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Como cultura, nós contamos muitas histórias sobre o futuro, e para onde podemos seguir a partir deste ponto. Algumas dessas histórias dizem que alguém vai resolver tudo por nós. Outras histórias dizem que tudo está a ponto de dar errado.
Mas eu quero contar uma história diferente hoje. Como todas histórias, ela tem um começo. Meu trabalho, por muito tempo, envolve educação, ensinando a pessoas habilidades práticas para sustentabilidade, ensinando pessoas a serem responsáveis por plantarem parte do que comem, como construir prédios usando materiais locais, como gerar sua própria energia, etc.
Eu morei na Irlanda, construí as primeiras casas de fardos de feno no país e algumas casas de adobe e esse tipo de coisa. Mas meu trabalho por muitos anos foi focado na ideia que sustentabilidade basicamente significa olhar para o modelo de crescimento econômico globalizado, e moderar o que entra em uma das pontas, e moderar os resultados da outra ponta. E então eu descobri um jeito de olhar para as coisas que realmente mudou tudo profundamente.
E para mostrá-los este modelo, eu tenho algo aqui que vou revelar, que é uma das grandes maravilhas da era moderna. E é algo tão espantoso e surpreendente que talvez enquanto eu removo o pano um suspiro de assombro seria apropriado. Se vocês podessem me ajudar com isso seria fantástico. (Risos) Isto é um litro de óleo.
Esta garrafa de óleo, destilada por centenas de milhões de anos geológicos, luz do Sol antiga, contém a energia do equivalente a cinco semanas de trabalho manual pesado -- equivalente a 35 pessoas fortes trabalhando para você. Podemos transformar isso em uma impressionante variedade de materiais, remédios, vestuário moderno, laptops, uma variedade de coisas. E nos dá um retorno de energia jamais imaginado. Nós baseamos o desenho de nossas cidades, nossos modelos econômicos, planos de transporte, até a ideia de crescimento econômico, alguns diriam, na crença de que teremos isto para sempre.
Porém, temos que dar um passo para trás e olhar no curso da história para o que chamamos de intervalo do petróleo, é um curto período na história onde descobrimos este material extraordinário, e então construímos uma forma de viver em função dele. Mas ao ocuparmos o topo desta montanha de energia, neste estágio, nós partimos de um ponto onde nosso sucesso econômico, nosso senso de valor e bem-estar individual está diretamente ligado ao quanto disto consumimos, para o ponto onde o grau de nossa dependência do óleo é nosso grau de vulnerabilidade.
E é cada vez mais claro que nós não vamos poder confiar no fato de que nós teremos isto ao nosso dispor para sempre. Para cada quatro barris de óleo que consumimos nós só descobrimos um. E o número continua a crescer. E há também o fato de que a quantidade de energia que recuperamos do óleo que descobrimos está caindo. Na década de 1930, conseguíamos 100 unidades de energia para cada unidade investida na extração. Algo sem precedentes. Esta relação já caiu para 11 unidades. E é por isso que, agora, os novos avanços, as novas fronteiras em termos de extração de óleo estão crescendo em Alberta, ou no fundo dos oceanos.
Existem 98 nações que produzem óleo no mundo. Mas destas, 65 já ultrapassaram seu pico. No momento que o mundo em média ultrapassar este pico, as pessoas se perguntam quando isso irá acontecer. E existe uma crescente impressão de que talvez seja o que aconteceu julho passado quando o preço do óleo estava tão alto.
Mas será que o mesmo brilhantismo e criatividade e adaptabilidade que nos levou ao topo da montanha de energia irá de alguma forma misteriosamente evaporar quando tivermos que desenvolver uma maneira criativa para descer para o outro lado? Não. Mas o que temos que inventar tem que se basear numa avaliação realista de onde estamos.
Há também a questão das mudanças climáticas, que é outro fato que sustenta essa abordagem de transição. Mas o que eu noto quando falo com cientistas do clima, é o crescente olhar de pavor que eles têm em seus olhos, à medida que os dados são computados, que estão muito além do que o IPCC vem falando. O IPCC disse que poderemos ver uma quebra significativa do gelo ártico em 2100, na pior das hipóteses. Na verdade, se as tendências atuais continuarem, poderia desaparecer em cinco ou dez anos. Se apenas 3% do carbono alojado no permafrost do ártico for liberado à medida que o mundo fica mais quente, isso iria equivaler a toda a economia que temos que fazer, em carbono, ao longo de 40 anos para evitar uma drástica mudança climática. Não temos outra escolha a não ser a urgente "descarbonização".
