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Na África nós dizemos "Deus deu ao homem branco um relógio" e ao homem negro deu o tempo." (Risadas) Eu penso, como é possível para um homem com tanto tempo contar esta história em 18 minutos. Acredito que será um desafio para mim.
A maioria das histórias africanas hoje em dia, falam sobre fome, HIV e AIDS, pobreza ou guerra. Mas minha história que gostaria de compartilhar com vocês hoje é uma sobre sucesso. É sobre um país no sudoeste da África chamado Namíbia. Namíbia tem 2,1 milhões de pessoas, mas tem apenas a metade do tamanho da Califórnia.
Venho de uma região da remota região do noroeste do país. É conhecida como a região Kuene. E no centro da região Kuene encontra-se a vila de Sesfontain. Esse é o lugar em que nasci. É de onde eu venho. A maioria das pessoas que estão acompanhando a história da Angelina Jolie e do Brad Pitt saberão onde fica a Namíbia. Eles amam a Namíbia pelas suas belas dunas, que são até mais altas que o Empire State. O vento e o tempo transformaram nossa paisagem em muitas formas estranhas. E estas formas estão pintadas com vida selvagem que se adaptaram a esta terra áspera e esthanha.
Sou um Himba. Você deve estar pensando, por que você está usando essas roupas ocidentais? Sou um Himba e Namibiano. O Himba é um dos 29 grupos étnicos na Namíbia. Adotamos um estilo de vida bem tradicional. Cresci pastoreando, cuidando de nossa criação -- cabras, caneiros e gado. E um dia, meu pai me levou pra dentro do mato. Ele disse, "John, Quero que se transforme em um bom pastor. Cara, se você está cuidando de sua criação e você vê um guepardo comendo sua cabra, guepardos são muito apreensivos. Apenas os espante. Espante-os e bata em suas costas." (Risadas) "E ele abandonará a cabra e vai embora." Mas então ele disse, "Garoto, se você topar com um leão, não se mexa. Não se mexa. Mantenha-se estático. Encha o peito e apenas olhe o nos olhos e ele pode não querer lutar com você." (Risadas) Mas então, ele disse, "Se você ver um leopardo, garoto, é melhor você correr como o cão." (Risadas) "Imagine você correndo mais rápido do que as cabras que você cuida." Dessa forma -- (Risadas) Dessa forma, eu comecei a aprender sobre a natureza.
Sabe, além de ser um Namibiano comum e além de ser um Himba Também sou um conservacionista treinado. E é muito importante se você está no campo saber o que confrontar e do que fugir. Nasci em 1971. Vivíamos sob o regime do apartheid. Os brancos podiam ter fazenda, pastos e caçar como quisessem, mas nós os negros, não éramos considerados como responsáveis a usar a vida selvagem. Quando tentávamos caçar, éramos chamados de caçadores ilegais. E como resultado, éramos multados e colocados na cadeia.
Entre 1966 e 1990, os interesses dos EUA e dos Soviéticos brigaram pelo controle de meu país. E vocês sabe, durante tempos de guerra, existem militares, exércitos, que ficam se movimentando nas redondezas. E o exército caçava valiosos chifres de rinocerontes e presas. E eles poderiam vender essas coisas por algo em torno de 5.000 dólares americanos por kilo. Durante o mesmo ano quase todo Himba tinha um riffle. Porque eram tempos de guerra, o riflle britânico .303 estava espalhado por todo o pais.
Então na mesma época, por volta de 1980, tivemos uma seca bem grande. Matou quase tudo que ainda restava. Nossa criação foi quase aos limites da extinção, protegida também. Estávamos famintos. Lembro-me de uma noite quando um leopardo faminto entrou na casa de um de nossos vizinhos e pegou seu filho que estava dormindo na cama. É uma história muito triste. Mas até hoje, aquela memória ainda está na mente das pessoas. Eles podem apontar a localidade exata onde isso tudo aconteceu. Então, no mesmo ano, quase perdemos tudo. E meu pai disse, "Por que você não vai pra escola?" E me mandaram para a escola, só pra me manter ocupado lá.
