Então, eu estou no Chile, no deserto de Atacama, sentado no lobby de um hotel, porque esse é o único lugar em que eu consigo uma conexão Wi-Fi, e eu tenho essa foto na minha tela, e uma mulher chega atrás de mim. Ela diz, "Oh, que bonito. O que é? É obra de Jackson Pollock?" E infelizmente, às vezes sou honesto demais. Eu disse, "Não -- isso é merda de penguim".
E, você sabe, "Desculpe!" E eu podia sentir que ela pensou que eu estava falando metaforicamente.
Eu disse, "Não, não, sério -- é merda de penguim."
Porque eu tinha estado recentemente nas Ilhas Malvinas tirando fotos de penguins. Este é um penguin Gentoo. E ela continuava desconfiada. Alguns minutos antes daquilo, eu baixei este artigo científico sobre cálculos da defecação aviária. O que é realmente interessante, porque aparentemente você pode modelar isso como algo chamado "fluxo de Poiseuille", e você pode aprender bastante sobre a física do reto aviário. Na verdade, tecnicamente, não é um reto. É chamado de cloaca.
Nesse ponto, ela me para, e diz, "Quem é você? "O qu -- o que você faz?" Eu não sabia o que dizer, porque eu não tinha nenhum jeito de descrever o que eu faço. E então, de certa forma, a palestra de hoje é minha resposta a isso. É uma seleção de uma série de coisas que eu faço. E é muito difícil para eu entender isso, então não sei se vocês conseguirão. É o tipo de coisa que eu sento à noite pensando, às vezes -- frequentemente às 4 da manhã.
Algumas pessoas tem medo do que eu faço. Algumas pessoas pensam que eu sou um Tony Soprano nerd. E em resposta, eu comprei um protetor de bolso à prova de bala. Não sei o que esssas pessoas pensam, porque eu não falo norueguês.
Mas eu não acho que "monsteret" seja boa coisa. Eu não sei, sabe? Então, uma das coisas que eu amo fazer é viajar pelo mundo e olhar sítios arqueológicos. Porque a arqueologia nos dá uma oportunidade de estudar civilizações passadas e ver onde elas tiveram sucesso e onde falharam. De usar a ciência para, sabe, fazer uma engenharia reversa e dizer, "No que eles estavam pensando?"
E eu recentemente estive na Ilha de Páscoa, que é um lugar incrivelmente bonito, e um lugar incrivelmente misterioso, porque não importa onde você vá na Ilha de Páscoa, você se depara com essas estátuas, chamadas moai. Este lugar tem 165 km². Eles fizeram, pelo que sabemos, 900 delas. Por quê? E se vocês não leram o livro de Jared Diamond, "Colapso", Eu recomendo que vocês leiam. Ele tem um ótimo capítulo sobre isso. Basicamente, essas pessoas cometeram suicídio ecológico para fazer mais dessas estátuas. E em algum lugar nesse caminho, alguém disse, "Já sei! Vamos cortar a última árvore e cometer suicídio, porque precisamos de mais estátuas idênticas".
E -- uma coisa que não é um mistério, na verdade, é que quando eu cresci, porque quando eu era pequeno, eu tinha visto essas fotos, e eu pensei, "Bem, por que esse olhar na face? Por que a sobrancelha?" É uma coisa tão poderosa. Onde eles conseguiram essa inspiração? E então eu conheci Yoyo, que é o guia Rapa Nuia nativo, e se você olhar para a cara de Yoyo, você meio que entende de onde eles tiraram isso.
Essas estátuas têm muitos mistérios. Todos querem saber, como eles as construíram, como eles as transportaram? Essa mulher em primeiro plano é Jo Anne Van Tilberg. Ela é a principal arqueologista trabalhando na Ilha de Páscoa atualmente. E ela estudou essas estátuas por 20 e poucos anos, e ela tem registros detalhados de cada uma delas. Essa na página aqui é a mesma de lá de cima. Um problema interessante é que a pedra não é muito dura. Então isso costumava ser completamente liso. De fato, muitas das estátuas, quando você as escava, as costas estão totalmente lisas -- quase como vidro. Mas depois de 1000 anos expostas ao clima, elas ficam assim.