Mas sempre me interessei em pensar em quais serão as histórias que as gerações futuras irão contar sobre nós, a geração que viveu no topo da montanha, que se divertiu tanto e abusou de sua herança. E uma das maneiras que gosto de fazer isso é olhar para as histórias que as pessoas contavam antes de termos óleo barato, antes dos combustíveis fósseis, e pessoas contavam com sua própria força e energia dos animais, ou um pouco de energia do vento ou da água.
Tínhamos histórias como "As Botas de Sete Léguas": em que o gigante que tinha as botas, quando as calçava, a cada passo que dava conseguia andar sete léguas, ou 34 km, um tipo de viagem impossível de imaginar para pessoas sem aquele tipo de energia à disposição.
Histórias como "A Panela Mágica de Mingau", em que se tinha uma panela que, se você soubesse as palavras mágicas, faria toda a comida que você quisesse, sem que você tivesse que trabalhar, desde que você se lembrasse da outra palavra mágica para parar de fazer mingau. Senão você inundaria a cidade toda com mingau de aveia.
Tem a história "Os Duendes e o Sapateiro". Os sapateiros vão dormir e, ao acordarem de manhã, descobrem que os sapatos estavam prontos, de forma mágica. Era algo inimaginável para as pessoas da época.
Agora temos as botas de sete léguas na forma de Ryanair e Easyjet. Temos o pote mágico de aveia na forma de Walmart e Tesco. E temos os duendes na forma da China. Mas não percebemos que coisa surpreendente isso foi.
E quais são as histórias que contamos a nós mesmos agora, ao olharmos para frente e vermos para onde estamos indo. E eu diria que há quatro. Existe a ideia de "negócios como sempre", que o futuro será como o presente, só um pouco mais do mesmo. Mas como vimos no ano passado, é uma ideia que vem sendo questionada a cada dia. E em termos de mudanças climáticas, é algo que não é muito viável.
Existe a ideia de bater contra o muro, de que tudo é na verdade tão frágil que talvez vá tudo por água abaixo. É uma história popular em alguns lugares. A terceira história é que a tecnologia pode resolver tudo, e de alguma forma vai nos ajudar a atravessar este estágio.
E é uma ideia que acredito ser predominante nesses TEDtalks, de que podemos inventar algo para sair de uma profunda crise econômica e de energia, que uma mudança para uma economia de conhecimento pode de alguma forma evitar as restrições de energia, a ideia de que descobriremos alguma nova fonte de energia fabulosa que poderá acabar com todas as preocupações sobre segurança de energia, a ideia de que podemos entrar sem problemas em um mundo completamente renovável.
Mas o mundo não é o Second Life. Não podemos criar novos terrenos e sistemas de energia com um clique. E ao mesmo tempo que estamos aqui sentados trocando ideias, existem pessoas extraindo carvão para alimentar os servidores, extraindo minerais para fazer todas essas coisas. O café-da-manhã que tomamos enquanto lemos nossos emails pela manhã ainda é transportado por grandes distâncias, às custas dos sistemas de comida locais e mais resilientes que teriam fornecido alimento no passado, os quais desvalorizamos e desmantelamos de maneira tão eficiente.
Podemos ser incrivelmente engenhosos e criativos. Mas vivemos num mundo com restrições e demandas bem reais. Energia e tecnologia não são a mesma coisa. Eu estou envolvido na "resposta de Transição". Isso significa basicamente encarar de frente os desafios do pico da extração de óleo e mudanças climáticas, e responder com a criatividade, adaptabilidade e imaginação que nós realmente precisamos. É algo que se espalhou de forma incrivelmente rápida. E algo que tem diversas características.
É viral. Parece espalhar-se de forma despercebida muito rapidamente. É um código aberto, algo que todos que estão envolvidos desenvolvem e passam adiante enquanto vão trabalhando. E organiza-se por si só. Não existe uma organização central que faz o trabalho: as pessoas pegam uma ideia e a colocam em prática, implementando-a onde estão. É focado em soluções e voltado para o que as pessoas podem fazer onde estiverem, para responder a isso. É sensível à localização, e à escala.
