Pensei em começar contando, mostrando as pessoas que iniciaram o Laboratório de Propulsão a Jato (LPJ). Quando eram um bando de garotos, eram jovens com muita imaginação, muito aventureiros já que misturavam produtos químicos, em Caltech para ver qual explodia mais. Bem, eu não recomendo que vocês façam isso agora. Naturalmente, eles explodiram uma cabana. Aí a Caltech disse: "Ei, vão para Arroyo e façam todos os seus testes lá".
Então, é isso que chamamos de cinco primeiros funcionários durante a pausa para o café, aqui. Como eu disse, eram pessoas aventureiras. Na verdade, um deles que era meio ligado a um tipo de culto, não muito distante daqui, em Orange Grove, infelizmente explodiu a si mesmo ao misturar produtos químicos e tentar descobrir quais eram os melhores. Então isso lhes dá uma idéia do tempero, do tipo de pessoas que havia lá. Tentamos não nos explodir pelos ares.
Queria mostrar essa foto. Adivinhem qual deles é o funcionário da LPJ. Eu tentei vir como ele esta manhã, mas quando eu ia saindo, vi que estava muito frio e disse, "acho melhor botar a camisa de novo". Mas, mais importante, a razão de mostrar essa foto é: veja para onde as pessoas olham, e veja para onde ele está olhando. Quando olharem para um lado, olhe para o outro, e faça algo diferente daquilo que estão fazendo. E é mais ou menos esse o espírito do que temos feito.
Eu quero fazer uma citação de Ralph Emerson, um dos meus colegas e que eu fixei na parede do meu escritório, que diz: "Não vá para onde o caminho leva. Ao invés, vá onde não haja caminho, e deixe uma trilha." E é o que recomendo a vocês: olhem o que todos estão fazendo, observe bem e façam algo completamente diferente. Não tente melhorar um pouco o que outra pessoa está fazendo, porque isso não vai te levar muito longe.
Nos nossos primeiros dias nós trabalhávamos muito em foguetes, mas também fazíamos muitas festas, sabe. Como vocês podem ver, uma das nossas festas há alguns anos atrás. Mas, então, uma grande mudança ocorreu há 50 anos, depois que o Sputnik foi lançado. Nós lançamos o primeito satélite americano, e é esse que você vê à esquerda, ali. E aqui nós demos uma virada de 180 graus. Nós mudamos de uma casa de foguetes para uma casa de exploração. Isso foi feito no decorrer de alguns anos, e agora nós somos a organização líder em exploração espacial em nome de todos vocês.
Mas mesmo quando fazemos isso, temos de nos lembrar, às vezes contratempos acontecem. Então, veja. Em baixo, aquele foguete deveria sair para cima, de alguma forma acabou saindo de lado. Isso é o que chamamos de míssil mal guiado. Mas também, só para celebrar isso, criamo um evento no LPJ para a "Miss Míssil Mal Guiado"
Então, comemorávamos todo ano e a escolhiamos. Costumava ter uma competição, paradas e tudo mais. Não é muito apropriado hoje. Algumas pessoas me pedem isso; Eu acho que de fato não é apropriado, atualmente. Então, fazemos algo um pouco mais sério. E o que você vê aqui é o último desfile em Rose Ball quando entramos com um carro alegórico. Isto é mais do lado divertido. Na direita da tela está o veículo pouco antes de terminarmos os testes e levá-lo ao Cabo para lançá-lo. Esses são os veículos que estão em Marte agora. Isso mostra-lhes bastante, sobre as coisas legais e as coisas sérias que tentamos fazer. Mas eu disse que mostraria um video curtinho de um dos nossos funcionários, que dá uma certa ideia sobre alguns dos talentos que temos.
