalho a tempo inteiro na fundação é essencialmente acerca de vacinas e sementes, acerca das coisas que temos de inventar e distribuir para ajudar os dois mil milhões mais pobres viver vidas melhores. Mas energia e clima são extremamente importantes para estas pessoas, na verdade, mais importantes do que para quaisquer outras pessoas no Planeta. O facto do clima estar a piorar significa que em muitos dos anos as suas plantações não irão crescer. Haverá demasiada chuva, chuva insuficiente. As coisas vão mudar de uma maneira que o seu frágil ambiente não vai conseguir suportar. E isso leva à fome. Leva à incerteza. Leva à instabilidade. Então, as mudanças climáticas serão terríveis para eles.
O preço da energia é igualmente importante para eles. Na verdade, se pudesse escolher apenas uma coisa para baixar o preço e reduzir a pobreza, de longe, escolheria energia. Ora, o preço da energia tem diminuído ao longo do tempo. Na verdade, uma civilização desenvolvida baseia-se em desenvolvimentos na energia. A revolução do carvão instigou a revolução industrial, e, mesmo nos anos 1900 assistimos a um rápido declínio no preço da electricidade, e é por esse motivo que temos frigoríficos, ar condicionado, que podemos fazer novos materiais e fazer tantas outras coisas. E assim, estamos numa situação maravilhosa com electricidade no mundo rico. Mas, à medida que a fazemos mais barata - e vamos assumir duas vezes mais barata - precisamos de impor uma nova restrição, e essa restrição tem a ver com CO2.
O CO2 está a aquecer o planeta, e a equação do CO2 é de facto bastante simples. Se somarmos o CO2 que é emitido, isso leva a um aumento da temperatura, e esse aumento de temperatura tem alguns efeitos muito negativos. Tem efeitos no clima e, talvez ainda pior, sejam os efeitos indirectos nos ecossistemas naturais que, não conseguindo adaptar-se a estas rápidas alterações, acabam por colapsar.
Ora, o valor exacto da correspondência entre um certo aumento de CO2 e a consequente temperatura e onde os efeitos positivos estão, é algo incerto, mas não muito. E há certamente incertezas acerca de quão prejudiciais serão esses efeitos, mas eles serão extremamente prejudiciais. Eu consultei os melhores cientistas acerca disto por diversas vezes, temos mesmo de diminuir para próximo de zero? Não podemos apenas diminuir para metade ou um quarto? E a resposta é que, até chegarmos perto de zero, a temperatura irá continuar a aumentar. Então isso é um grande desafio. É muito diferente de dizer que somos um camião de 3,6m de altura a tentar passar por baixo de uma ponte de 3m, e que podemos, como que encolhermo-nos para passar. Isto é algo que tem de chegar a zero.
Ora, nós produzimos muito dióxido de carbono todos os anos, mais de 26 mil milhões de toneladas. Por cada americano, é cerca de 20 toneladas. Para pessoas nos países pobres, é menos de uma tonelada. É uma média de cerca de cinco toneladas para todas as pessoas no planeta. E, de alguma maneira, temos de fazer mudanças que irão trazer isso para zero. Tem vindo a crescer constantemente. Apenas algumas alterações económicas têm conseguido no máximo manter isto no mesmo nível, então temos de passar de um rápido crescimento a uma queda, uma queda que nos leve até ao zero.
Esta equação tem quatro factores. Um pouco de multiplicação. Então, temos algo à esquerda, o CO2, que queremos que chegue a zero, e isso irá basear-se no número de pessoas, dos serviços que cada pessoa utiliza em média, na energia em média por cada serviço, e no CO2 que é emitido por cada unidade de energia. Então, vamos olhar para cada um deles e ver como podemos fazer com que isto diminua para zero. Provavelmente, um destes números terá de chegar bem perto de zero. Ora isto é parte de álgebra da escola secundária, mas vamos ver.