A transição é completamente diferente. Grupos de transição no Chile, nos EUA ou aqui, o que fazem é bem diferente em cada lugar que vamos. Eles aprendem muito com seus erros. E há um sentimento histórico. Tenta-se criar um sentido de que essa é uma oportunidade histórica de fazer algo realmente extraordinário. E é um processo muito prazeroso. As pessoas se divertem muito, reconectando-se a outras pessoas à medida que o fazem. Algo que sustenta isso é a ideia de resiliência.
E acredito que de várias maneiras, essa ideia é um conceito mais útil do que a ideia de sustentabilidade. A ideia de resiliência vem do estudo da ecologia. E tem a ver com como sistemas e assentamentos recebem o impacto de fora. Quando encontram o impacto de fora e simplesmente não se destroem ou despedaçam. E acho que é um conceito mais útil do que sustentabilidade.
Quando os supermercados têm somente dois ou três dias de comida estocados a qualquer momento, muitas vezes a sustentabilidade tende a focar na eficiência enérgetica das geladeiras e embalagens nas quais os alfaces estão embrulhados. Olhando pela lente da resiliência, nos perguntamos como nós chegamos numa situação que é tão vulnerável. Resiliência é muito mais profunda: é implantar módulos no que fazemos, proteções na maneira em que organizamos as coisas básicas que nos sustentam.
Esta é uma foto da Associação dos Plantadores do Distrito de Bristol, em 1897. Foi numa época em que a cidade de Bristol, que fica bem perto daqui, era rodeada de pequenas plantações comerciais, que ofereciam significativas quantidades de comida consumida na cidade e que também geravam muitos empregos. Havia um grau de resiliência naquela época que agora só podemos olhar com certa inveja.
Então, como essa ideia de transição funciona? Basicamente você tem um grupo de pessoas entusiasmadas pela ideia. Elas pegam algumas ferramentas que desenvolvemos. Começam um programa para aumentar a conscientização vendo como isso pode funcionar na cidade. Mostram filmes, fazem palestras, etc. É um processo divertido e criativo e informativo. Então começam a formar grupos de trabalho, olhando para diferentes aspectos, e daí surgem diversos outros projetos e então o próprio projeto de transição começa a apoiar e facilitar.
Começou como um trabalho que fiz na Irlanda, onde eu lecionava, e foi se espalhando desde então. Existem agora mais de 200 projetos de transição formais. E existem milhares no estágio de "pensamento". Pensando se vão levar o projeto adiante. E na verdade muitos deles estão fazendo várias coisas. Mas o que eles realmente fazem? É uma ideia legal, mas o que eles realmente fazem na prática?
Bem, acho importante salientar que na verdade isso não é algo que se faz por si só. Precisamos de legislação internacional de Copenhague, entre outras coisas. Precisamos de respostas nacionais e dos governos locais. Mas todas essas coisas vão ser muito mais fáceis se existirem comunidades entusiasmadas e contribuindo com ideias. E liderando o caminho, fazendo políticas tornarem-se possíveis nos próximos 5 ou 10 anos.
Algumas coisas que surgem disso são projetos de comida locais, como esquemas de agricultura sustentada pela comunidade, plantações urbanas, criação de diretórios locais de comida, etc. Muitos lugares estão começando a criar suas próprias companhias de energia, companhias de energia da própria comunidade, onde a comunidade investe dinheiro nela própria, e começa a construir a infraestrutura de energia renovável que precisamos. Muitos lugares trabalham com as escolas locais. Newent em Forest of Dean: construíram túneis de polietileno para a escola. As crianças estão aprendendo a plantar comida. Promovendo reciclagem, coisas como "compartilhamento de jardins". que junta passoas que não têm um jardim com gente que quer plantar comida e possuem jardins ociosos. Plantando árvores frutíferas em espaços urbanos. E também começando a pensar na ideia de moedas alternativas.
Esta é Lewes, em Sussex, que recentemente lançou a Libra Lewes, uma moeda que só pode ser usada dentro da cidade, como uma maneira de circular dinheiro dentro da economia local. Em outros lugares a moeda não vale nada. Mas dentro da cidade você começa a criar ciclos econômicos muito mais eficientes.