E no ano em que fui para a escola, meu pai conseguiu um emprego numa organição não governamental chamada IRDNC -- Desenvolvimento Rural e Conservação da Natureza Integrados. Eles de fato passavam muito tempo por ano nas comunidades. Eles tinham a confiança das comunidades locais como o nosso líder, Joshua Kangombe. Joshua Kangombe viu o que estava acontecendo: a vida selvagem desaparecendo, a caça ilegal estava disparando, e a situação parecia bem desesperadora. Morte e desespero circundavam Joshua e nossas comunidades inteiras.
Mas então, as pessoas da IRDNC propuseram a Joshua: E se pagássemos pessoas que você confie para tomar conta da vida selvagem? Você tem alguém nas suas comunidades, ou pessoas, que conhecem bem a mata e que conhecem bem a vida selvagem? O líder disse "Sim. Nossos caçadores ilegais." "Han? Os caçadores ilegais?" "Sim. Nossos caçadores ilegais." E aquele era o meu pai. Meu pai tinha sido um caçador ilegal por um bom tempo. Ao invés de pagar as dívidas dos caçadores ilegais como eles estavam fazendo em outras partes da África, IRDNC ajudou aos homens a recuperarem suas habilidades a organizar seus povos, e seus direitos para ser donos e administrar a vida selvagem. E assim, à medida que as pessoas começaram a se sentirem donas da vida selvagem o número de animais começou a aumentar, e isto vem se transformando em uma fundação para a conservação na Namíbia. Com independência, a abordagem da comunidade inteira envolvida foi adotada pelo nosso novo governo.
Três coisas que de fato ajudaram a construir essa fundação: A primeira de todas é honrar as tradições e estar aberto a novas idéias. Aqui está nossa tradição. Em cada vila Himba, tem um fogo sagrado. E nesse fogo sagrado, o espírito de nossos ancentrais falam através do líder e nos aconselha onde encontrar água, onde encontrar pastos, e onde ir caçar. E eu acho que esse é o melhor jeito de nos regularmos em relação ao meio ambiente. E aqui estão as novas idéias. Transportar rinocerontes usando helicópteros Acho que é muito mais fácil que falar por meio de um espírito que você não vê, não é? E essas coisas nos foram ensinadas por estrangeiros. Aprendemos essas coisas de estrangeiros. Precisávamos de novas fronteiras para descrever nossas terras tradicionais; precisávamos de aprender mais coisas como GPS apenas para ver se o GPS consegue refletir nossas verdadeira percepção da terra ou se isso era apenas mais uma coisa feita no Ocidente? E então queríamos ver se podíamos combinar nossos mapas ancestrais com mapas digitais feitos em algum outro lugar do mundo. E através disso, começamos a realizar nossos sonhos e continuamos a honrar nossas tradições mas ainda estávamos abertos a novas idéias.
O segundo elemento é que queríamos ter uma vida, uma vida melhor onde podíamos nos beneficiar por meio de muitas coisas. A maioria dos caçadores ilegais, como meu pai, eram pessoas de nossa própria comunidade. Eles não eram pessoas de fora. Essas eram nosssas próprias pessoas. E algumas vezes, quando eram pegos, eles eram tratados com respeito, e trazidos de volta às comunidades e eram transformados em partes de sonhos maiores. O melhor de tudo, como meu pai -- não estou fazendo campanha para o o meu pai -- (Risadas) eles foram condenados por impedirem outros de caçarem ilegalmente. E quando essa coisa começou, começamos a nos transformar em uma só comunidade; sabíamos de nossas conexão com a natureza. E aquilo era uma coisa muito, muito forte na Namíbia.
