Eu gosto de desenhar para entender melhor as coisas. Ás vezes faço muitos desenhos e mesmo assim não entendo o que estou desenhando. Vocês que estão a vontade com essas coisas digitais, e se gabam dessa relação, vão gostar de saber que o cara que é reconhecido pelo trabalho: "The Way Things Work" (Como as coisas funcionam), enquanto se preparava para fazer parte de um painel chamado "Understanding" (Entendendo...), passou dois dias tentando conectar o laptop com seu novo drive de CD. Quem conhece esses gerenciadores de extensão? Eu sempre gerenciei minhas próprias extensões. Nunca me ocorreu ler as instruções. Mas eu finalmente consegui. Eu tinha que conseguir, porque junto com o convite veio o apavorante lembrete de que não haveria o recurso do projetor de slides. De forma que trazer aqueles carrosséis de slides não seria mais necessário, mas teria de haver alguma outra forma de comunicação.
Bem, eu poderia falar sobre algo que eu fosse reconhecido, algo que seria mais apropriado para as pessoas de mentalidade mais técnica daqui, ou eu poderia falar sobre algo de que eu gosto muito. Eu decidi pela última opção. Eu vou falar sobre Roma. Agora, porque me interesso por Roma em especial? Bem, eu estudei arquitetura na Rhode Island School of Design na segunda metade dos anos 60. E tive a felicidade passar meu último ano, meu quinto ano, estudando em Roma. Isso mudou a minha vida. Não por ter passado os quatro primeiros anos em casa dirigindo até a Rhode Island School of Design, todo dia, e depois voltando para casa. Eu perdi os anos 60. Mas li sobre eles. Acho que foram bem interessantes. Eu os perdi. Mas passei esse ano extraordinário em Roma. E é um lugar do qual nunca me esqueço. Então sempre que surge uma oportunidade tento fazer algo lá, ou em favor da cidade.
Eu também faço desenhos para ajudar as pessoas a compreenderem coisas. Coisas que eu quero que elas acreditem que eu as entendo. E isso é o que eu faço como desenhista. Esse é o meu trabalho. Então eu vou lhes mostrar algumas imagens de Roma. Tenho feito muitos desenhos de Roma nesses anos. Estes são só desenhos de Roma. Eu volto a eles sempre que possível. Eu preciso. Todos esses materiais diferentes, todos os estilos diferentes, todas as épocas diferentes. Desenhos a partir de esboços, atentando aos detalhes de Roma. Parte do motivo pelo qual estou mostrando estes é que de alguma forma ajuda a demonstrar esse meu processo de tentar mostrar como me sinto sobre Roma e porque me sinto assim.
Estes são esboços de alguns pequenos detalhes. Roma é uma cidade cheia de surpresas. Quer dizer, estamos falando sobre uma perspectiva incomum. Estamos falando sobre ruelas estreitas e sinuosas que subitamente abrem-se em enormes e ensolaradas praças apesar de serem praças de dimensões humanas. Um dos motivos disso é que cresceram de uma forma orgânica. Esta estupenda justaposição do velho e do novo, as nesgas de luz que surgem entre os prédios meio que criam um mapa em sua cabeça normalmente azul, especialmente no verão -- comparado aos mapas que se esperariam ver das ruas convencionais.
E eu comecei a pensar sobre como passar isto sob a forma de um livro. Como poderia compartilhar minha percepção de Roma, minha compreensão de Roma? E eu vou mostrar a vocês um bocado de becos sem saída, basicamente. A razão principal para estes becos sem saída é que se você não tem certeza para aonde está indo, você não chegará lá de maneira nenhuma.