Primeiro temos população. Ora, o Mundo hoje tem 6,8 mil milhões de pessoas. Que está a encaminhar-se para nove mil milhões. Agora, se fizermos de facto um óptimo trabalho em novas vacinas, no sistema de saúde, serviços de planeamento familiar, poderíamos diminuir isso em, talvez, 10 ou 15 por cento, mas ali vemos um aumento de cerca de 1,3.
O segundo factor é: os serviços que utilizamos. Isto inclui tudo, desde a comida que consumimos, roupa, TV, aquecimento. Estas são coisas muito boas, e acabar com a pobreza significa providenciar estes serviços a quase toda a gente no planeta. E é óptimo que este número aumente. No mundo rico, talvez o mil milhão do topo, nós poderíamos provavelmente reduzir e usar menos, mas todos os anos, este número, em média, irá subir, e portanto, no geral, isso irá mais que duplicar os serviços fornecidos por pessoa. Aqui temos um serviço muito básico. Têm luz na vossa casa para poderem ler os vossos trabalhos, e de facto, estes miúdos não têm, então eles estão a ir para a rua e a ler os seus trabalhos escolares por baixo destas luzes da rua.
Agora, eficiência, E, a energia por cada serviço, aqui, temos finalmente boas notícias. temos algo que não está a aumentar. Através de novas invenções e novos métodos de produzir luz, através de diferentes tipos de carros, diferentes maneiras de construir edifícios, há muitos serviços onde é possível fazer com que a energia desse serviço diminua consideravelmente, e em alguns serviços específicos, que diminua cerca de 90 por cento. Há outros serviços, como por exemplo, o modo como produzimos fertilizante, ou como fazemos o transporte aéreo, onde o espaço para melhoria é muito, muito menor. Então aqui, no geral, se formos optimistas, podemos conseguir uma redução de um terço para até talvez um sexto. Mas para estes três factores agora, passámos de 26 mil milhões para, na melhor das hipóteses, talvez 13 mil milhões de toneladas, e só isso não será suficiente.
Então vamos olhar para este quarto factor -- este será um factor-chave -- e esta será a quantidade de CO2 produzida por cada unidade de energia. Então a questão é, podemos mesmo levar isso até zero? Se queimarmos carvão, não. Se queimarmos gás natural, não. Quase todas as maneiras como produzimos energia hoje, a excepção das renováveis e da nuclear, emitem CO2. E portanto, o que teremos de fazer à escala global, será criar um novo sistema. E então, precisamos de milagres de energia.
Agora, quando uso o termo milagre, não quero dizer algo que é impossível. O microprocessador é um milagre. O computador pessoal é um milagre. A internet e os seus serviços são um milagre. Então, as pessoas aqui presentes participaram na criação de muitos milagres. Geralmente, não temos um prazo, em que temos de atingir o milagre até uma determinada data. Normalmente, apenas ficamos como que nas imediações, e alguns acontecem, outros não. Este é um caso em que temos de facto de conduzir a toda a velocidade e atingir o milagre num prazo bastante curto.
Agora, eu pensei, como é que eu posso realmente capturar isto? Existe algum tipo de ilustração natural, alguma demonstração que pudesse prender a imaginação das pessoas aqui? Eu pensei no ano passado quando trouxe mosquitos, e de alguma forma, as pessoas gostaram disso. (risos) Isso envolveu-as realmente na ideia de que, vocês sabem, há pessoas que vivem com mosquitos. Então, com energia, tudo o que me ocorreu foi isto. Eu decidi que libertar pirilampos seria a minha contribuição para o ambiente este ano aqui. Então aqui temos alguns pirilampos verdadeiros. Disseram-me que eles não mordem, de facto, podem até nem sair do frasco. (Risos)
Ora, existe toda uma variedade de soluções habilidosas como esta, mas na verdade elas não acrescentam muito. Nós precisamos de soluções, quer seja uma ou várias, que tenham uma dimensão incrível e que transmitam uma incrível confiança, e, apesar das pessoas estarem a procurar em diversas direcções, eu, de facto, apenas vejo cinco que podem atingir os números elevados. Deixei de parte a hidroeléctrica, geotérmica, de fusão, biocombustíveis. Esses podem contribuir de alguma forma, e se puderem fazer melhor do que eu espero, tanto melhor, mas a minha ideia-chave aqui é que vamos ter de trabalhar em cada um destes cinco, e não podemos desistir de nenhum deles por parecerem demasiado intimidadores, porque todos eles possuem desafios significativos.
