Eu acredito. Sou um crente no aquecimento global, e meus registros são bons no assunto. Mas meu assunto é segurança nacional. Precisamos nos livrar do petróleo comprado do inimigo. Estou falando sobre o petróleo da OPEP. E deixem-me levar vocês de volta 100 anos, para 1912. Provavelmente vocês estão pensando que esse era o meu ano de nascimento. (Risadas) Não era. Foi em 1928. Mas, voltem a 1912, 100 anos atrás, e observem naquele momento o que nós, nosso país, tinha que enfrentar. É a mesma questão de energia que vocês estão observando hoje, mas as fontes de combustível são diferentes. Cem anos atrás olhávamos para carvão, claro, e olhávamos para óleo de baleia e olhávamos para óleo cru. Naquele momento, estávamos procurando por um combustível que era mais limpo, mais barato, mas não era nosso, era deles.
Então, naquele momento, 1912, selecionamos óleo cru ao invés de óleo de baleia e carvão mineral. No entanto, à medida que nos deslocamos para a época atual, 100 anos depois, estamos de volta, realmente, a outro ponto de decisão. Qual é o ponto de decisão? É o que vamos usar no futuro. Assim, daqui, é muito claro para mim, preferiríamos ter algo mais limpo, mais barato, doméstico, nosso -- e temos isso, nós temos isso -- que é gás natural.
Então, vocês têm que o custo de tudo isso para o mundo é 89 milhões de barris de petróleo, aproximadamente, todos os dias. E o custo anual é de três trilhões de dólares. E um trilhão desses vai para a OPEP. Isso tem que parar. Agora, se você olhar para o custo da OPEP, ela custou sete trilhões de dólares -- no estudo do Milken Institute, ano passado -- sete trilhões de dólares desde 1976, é o que pagamos pelo petróleo da OPEP. Isso inclui o custo dos militares e o custo do combustível. É a maior transferência de riqueza, de um grupo para outro na história da humanidade. E ela continua.
Quando você olha para onde está a transferência de riqueza, você pode ver aqui que temos as setas indo para o Oriente Médio e se distanciando de nós. E com isso, tornamo-nos a polícia do mundo. Estamos policiando o mundo, e como fazemos isso? Sei a resposta. Aposto que não há 10 por cento de pessoas na sala que saibam quantos porta-aviões há no mundo. Levantem a mão se acham que sabem. Há 12. Um está sendo construído pelos chineses e os outros 11 pertencem a nós.
Por que temos 11 porta-aviões? Dominamos o mercado? Somos mais espertos que os outros? Acho que não. Se você observar onde eles estão localizados -- e neste slide são os pontos vermelhos -- há cinco que estão operando no Oriente Médio, e o restante está nos Estados Unidos. Eles vão para o Oriente Médio e os outros voltam. Portanto, na verdade, a maioria dos 11 que temos está atada ao Oriente Médio. Por quê? Por que eles estão no Oriente Médio? Eles estão lá para controlar, manter abertas as rotas de navegação e disponibilizar o petróleo. E os Estados Unidos usam aproximadamente 20 milhões de barris por dia, que é cerca de 25 por cento de todo o petróleo usado todo dia no mundo. E estamos fazendo isso com quatro por cento da população. De alguma forma isso não parece certo. Isso não é sustentável.
Então, para onde vamos agora? Isso continua? Sim, vai continuar. O slide que veem aqui é de 1990 a 2040. Durante esse período vocês vão dobrar sua demanda. E quando olhamos para o que o petróleo está sendo usado, 70 por cento dele é usado para transportes. Assim, quando alguém diz: "Vamos ter mais energia nuclear, mais eólica, mais solar", ótimo; sou a favor de qualquer coisa americana, qualquer coisa americana. Mas, se você vai fazer alguma coisa sobre a dependência do pétróleo estrangeiro, você tem que tratar do transporte.
Portanto, aqui estamos usando 20 milhões de barris por dia -- produzindo oito, importando 12, e dos 12, cinco vêm da OPEP. Quando você olha para o maior consumidor e o segundo maior consumidor, nós usamos 20 milhões de barris e os chineses usam 10. Os chineses têm um plano um pouquinho melhor -- ou, eles têm um plano; não temos nenhum plano na história da América, nunca tivemos um plano de energia. Nem mesmo percebemos os recursos que temos disponíveis para nós. Se você pegar os últimos 10 anos e examiná-los, você transferiu à OPEP um trilhão de dólares. Se você projetar os próximos 10 anos e estabelecer o preço do petróleo a 100 dólares o barril, você pagará 2,2 trilhões. Isso também não é sustentável.
