Poder. Esta é a palavra que vem à mente. Nós somos os novos tecnólogos. Nós temos uma grande quantidade de informação, então temos uma grande quantidade de poder. Quanto poder nós temos? Cena do filme "Apocalypse Now" -- excelente filme. Nós temos que levar o nosso heroi, Capitão Willard, para a foz do Rio Nung na perseguição ao Coronel Kurtz. A forma que faremos isso é levá-lo e deixá-lo em solo seguro. Então a cena começa: o céu está coberto de helicópteros transportando o nosso heroi. E ao fundo há aquela música estrondosa, excitante e selvagem. ♫ Dum da ta da dum ♫ ♫ Dum da ta da dum ♫ ♫ Da ta da da ♫ Isto é muito poder. Este é o tipo de poder que sinto nesta sala. Este é o tipo de poder que nós é dado por causa de toda a informação que temos.
Vejamos um exemplo. O que podemos fazer com a informação de apenas uma pessoa? O que podemos fazer com a informação deste cara? Posso analisar seus rastros bancários. Posso dizer se você paga suas contas em dia. Sei se você pode receber um empréstimo. Posso observar seus registros médicos, posso ver se seu coração continua batendo -- ver se vale a pena oferecer um seguro a você. Posso observar seu padrão de navegação. Quando você vem a meu site, eu já sei o que você vai fazer, pois já vi você visitar milhões de sites anteriormente. E sinto muito em dizer a você, você é como jogador de poker, você tem uma forma de se expressar. Posso falar, com análise da informação, o que você vai fazer antes mesmo que o faça. Eu sei o que você gosta. Eu sei o que você é. Mesmo antes de checar o seu e-mail ou o seu telefone.
Estas são coisas que podemos fazer com todas as informações que temos. Mas eu não estou aqui para falar sobre o que podemos fazer. Estou aqui para falar sobre o que deveriamos fazer. Qual a coisa certa a fazer?
Agora vejo algumas pessoas intrigadas como, "Porque você está nos perguntando qual a coisa certa a fazer? Nós apenas estamos criando essas coisas. Outras pessoas estão usando." Bastante justo. Mas isto faz com que eu relembre. Penso a respeito da Segunda Guerra Mundial -- alguns de nossos maiores tecnólogos da época, alguns de nossos maiores físicos, estudando fissão e fusão nuclear -- apenas assuntos nucleares. Nós reunimos aqueles físicos em Los Alamos para ver o que eles construiriam. Nós queremos pessoas construindo a tecnologia pensando no que deveriamos fazer com essa tecnologia.
Então, o que deveriamos fazer com as informações deste cara? Devemos coletá-la e juntá-la para que possamos fazer a sua experiência online ainda melhor? Podemos fazer dinheiro? Podemos nos proteger se ele não era capaz de nada bom? Ou devemos respeitar a sua privacidade, proteger a sua dignidade e deixá-lo em paz? Qual dessas alternativas? Como podemos descobrir?
Eu sei: crowdsource. Vamos fazer crowdsource disto. Então, para aquecer todo mundo, vamos começar com uma simples questão -- algo que eu tenho certeza que todos tem uma opinião formada sobre o tema: iPhone contra Android. Vamos levantar as mãos -- iPhone. Aham. Android. Você poderia pensar que em um grupo de pessoas inteleligentes nós não seríamos tão tolos em escolher somente os telefones bonitos. (Risos) Próxima pergunta, um pouco mais complicada. Deveríamos coletar a informação desta pessoa para tornar suas experiências ainda melhor e nos proteger em caso dela não capaz de nada bom? Ou devemos deixá-lo em paz? Coletar seus dados. Deixá-lo em paz. Você está segura. Está tudo bem. (Risos) Tudo bem, última pergunta -- uma pergunta mais difícil -- quando tentamos avaliar o que deveríamos fazer neste caso, deveríamos utilizar uma estrutura moral deontológica Kantiana ou devemos utilizar a ética consequencialista de Stuart Mill? Kant. Mill. Sem muitos votos. (Risos) Sim, este é um resultado terrível. Terrível pois temos opiniões mais fortes a respeito de nossos dispositivos portáteis do que a respeito da estrutura moral que deveríamos usar para guiar nossas decisões.