Morgan Hendry: "Cuidado com Segurança" é uma banda de rock instrumental. Segue por um ramo mais experimental. Tem o lado de improviso do jazz. Tem a batida forte típica do rock. É capaz de tratar o som como um instrumento, e é capaz de buscar por sons mais abstratos e coisas para tocar ao vivo, misturando eletrônico e acústico. A música é metade de mim, mas a outra metade – Eu caí no melhor lugar de todos, provavelmente. Eu trabalho no LPJ. Estou construindo o próximo veículo para ir a Marte. Alguns dos mais brilhantes engenheiros que conheço são aqueles que tem um tipo de qualidade artística dentro deles. Você tem que fazer o que quer fazer. E se lhe disserem que você não pode, não lhes dê ouvidos. Talvez essas pessoas estejam certas, mas eu duvido. Diga a elas que se danem, e apenas faça o que quiser. Eu sou Morgan Hendry. Eu trabalho na Nasa.
Charles Elachi: Agora, saindo das coisas divertidas para as coisas sérias. As pessoas sempre perguntam: por que nós exploramos? Por que nós realizamos todas essas missões e por que exploramos? Bem, o modo que penso a respeito é bem simples. De alguma forma, há 13 bilhões de anos houve o Big Bang, e vocês ouviram um pouco a respeito, a origem do universo. Mas de algum modo o que atiça a mente das pessoas – de uma boa parte ao menos – de algum modo a partir do Big Bang nós temos esse mundo maravilhoso em que vivemos hoje.
Olhe ao redor: você tem toda essa beleza que enxerga, toda essa vida que você vê ao seu redor e aqui temos pessoas inteligentes como vocês e eu que estão tendo uma conversa inteligente. Tudo isso surgiu do Big Bang. Então, a questão é: Como isso aconteceu? Como evoluiu? Como o Universo se formou? Como as galáxias se formaram? Como os planetas se formaram? Por que existe um planeta no qual há vida que evoluiu? Isso é muito comum? Existe vida em cada planeta que vemos orbitando estrelas? Somos todos feitos, literalmente, de poeira estelar. Nós surgimos dessas estrelas, somos feitos de poeira estelar. Então, a próxima vez que estiver deprimido, olhe no espelho e poderá dizer: Oi, estou vendo uma estrela aqui. Pode pular a parte da poeira. Mas, literalmente, somos feitos de poeira estelar.
Então, o que estamos tentando fazer em nossas explorações é, efetivamente, escrever o livro de como as coisas se tornaram o que são hoje. E um dos primeiros ou mais fáceis lugares onde podemos ir e explorar é ir em direção a Marte. E a razão para Marte tomar uma atenção particular: não é muito longe de nós. Sabe, demora apenas seis meses para chegar lá. De seis a nove meses na época certa do ano. É um planeta de certa forma similar à Terra. É um pouco menor, mas a massa de terra em Marte é praticamente a mesma da massa de terra na Terra, se você não considerar os oceanos. Tem calotas polares. Tem uma atmosfera um pouco mais fina que a nossa, e por isso tem um clima. Então, é bem parecido até certo ponto, tanto que pode-se ver lá algumas características, como o Grand Canyon em Marte, ou o que chamamos de Grand Canyon de Marte. É como o Grand Canyon da Terra, à exceção de ser grande pra diabo.
Então é mais ou menos, veja, do tamanho dos Estados Unidos. Ele tem vulcões. E esse é o Monte Olimpo em Marte, que é um tipo de barreira vulcânica gigante no planeta. E se você observar sua altura e compará-lo com o Monte Everest, veja, vai lhe dar uma ideia de quão grande é o Monte Olimpo, comparado ao Everest. Ele basicamente transforma o Everest aqui da Terra em um anão. Então, isso lhe dá uma ideia dos eventos tectônicos ou vulcânicos que tem ocorrido naquele planeta. Recentemente, de um dos nossos satélites, isso mostra a semelhança – capturamos um deslizamento ocorrendo no momento exato. Então é um planeta dinâmico, e a atividade continua conforme falamos hoje.