Vamos olhar primeiro para a queima de combustíveis fósseis, quer seja queima de carvão ou de gás natural. O que precisamos de fazer aqui, pode parecer simples, mas não é, é pegar em todo o CO2 que sai pela chaminé depois de o termos queimado, pressurizá-lo, criar um líquido, colocá-lo nalgum sítio, e esperar que fique lá. Ora nós já temos algumas coisas a testar isto a um nível de 60 a 80 por cento, mas atingir aquela percentagem total, vai ser muito complicado, e chegar a acordo em relação ao local onde essas quantidades de CO2 devem ser colocadas vai ser difícil, mas o mais complicado aqui é esta questão do longo termo. Quem é que irá ter a certeza? Quem é que irá garantir algo que é literalmente mil milhões de vezes maior do que qualquer tipo de resíduo que possamos pensar em termos de nuclear ou de qualquer outras coisas? Isto é muito volume. Então esta é uma complicada.
A seguinte seria a nuclear. Também tem três grandes problemas. O custo, especialmente em países altamente regulamentados, é elevado. A questão da segurança, sentir-se realmente bem relativamente ao facto de que nada poderá correr mal, que, ainda que existam estes operadores humanos, o combustível não será utilizado para armas. E depois o que fazem com os resíduos? E, ainda que não sejam em grandes quantidades há muitas inquietações em relação a isso. As pessoas precisam de se sentir bem em relação a isto. Então três problemas muito complicados que podem ser solucionáveis, e que portanto, devem ser trabalhados.
Os últimos três de cinco, eu agrupei-os. Estes são o que as pessoas geralmente se referem como energias renováveis. No entanto -- ainda que seja óptimo que não requeiram combustível -- têm algumas desvantagens. Uma é que a densidade de energia reunida nestas tecnologias é dramaticamente menor do que a de uma planta nuclear. Isto é produção de energia por isso estamos a falar de muitos quilómetros quadrados, milhares de vezes mais superfície do que possam pensar para uma planta nuclear comum. Para além disso, estas são fontes intermitentes. O sol não brilha todo o dia, não brilha todos os dias, e, de igual modo, o vento não sopra sempre. Portanto, se dependermos destas fontes, temos de ter alguma maneira de obter a energia durante esses períodos em que não estão disponíveis. Então, temos grandes desafios relativamente a custos aqui. Temos desafios de transmissão. Por exemplo, suponhamos que esta fonte de energia está fora do vosso país, Precisariam não só da tecnologia, mas também de lidar com o risco da energia vir de outro sítio.
E, finalmente, este problema do armazenamento. E, para dimensionar isto, eu investiguei e vi todos os tipos de baterias que são feitas, para carros, para computadores, para telefones, para lanternas, para tudo, e comparei isso com a quantidade de energia eléctrica que o mundo utiliza, e o que descobri foi que todas as baterias que produzimos agora poderiam armazenar menos de 10 minutos de toda a energia. Então, de facto, precisamos de um grande avanço aqui, algo que venha a ser uma centena de vezes melhor do que as soluções que temos no momento. Não é impossível, mas não é algo muito fácil. Agora, isto surge quando tentamos que a energia intermitente esteja acima de, digamos, 20 a 30 por cento do que estamos a utilizar. Se calcularmos para os 100 por cento, precisamos de um incrível bateria milagrosa.