Mas os dias de petróleo barato acabaram. Eles se foram. Deixaram isso muito claro para você, os árabes, eles têm que ter 94 dólares por barril para cumprir seus compromissos sociais. Bem, semana passada, pessoas em Washington me disseram: "Os árabes podem produzir petróleo por cinco dólares o barril. Isso não tem nada a ver.. É o que eles têm que pagar que nós vamos pagar pelo petróleo." Não há mercado livre para o petróleo. O petróleo é cotado por fora. E as nações da OPEP são aquelas que ditam o preço do petróleo.
Portanto, para onde vamos daqui em diante? Encaminhamo-nos para o gás natural. O gás natural fará tudo que quisermos que ele faça. É combustível de 130 octanas. É 25 por cento mais limpo que o petróleo. É nosso, temos abundância disso. E não exige uma refinaria. Sai do solo com 130 octanas. Passe-o pelo separador e está pronto para uso. Para nós, vai ser muito simples de usar. Vai ser fácil realizar isso. Você vai descobrir, e vou dizer-lhe num minuto, o que você está procurando para que isso aconteça. Bem, você pode olhar para a lista. O gás natural servirá para todos. Ele substituirá ou poderá ser usado para isso. É para geração de energia, transporte, é energia forte, é tudo isso.
Temos bastante gás natural? Ollhe para a barra à esquerda. São 24 trilhões. É o que usamos por ano. Prossiga e as estimativas que você tem da EIA e as estimativas da indústria -- a indústria sabe do que estão falando -- temos 4.000 trilhões de pés cúbicos de gás natural que está disponível para nós. Como isso se traduz no equivalente a barris de petróleo? Seria três vezes o que os árabes declaram ter. E eles afirmam que têm 250 bilhões de barris de petróleo, no que não acredito. Penso que são provavelmente 175 bilhões de barris. De qualquer forma, mesmo que digam que estão certos, temos abundância de gás natural.
Assim, tentei identificar onde usaríamos gás natural. E o que identifiquei foi caminhões pesados. Há oito milhões deles. Você pega oito milhões de caminhões -- estes são de 18 rodas -- e abastece com gás natural, reduz o carbono em 30 por cento, é mais barato e você cortará de nossas importações três milhões de barris. Dessa forma, você cortará 60 por cento da OPEP com oito milhões de caminhões. Há 250 milhões de veículos na América.
Portanto, o que vocês têm é: o gás natural é a ponte para o combustível, é assim que vejo isso. Não tenho que me preocupar com ponte para onde na minha idade. (Risadas) Essa é a preocupação de vocês. Mas quando você olha para o gás natural que temos ele bem que poderia ser a ponte porque você tem muito gás natural. Enfim, como disse, sou a favor de qualquer coisa americana.
Deixem-me levar vocês -- tenho sido realista -- fui da teoria à realidade. Voltei para a teoria novamente. Se você olha para o mundo, você tem gás metano no oceano ao redor de cada continente. E aqui você pode ver o gás metano, se esse é o caminho que vão tomar, há abundância de gás metano -- o gás natural é metano, metano e gás natural são intercambiáveis -- mas se vocês decidirem que vão usar metano -- e eu me fui, então é com vocês -- mas realmente temos abundância de gás metano.
Assim penso que apresentei meu ponto de vista de que temos que nos voltar para nossos próprios recursos na América. Se fizermos -- o petróleo está nos custando um bilhão de dólares por dia. Ainda assim, não temos plano para energia. Não há nada acontecendo que me impressione, em Washington, sobre esse plano, além do que estou tentando focar que são aqueles oito milhões de caminhões. Se pudéssemos fazer isso, penso que daríamos nosso primeiro passo para um planejamento energético. Se o fizéssemos, poderíamos ver que nossos próprios recursos são mais fáceis de usar do que qualquer um possa imaginar.