O último elemento que ajudou a desenvolver estas coisas foram as parcerias. Nosso governo deu legalidade as nossas terras tradicionais. Os outros parceiros que tivemos são as comunidades dos negócios. Comunidades de negócios ajudou a colocar a Namíbia no mapa e eles também ajudaram a fazer da vida selvagem um uso da terra muito valioso como outros tipos de uso da terra como agricultura. E a maioria dos meus colegas da conservação hoje que você encontra na Namíbia foram treinados pela iniciativa, através do envolvimento do Fundo Mundial para a Vida Selvagem [WWF] nas práticas conservacionistas mais atuais. Também tem fornecido fundos por duas décadas a esse programa inteiro. E até agora, com o apoio do Fundo Mundial para a Vida Selvagem fomos capazes de aumentar em escala programas muito pequenos a programas nacionais hoje. Namíbia ... Ou, Sesfontein não era mais uma vila isolada em algum lugar, escondida na Namíbia. Com esses ativos agora somos parte da vila global.
Trinta anos se passaram desde o primeiro trabalho de meu pai como guarda de caça comunitária. É infeliz que ele morreu e não pode ver o sucesso como eu e meus filhos vemos hoje. Quando terminei a escola em 1995, haviam apenas 20 leões em todo o noreoeste -- em nossa área. Mas hoje, há mais de 130 leões. (Aplausos) Então por favor, se forem à Namíbia, certifiquem-se de ficar em cabanas. Não ande por aí a noite!
O rinoceronte-negro -- eles estavam quase extintos em 1982. Mas hoje, Kunene tem a maior concentração de rinocerontes-negros -- rinocerontes-negros livres -- no mundo. Essa é a parte externa da área protegida.
O leopardo -- eles estão agora em grandes números mas estão agora longe de nossa vila, porque a planície natural se multiplicou, como zebras, cabra-de-leque e tudo. Eles ficam muito distante porque essas outras coisas se multiplicaram de menos de mil a dezenas de milhares de animais.
E, o que começou como algo muito pequeno, guardas comunitários envolvendo a comunidade, se transformou em algo que chamamos de 'conservancies'. 'Conservancies' são intituições legalmente estabelecidas pelo governo, e são administradas pelas próprias comunidades, para o seu próprio benefício. Hoje, temos 60 'conservancies' que administram e protegem mais de 13 milhões de hectares de terra na Namíbia. Já remodelamos a conservação no país inteiro. Em lugar nenhum no mundo comunidades adotaram conservação nessa escala.
Em 2008, 'conservancy' gerou 5,7 milhões de dólares. Essa é nossa nova economia -- uma economia baseada no respeito pelos nossos recursos naturais. E, somos capazes de usar esse dinheiro para muitas coisas. Muito importante, aplicamos em educação. Segundo, aplicamos em infra-estrutura. Comida. Muito importante também -- investimos esse dinheiro em educação em AIDS e HIV. Vocês sabem que a África está afetada por esses virus. E essa é a boa notícia da África que temos que gritar de nossos telhados.
E agora, o que o mundo realmente precisa é que nos ajudem a levar o que aprendemos com a Namíbia para outros lugares com problemas similares: lugares como o Mongólia, ou até mesmo no fundo dos nossos quintais, as Grandes Planícies do norte, onde búfalos e outros animais tem sofrido e muitas comunidades estão em declínio. Gosto dessa. Namíbia servindo de modelo para a África, e África servindo de modelo para os Estados Unidios. (Aplausos) Fomos bem sucedidos na Namíbia porque sonhamos com um futuro que era muito mais que uma vida selvagem saudável Sabíamos que a conservação iria falhar se não trabalhasse para melhorar as vidas das comunidades locais. Então, venham até mim para conversar sobre a Namíbia, e melhor ainda, venha para a Namíbia e veja você mesmo como fizemos isso. E por favor, visitem nosso site na web para aprenderem mais e verem como podem ajudar o CBNRM na África e por todo o mundo. Muito obrigado.
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Em sua nativa Namíbia, John Kasaona criou uma maneira inovadora de proteger espécies animais ameaçadas: dando aos moradores locais (incluindo ex-caçadores ilegais) o senso de responsabilidade por eles. E está funcionando.
John Kasaona is a pioneer of community-based conservation -- working with the people who use and live on fragile land to enlist them in protecting it. Full bio »
Translated into Portuguese, Brazilian by Lee Oliveira
Reviewed by Belucio Haibara
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I like that one: Namibia serving as a model to Africa, and Africa serving as a model to the United States.” (John Kasaona)
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