Jo Anne e eu recentemente embarcamos em um projeto para digitalizá-las, e vamos fazer uma digitalização de altíssima resolução, primeiro porque é uma maneira de preservá-las. Segundo, porque temos ideias sobre como, de forma algorítimica, aprender alguns dos mistérios sobre elas. Por quanto tempo elas ficaram em quais posições? E talvez, indiretamente, descobrir o que fez elas serem do jeito que são. Enquanto eu estava na Ilha de Páscoa, Comet McNaught estava lá também, então, aqui está uma foto despropositada de um moai com um cometa.
E eu também tenho um projeto arqueológico em andamento no Egito. "Em andamento" é um pouco forte, talvez. Nós estamos tentando conseguir todas as permissões para conseguir tudo direito, para poder iniciar. Então, eu falarei sobre isso num TED futuro. Mas há oportunidades impressionantes no Egito também. Outra coisa que eu faço é inventar coisas. Na verdade, eu projeto reatores nucleares. Não é piada. Este é o convencional ciclo de combustível nuclear. A linha vermelha é o que é feito na maioria dos reatores nucleares. É chamado de ciclo de combustível aberto. As linhas brancas são o que chamamos de ciclo avançado, em que você reprocessa.
Essa é a maneira normal com que é feito. Sua enorme vantagem é que ela não cria poluição por carbono. Ela tem um monte de desvantagens -- cada um dos passos é extremamente caro e potencialmente perigoso e eles têm a interessante propriedade de que cada passo não pode ser feito no jardim de qualquer um, o que é um problema. Então, nosso reator elimina esses passos, que, se você puder fazer funcionar, é uma coisa muito legal. Agora, é um pouco maluco trabalhar num novo reator nuclear. Não há -- nenhum reator foi construído baseado em um design antigo, muito menos em um novo, nos EUA por 25 anos. É esse tipo de coisa de altíssimo risco, mas potencialmente de altíssimo retorno que fazemos.
Mudando para um campo totalmente diferente, nós trabalhamos muito com física do estado sólido, particularmente em uma área chamada metamateriais. Um metamaterial é um material artificial, que manipula, neste caso, radiação eletromagnética, de uma forma única. Esse aparato aqui é um manto de invisibilidade. Pode não parecer, mas se você fosse uma microonda, é assim que você o veria. Raios de luz -- neste caso, luz em microondas -- vêm, e elas se apertam em torno da célula, e elas voltam do outro lado. Você poderia fazer isso com espelhos por um ângulo. A parte legal é que isso o faz por todos os ângulos. Metamateriais, infelizmente -- A, funcionam apenas com microondas, e B, ainda não funcionam tão bem assim. Mas os metamateriais são um campo incrivelmente empolgante. É -- você sabe, hoje eu gostaria de dizer que é um negócio de zero bilhões de dólares, mas, de fato, é negativo. Mas algum dia, algum dia, talvez funcione.
Nós trabalhamos muito em campos biomédicos. Neste caso, estamos trabalhando com uma grande fundação médica para desenvolver maneiras baratas de diagnosticar doenças em países em desenvolvimento. Dizem que os olhos são as janelas da alma -- na verdade, eles são uma janela para um monte de outras coisas. E -- esses são os meus olhos, por sinal.
Eu também me interesso muito por culinária. Enquanto estava na Microsoft, eu tirei uma licença e estudei numa escola de chefs na França. Eu trabalhava, quando ainda estava na Microsoft, em um dos principais restaurantes de Seattle, então eu cozinho bastante. E estive num time que ganhou o campeonato mundial de churrasco. Mas o churrasco é interessante, porque é uma dessas comidas cult como o chili, ou bouillabaisse. Vários lugares tem uma comida cult a que as pessoas se apegam bastante. Existem tradições enormes, há segredos, e eu estou tentando usar uma abordagem científica. Este é meu último aparelho de cozinhar, e se parece mais complicado do que o reator nuclear, é porque ele é. Mas se você brincar com todos esses botões e manivelas -- e é claro, o controlador faz isso tudo através de software -- você pode fazer costelas maravilhosas.