E esses veículos, as pessoas imaginam o que estão fazendo agora, então pensei em demonstrar um pouco o que estão fazendo. Esta é uma cratera muito grande. Geólogos adoram crateras, pois crateras são como escavar um buraco enorme no chão sem ter que trabalhar de fato nele, e você pode ver o que há abaixo da superfície. Esta se chama Cratera Victoria, do tamanho aproximado de alguns campos de futebol. E se olhar no topo esquerdo, você verá um pontinho preto. Essa foto foi tirada de um satélite em órbita. Se você aproximar, verá: este é o veículo na superfície. A foto foi tirada a partir da órbita, demos um zoom na câmera, e pudemos de fato ver o veículo na superfície. E, então, usamos uma combinação das imagens do satélite e o veículo para realmente conduzir a ciência, pois podemos observar grande áreas e depois usar o veículo para ir se movendo e, basicamente, ir a um certo local.
Então, o que estamos fazendo agora especificamente é descer com o veículo na cratera. Como eu disse, geólogos adoram crateras. E a razão é, muitos de vocês foram ao Grand Canyon e viram em suas paredes todas aquelas camadas. E essas camadas – são como costumava ser a superfície um milhão de anos atrás, dez milhões de anos, cem milhões de anos, e há depósitos no topo delas. Então, se você puder ler as camadas, é como ler um livro, e você aprende a história do que aconteceu no passado naqele lugar.
Então o que vocês observam aqui são as camadas da parede daquela cratera e o veículo está descendo agora, medindo as propriedades e analizando as rochas enquanto desce por aquela garganta. Agora, é um grande desafio ter de dirigir em uma ladeira como essa. Se você estivesse lá, não faria isto. Mas nós nos certificamos de testar os veículos antes de fazê-los descer – ou aquele veículo – e garantimos que estava funcionando bem.
Agora, quando eu vim da última vez, pouco após o pouso – acho que foi tipo uns cem dias após o pouso – eu lhes disse que estava surpreso pelos veículos estarem durando mais de cem dias. Bem, aqui estamos 4 anos depois e ainda funcionam. Aí você diz: Charles, você está mentindo para nós, e tudo mais... mas não é verdade. Nós realmente achávamos que eles durariam entre 90 e 100 dias, porque são movidos a energia solar, e Marte é um planeta empoeirado, então esperávamos que o pó começasse a se acumular na superfície e depois de um tempo eles não teriam energia suficiente para manterem-se quentes.
Bem, eu sempre digo que é importante ser esperto, mas de vez em quando é bom contar com a sorte. E isso foi o que descobrimos. Acontece que de vez em quando aparecem esses redemoinhos em Marte, como podem ver, e quando passam sobre o veículo, acabam limpando-o. É como se você tivesse um carro novinho, e é literalmente por isso que estão durando tanto. E agora nós os desenhamos razoavelmente bem, e é exatamente por isso que eles têm durado tanto e ainda fornecendo todos esse dados científicos. Agora, os dois veículos, ambos estão ficando meio velhos. Sabe, um deles está com uma roda emperrada que não funciona, uma das rodas da frente, então o que fazemos, é dirigir de marcha a ré. E o outro está com artrite na junta do ombro, sabe, não está funcionando bem, então ele anda assim, e podemos mexer o braço dessa forma. Mas ainda estão produzindo muitos dados científicos. Agora, durante todo esse período muita gente ficou excitada, sabe, fora da comunidade científica a respeito dos veículos, então pensei em mostrar-lhes um video que é um reflexo de como os veículos estão sendo vistos pelas pessoas que não são da comunidade científica.
Deixe-me mostrar esse video curto. Aliás, esse vídeo é bem preciso de como o pouso aconteceu, sabe, cerca de quatro anos atrás. Video: Ok, temos o paraquedas alinhado OK, está descendo. Abriu. Câmera. Temos uma imagem agora. Sim! É mais ou menos o que aconteceu na sala de operações em Houston. Exatamente assim. Agora, se houver vida os holandeses vão encontrá-la. O que ele está fazendo? O que é aquilo? Nada mal.