Ora, como é que vamos prosseguir com isto: qual é o caminho correcto? Isto é um Projecto Manhattan? O que é que nos pode levar ao objectivo? Bem, precisamos de imensas empresas a trabalhar nisto, centenas. Em cada um destes cinco caminhos, precisamos de pelo menos cem pessoas. E muitas delas, as pessoas irão olhar e dizer que são doidas. Isso é bom. E, eu penso, aqui no grupo TED, temos muitas pessoas que já estão envolvidas nisto. Bill Gross tem várias empresas, incluindo uma chamada eSolar que tem algumas tecnologias de energia solar termal formidáveis. Vinod Khosla está a investir em dúzias de empresas que estão a fazer coisas fantásticas e têm possibilidades interessantes, e eu estou a ajudar a apoiar isso. Nathan Myhrvold e eu estamos na realidade a apoiar uma empresa que, talvez surpreendentemente, está na realidade a seguir o caminho da nuclear. Há algumas inovações na nuclear: modular, líquida. E a inovação parou, de facto, nesta indústria há algum tempo atrás, portanto a ideia de que há algumas boas ideias a solta, não é assim tão surpreendente.
A ideia da TerraPower é que, em vez de queimar uma parte de urânio, o um por cento, que é o U235, decidimos, vamos queimar o 99 por cento, o U238. É uma ideia um pouco louca. Na verdade, algumas pessoas falaram nela durante muito tempo, mas nunca puderam simular correctamente se funcionaria ou não, e por isso, é através do advento dos modernos supercomputadores que agora podemos simular e ver que, sim, com a abordagem dos materiais correctos, parece que isto poderia funcionar.
E, porque estamos a queimar aqueles 99 por cento, melhorámos bastante o perfil de custo. Estamos na realidade a queimar os resíduos, e podemos usar todas as sobras de resíduos dos reactores de hoje como combustível. Então, em vez de nos preocuparmos com eles, retiramo-los. É algo formidável. Vai respirando este urânio à medida que prossegue. Então é como que uma vela. Podem ver, é um toro ali, geralmente denominado reactor de onda em movimento. Em termos de combustível, isto na realidade resolve o problema. Eu tenho uma fotografia aqui de um lugar em Kentucky. Isto são os resíduos, os 99 por cento, de onde eles retiraram a parte que queimam agora, então é chamado urânio esgotado. Aquilo forneceria energia aos E.U. durante centenas de anos. E, apenas filtrando água do mar através de um processo económico, teríamos combustível suficiente para toda a vida do resto do planeta.
Então, como vêem, há imensos desafios pela frente, mas é um exemplo das muitas centenas e centenas de ideias que precisamos para prosseguir. Então vamos pensar, como deveríamos avaliar-nos a nós próprios? Como é que o nosso boletim de notas deveria ser? Bem, vamos olhar para o que precisamos mesmo de atingir, e depois olhar para o intermédio. Para 2050, ouviram muitas pessoas a falar desta redução de 80 por cento. Isso é de facto muito importante, que atinjamos isso. E aqueles 20 por cento serão utilizados por coisas que acontecem nos países pobres, ainda alguma agricultura. Esperemos que tenhamos limpo as florestas, o cimento. Então, para atingir esses 80 por cento, os países desenvolvidos, incluindo países como a China, terão de alterar completamente a sua produção de electricidade. Então, o outro nível é, estamos a implementar esta tecnologia de zero-emissões, implementámo-la em todos os países desenvolvidos e estamos no processo de a fazer chegar a outros lugares. Isso é super importante. Isso é um elemento chave no tal boletim de notas.
Então, retrocedendo a partir daqui, como deverá ser o boletim de notas de 2020? Bem, novamente, deverá ter dois elementos. Deveremos passar por estas medidas de eficiência para começarmos a ter reduções. Quanto menos emitirmos, menor será o somatório de CO2, e, portanto, menor será a temperatura. Mas de alguma forma, a nota que obtemos ali, fazendo coisas que não nos levam exactamente às grandes reduções, é igualmente, ou talvez até um pouco menos importante do que a outra, que é a parte da inovação nestes avanços.