Chris Anderson: Obrigado por isso. Bem, de seu ponto de vista, você tinha esse grande Plano Pickens que era baseado na energia eólica, e você o abandonou basicamente porque a economia mudou. O que aconteceu?
TBP: Perdi 150 milhões de dólares. (Risadas) Isso faz você abandonar algumas coisas. Não, o que nos aconteceu, Chris, é que essa energia, ela tem seu preço fixado fora da margem. E a margem é o gás natural. E na época em que fui para o negógio de energia eólica, o gás natural custava nove dólares. Hoje está em dois dólares e quarenta centavos. Você não consegue fazer um negócio abaixo de seis dólares por mil pés cúbicos.
CA: Então o que aconteceu foi que, através da crescente capacidade de usar a tecnologia de perfuração, as reservas calculadas de gás natural meio que explodiram e o preço afundou, o que tornou a energia eólica não competitiva. Em resumo, isso foi o que aconteceu?
TBP: Isso foi o que aconteceu. Descobrimos que podíamos ir à rocha fonte que era o xisto carbonífero nas bacias. A primeira foi Barnett Shale, no Texas e depois a Marcellus no Norderste, através de New York, Pennsylvania, West Virginia; e Haynesville, em Louisiana. Esse material está em toda parte. Estamos mergulhados em gás natural.
CA: E agora você é um grande investidor trazendo isso ao mercado?
TBP: Bem, você é quem diz grande investidor. É minha vida. Sou um geólogo, saí da escola em 51, e estive na indústria minha vida toda. Agora, realmente possuo ações. Não sou um grande produtor de gás natural. Alguém disse outro dia que eu era o segundo maior produtor de gás natural nos Estados Unidos. Quisera ser. Mas não, não sou. Possuo ações. Mas também estou no negócio de combustíveis.
CA: Mas o gás natural é um combustível fóssil. Você o queima, você libera CO2. E você acredita na ameaça da mudança climática. Por que essa perspectiva não preocupa você?
TBP: Bem, você vai ter que usar alguma coisa. O que você tem para substituir isso? (Risadas)
CA: Não, não. O argumento de que esse combustível é uma ponte faz sentido, porque a quantidade de CO2 por unidade de energia é menor que para petróleo e carvão, certo? E assim todos poderm estar no mínimo felizes por ver uma mudança do carvão ou petróleo para o gás natural. Mas, se é assim e isso se torna a razão pela qual os renováveis não obtêm investimentos, então, no longo prazo, estamos danados de qualquer forma, certo?
TBP: Bem, não estou pronto para desistir, mas Jim e eu conversamos quando ele se retirava, e eu disse: "O que você acha do gás natural?" E ele disse: "Bem, é um combustível ponte, é isso que é." Eu disse: "Ponte para quê? Para onde vamos?" Veja, novamente, eu lhe disse, não tenho que me preocupar com isso. Todos vocês têm.
CA: Mas não acho que isso seja certo, Boone. Acredito que você é uma pessoa que acredita em seu legado. Você ganhou o dinheiro que precisava. Você é uma das poucas pessoas numa posição de realmente sutentar o debate. Você apoia a ideia de algum tipo de taxa para o carbono? Isso faz sentido?
TBP: Não gosto disso porque acaba sendo o governo a controlar o programa. Posso dizer que será um fracasso. O governo não tem sucesso nessas coisas. Simplesmente não tem, é um mau negócio. Veja Solyndra, ou o que quer que fosse. Quero dizer, foi dito que era uma má ideia 10 vezes, foram adiante e o fizeram mesmo assim, Mas aquilo só fez estourar 500 milhões. Penso que está mais próximo de um bilhão. Mas Chris, pense que para onde nos encaminhamos, no longo prazo, não me importo de voltar à energia nuclear. E posso lhe dizer como a última página do relatório que eles levarão cinco anos para escrever será. Um, não construa um reformador sobre uma falha geológica. (Risadas) E, número dois, não construa um reformador no oceano. E agora acho que reformadores são seguros. Traga-os para terra firme, em terreno muito estável, e construa os reformadores. Não há nada errado com o nuclear. Vocês terão que ter energia. Não se questiona. Vocês não podem - certo.
CA: Uma das questões do público é, com a perfuração e o processamento do gás natural, como fica o problema de vazamento de metano, já que o metano é pior para o aquecimento global que o CO2? Isso é uma preocupação?