Esta é uma centrífuga de alta velocidade. Todos vocês deveriam ter uma na cozinha ao lado de seu Turbochef. Isto submete a comida a uma força de cerca de 50.000 vezes à da gravidade normal, e isso realmente melhora o caldo de galinha caseiro. Vocês não acreditariam! Eu opero uma série de experimentos macabros nas comidas -- neste caso, tentando calibrar um modelo matemático para que qualquer um possa predizer qual é o tempo necessário para cozimento. Acontece que, A, é útil, e para um geek como eu, é divertido. A teoria é vermelha, o experimento é preto. Ou eu sou muito bom em enganar, ou -- ou este modelo em particular parece funcionar.
Outra coisa peculiar que faço é a procura por inteligência extraterrestre, ou SETI. E vocês devem conhecer o filme "Contato", que meio que popularizou isso. Há pessoas reais que trabalham na busca por extraterrestres de forma muito científica. De fato, quase todos no filme são baseados num personagem real, uma pessoa real. A personagem de Jodie Foster aqui é na verdade esta mulher, Jill Tarter, e Jill tem dedicado sua vida a isto. Você sabe, um monte de pessoas arrisca a vida em um breve ato de heroísmo, o que é legal, mas Jill tem o que eu chamo de heroísmo lento. Ela está arriscando sua vida profissional em algo que seus próprios cálculos mostram que pode não funcionar por mil anos -- ou nunca. Eu gosto de dar suporte a pessoas que arriscam suas vidas.
Depois que o filme saiu, claro, houve muito interesse no SETI. Meus filhos viram o filme, e depois eles vieram para mim e disseram, "Então, pai, então -- aquela personagem -- é Jill, certo?" Eu disse, "Sim, sim -- claro." "E aquela outra pessoa, é alguém --" Eu disse, "Sim". Eles disseram, "Você sabe aquele rico assustador no filme? Aquele é você?" Eu disse, bem, sabem, é só um filme!
O instituto SETI, com um pouco da minha ajuda, e muito da ajuda de Paul Allen e de várias outras pessoas, está construindo um telescópio de rádio dedicado em Hat Creek, Califórnia, e eles podem fazer esse trabalho do SETI. Eu viajo muito, e eu mudo muito de celular, e uma pessoa que sempre é atualizada em todos os meus celulares e pagers e tudo o mais é Jill, porque eu realmente não quero perder "o chamado".
Você consegue imaginar? E.T.'s telefonando pra casa, e eu não estiver, sabe, lá? Você sabe, terrível! Eu trabalho muito com dinossauros. A audiência do TED me conhece como o cara que faz sexo com dinossauros. E eu lembro desse comentário. Eu vou falar sobre um aspecto diferente dos dinossauros, que é encontrá-los. Para encontrar dinossauros, você caminha em condições horríveis procurando por um dinossauro. Parece muito bobo, mas é assim que é. São condições horríveis porque onde quer que haja tempo bom, plantas crescem. E você não pega nenhuma erosão, e você não vê dinossauros. Então você sempre encontra dinossauros em desertos ou terras estéreis -- áreas que tem muito poucos vegetais e tem inundações na primavera. Sabe como esquiadores rezam por neve? Paleontólogos rezam por erosão.
Você caminha e -- isso é depois de você escavá-los -- eles se parecem com isto. Você caminha, e vê algo como isto. Isto é algo que eu encontrei, então olhem bem de perto. Você tem argila bentonita, que é -- ela meio que incha e se expande. E tem outras coisas saindo. Então, você olha para isso, olha bem de perto, e você diz, "Bem, puxa, isso é interessante -- o que são todas essas peças?" Bem, se olhar de perto, você pode reconhecer, na verdade, pela forma que esses são fragmentos de caveira. Quando você olha para isso, você diz, "Isso é um dente. É um grande dente." É do tamanho de uma banana. Tem uma parte com serras na borda. Isto é o que um dente de Tyrannosaurus rex parece no chão. E é assim que é encontrar um Tyrannosaurus rex, o que eu fui sortudo o bastante de conseguir alguns anos atrás.
É assim que um Tyrannosaurus rex fica na minha sala de estar. Não é o mesmo, na verdade. Isso é um molde que eu comprei. E então, depois de comprar o molde, eu encontrei meu próprio, e eu não tenho espaço para dois. Você sabe. Então, o que é maravilhoso para mim sobre descobrir dinossauros é que é uma coisa tanto intelectual, porque você está tentando reconstruir o ambiente de milhões de anos atrás. É algo que pode ser útil a todos os tipos de ciência de maneiras inesperadas. O estudo de dinossauros levou à conclusão de que há um problema com o impacto de asteróides, por exemplo. O estudo de dinossauros pode, literalmente, salvar o planeta algum dia.