Como sabemos o que fazer com o poder que temos se não temos uma estrutura moral definida? Sabemos muito sobre sistemas operacionais de celulares, mas o que nós realmente precisamos é um sistema operacional moral. O que é um sistema operacional moral? Todos nós sabemos o que é certo e errado, certo. Você se sente bem quando faz alguma coisa correta, você se sente mau quando faz algo incorreto. Nossos pais nos ensinam isso: enalteça os bons e repreenda os maus. Mas como sabemos o que é certo ou errado? No nosso dia a dia temos as técnicas que nós usamos. Talvez nós apenas seguimos nossa razão interior. Talvez nós apenas votemos -- nós fazemos crowd source. Ou talvez nós jogamos -- pergunte ao departamento jurídico, veja o que eles dizem. Em outras palavras, isto se dá aleatoriamente, meio ad hoc, a maneira como resolvemos o que deveríamos fazer. E talvez, se nós queremos estar em terra firme, o que na verdade nós queremos é uma estrutura moral que nos guie, que nos diga que tipo de ações são certas ou erradas primeiramente, e o que nós faríamos em uma determinada situação.
Então vamos criar uma estrutura moral. Nós somos pessoas que vivem com números. Como podemos usar números como a base para a estrutura moral? Conheço um cara que fez exatamente isso, um cara brilhante -- que morreu a 2500 anos atrás. Platão, exatamente. Lembra-se dele -- velho fil Você estava dormindo durante a aula. Platão possuia várias preocupações parecidas com as nossas. Ele estava preocupado sobre o certo e o errado. Ele queria saber o que era justo. Mas ele estava preocupado com o fato de que tudo o que parecíamos estar fazendo era trocar opiniões a respeito disto. Ele diz que algo é justo. Ela diz que algo é justo. É meio que convincente quando ele fala e quando ela fala, também. Estou somente indo e voltando; Não estou indo a lugar algum. Eu não quero opiniões, eu quero conhecimento. Eu quero saber a verdade sobre a justiça -- como nós temos verdades na matemática. Na matemática, sabemos os fatos exatos. Pegue um número, qualquer número -- 2. Número favorito. Adoro esse número. Existem verdades sobre o número dois. Se você tem duas unidades de alguma coisa, e você adiciona mais dois, você tem quatro. Isto é verdade, não importando sobre o quê você está falando. É uma verdade objetiva sobre o dois, a forma abstrata. Quando você tem dois itens de algo -- dois olhos, duas orelhas, dois narizes, somente duas projeções -- todos parte do mesmo dois. Eles todos fazem parte das verdades que o dois tem. Todos tem as particularidades do dois. E então, isto não diz respeito a opiniões de cada um.
E caso, Platão pensou, ética fosse como matemática? E se existiesse a pura forma da justiça? E se existissem verdades sobre a justiça, e você pudesse somente olhar o mundo ao seu redor e enxergar que coisas participam, são parte integrante desta forma de justiça? Então você saberia o que de fato era justo e o que não era. Isso não seria uma questão de mera opinião ou aparências. Esta é uma visão impressionante. Quero dizer, pense sobre isso. O quão grande. O quão ambicioso. Isso é tão ambicioso quanto nós somos. Ele quer solucionar a ética. Ele quer verdades objetivas. Se pensar dessa forma, você tem uma estrutura moral platônica.
Se você não pensa dessa forma, bem, você tem muita companhia na história da filosofia Ocidental, por causa dessa precisa ideia -- você sabe, as pessoas criticam isso. Aristóteles, em particular, não era tão impressionado por isso. Ele achava que isto era impraticável. Aristóteles disse, "Só devemos buscar precisão em um determinado assunto até o ponto em que este assunto permite." Aristóteles não achava que a ética era como a matemática. Ele acreditava que a ética era uma questão de tomar decisões aqui e agora, utilizando nosso melhor julgamento para achar o caminho certo. Se pensar assim, Platão não é o seu cara. Mas não desista. Talvez exista um outro caminho que possamos utilizar os números como base para a nossa estrutura moral.