Bem, de qualquer forma, deixe-me continuar mostrando um pouco sobre a beleza daquele planeta. Como eu disse antes, ele se parece muito com a Terra, então você vê dunas. Acho que se eu dissesse que estas fotos foram tiradas no Saara ou algo assim vocês acreditariam em mim, mas essas fotos são mesmo de Marte. Mas uma área que é particularmente intrigante para nós é a região norte de Marte, perto do Pólo Norte, porque podemos ver capas de gelo e vemos que elas encolhem e expandem, o que é muito parecido com o que temos no norte do Canadá. E quisemos descobrir – e vemos todo tipo de características glaciais lá. Então, quisemos descobrir de fato, do que é feito o gelo e se ele pode ter embutido em si algum material orgânico, sabe.
Então temos uma espaçonave indo rumo a Marte, chamada Phoenix e essa espaçonave pousará daqui a 17 dias, 7 horas e 20 segundos, então acertem os relógios. Será dia 25 de maio, pouco antes das cinco no horário aqui da Costa Oeste, que estaremos de fato pousando em outro planeta. E como vocês podem ver, essa é uma foto da nave colocada em Marte. Eu pensei que caso vocês percam esse show, sabe, em 17 dias, eu vou mostrar a vocês, mais ou menos, um pouco do que irá acontecer.
Isso é o que chamamos de sete minutos de terror. Então o plano é escavar o solo e colher amostras que botamos em um forno e as aquecemos e observamos que gases saem delas. Essa nave foi lançada cerca de nove meses atrás. Estaremos viajando a 19.000 km/h e em sete minutos temos que frear e tocar a superfície gentilmente para que não arruinemos o pouso.
Ben Cichy: Phoenix é a primeira... É a primeira missão que irá tentar pousar perto do Pólo Norte em Marte, e é a primeira missão que de fato tentará alcançar e tocar água na superfície de outro planeta.
Lynn Craig: Onde há tendência de haver água, ao menos na Terra, tende a haver vida e então, potencialmente, é um lugar onde a vida pode ter existido no planeta no passado.
Erik Bailey: O principal objetivo do EDP é pegar a espaçonave que está viajando a 20.000 km/h e fazê-la dar uma freada muito brusca de modo suave e em pouco tempo. BC: nós entramos na atmosfera marciana. Estamos a 112 km acima da superfície de Marte. E o veículo está a salvo dentro do chamado aero-transporte.
EB: É parecido com um cone de sorvete, mais ou menos.
BC: E no lado da frente está o escudo de calor, parecido com um pires, com cerca de 1 cm que essencialmente tampa a frente disso que é o escudo de calor. Agora, está é uma rolha realmente especial, e essa rolha é o que está nos protegendo da entrada atmosférica violenta que estamos prestes a sentir.
Rob Grover: A fricção começa a aumentar muito na espaçonave e nós usamos a fricção, enquanto ela voa pela atmosfera, em nosso favor, para nos desacelerar. BC: Desse ponto em diante, vamos desacelerar de 20.000 km/h para 1.500 km/h.
EB: O exterior pode chegar quase tão quente quanto a superfície do Sol.
RG: A temperatura do escudo de calor pode atingir 1.400º C.
EB: O interior não fica muito quente. Provavelmente fique à temperatura ambiente. Richard Kornfeld: Existe essa janela de oportunidade na qual podemos lançar o paraquedas.
EB: Se você lançá-lo muito cedo, o paraquedas pode falhar. O tecido e a costura poderia simplesmente se romper. E isso seria muito ruim.
BC: Nos primeiros 15 segundos depois que abrirmos o paraquedas, iremos desacelerar de 1.500 km/h à lentidão relativa de 400 km/h. Não precisamos mais do escudo de calor para nos proteger da força da entrada atmosférica, então nós ejetamos o escudo de calor, expondo pela primeira vez nosso veículo à atmosfera de Marte.
LC: Depois do escudo de calor ser ejetado e das pernas posicionadas, o próximo passo é fazer o sistema de radar começar a detectar quão longe do chão a Phoenix realmente está.
BC: Nós perdemos 99% da velocidade de entrada. Então, estamos a 99% do caminho de onde queremos estar. Mas o último porcento, como sempre parece ser, é a parte complicada.