Estes avanços, precisamos de os fazer acontecer à máxima velocidade, e podemos medir isso em termos de empresas, projectos-piloto, aspectos de regulamentação que tenham sido alterados. Há imensos livros excelentes que foram escritos acerca disto. O livro de Al Gore, "A Nossa Escolha" e o livro de David McKay, "Sustainable Energy Without the Hot Air." Eles exploram de facto o tema e criam uma estrutura que permite que isto seja discutido amplamente, porque precisamos de um amplo apoio para isto. Há muitos elementos que têm de ser reunidos.
Então isto é um desejo. É um desejo muito concreto que inventemos esta tecnologia. Se me fosse concedido apenas um desejo para os próximos 50 anos, eu poderia escolher quem seria presidente, poderia escolher uma vacina, que é algo que eu adoro, ou poderia escolher que isto que é metade do custo e sem CO2, seja inventado, este é o desejo que eu escolheria. Este é o que tem um maior impacto. Se não obtivermos este desejo, a divisão entre as pessoas que pensam a curto prazo e as que pensam a longo prazo será terrível entre os E.U. e a China, entre países pobres e ricos, e a maior parte das vidas daqueles dois mil milhões será bem pior.
Então, o que temos de fazer? Por que é que vos estou a apelar que se adiantem e que liderem? Precisamos de mais financiamento para investigação. Quando os países se juntam em locais como Copenhaga, não deviam apenas discutir o CO2. Deviam discutir esta agenda de inovação, e vocês ficariam abismados perante os níveis de custos ridiculamente baixos destas abordagens inovadoras. Nós precisamos dos incentivos do mercado, impostos de CO2, "cap and trade", algo que leve esse sinal de preço por aí. Precisamos de passar a mensagem. Precisamos que este diálogo seja mais racional, mais compreensível, incluindo as medidas que o governo toma. Este é um desejo importante, mas é um que eu acredito que podemos atingir.
Obrigado. (Aplausos) Obrigado.
Obrigado. Obrigado. (Aplausos) Obrigado. Só para que eu compreenda melhor o Terrapower -- Quer dizer, em primeiro lugar, podes dar uma ideia da dimensão do investimento que é?
Para fazer o software, comprar o super computador, contratar os excelentes cientistas, tal como fizemos, isso são apenas dezenas de milhões, e mesmo depois de testarmos os nossos materiais num reactor russo para termos a certeza de que os nossos materiais estão a funcionar adequadamente, então estaremos apenas nas centenas de milhões. O mais difícil é construir o reactor-piloto, financiar os vários milhares de milhões, encontrar o regulador, o local que irá de facto construir o primeiro destes. Depois do primeiro estar construído, se funcionar como anunciado, então tudo será mais simples, porque a economia, a densidade da energia são tão diferentes da nuclear tal como a conhecemos.
Então, para perceber correctamente, isto envolve uma construção na profundidade do solo quase como que uma coluna vertical de combustível nuclear, deste tipo de urânio gasto, e depois o processo começa no topo e como que continua para baixo?
Exactamente. No presente, estamos constantemente a abastecer o reactor, então temos muitas pessoas e muitos controlos que podem falhar, quando se pode abrir algo e mover coisas para dentro e para fora. Isso não é bom. Então, se tivermos um combustível muito barato que possamos introduzir o correspondente a 60 anos -- pensa nisso como um tronco -- introduzimos e não temos essas mesmas complexidades. E fica lá simplesmente queimando durante 60 anos, e depois acaba.
É uma planta nuclear com a sua própria solução para eliminação de resíduos.
Sim. Bom, o que acontece com o desperdício, podemos deixá-lo ficar ali -- há muito menos resíduos nesta abordagem -- e depois podemos retirá-los, e colocá-los dentro de outro e queimar isso. E começamos por retirar os resíduos que existem hoje, que estão nestas piscinas de arrefecimento ou em barris junto de reactores. Esse é o nosso combustível no início. Então, o que tem constituído um problema nesses reactores é o que de facto irá alimentar o nosso, e estaremos a reduzir dramaticamente o volume de resíduos à medida que o processo decorre.