Aqui temos um pequeno mapa -- e eu pensei em mapas desde o princípio. Talvez eu devesse tentar e fazer um pequeno guia com minhas ruas e conexões favoritas em Roma. E aqui está uma linha que na verdade evoluiu do escapamento de uma moto ziguezagueando pela página. Aqui a mesma linha rodeia uma fonte em uma ilustração que pode ser virada de cabeça para baixo e vista dos dois modos. Talvez essa linha, de um texto, possa virar uma estória que lhe dê algum aspecto humano. Talvez eu devesse esquecer esse mapa completamente, e ser realmente sincero sobre meu desejo de mostrar meus detalhes favoritos de Roma. E simplesmente chutar uma bola de futebol, o que acontece em muitas das praças de Roma, e deixá-la acertar as coisas, de forma aleatória. E eu simplesmente explicaria sobre cada uma das coisas que a bola acertasse. Isso pareceria muito fácil. Mas desde que iniciei esta apresentação, esta não foi a primeira coisa que tentei fazer, e eu estava ficando meio desesperado.
Aos poucos eu percebi que não tinha um conteúdo em que pudesse me basear, e decidi montar um pacote. Quero dizer, parece isso que funciona para coisas pequenas. Então pensei que um conjunto de quatro pequenos livros, pudesse funcionar. Mas uma das idéias que surgiu de alguns dsses esboços, foi a de viajar através de Roma em diferentes veículos, em diferentes velocidades para mostrar os diferentes aspectos de Roma. Uma espécie de visão geral de Roma a partir de um dirigível. Imagens rápidas de coisas que se podem ver de uma moto em alta velocidade e, também, vagarosamente. Caminhando por Roma, vocês poderiam ser capazes de estudar com mais detalhes as maravilhosas paisagens e com o que mais se depararem.
De qualquer modo, eu voltei para a idéia do dirigível, fui até Alberto Santos-Dumont. Encontrei um de seus dirigíveis que tinha as dimensões adequadas. Então eu pude usá-lo como uma escala que eu pudesse justapor a algumas das coisas em Roma. Esta coisa poderia tanto sobrevoar ou penetrar ou pousar em frente, mas seria como uma espécie de régua -- algo como viajar pelas páginas -- sem ser uma régua. Não que vocês saibam o tamanho do dirigível N-11, mas vocês seriam capazes de comparar o N-11 com o Panteão o N-11 com as Termas de Caracalla, e assim por diante. Se estivesse interessado.
Esta é Beatrix, ela tem um cão chamado Ajax. Ela adquiriu um dirigível, um pequeno dirigível. Ela está montando sua estrutura. Ajax está farejando por buracos no balão antes que partam. Ela lança essa coisa acima da Piazza di Spagna, e parte para uma viagem aérea pela cidade. Lá vamos nós por sobre a Piazza di Spagna. Uma bela maneira de mostrar aquele rio, aquele caminho, como que escorrendo pelo monte. Infelizmente, no fim dessa estrada, ou bem próximo disso, está a coluna de Marco Aurélio. E o diâmetro do dirigível deixa marcas, como se pode ver, quando ela começa a ler a história nas espirais, em torno da coluna de Marco Aurélio, chega um pouco perto demais, e esbarra. Isso me dá chance de descrever para vocês a estrutura da coluna de Marco Aurélio, que, na verdade, não é mais alta do que uma pilha de moedas. Moedas grossas. Sobre a Piazza de Santo Inácio -- arruinando completamente a simetria, mas tirando isso -- um lugar espetacular para se visitar. Uma espetacular estrutura que de dentro, você vê -- normalmente -- um extraordinário céu azul. Sobre o Panteão e o óculo com quase 8 metros de diâmetro. Ela para seu dirigível, abaixa a corda da âncora e desce para olhar o interior mais de perto. Aqui o texto está no lado direito e de cabeça para baixo então você é forçado a virar o livro, e se pode ter o ponto de vista a partir do chão e da visão dela, olhando para o buraco obtendo um tipo diferente de perspectiva. Movendo-se por todo o espaço. Particularmente apropriado em uma construção que pode conter uma esfera perfeita as dimensões do diâmetro sendo iguais assim como a distância do centro do piso até o centro do óculo.