EB: Agora a espaçonave já determinhou realmente quando irá se livrar do paraquedas.
BC: Nós separamos do módulo a 190 km/h a cerca de 1km acima da superfície de Marte: 3.200 pés. Isso é como colocar dois edifícios Empire State um em cima do outro.
EB: Nessa hora nos separamos da proteção toda e entramos em queda livre. É um momento bem assustador: muito pode acontecer em um período curto de tempo. LC: Então está em queda livre mas também está tentando usar todos seus aparelhos para garantir que esteja na posição correta para pousar.
EB: E depois ele tem que ligar os motores, se endireitar, e aí lentamente diminuir a velocidade e tocar o chão em segurança.
BC: Terra e Marte são tão distantes que demora dez minutos para um sinal de Marte chegar à Terra. E a EDP em si é uma questão de sete minutos. Então no momento em que recebermos dados do que a EDP começou ela já terá terminado.
EB: Nós temos que dar muita autonomia para a espaçonave para que ela possa pousar sozinha em segurança.
BC: EDP é um problema enorme e tecnicamente desafiador. Temos de pegar uma espaçonave que está se movendo pelo espaço e tirar todos truques da cartola para de algum modo descobrir como pousar na superfície de Marte a 0 km/h. É um problema imensamente excitante e desafiador.
CE: Esperamos que tudo aconteça do modo que previmos aqui. Então este será um momento muito tenso, enquanto observamos aquela espaçonave pousar em outro planeta.
Deixe-me falar sobre as próximas coisas que famos fazer. Enquanto conversamos, estamos no processo de projetar o próximo veículo que irá descer em Marte. Então pensei em dar uma pequena mostra, tipo, os passos que damos. É muito similar ao que você faz quando projeta seu produto. Como vocês viram agora a pouco, quando estávamos fazendo a Phoenix, tivemos de considerar o calor que estaríamos enfrentando. Então estudamos todo tipo de material diferente, o formato que queríamos fazer. Em geral não tentamos agradar o consumidor aqui. O que queremos é nos certificar que temos um tipo eficaz, eficiente de máquina
Primeiro começamos por querer que nossos funcionários sejam tão imaginativos quanto possível. E adoramos estar perto do centro de artes, pois pedimos, na verdade, a um dos graduados do centro de artes, Eric Nyquist, que pusesse uma série de imagens, imagens conceituais, onde chamamos sala de projetos de missão ou de espaçonave para que as pessoas pensem livremente sobre as coisas. Nós temos um monte de Legos. Então, como eu disse, este é um parquinho para adultos, onde eles sentam-se e tentam brincar com formatos e desenhos diferentes.
Aí nós ficamos um pouco mais sérios e então entram em ação os programas de CAD/CAM e todos engenheiros e cientistas que estão envolvidos, que saibam sobre propriedades térmicas, sobre projetos, sobre interações atmosféricas, paraquedas, todas essas coisas, as quais são trabalhadas em equipe e, enfim, projetam uma espaçonave no computador de algum modo que possam ver se ela atinge os requisitos que precisamos. À direita, também precisamos levar em consideração o ambiente do planeta onde estamos indo. Se você está indo a Júpiter terá níveis altos de radiação, sabe, naquele ambiente. É mais ou menos a mesma radiação perto de Júpiter e dentro de um reator nuclear.
Então imagine isso: você joga o seu PC dentro de um reator nuclear e ele tem que funcionar. Então esses são alguns dos pequenos desafios, que temos de enfrentar. Se você está fazendo uma entrada, tem que testar o paraquedas. Vocês viram o vídeo do paraquedas quebrando. Aquilo seria um dia ruim, sabe, se acontecesse. Então temos que testar pois estamos lançando o paraquedas a velocidades supersônicas. Chegamos a velocidades extremas e o abrimos para frear. Então temos que fazer todo tipo de testes. Para dar a você uma ideia do tamanho do paraquedas em relação às pessoas em pé ali.