Mas ao falares para diferentes pessoas em todo o mundo acerca destas possibilidades, onde é que existe mais interesse em de facto fazer algo com isto?
Bom, ainda não escolhemos um local específico, e existem todas estas regras interessantes de divulgação acerca de qualquer coisa que tenha o nome de nuclear, portanto temos muito interesse, em que pessoas da empresa tenham estado na Rússia, Índia, China. Eu tenho-me encontrado com o Secretário da Energia aqui, e falado acerca de como isto se enquadra na agenda da energia. Então eu estou optimista. Sabes que os franceses e os japoneses têm feito algum trabalho. Isto é uma variante em algo que já foi feito. É um importante avanço, mas é como um reactor rápido, e muitos países construíram-nos, portanto qualquer um que já tenha feito um reactor rápido, é um candidato a ser o local onde o primeiro será construído.
Então, na tua opinião, qual o calendário e probabilidade de ter algo como isto de facto a acontecer?
Bem, nós precisamos, para uma destas coisas em grande escala, e de produção eléctrica que é muito barata, de 20 anos para inventar e depois 20 anos para implementar. Isso é aproximadamente o prazo que os modelos ambientais nos mostraram que temos de atingir. E, como sabes, o Terrapower, se tudo correr bem, o que é pedir muito, poderia facilmente ir ao encontro desse prazo. E felizmente, há agora, dúzias de empresas, precisamos que sejam centenas, que, de igual modo, se a sua ciência correr bem, se o financiamento das suas plantas-piloto correr bem, podem competir por isto. E é melhor se várias sucederem, porque então poderíamos utilizar uma mistura destas coisas. Precisamos com certeza que uma suceda.
Em termos de eventuais mudanças em grande escala esta é a maior de que tens conhecimento?
Uma importante descoberta na energia é o mais importante. Sê-lo-ia mesmo sem a restrição ambiental, mas a restrição ambiental apenas a torna ainda mais importante. Na área nuclear, existem outros inovadores. Como sabes, nós não conhecemos o trabalho deles tão bem como conhecemos este, mas há pessoas a trabalhar com a modular, essa é uma abordagem diferente. Existe um reactor de tipo líquido, o que parece um pouco complicado, mas provavelmente eles dizem o mesmo de nós. Portanto há diferentes abordagens, mas a beleza disto é que uma molécula de urânio tem um milhão de vezes mais energia do que uma molécula de, digamos, carvão, e portanto, se conseguirmos lidar com os aspectos negativos, que são essencialmente a radiação, a pegada e o custo, o potencial, em termos de efeito na terra e em várias coisas, está quase numa categoria separada.
E se isto não funcionar? Temos de começar a tomar medidas de emergência para tentar manter a temperatura da Terra estável?
Se chegares a essa situação, é como se tivesses estado a comer demais e estivesses à beira de um ataque cardíaco. Então onde é que vais? Podes precisar de uma cirurgia ao coração ou algo semelhante. Há uma corrente de investigação no que se chama geo-engenharia, que consta de várias técnicas que atrasariam o aquecimento para ganharmos uns 20 ou 30 anos até nos organizarmos na nossa acção. Ora, isto é apenas uma medida de segurança. Esperemos que não venhamos a precisar disso. Algumas pessoas dizem que não devíamos sequer investir muito nas medidas de segurança porque podem tornar-nos preguiçosos, que vais continuar a comer porque sabes que a cirurgia ao coração estará lá para te salvar. Não tenho a certeza se isso é sensato, dada a importância do problema, mas há agora a discussão em geo-engenharia sobre se estas medidas deveriam estar apenas de prevenção, para o caso das coisas acontecerem mais rapidamente, ou esta inovação demorar mais tempo do que esperamos.
Cépticos do clima: se tivesses uma ou duas frases para lhes dizer, como é que poderias convencê-los de que estão errados?
