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Rachel Armstrong: Arquitetura que se auto restaura?

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Todas as edificações atualmente tem algo em comum. São feitas usando tecnologias Vitorianas. Isso envolve plantas arquitetônicas, manufatura industrializada e construção utilizando equipes de trabalhadores. Todo esse esforço resulta em um objeto inerte. E isso significa que há uma transferência de via única de energia do meio ambiente para nossas casas e cidades. Isso não é sustentável. Creio que a única maneira possível de construir casas e cidades verdadeiramente sustentáveis é conectando-as à natureza, não as isolando dela.

Agora, para fazermos isso, precisamos do tipo de linguagem adequado. Sistemas vivos estão em diálogo constante com o mundo natural, através de séries de reações químicas chamadas de metabolismo. Isto é, a conversão de um grupo de substâncias em outro, seja através da produção ou absorção de energia. E é dessa forma que os materiais vivos aproveitam ao máximo os recursos a sua volta de maneira sustentável. Portanto, estou interessada no uso de materiais metabólicos para a prática da arquitetura. Mas ele não existem. Então eu tenho de produzí-los.

Estou trabalhando com o arquiteto Neil Spiller na Bartlett School of Architecture. E estamos colaborando com cientistas internacionais para criar esses novos materiais numa abordagem ascendente. Isso significa que estamos criando do "zero". Um dos nossos colaboradores é o químico Martin Hanczyz, e ele está realmente interessado na transição do material inerte para o vivo. Agora, é exatamente nesse tipo de processo que estou interessada, quando pensamos a respeito de materiais sustentáveis.

Bem, Martin trabalha com um sistema chamado Protocélula. E isso se resume - o que é mágico - a uma pequena bolsa gordurosa. E há uma bateria química nela. Ela não possui DNA. Essa pequena bolsa é capaz de se portar de uma maneira que só pode ser descrita como 'viva'. Ela é capaz de se movimentar. Ela pode seguir gradientes químicos. Pode passar por reações complexas, algumas das quais são felizmente arquitetônicas. Aí estão. Essas são as protocélulas, modelando o seu meio. Ainda não sabemos como elas fazem isso. Aqui, essa é uma protocélula, e está vigorosamente se desfazendo da sua pele. Isso parece um tipo químico de nascimento. É um processo violento.

Aqui, temos uma uma protocélula extraindo dióxido de carbono da atmosfera para transformá-lo em carbonato. E aquela é a concha ao redor daquele glóbulo de gordura. São muito frágeis. Por isso só temos parte de um ali. O que estamos tentando fazer é: empurrar essa tecnologia no sentido de criar abordagens ascendentes de construção para arquitetura, que contrastam com a abordagem atual, Vitoriana, descendente, a qual impõe a estrutura sobre a matéria. Isso não pode ser energeticamente sensível.

Na verdade, materiais ascendentes existem atualmente. Eles tem sido usados, na arquitetura, desde a antiguidade. Se você der uma volta pela cidade de Oxford, onde estamos hoje, e observar os muros, o que eu tenho curtido fazer nos últimos dias, você vai notar que muitos são feitos de limestone. E se você olhar mais de perto, verá que naquele limestone, há pequenas conchas e pequenos esqueletos empilhados uns sobre os outros. Estão fossilizados há milhões de anos.

Bom, um bloco de limestone, por si só, não é particulamente interessante. É bonito. Mas imagine quais seriam as propriedades desse limestone se as superfícies na verdade estivessem em diálogo com a atmosfera. Talvez pudessem extrair dióxido de carbono. Isso daria ao bloco de limestone novas propriedades? Bem, provavelmente sim. Ele poderia crescer. Poderia se auto restaurar e até mesmo reagir a mudanças dramáticas em seu próprio ambiente.

Então, arquitetos nunca estão felizes com apenas um bloco de algum material interessante. Eles pensam grande, ok? Assim, quando pensamos na larga utilização de materiais metabólicos, podemos começar a pensar em intervenções ecológicas como reparação de atóis ou recuperação de partes de uma cidade que estão danificadas pela água. Assim, um desses exemplos seria, evidentemente, a histórica cidade de Veneza. Veneza, como se sabe, tem uma relação tempestuosa com o mar, e é construída sobre estacas de madeira. Então inventamos uma maneira pela qual pode ser possível, para a tecnologia de protocélula com que temos trabalhado, sustentavelmente recuperar Veneza. E o arquiteto Christian Kerrigan tem feito uma série de projetos que nos mostra como seria possível de fato crescer um recife de limestone sob a cidade.

É essa a tecnologia que temos hoje. Essa é a nossa tecnologia de protocélula, efetivamente criando uma concha, como seu predecessor limestone, e a depositando num ambiente complexo, junto com materiais naturais. Estamos olhando as estruturas cristalinas para ver seu processo de ligação. Essa é uma parte muito interessante. Não queremos apenas limestone jogado naqueles canais maravilhosos. O que precisamos é que ele seja criativamente trabalhado ao redor das estacas de madeira.

O que se pode ver nesse diagrama é que a protocélula está na verdade se afastando da luz, em direção às fundações escuras. Observamos isso no laboratório. As protocélulas podem se afastar da luz. Podem até mesmo se aproximar da luz. Você precisa apenas escolher sua espécie. Elas não existem como uma única entidade, nós meio que as projetamos quimicamente. Então aqui as protocélulas estão depositando seu limestone muito especificamente, ao redor das fundações de Veneza, petrificando-as efetivamente.

Agora, isso não vai acontecer amanhã. Vai levar um tempo. Levará anos de otimização e monitoração dessa tecnologia para que estejamos prontos para testá-la caso-a-caso nas construções mais danificadas e stressadas dentro da cidade de Veneza. Mas gradualmente, conforme os prédios forem restaurados, veremos o crescimento de recifes de limestone sob a cidade. O crescimento por si só é um enorme depósito de dióxido de carbono. Também irá atrair a diversidade marinha local que encontrará seu nicho ecológico dentro dessa arquitetura.

Portanto, isso é muito interessante. Agora temos uma arquitetura que conecta a cidade ao mundo natural de uma maneira muito direta e imediata. Mas talvez a coisa mais empolgante sobre isso é que o propulsor dessa tecnologia está disponível em todo lugar. É a química terrestre. Todos temos isso. O que significa que essa tecnologia é tão apropriada para os países em desenvolvimento quanto o é para os países de primeiro mundo. Então, resumindo, estou gerando materiais metabólicos como contrapeso a tecnologias Vitorianas, e construindo arquitetura numa abordagem ascendente.

Em segundo lugar, esses materiais metabólicos tem algumas propriedades dos sitemas vivos, o que significa que eles podem trabalhar de maneiras semelhantes. Podemos esperar que tenham muitas formas e funções dentro da prática da arquitetura. E finalmente, um observador no futuro maravilhado com uma bela estrutura no meio ambiente, possa achar praticamente impossível dizer se essa estrutura foi criada por um processo natural ou por um processo artificial. Obrigada. (Aplausos)

About The Speaker

TED Fellow Rachel Armstrong is a sustainability innovator who creates new materials that possess some of the properties of living systems, and can be manipulated to "grow" architecture.
Full bio and more links

About This Talk

Veneza, na Itália, está afundando. Para salvá-la, Rachel Armstrong diz que precisamos superar a arquitetura baseada em materiais inertes e, digamos, fazer arquitetura que se recria. Ela propõe um material praticamente vivo que faz sua própria restauração e que também seqüestra carbono.

Translated into Portuguese (Brazil) by Maurício Silva
Reviewed by Rafael Eufrasio
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