Que tal isso: E se em qualquer situação você pudesse simplesmente calcular, observar as opções, mensurar qual a melhor e saber o que fazer? Isso soa familiar? Essa é uma estrutura moral utilitarista. John Stuart Mill era um grande defensor disto -- um excelente cara -- e só morreu a cerca de 200 anos. Então, à base do utilitarismo -- eu tenho certeza que você é familiar. As três pessoas que votaram a favor de Mill anteriormente são familiares com isso. Mas aqui está a forma que isso funciona. E se a moral, e se o que faz com que algo seja moral, seja somente uma questão de maximizar o prazer e minimizar a dor? Isso é algo intrínseco ao ato. Não é algo relacionado a uma forma abstrata. É só uma questão de saber as consequências. Você somente observa as consequências e vê se, de maneira geral, isto é para melhorar algo ou para piorar. Isso seria simples. Assim saberíamos o que fazer.
Vamos tomar um exemplo. Digamos que eu levante e diga, "Vou pegar seu telefone." Não somente porque ele tocou anteriormente, mas pegarei isso pois eu fiz um pequeno cálculo. Eu pensei, esse cara parece suspeito. E se ele está mandando mensagens para o esconderijo de Bin Laden -- ou quem quer que seja quem assumiu depois de Bin Laden -- e ele é, na verdade, um terrorista, um agente infiltrado. Eu descobrirei isto e quando eu descobrir isto, eu evitaria uma grande quantidade de danos que ele poderia causar. Esta foi uma ação muito útil para prevenir o dano. E comparado ao pequeno dano que isso vai causar -- pois vai ser embaraçoso eu olhar seu telefone e ver que ele tem um problema na sua Farmville -- isso é superado pelo valor de olhar o telefone. Se você se sente dessa forma, essa é uma escolha utilitarista.
Mas talvez você também não se sinta assim. Talvez você pense, esse é o telefone dele. É errado pegar seu telefone, pois ele é uma pessoa ele tem direitos e tem dignidade, e não podemos interferir nisto. Ele tem autonomia. Não interessa que cálculos eu fiz. Existem coisas que são intrínsecamente erradas - como mentir é errado, como torturar crianças inocentes é errado. Kant era muito bom nesse sentido, e ele disse um pouco melhor do que eu direi. Ele disse que deveríamos utilizar nossa razão para enteder as regrar pelas quais nós deveríamos guiar a nossa conduta. E então seria o nosso dever seguir essas regras. Isto não é uma questão de cálculo.
Então vamos parar. Nós estamos no âmago disto, no núcleo filosófico disto. E isto continua por milhares de anos, pois estas são questões difíceis, e só tenho 15 minutos. Então vamos direto ao ponto. Como deveríamos tomar nossa decisão? Pelo pensamento de Platão, Aristóteles, Kant ou Mill? O que deveríamos fazer? Qual a resposta? Qual a fórmula que podemos utilizar em qualquer situação e determinar o que devemos fazer, se devemos utilizar os dados deste cara ou não? Qual a fórmula? Não há nenhuma fórmula. Não há uma resposta simples.
Ética é difícil. Ética requer pensamento. E isto é desconfortável. Eu sei; Eu gastei muito de minha carreira na intelgência artificial, tentando criar máquinas que poderiam fazer boa parte desse pensar por nós, que poderia nos dar respostas. Mas elas não podem. Você não pode pegar o pensamento humano e colocar uma uma máquina. Nós que devemos fazer isto. Felizmente, não somos máquinas, e podemos fazer isso. Não apenas podemos, devemos. Hannah Arendt disse, "A triste verdade é que a maioria do mal feito nesse mundo não é feito por pessoas que escolheram serem más. Isso emerge do não pensar." Isto é o que ela chamou de "banalidade do mal." E a resposta a isso é que necessitamos do exercício do pensar de toda pessoa sã.