Infelizmente para ela, a corda da âncora enrola nos pés de alguns escoteiros que estão visitando o Panteão, e eles são imediatamente içados para fora recebendo uma extraordinária, porém aterrorizante visão de alguns dos domos de Roma que devem estar, do ponto de vista deles, naturalmente de cabeça para baixo. Eles se livram assim que chegam ao topo da Santo Ivo, esse pequena estrutura em espiral que vêem aqui. Ela continua por seu caminho até a Piazza Navona. Percebe muita atividade no restaurante Tre Scalini, lembrando-lhe que hora do almoço, e ela está faminta. Eles pilotam em direção ao Campo de Fiori, o qual logo alcançam. O cão Ajax é colocado no cesto e baixado, com uma lista de alimentos, para o mercado. Que fica abarrotado até cerca de uma hora da tarde quando é completamente removido, e não aparece novamente até as seis ou sete da manhã seguinte. Enfim, o cãozinho retorna ao dirigível com as coisas. Infelizmente, quando ela vai desembrulhar o presunto, Ajax pula em cima dele. Ela consegue salvar o presunto, mas no processo, perde a toalha de mesa, que podem ver voando no canto superior esquerdo. Eles continuam sem sua toalha, procurando um lugar para pousar essa coisa e assim poder almoçar. Eventualmente eles descobrem um imenso muro coberto de pequenos buracos, ideal para pousar um dirigível, porque há um lugar para amarrá-lo. Acontece que é a parede exterior, da parte que sobrou, do Coliseu. Assim eles estacionam ali e desfrutam um ótimo almoço com uma vista espetacular.
Ao final do almoço, eles soltam a âncora, eles partem através das Termas de Caracalla e por sobre os muros da cidade através de uma guarita abandonada. E decidem dar mais uma olhada na Pirâmide de Cestius, que possui um para-raios no topo. Infelizmente, isto é um problema. Eles se aproximam demais -- e quando se está em um dirigível tem que se ter muito cuidado com objetos ponteagudos. E isso meio que conclui sua pequena estória. Marcello, por outro lado, é um cara meio preguiçoso, mas ele não precisa trabalhar antes do meio-dia. Entao o alarme toca faltando cinco minutos pro meio-dia. Ele se levanta, salta em sua moto, corre pela cidade passando pela igreja de Santa Maria della Pace, desce os becos, através de ruas onde turistas podem estar vagando. Perturbando o pacato estilo de vida de Roma, a cada volta. A velocidade em que ele está indo, espero ter demonstrado nessa pequena imagem -- que, novamente, pode ser virada e vista de ambos os lados, porque há um texto embaixo e um texto em cima, cada um deles está de cabeça para baixo para o outro, na imagem.
Então, ele continua, aproximando-se de um desavisado garçom que está tentando servir dois pratos de linguine (tipo de macarrão) com um delicado de molho de moluscos ao vinho branco para clientes em uma mesa no lado de fora de um resturante na rua. O garçom percebe, mas já é tarde demais. E Marcello segue adiante em sua moto. Tudo o que ele vê agora está ligeiramente afetado pelo linguine. Mas ele continua em frente, porque este cara tem um trabalho a fazer. Remove alguns andaimes -- uma das razões pelas quais Roma permanece o lugar extraordinário que é: por conta da proteção dos tapumes e andaimes, e pela determinação em manter sua malha arquitetônica, é uma cidade que continua a crescer e a se adaptar às necessidades da época, em particular, na qual se encontra, ou nós achamos que nos encontramos. Logo após a Piazza della Rotonda, em frente ao Panteão, mais uma confusão, e finalmente chega ao trabalho. E Marchello, como se descobre, é o motorista do ônibus número 64. E se você já viajou a bordo do ônibus 64, sabe que ele é conduzido com a mesma exuberância que Marchello demonstrou em sua moto.
