Eu vou falar um pouco sobre segurança de código aberto, pois nós precisamos melhorar em segurança neste século XXI.
Deixe-me começar olhando em retrospectiva para o século XX, para termos uma noção de como aquele modelo de segurança funcionou para nós.
Este é Verdun, um campo de batalha na França, bem ao norte do quartel-general da OTAN na Bélgica. Em Verdun, em 1916, num período de 300 dias, 700.000 pessoas foram mortas, aproximadamente 2.000 pessoas por dia.
Se avançarmos no tempo a questão da segurança no século XX, até a Segunda Guerra Mundial, podemos ver a Batalha de Stalingrado, 300 dias, 2 milhões de pessoas mortas.
Entramos na Guerra Fria e continuamos a construir muros. Nós fomos da guerra de trincheira da Primeira Guerra Mundial para a Linha Maginot da Segunda Guerra Mundial, e então entramos na Guerra Fria, a Cortina de Ferro, o Muro de Berlim. Muros não funcionam.
Minha tese para nós hoje é que, em vez de construir muros para nos sentirmos seguros, nós precisamos construir pontes. Esta é uma ponte famosa na Europa. Fica na Bósnia-Herzegovina. É a ponte sobre o rio Drina, tema de um romance de Ivo Andrić, que conta como naquela parte tão tumultuada da Europa e dos Bálcãs, houve, ao longo do tempo, uma construção enorme de muros. Mais recentemente, na última década, começamos a ver essas comunidades começarem, ainda de forma hesitante, a se unir.
Eu diria, mais uma vez, que a segurança de código aberto consiste em conectar o internacional, o interinstitucional, o público privado, e conjugar isso tudo por meio da comunicação estratégica, principalmente nas redes sociais.
Então deixem-me falar um pouco sobre por que precisamos fazer isso. É porque nosso patrimônio mundial está sob diferentes formas de ataque, e nenhuma das fontes de ameaça ao patrimônio mundial será enfrentada com a construção de muros.
Bem, eu sou um marinheiro, é óbvio. Este é um navio, um transatlântico, singrando pelo Oceano Índico. O que há de errado com esta foto? O navio tem arame farpado nas suas laterais. É para prevenir ataques de piratas. A pirataria é uma ameaça bastante ativa nos dias de hoje em todo o mundo. Este é o Oceano Índico. A pirataria é muito ativa também no Estreito de Málaga. É ativa no Golfo da Guiné. Acontece também no Caribe. Representa um prejuízo de 10 bilhões de dólares por ano no sistema de transporte mundial. Ano passado, nessa mesma época, havia 20 embarcações e 500 marinheiros feitos reféns. Isso é um ataque ao patrimônio mundial. Precisamos achar uma forma de combatê-la.
Vamos falar agora de um tipo diferente de oceano, O ciberoceano. Aqui estão as fotos de dois jovens. No momento, eles estão presos. Eles cometeram uma fraude com cartão de crédito que rendeu a eles mais de 10 bilhões de dólares. Isso faz parte da criminalidade cibernética, que causa um rombo de 2 trilhões de dólares por ano na economia mundial. Dois trilhões de dólares por ano. O que corresponde a um pouco menos que o PIB da Grã-Bretanha. Então, esse ciberoceano, que conhecemos tão bem, é a peça chave da transparência radical, e está bastante ameaçado também.
Outra coisa que me preocupa sobre o patrimônio mundial é a ameaça representada pelo tráfico, pelo tráfico de narcóticos, de ópio que vem do Afeganistão através da Europa até os Estados Unidos. Nós nos preocupamos com a cocaína que vem do norte da Cordilheira dos Andes. Nós nos preocupamos com a comércio de armas ilegais e com o tráfico. Talvez, mais que tudo, nós nos preocupamos com o tráfico humano e seu terrível custo. O tráfico se move principalmente no mar, mas também em outras partes do patrimônio mundial.
Esta é uma foto, e quem dera eu pudesse dizer que este é um equipamento de alta tecnologia da Marinha americana que estamos usando para deter o tráfico. A má notícia é que isto é um semi-submersível comandado pelos cartéis de droga. Ele foi construído nas selvas da América do Sul. Nós capturamos ele com aquele bote de tecnologia barata — (Risos) — e ele estava transportando seis toneladas de cocaína. Tripulação de quatro. Sistema de varredura de comunicação sofisticado. Esse tipo de tráfico, de narcóticos, de humanos, de armas e, Deus nos livre, de armas de destruição em massa, é parte da ameaça ao patrimônio mundial.
E vamos dar uma olhada no Afeganistão hoje. Este é um campo de papoulas no Afeganistão. Entre 80 e 90 por cento da papoula do mundo, ópio e heroína vêm do Afeganistão. Nós também temos lá, é claro, o terrorismo. Aqui é a base da al Qaeda. Nós também vemos uma forte insurgência enraizada aí. Assim, a preocupação com o terrorismo também é parte da preocupação com o patrimônio mundial, e nós temos de enfrentá-lo.