Outra coisa que fazem é o plano de desaceleração da energia. Que consiste, basicamente, em desenvolver um plano B para a cidade. A maioria das nossas autoridades, quando sentam para planejar para os próximos 5, 10, 15, 20 anos de uma comunidade ainda partem do pressuposto de que teremos mais energia, mais carros, mais casas, mais trabalhos, mais crescimento, etc. Como ficamos se este não for o caso? E como podemos aceitar isso e e de fato criar algo que pudesse ajudar a sustentar todo mundo? Como um amigo meu diria: "A vida é uma série de coisas para as quais você não está preparado." E esta tem sido minha experiência com transição há três anos, que de apenas uma ideia tornou-se algo que praticamente se espalhou pelo mundo todo. O governo tem se interessado por isso. Ed Miliband, o Ministro de Energia da Inglaterra, foi convidado para uma conferência nossa como um importante ouvinte. E ele ouviu -- (Risos) (Aplausos) -- e desde então tornou-se um grande defensor da ideia.
Existem duas autoridades locais neste país que se declararam autoridades locais de transição, em Leicestershiere e Somerset. E em Stroud, o grupo de transição escreveu o plano de alimentação do governo local. E o chefe do conselho disse: "Se não tivéssemos o Transition Stroud, teríamos que bolar toda a infraestrutura da comunidade pela primeira vez." À medida que isso se espalha, vemos centros nacionais surgindo.
Na Escócia, o fundo de mudança climática do governo escocês fundou o Transition Scotland como uma organização nacional apoiando o trabalho. E vemos isso por todos os lugares agora. Mas a chave para a transição não é pensar que temos que mudar tudo agora, mas sim que as coisas já estão inevitavelmente mudando, e o que precisamos fazer é trabalhar de forma criativa com isso, sabendo fazer as perguntas certas.
E gostaria de voltar neste final à ideia de histórias. Acho que histórias são vitais aqui. E na verdade as histórias que contamos a nós mesmos, temos uma grande defasagem de histórias sobre como seguir adiante daqui. E uma das coisas chave que a transição faz é revelar histórias do que as pessoas estão fazendo. Histórias sobre a comunidade que produziu sua própria nota de 21 libras, por exemplo, a escola que transformou o estacionamento em uma pequena plantação, a comunidade que criou sua própria companhia de energia. E para mim, uma das melhores foi a família Obama cavando o gramado sul da Casa Branca para criar sua plantação. Porque a última vez que isso foi feito, com Eleanor Roosevelt, levou à criação de 20 milhões de plantações em jardins nos EUA.
Então a questão que eu quero deixar com vocês é -- levando em conta todas as coisas que suas comunidades precisam para terem sucesso, como isso pode ser feito de tal maneira que reduza dramaticamente a emissão de carbono, ao mesmo tempo que aumenta a resiliência?
Pessoalmente, fico muito agradecido por ter vivido na época do óleo barato. Tive uma sorte incrível, nós tivemos uma sorte incrível. Mas vamos honrar o que conseguimos adquirir e seguir adiante deste ponto. Porque se continuarmos a depender disso e pressupor que isso sustenta nossas escolhas, o futuro que nos é apresentado é realmente inviável. E ao amar e deixar tudo o que o óleo fez por nós e o que a era do óleo fez por nós, poderemos então começar a criação de um mundo que é mais resiliente, com mais alimento, e no qual nos vemos mais em forma, com mais habilidades e mais conectados uns aos outros. Muito obrigado. (Aplausos)
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Rob Hopkins nos lembra que o óleo do qual o mundo depende tanto está acabando. Ele propõe uma solução única para o problema -- a "reação de Transição", onde nos preparamos para uma vida sem óleo e sacrificamos nossos luxos para construir sistemas e comunidades que são completamente independentes de combustíveis fósseis.
Rob Hopkins is the founder of the Transition movement, a radically hopeful and community-driven approach to creating societies independent of fossil fuel. Full bio »
Translated into Portuguese, Brazilian by Fers Gruendling
Reviewed by Stéfano Johann
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By loving and leaving all that oil has done for us … we are able to then begin the creation of a world which is more resilient, more nourishing, and in which we find ourselves fitter, more skilled and more connected to each other.” (Rob Hopkins)
18:10 Posted: Nov 2007
Views 396,569 | Comments 107
19:44 Posted: May 2007
Views 611,346 | Comments 191
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