E finalmente Carletto -- vocês estão vendo seu apartamento no canto superior esquerdo. Ele está olhando sua mesa. Está planejando pedir a mão da sua namorada de 40 anos esta noite. E ele quer que tudo seja perfeito. Ele arrumou velas, ele colocou flores e está tentando descobrir onde colocar os pratos e os copos. Mas ele não está feliz -- algo não está funcionando. O telefone toca -- ele está sendo chamado ao Palazzo. Ele caminha a um bom passo, mas comparado com as viagens que vimos antes, ele está apenas passeando. Todos conhecem Carletto, porque ele é ligado ao entretenimento -- na verdade, ele é de televisão. Na verdade, ele conserta televisores, por isso as pessoas o conhecem. Assim todas elas tem o seu número. Ele chega ao Palazzo, chega na grande porta de entrada. Entra no pátio e fala com o zelador, que lhe diz ter ocorrido um desastre no Palazzo. Nenhuma televisão está funcionando. E a hora de um grande jogo de futebol está chegando, e o pessoal está ficando ansioso e um pouco nervoso.
Ele desce até o porão e começa a verificar a fiação, e então gradualmente vai subindo até o topo do prédio, apartamento por apartamento, verificando cada televisão, verificando cada conexão, esperando descobrir qual é o problema. Ele sobe, finalmente até a grande escadaria, depois pela escadaria menor, até chegar ao sótão. Ele abre a janela do sótão e, claro, há uma toalha de mesa enrolada na antena de televisão do prédio. Ele a retira, o problema está resolvido, todos no Palazzo estão felizes. E é claro, ele também resolve o seu próprio problema. Tudo o que ele tem a fazer agora, com uma mesa posta de forma perfeita, é esperar que ela chegue.
Essa foi minha primeira tentativa, mas não me pareceu bastante convincente para transmitir qualquer coisa que eu queira expressar sobre Roma. Então pensei, bem, vou focar nas piazzas, e vou por dentro e por debaixo, e vou mostrá-las crescendo e mostrar porque tomaram a forma que tem. Então pensei, isso é muito complicado. Não. Vou somente juntar meus pontos de vista favoritos, e colocá-los dentro do Panteão, mantendo a escala. Então podem ver o topo de Sant'Ivo e a Pirâmide de Cestius e o Tempietto de Bramante, todos lado a lado neste incrível espaço. Agora, isso é um desenho. Bem, pensei, talvez seja hora de Piranesi se encontrar com Escher.
De fato, vocês percebem que aqui estou realmente começando a perder o controle, e também a esperança. Há uma linha de fuga, azul, muito fina meio que passa através disso tudo e que pode ser a trilha que mantém tudo junto. E então eu pensei, espera lá, o que estou fazendo? Um livro não é só um modo legal de organizar e armazenar informação. É uma série de camadas. Quer dizer, sempre se retira uma camada de cima de outra -- nós pensamos nelas como páginas, de um certo modo. Mas pense nelas como camadas. Quero dizer, Roma é um lugar feito de camadas -- camadas horizontais, camadas verticais. E eu pensei, retirando página por página, eu me permitiria -- se os levar a pensar da maneira correta -- eu me permitiria mostrar, de certa forma, a profundidade das camadas. O reboco, nas paredes da maioria dos prédio em Roma, cobre a cicatriz -- as cicatrizes de séculos de mudanças à medida que essas estruturas foram adaptadas ao invés de terem sido demolidas. Se eu fizer uma página dobrada no lado esquerdo do livro, e permitir que a desdobrem, verão atrás dela o que eu quero dizer com cicatrizes. Podem ver que, vamos dizer, em 1635 tornou-se essencial fazer janelas menores, porque os bandidos estavam começando a chegar, ou algo assim. Aa adaptações foram todas sepultadas sob o reboco. Eu poderia retirar uma página deste prédio para mostrar o que está acontecendo em seu interior. Melhor, eu poderia também mostrar a vocês como se parece a esquina de um desses magníficos prédios com todos esses blocos maciços de pedra -- ou com os blocos falsos de pedra, feitos com tijolos e reboco, que é o que mais acontece.