Então aqui estamos nós, século XXI. A gente sabe que nossas ferramentas do século XX não funcionam mais. Então, o que devemos fazer?
Eu diria que nós não vamos garantir a segurança exclusivamente com o cano de uma espingarda. Nós não vamos garantir a segurança exclusivamente com o cano de uma espingarda. Nós vamos precisar de usar força militar. Quando fizermos isso, nós temos de fazer direito, e de forma competente.
Mas minha tese é que a segurança de código aberto tem a ver com o internacional, o interinstitucional, o público-privado, articulados por essa ideia de comunicação estratégica na internet.
Deixe-me dar a vocês alguns exemplos de como isso funciona de forma positiva. Este é o Afeganistão. Estes são soldados afegãos. Todos eles estão segurando um livro. Vocês devem estar pensando: "Que estranho. Eu acho que já li alguma estatística dizendo que, no Afeganistão, os jovens, homens e mulheres com idade entre 20 e 30 anos, seriam em sua maioria analfabetos".
Oitenta e cinco por cento deles não sabem ler quando entram para as forças de segurança do Afeganistão. Por quê? Porque o Talibã lhes negou educação na época em que esses homens e mulheres deveriam ter aprendido a ler.
Então, a pergunta é: por que eles estão todos ali em pé com um livro na mão? A resposta é: nós estamos ensinando eles a ler em cursos de alfabetização ministrados pela OTAN em parceria com entidades do setor privado, em parceria com órgãos de desenvolvimento. Nós ensinamos a bem mais que 200.000 afegãos das forças de segurança a ler e a escrever num nível básico.
Quando se sabe ler e escrever no Afeganistão, tradicionalmente se põe uma caneta no bolso. Nas cerimônias, quando esses jovens homens e mulheres se formam, eles carregam aquela caneta com um orgulho imenso, e a colocam no bolso. Isso é juntar o internacional — existem 50 nações envolvidas nessa missão —, o interinstitucional — esses órgãos de desenvolvimento — e o público-privado, para dar conta desse tipo de segurança.
Bem, nós também ensinamos técnicas de combate, é claro, mas eu ponderaria que segurança de código aberto significa conectar de modo a criar efeito de segurança a longo prazo.
Eis aqui um outro exemplo. Este é um navio de guerra americano. O nome dele é Comfort (Conforto). Existe um navio irmão chamado Mercy (Misericórdia). Eles são navios-hospital. Este aqui, o Comfort, opera no Caribe e na costa atlântica da América do Sul tratando de pacientes. Numa missão típica, eles cuidam de 400.000 pacientes. É tripulado não apenas com militares, mas com uma combinação de organizações humanitárias: "Operação Esperança", "Projeto Sorriso". Outras organizações enviam voluntários. Médicos interinstitucionais participam. Eles todos fazem parte disso.
Só para lhes dar um exemplo do impacto que isso tem, este menininho de oito anos de idade andou a pé dois dias com a mãe para chegar à clínica de olhos do Comfort. Quando recebeu óculos para seus olhos extremamente míopes, ele de repente olhou para cima e disse: "Mamma, veo el mundo." "Mamãe, estou vendo o mundo." Multipliquem isso por 400.000 pacientes tratados, a parceria público-privado com as forças de segurança, e se começa a ver o poder de garantir a segurança de um jeito bem diferente.
Aqui vocês veem jogadores de beisebol. Será que vocês conseguem apontar os dois soldados do Exército americano nessa fotografia? São os dois jovens em ambos os lados desses meninos. Essa é parte de uma série de oficinas de beisebol, em que contamos com a colaboração entre a Liga Principal de Beisebol americana, o Ministério do Exterior, que organiza a parte diplomática do projeto, militares jogadores de beisebol, que são soldados de verdade com habilidades de verdade para participar dessa missão, e eles realizam oficinas na América Latina e no Caribe, em Honduras, na Nicarágua, em todos os países da América Central e do Caribe onde o beisebol é muito popular, e isso cria segurança. Eles servem como bons exemplos para os jovens homens e mulheres de saúde e de vida que eu acredito que ajuda a criar segurança para nós.
Outro aspecto dessa parceria está no auxílio imediato a catástrofes. Este é um helicóptero da Força Aérea americana prestando socorro depois do tsunami de 2004 que matou 250.000 pessoas. Em cada um desses grandes desastres - o tsunami de 2004, 250.000 mortos, o terremoto na Caxemira paquistanesa, 2005, 85.000 mortos, o terremoto no Haiti, aproximadamente 300.000 mortos, mais recentemente a terrível combinação de terremoto-tsunami que abalou o Japão e sua indústria nuclear — em todas essas instâncias, nós vemos parcerias entre atores internacionais, interinstitucionais e o público-privado trabalhando com forças de segurança para fazer frente a esse tipo de desastre natural. Então esses são exemplos dessa ideia de segurança de código aberto.