Próximo passo, nós construimos de fato um modelo de testes e testamos de fato no laboratório do LPJ, no que chamamos de Quintal Marte. Nós chutamos o modelo, atiramos nele, o derrubamos, apenas para certificar que entendemos como e onde ele quebraria. Então voltamos a partir desse ponto, e fazemos de fato a construção e o vôo. E esse próximo veículo que iremos voar é do tamanho de um carro. O grande escudo que você vê por fora, é o escudo de calor que irá protegê-lo. E isso será basicamente construído no ano que vem, e será lançado em Junho, daqui a um ano. Agora, neste caso por se tratar de um veículo muito grande não podemos usar airbags. E eu sei que muitos de vocês, depois da última vez disseram, bem, essa é um coisa boa de se ter – airbags. Infelizmente este veículo tem, tipo, umas dez vezes o tamanho sabe, do outro veículo ou três vezes a massa. Assim, não podemos usar airbags. Então tivemos de bolar outra ideia engenhosa de como pousar o veículo. E não queríamos descê-lo através de propulsão até a superfície pois não queríamos contaminar a superfície; queríamos que o veículo pousasse imediatamente em suas pernas.
Então tivemos a ideia engenhosa que é usada na Terra por helicópteros. Na verdade o módulo de pouso vai descer a 30m do chão, pairar a essa altitude e então teremos um guindaste que descerá o veículo e o pousará na superfície. Esperamos que tudo possa funcionar dessa maneira. E o veículo será mais como um tipo de químico. O que iremos fazer com o veículo enquanto ele anda pelas redondezas será analizar a composição química das rochas. Então ele terá um braço que colherá amostras, irá botá-las em um forno, esmagá-las e analizá-las. Mas também, se houver algo que não possamos alcançar pois está no alto em um penhasco, temos um pequeno sistema laser que irá de fato atingir a rocha, evaporar uma parte dela e então analizar o que está saindo daquela rocha. Então é meio parecido com Star Wars, mas é real. É uma coisa real. E também para ajudar vocês, ajudar a comunidade você pode fazer anúncios no veículo, vamos treiná-lo para além de fazer o que já faz, possa servir coquetéis também em Marte.
Isso, então, meio que dá a ideia de como estão as coisas legais que fazemos em Marte. Eu pensei em passar para o Senhor dos Anéis agora e mostrar a vocês algumas das coisas que temos lá. Bem, o Senhor dos Anéis tem duas coisas interessantes. Uma, é um planeta muito atraente – ele tem essa beleza dos anéis e tudo mais. Mas para cientistas, os anéis tem um significado especial, pois acreditamos que representam, numa escala pequena, como o sistema solar realmente se formou. Alguns dos cientistas acreditam que o modo como o sistema solar se formou, que quando o Sol colapsou e virou de fato o Sol, um monte de poeira ao seu redor criou anéis e essas partículoas nos anéis se agruparam, e formaram rochas maiores e então foi assim que os planetas, sabe, se formaram.
Então, a ideia é que ao observar Saturno estamos observando nosso sistema solar, em tempo real, sendo foramdo em baixa escala, então é uma forma de testar isso. Deixe-me mostrar a vocês um pouco como o sistema saturnal se parece. Primeiro, vou sobrevoar com vocês os anéis. Aliás, tudo isso é real. Não é uma animação ou algo assim. Isto foi realmente tirado de um satélite que temos em órbita de Saturno, o Cassini. E você vê a quantidade de detalhes que tem nos anéis, que são partículas. Algumas delas estão se agrupando e formando partículas maiores Então é por isso que tem essas falhas, é porque um pequeno satélite, está se formando ali. Agora, você pensa que os anéis são objetos muito grandes. Sim, eles o são mesmo em uma dimensão; em outra dimensão são finos como papel. Muito, muito finos. O que vocês estão vendo aqui é a sombra do anel em Saturno. E aquele é um dos satélites que realmente se formou ali. Então, pense sobre eles finos como papel, uma enorme área de centenas de milhares de km, que está girando.