Assim se torna quase tridimensional. Eu poderia levá-los por uma daquelas ruas estreitas, direto para uma daquelas supreendentes piazzas, usando duas folhas dobradas ao meio. Duas páginas que se abrem em outras duas -- que, se vocês eram como eu, ao ler um desses livros cujas figuras pulavam da página, quando crianças -- você colocava, espero, toda a sua atenção nelas. Enrole as páginas ao redor de sua cabeça, e se está naquela piazza por um curto período de tempo. E o que eu fiz não foi nada muito mais complicado do que páginas duplas dobradas. Mas então pensei, talvez eu possa simplificar. Vamos ver o Panteão e a Piazza della Rotonda logo em frente. Aqui está um livro completamente aberto. OK, se eu não abrir o livro em toda a extensão, se eu abrir apenas a 90 graus, estamos olhando a frente do Panteão. E estamos olhando como de um teto, mais ou menos para baixo na praça. E se eu virar o livro de outro jeito, estamos olhando para a praça em frente ao Panteão. Sem dobraduras, sem truques -- só um livro que não foi completamente aberto. Isso me pareceu promissor. Eu pensei, talvez eu o faça no interior do livro, e ainda possa combinar as dobraduras com o livro parcialmente aberto. Assim entramos no Panteão, e ele aumenta sua visão, mais e mais ainda. E pensei, talvez eu esteja no caminho certo, mas o livro meio que perdeu sua qualidade humana.
Então voltei à idéia da estória, que é sempre uma boa coisa quando se quer chamar a atenção das pessoas para um livro e colher informações pelo caminho. "O Progresso do Pombo" me veio como um título chamativo. Se fosse um pombo-correio, teria sido chamado "A Odisséia de Homero". Mas era a jornada de -- (risos) -- se um título funciona, use-o. Mas seria uma jornada através de Roma e mostraria todas as coisas que eu gosto em Roma. Este é um pombo sentado no ponto mais alto de uma igreja. Ele sai durante o dia e faz as coisas normais de um pombo, ele retorna -- e o lugar todo está coberto com andaimes e tela verde. E este pombo não tem como voltar para casa, então é um pombo sem lar. E ele tem que encontrar um novo lugar para viver. Isso me permite passar pelo meu catálogo de coisas favoritas. E começamos com as mais altas e por aí vai. Talvez ele tenha que voltar a viver com seus familares -- e isso nem sempre é uma coisa boa. Mas isso reúne os pombos novamente. E eu pensei, isso pode ser interessante, mas talvez devesse haver uma pessoa envolvida nisso, de algum jeito.
Então meio que pensei nesse cara mais velho que passa a vida tratando de pombos doentes. Ele vai aonde for para tratá-los. Lugares perigosos e coisas assim. E eles se tornam, realmente, amigos desse cara, e aprendem truques para entretê-lo durante o almoço. Há uma ligação real que se estabelece entre o velho e estes pombos. Mas infelizmente ele fica doente. Ele fica bem doente ao final da estória. Mas ele os ensinou a pronunciar seu nome, que é Aldo. Eles aparecem um dia depois de três ou quatro dias sem vê-lo. Ele vive nesse pequeno sótão. Eles falam seu nome e voam ao redor. E ele finalmente arranja forças o bastante para subir a escada até o teto. E todos os pombos, a la 'Red Balloon', estão esperando por ele, e eles o carregam, por sobre os muros da cidade. E ele tem -- esqueci de mencionar -- sempre que perdia um pombo, ele levava o pombo para fora dos muros da cidade. No velho costume romano, os mortos nunca eram enterrados no interior dos muros da cidade. E eu pensei que era uma história realmente inspiradora e alegre. (risos) Essa vai ser, realmente, uma longa estória.
De qualquer modo, passei por isso, de novo -- se o pacote de livros não funciona e se histórias vão na direção certa, Eu cheguei aos títulos. E esperava que um título me levasse na direção certa. E as vezes algum me mantém bastante focado, e eu já vou fazer a página principal. Então essas são todas as páginas iniciais que eventualmente me levaram a solução que adotei, que é a história de uma jovem que envia uma mensagem em um pombo-correio -- ela vive fora dos muros da cidade de Roma -- para alguém na cidade. E o pombo está voando acima da Via Appia aqui. Podem ver as tumbas e os pinheiros e tudo o mais ao longo do caminho. Se vocês estão vendo a linha vermelha, vocês estão vendo a trilha do pombo. Se vocês não vem a linha, vocês são o pombo. Se torna necessário e possível a essa altura tentar demonstrar como seria se sentir, voando pela cidade sem se estar realmente se movendo. Passando a Pirâmide de Cestius -- essas vão parecer bem familiares, mesmo se não foram a Roma recentemente. Passando a guarnição. Isto é algo não muito comum. Este pombo faz algo que muitos pombos-correio não fazem: ele faz a rota mais atraente. Que foi um recurso que achei necessário para na verdade estender este livro além de quatro páginas.