Bom, infelizmente, os cépticos vêm de diferentes áreas. Os que têm argumentos científicos são muito poucos. Estão a dizer que há efeitos de feedback negativos que têm a ver com nuvens que contrabalançam as coisas? Há muito, muito poucas coisas que eles até podem dizer há uma probabilidade num milhão dessas coisas. O maior problema que temos aqui é semelhante ao que temos com a SIDA. Cometemos um erro agora, e pagamos por ele mais tarde.
E portanto, quando temos toda uma variedade de problemas urgentes, a ideia de sofrer agora em prol de um benefício futuro -- e uma dor um pouco incerta. De facto, o relatório do IPCC, que não é necessariamente o pior caso, e há pessoas no mundo rico que olham para o IPCC e dizem, está bem, aquilo não é assim tão grave. A verdade é que é essa parte de incerteza que nos deveria impulsionar em direcção a isto. Mas o meu sonho aqui é que, se conseguirmos fazer isto economicamente, e ir ao encontro das restrições de CO2, então os cépticos dizem, pronto, não me importo que não emita CO2, eu até desejava que emitisse CO2, mas acho que vou aceitar isto porque é mais barato do que o que havia antes. (Aplausos)
E portanto, essa seria a tua resposta ao argumento de Bjorn Lomborg, de que basicamente se gastarmos toda esta energia para resolver o problema do CO2, isso irá destruir todos os teus outros objectivos de tentar livrar o mundo da pobreza e malária e assim por diante, (que) investir dinheiro nisso é um gasto estúpido dos recursos da Terra quando há coisas melhores que podemos fazer.
Bom, o gasto actual com a parte da investigação e desenvolvimento -- diga-se que os E.U. deveriam gastar mais 10 mil milhões por ano do que gastam agora -- não é tão dramático. Não deveria retirar de outras coisas. Aquilo em que se investe muito dinheiro, e nisto, pessoas de bom senso podem discordar, é quando se está a tentar financiar algo não-económico. Isso, para mim, é na sua grande parte um desperdício. A menos que se esteja muito perto e apenas a financiar a curva de aprendizagem e que se vá tornar muito barato. Eu acredito que deveríamos tentar mais coisas com potencial para se tornarem bem menos dispendiosas. Se a contra-partida disso é, vamos tornar a energia super dispendiosa, então os ricos podem acomodar isso. Quer dizer, todos nós aqui poderíamos pagar cinco vezes mais pela nossa energia sem alterar o nosso estilo de vida. O desastre é para aqueles dois mil milhões.
E mesmo o Lomborg mudou. A posição dele agora é, porque é que não há mais discussão em torno da investigação e desenvolvimento. Ele ainda está, devido aos seus assuntos anteriores, ainda associado ao lado dos cépticos, mas ele já percebeu que esse é um campo muito solitário, e por isso, está agora a discutir o assunto da investigação e desenvolvimento. E então há uma linha de pensamento acerca de algo que eu julgo ser apropriado. A questão da investigação e desenvolvimento, é incrível como apenas uma parte tão pequena é financiada.
Bem, Bill, julgo que falo pela maioria das pessoas aqui presentes ao dizer que, espero sinceramente que o teu desejo se torne realidade. Muito obrigado.
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Em TED2010, Bill Gates revela a sua visão para o futuro da energia mundial, falando da necessidade de "milagres" para evitar a catástrofe planetária e explicando o motivo pelo qual está a apoiar um tipo de reactor nuclear radicalmente diferente. O objectivo necessário? Zero emissões de carbono globalmente até 2050.
A passionate techie and a shrewd businessman, Bill Gates changed the world once, while leading Microsoft to dizzying success. Now he's set to do it again with his own style of philanthropy and passion for innovation. Full bio »
Translated into Portuguese by Sofia Nunes
Reviewed by Geraldo Quintas
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19:44 Posted: Dec 2007
Views 468,971 | Comments 142
20:16 Posted: Feb 2009
Views 1,385,520 | Comments 435
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