Nós conjugamos tudo isso cada vez fazendo ações desse tipo. Bem, vocês devem estar olhando para o slide e pensando: "Ah, almirante, essas devem ser as vias marítimas de comunicação, ou esses devem ser cabos de fibra ótica." Não. Este é um gráfico do mundo de acordo com o Twitter. As linhas roxas são os tweets. As linhas verdes são a localização geográfica. O branco é a síntese. É uma perfeita evocação daquele famoso censo populacional. As seis maiores nações do mundo em ordem decrescente são: a China, a Índia, o Facebook, os Estados Unidos, o Twitter e a Indonésia. (Risos)
Por que nós queremos entrar nessas redes? Por que nós queremos participar? Nós falamos mais cedo sobre a Primavera Árabe, e o poder disso tudo. Vou lhes dar um outro exemplo sobre como se transmite essa mensagem.
Eu dei uma palestra como esta em Londres algum tempo atrás sobre essa questão. Eu disse lá, como estou dizendo a vocês agora, que eu estou no Facebook. E pedi: me adicionem como amigo. Consegui tirar risos da plateia. Um artigo da Associated Press sobre isso caiu na rede. Foi acessado em dois lugares no mundo: Finlândia e Indonésia. A manchete era: Almirante da OTAN precisa de amigos. (Risos) Obrigado. (Aplausos) O que de fato eu preciso. (Risos)
E a estória foi um catalisador, e na manhã seguinte eu tinha centenas de pedidos de amizade no Facebook de indonésios e finlandeses, a maioria deles dizendo: "Almirante, nós ficamos sabendo que você precisa de um amigo, e ah, a propósito, o que que é OTAN?"
É, a gente riu muito, mas foi assim que passamos a mensagem, e passar aquela mensagem é como conjugamos o internacional, o interinstitucional, o público-privado e essas redes sociais para ajudar a criar segurança.
Bem, deixe-me tocar num tema sombrio. Esta é a foto de um bravo soldado britânico. Ele está na Guarda Escocesa. Ele está montando guarda em Helmand, no Sul do Afeganistão. Eu coloquei ele aqui para nos lembrar que eu não queria que ninguém saísse desta sala aqui hoje pensando que não precisamos de militares capazes e competentes que conseguem criar um efeito militar real. Este é o âmago de quem somos nós e do que fazemos, e fazemos isso para proteger a liberdade, a liberdade de expressão e todas as coisas que valorizamos em nossas sociedades.
Mas, vocês sabem, a vida não é como um botão liga-desliga. Nós não temos de ter um militar que ou está no duro combate ou está no quartel.
Eu diria que a vida é um reostato. É preciso ajustá-la, e quando eu penso como criar segurança neste século XXI, vai ter momentos que vamos usar a força na verdadeira guerra e crise, mas vai haver muitas instâncias, como as que abordamos aqui hoje, em que nossos militares podem participar da criação da segurança no século XXI, internacional, interinstitucional, público-privado, ligado com comunicação competente.
Eu quero terminar dizendo que ouvimos mais cedo hoje sobre a Wikipédia. Eu uso a Wikipédia o tempo todo para fazer pesquisa e, como todos bem sabem, a Wikipédia não é feita por 12 pessoas brilhantes fechadas numa sala escrevendo artigos. A Wikipédia, todos os dias, tem lá milhares de pessoas colocando informação, e todo dia milhões de pessoas usando aquela informação. É a imagem perfeita para o ponto fundamental de que nenhum de nós sozinho é tão inteligente quanto todos nós pensando juntos. Ninguém, nenhuma aliança, nenhum país, nenhum de nós sozinho é tão inteligente quanto todos nós pensando juntos.
A declaração de objetivos da Wikipédia é muito simples: um mundo em que todos seres humanos possam compartilhar livremente a soma de todo o conhecimento. Minha tese para vocês é que se combinarmos o internacional, o interinstitucional, o público-privado e comunicação estratégica, juntos, neste século XXI, nós podemos criar a soma de toda a segurança.
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Imagine a segurança mundial fomentada pela colaboração - entre órgãos, governos, o setor privado e o público. Isso não é apenas uma vã esperança dos fãs de código aberto, é a visão de James Stavridis, Comandante Supremo Aliado na Europa da OTAN, que compartilha momentos vívidos da história militar recente para explicar por que a segurança do futuro deveria ser construída com pontes em vez de muros.
What will 21st-century security look like? Navy Admiral James Stavridis suggests that dialogue and openness will be the game-changers. Full bio »
Translated into Portuguese, Brazilian by Raissa Mendes
Reviewed by Rudi Feijó
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23:43 Posted: Jun 2007
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09:24 Posted: Oct 2011
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