Então vamos fazer isto. Vamos pensar. De fato, vamos começar agora mesmo. Todos nesta sala façam isso: pense na última vez que você teve que tomar uma decisão, quando você estava preocupado em fazer a coisa certa, quando você pensou, "O que eu devo fazer?" Traga isso à mente. Agora reflita sobre isso e diga, "Como cheguei a essa conclusão?" O que eu fiz? Eu segui meu eu interior? Fiz uma votação sobre isso? Ou eu apostei no que era legal? Agora nós temos algumas outras opções. "Eu avaliei o que traria as maiores vantagens, como Mill faria? Ou como Kant, eu usei a razão para imaginar o que estava intrinsecamente correto? Pense sobre isto. Traga isso à sua mente. Isto é importante. Isto é tão importante que gastaremos 30 segundos valiosos do TEDTalk fazendo nada, somente pensando a respeito disto. Está pronto? Vai.
Pare. Bom trabalho. O que você acabou de fazer, este é o primeiro passo em direção a tomar responsabilidae para aquilo que podemos fazer com o nosso poder.
Agora o próximo passo -- tente isto. Procure um amigo e explique a ele como você tomou essa decisão. Não agora. Espere que eu termine a palstra. Faça isso no almoço. E não o faça com outro amigo da área de tecnologia. Ache alguém diferente de você. Ache um artista ou escritor -- ou, que os céus proibam, ache um filósofo e fale com ele sobre isso. Na verdade, ache alguém da área de humanas. Porquê? Pois eles pensam sobre problemas diferente de como pensamos enquanto tecnólogos. Alguns dias atrás, logo do outro lado da rua, havia centemas de pessoas juntas. eram pessoas da área de tecnologia e humanas na gramde Conferência BiblioTech. Eles estavam juntos pois os tecnólogos queriam aprender como seria pensar sobre a perspectiva da área humana. Você tem alguém do Google conversando com alguém que faz literatura comparativa. Você está pensando sobre a relevância do teatro francês do século XVII -- o que isto tem a ver com capital de risco? Isso é interessante. Esta é uma diferente forma de pensar. E quando você pensa dessa forma, você se torna mais sensível para as considerações humanas, que são cruciais para a tomada de decisões éticas.
Então imagine que agora mesmo você encontrasse seu amigo músico. E você dissesse para ele sobre o que estamos falando, sobre nossa revolução de dados e tudo isso -- talvez até cantarolasse algo da nossa música tema. ♫ Dum ta da da dum dum ta da da dum ♫ Bem, seu amigo músico pararia e diria, "Sabe, a música tema de sua revolução de dados, é uma ópera escrita por Wagner. É baseada nas lendas Nórdicas. Seus deuses e criaturas míticas lutando por joias mágicas." Isto é interessante. É também uma linda ópera. E somos movidos pela ópera. Somos movidos pois é sobre uma batalha entre o bem e o mal, entre o certo e o errado. E nos importamos com o bem e o mal. Nos importamos com o que acontece na ópera. Nos importamos com o que acontece no "Apocalypse Now." E com certeza nos importamos com o que acontece com nossas tecnologias.
Temos tanto poder hoje, e é nossa responsabilidade entender o que fazer. Essa é a boa notícia. Nós somos as pessoas escrevendo a ópera. Este é o nosso filme. Nós dizemos o que acontecerá com essa tecnologia. Nós determinamos como tudo isso irá acabar.
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No TEDxSiliconValley, Damon Horowitz comenta sobre o enorme poder que as novas tecnologias nos oferecem: aprender mais do que nunca sobre nós mesmos. Levando o público para uma discussão filosófica, Horowitz nos convida para prestarmos mais atenção à filosofia básica -- os princípio éticos -- por detrás da explosão de descobertas que transformam o nosso mundo. Onde está o "sistema operacional moral" que nos permite ter noção disto?
Damon Horowitz explores what is possible at the boundaries of technology and the humanities. Full bio »
Translated into Portuguese, Brazilian by Thiago Bello
Reviewed by Wesley Oliveira
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20:45 Posted: Feb 2009
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10:24 Posted: Sep 2009
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21:48 Posted: Apr 2007
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