TBP: Perfuração? O que é perfuração?
CA: Tivemos uma ligeira incompatibilidade de sotaques aqui, sabe.
TBP: Não, deixe-me contar, disse-lhe qual era a minha idade, saí da escola em 51. Vi meu primeiro trabalho de perfuração na fronteira do Texas, em 1953. A perfuração surgiu em 47, e não acredito nem por um minuto, quando nosso presidente se levanta e diz que o Departamento de Energia, 30 anos atrás, desenvolveu a perfuração. Não sei de que diabos ele está falando. Sério, o Departamento de Energia não teve nada a ver com a perfuração. O primeiro trabalho de perfuração foi em 47. Vi meu primeiro em 53. Perfurei mais de 3.000 poços em minha vida. Nunca tive um problema como danificar um aquífero ou qualquer outra coisa. O maior aquífero na América do Norte vai de Midland, Texas, à fronteira de South Dakota, através de oito estados -- grande aquífero: Ogallala, era do Triássico. Houve 800.000 poços perfurados em Oklahoma, Texas, Kansas naquele aquífero. Não há problemas. Não entendo por que a mídia está focada no leste da Pennsylvania.
CA: Certo, então você não apoia nenhum tipo de taxa sobre o carbono ou um preço sobre o carbono. Então, suas projeções, eu acho, de como o mundo finalmente se livra de combustíveis fósseis são que, em última análise, através da inovação, um dia tornaremos o custo da energia solar e nuclear competitivos?
TBP: Solar e eólica, Jim e eu concordamos nisso em 13 segundos. Isto é, vai ser uma pequena parte, porque você não pode depender disso.
CA: Então como o mundo se livra dos combustíveis fósseis?
TBP: Como chegamos lá? Temos tanto gás natural, que não chegará o dia em que você dirá: "Bem, não vamos mais usar isso." Você continuará usando. É o mais limpo de todos. E se você olha para a Califórnia, eles usam 2.500 ônibus. LAMTA tem usado gás natural por 25 anos. A Ft. Worth T tem usado por 25 anos. Por quê? Qualidade do ar foi a razão por que usaram gás natural e se livraram do diesel. Por que todos os caminhões de lixo, hoje, no sul da Califórnia, usam gás natural? É por causa da qualidade do ar. Sei o que você está me dizendo e não estou discordando de você. Como, diabos, nos livramos do gás natural num dado momento? Digo que esse é um problema de vocês.
CA: Certo, então é o combustível ponte. O que está no outro lado dessa ponte é para este público descobrir. Se alguém vier a você com um plano que realmente pareça ser parte dessa solução, você está pronto a investir nessas tecnologias, mesmo que não estejam maximizadas para lucros, elas poderiam ser maximizadas para a saúde futura do planeta?
TBP: Perdi 150 milhões com a energia eólica, ok. Sim, com certeza, estou no jogo. Porque, novamente, estou tentando tentando resolver o problema da energia para a América. E qualquer coisa americana funcionará comigo.
CA: Boone, de fato, realmente agradeço sua vinda aqui, sua participação nesta conversa. Acho que há muitas pessoas que vão querer engajar-se com você. E este foi mesmo um presente que você deu a este público. Muito obrigado. (TBP: Pode apostar, Chris. Obrigado.)
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Os EUA consomem 25% do petróleo do mundo - mas como o magnata do ramo de energia T. Boone Pickens destaca no palco, o país não tem política de energia para se preparar para o inevitável. Seria a energia alternativa nossa ponte para um futuro livre do petróleo? Depois de perder US$ 150 milhões investindo em energia eólica, Pickens sugere que não, ainda não. O que nos faria chegar lá? Gás natural. Após a palestra, assista a uma seção de Perguntas e Respostas com o curador do TED Chris Anderson.
A legendary oil and gas entrepreneur, T. Boone Pickens is now on a mission to enhance U.S. energy policies to lessen the nation’s dependence on OPEC oil. Full bio »
Translated into Portuguese, Brazilian by Isabel Villan
Reviewed by Mariangela Andrade Praia
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09:48 Posted: May 2010
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09:54 Posted: Dec 2009
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16:42 Posted: Jul 2009
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