O estudo do clima ancestral é muito importante. O Mesozóico, quando os dinossauros viveram, tinha muito mais CO2 do que hoje, era muito mais quente que hoje, e é uma das provas interessantes dos efeitos do CO2 no clima. Mas, além de ser intelectual e cientificamente interessante, é algo muito diferente das outras coisas que faço, porque você tem a oportunidade de caminhar por desertos. É com isso que a maioria da pesquisa com dinossauros se parece. Este é um dos meus artigos: "Um pigóstilo de um Terópoda não-aviário". Não é tão emocionante quanto o sexo de dinossauros, então não vamos avançar nisso.
Eu também gosto muito de fotografia. Eu viajo muito pelo mundo tirando fotos -- algumas delas boas, a maioria não. Hoje em dia, os bits são baratos. Infelizmente isso significa que você tem que gastar mais tempo selecionando fotos. Aqui está uma foto que tirei nas Ilhas Malvinas de penguins-rei numa praia. Aqui está uma foto que tirei no Alaska há alguns anos, de Orcas. Eu tinha ido fotografar Orcas, e eu tinha procurado por uma semana e não tinha visto uma única Orca. E no último dia o Sol aparece, e as Orcas vêm, e estão ao lado do barco. É fantástico. E eu consigo muitas fotos como essas. Então, um pouco depois, eu começo a tirar fotos como essa. Para uma platéia humana eu preciso explicar que se a Penthouse tivesse uma edição de mamíferos marinhos, esta seria o pôster da página central. É verdade. Então, há mais e mais atividade perto do barco, e de repente alguém grita, "O que é aquilo lá na água?" eu disse, "Bem, isso é o que se chama de um Free Willy".
Há uma série de coisas que você pode aprender ao olhar baleias fazendo sexo.
(Risos) A primeira coisa que se aprende é a esmagadora importância das mãos. Elas não tem.
Eu acho que Paul Simon está na platéia, e ele fez -- ele pode não perceber, mas ele escreve uma música sobre sexo de baleias: "Escorregando por aí". E é mais ou menos assim que as coisas são. A outra coisa interessante que aprendi sobre sexo de baleias: elas retraem os dedos do pé também.
Então -- onde você chega, colocando todos esses pedaços discrepantes juntos? Sabe, há uma tremenda quantidade de sabedoria em encontrar uma coisa grandiosa, passional na vida, e focar toda sua energia nela, e eu nunca consegui fazer isso. Eu apenas -- sabe, porque sim, eu foco passionalmente em algo, mas então há outra coisa, e então mais outra coisa de novo. E por muito tempo lutei contra isso, e pensava, "Puxa, eu realmente deveria sossegar". Sabe, quando eu estava na Microsoft, aquilo foi tão cativante, e toda a indústria estava se expandindo tanto que minha tendência era ignorar a maioria das outras coisas na minha vida.
Mas por fim, eu decidi que o que eu realmente deveria fazer não é lutar contra quem sou, mas assumir isso. E dizer, "Bem, sabe, eu -- esta palestra teve um quilômetro de comprimento e um centímetro de profundidade mas é assim que me sinto bem." E não importa se são reatores nucleares ou metamateriais ou metamateriais ou sexo de baleias, o denominador comum -- ou menor denominador comum -- sou eu. É isso, obrigado.
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Nathan Myhrvold fala sobre algumas de suas mais recentes fascinações -- fotografia de animais, arqueologia, churrasco e ser um gênio excêntrico e multimilionário. Escute pelas impressionantes histórias das fronteiras (um pouco indecentes) do mundo animal.
Nathan Myhrvold is a professional jack-of-all-trades. After leaving Microsoft in 1999, he's been a world barbecue champion, a wildlife photographer, a chef, a contributor to SETI, and a volcano explorer. Full bio »
Translated into Portuguese, Brazilian by Stéfano Johann
Reviewed by Hitomi Iwamoto
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17:57 Posted: Mar 2008
Views 972,204 | Comments 176
06:15 Posted: Jan 2008
Views 550,966 | Comments 63
29:51 Posted: Oct 2007
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