Então circulamos ao redor do Coliseu, passamos a Igreja de Santa Maria em Cosmedin e o Templo de Hércules, em direção ao rio. Quase colidimos com a cornija do Palazzo Farnese, projetada por Miguelângelo, construída com pedras tomadas do Coliseu. Passou perto! Mergulhamos em direção ao Campo de Fiori. Esta é uma daquelas coisas que mostro aos meus alunos, porque é uma total bastardização -- uma negação de todas as regras de perspectiva. A única regra de perspectiva que julgo importante é, se parece crível, você conseguiu. Mas se tenta e se descobre aonde os pontos de fuga se encontram. Dois deles em Marte, e um outro qualquer está -- sabe, dois deles -- em Cremona. Mas na piazza em frente a Santa Maria della Pace, onde invariavelmente há um jogo de futebol, fomos atingidos por uma bola. Essa é uma ilustração horrível minha sendo atingido pela bola. Tenho todos as partes. Temos a Santa Maria della Pace, aqui temos uma bola, temos um pedacinho da asa do pássaro. Nada acontece. Então tive que repensar. E se vocês querem ver Santa Maria della Pace -- sabem esses livros flexíveis mesmo, incrivelmente interativos -- basta vira-lo e olhar de outro modo.
Pelo beco, podemos ver o impacto capturado na linha vermelha. E o pássaro consegue se controlar ao passar por esta torre medieval -- uma das poucas torres medievais remanescentes -- seguindo para a igreja de -- esqueci seu nome -- Sant'Angese, e em torno do domo em direção a Piazza Navona, a qual já mencionamos e vimos. Aí está a estátua de Bernini dos quatro rios. E então passamos pela maravilhosa Sant'Ivo de Borromini. Parando só o necessário no óculo de 8 metros de diâmetro do Panteão para recuperar nosso fôlego. Então podemos mergulhar em seu interior, e como estamos voando, não temos que nos preocupar com gravidade nesse instante em especial, então este desenho pode ser orientado em qualquer direção na página.
Ficamos um pouco entusiasmados quando passamos Jesu -- não nos surpreende a imitação da arquitetura nesse caminho. Passa o maravilhoso muro coberto de justaposições que eu falava: bonitas inscrições postas nas paredes acima do neon "Ristorante", e por aí vai. Eventualmente chegamos ao pátio do Palazzo, que é o nosso destino. Atravessamos direto o pátio, para uma janelazinha, para o sótão, onde alguém está trabalhando em uma mesa de desenho. Ele retira a mensagem da pata do pássaro. Isto é o que ela diz. Quando olhamos para a mesa de desenho, podemos ver que o seu trabalho é, de fato, um mapa da jornada que o pombo percorreu, e a linha vermelha se estende por todos os lugares. E se vocês querem a informação, completamos o ciclo de entendimento, tudo o que tem a fazer é ler estes parágrafos. Muito obrigado a todos.
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David Macaulay revive a sinuosa e as vezes surreal jornada da complexa arquitetura da antiga cidade de Roma, sua homenagem ilustrada a essa histórica cidade.
David Macaulay gets under the skins of skyscrapers, mosques, pyramids, subways, and a host of other ancient and modern marvels. His lavish and micro-detailed renderings expose the world's secret engineering to dazzled readers of all ages. Full bio »
Translated into Portuguese, Brazilian by Lisangelo Berti
Reviewed by Lili Machado
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17:30 Posted: Oct 2007
Views 281,553 | Comments 34
22:52 Posted: Apr 2008
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15:30 Posted: Apr 2007
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