E temos uma grande variedade de tipos de satélites a se formar, cada um com sua aparência diferente e estranha, o que mantém cientistas ocupados por dezenas de anos tentando explicar isso e dizendo à Nasa que precisamos de mais dinheiro para explicar o que essas coisas parecem ou porque elas se formam assim. Bem, haviam dois satélistes particularmente interessantes. Um deles se chama Enceladus. É um satélite que era todo feito de gelo, e nós o medimos da óribita. Feito de gelo. Mas havia algo de bizarro a seu respeito. Se você olhar essas listras aqui, o que chamamos de listras de tigre, quando sobrevoamos sobre elas, de repente vimos um aumento na temperatura, o que mostra que essas listras são mais quentes que o resto do planeta.
Então conforme voávamos para longe, olhamos para trás. E advinha? Vimos gêiseres saindo. Então isso é um "Yellow Stone" em Saturno. Estamos vendo gêiseres de gelo que estão saindo do planeta, o que indica que provavelmente existe um oceano abaixo da superfície. E de algum modo, através de um efeito dinâmico, temos esses gêiseres que estão sendo emitidos dele. E a razão de eu ter mostrado as setinhas ali, aquilo significa 48 km. Nós decidimos alguns meses atrás que voaríamos com a espaçonave através da bruma desse gêiser para podermos mensurar o material do qual é feito. Ela voou a 64 km, pois estávamos preocupados com os riscos envolvidos, mas foi tudo bem. Nós voamos no topo do gêiser e descobrimos que há uma boa quantia de material orgânico que está sendo emitido combinado ao gelo. E pelos próximos anos, enquanto contiuamos orbitando Saturno, planejamos nos aproximar mais e mais da superfície e fazer medições mais precisas.
Agora, outro satélite também atraiu bastante atenção, e ele é Titã. E a razão de Titã ser particularmente interessante, é por ser um satélite maior que nossa lua e ter atmosfera. E essa atmosfera é muito... tão densa quanto a nossa atmosfera. Então se estivesse em Titã, você sentiria a mesma pressão que sente aqui. Exceto que ela é muito mais fria e é maciçamente feita de metano. Agora, metano deixa as pessoas animadas, pois é material orgânico então imediatamente as pessoas pensam que a vida poderia ter evoluído nesse lugar, já que se tem muito material orgânico. As pessoas creem agora que Titã é mais parecido com um planeta prébiotico, pois é tão frio que matéria orgânica não passaria ao estágio de se tornar matéria biológica, e, consequentemente, fazer a vida evolur.
Titã pode ser igual à Terra, congelada há três bilhões de anos antes da vida realmente começar nela. Isso está levantando muito interesse e para mostrar-lhes alguns exemplos do que fizemos lá, nós lançamos uma sonda que foi desenvolvida por colegas na Europa, lançamos a sonda enquanto orbitávamos Saturno. Nós a lançamos na atmosfera de Titã. E esta é uma foto de uma área enquanto descíamos. Parece-se com a costa da Califórnia para mim. Você vê os rios que seguem a costa e vê aquela área branca que parece-se com a ilha Catalina e aquilo com um oceano. E então com um instrumento a bordo da sonda, um radar, descobrimos que há lagos como os Grandes Lagos aqui, é muito parecido com a Terra. Parece que existem rios em Titã, oceanos ou lagos. Nós sabemos que há nuvens. Achamos que chova também. Então é muito parecido com o ciclo terrestre, exceto por ser tão frio o que não permite haver água, pois ela teria congelado. O que notamos então é que todo esse líquido que vemos é feito de hidrocarbonetos, etano e metano, parecido com o combustível de carro.
Então aqui temos um ciclo de um planeta parecido com a Terra, mas todo feito de etano, metano e material orgânico. Então se estivesse em Marte – desculpe, em Titã, você não se preocuparia com gasolina cara. Só dirigiria até um lago próximo, botaria lá sua mangueira e encheria o tanque do carro. Por outro lado, se acendesse um fósforo todo o planeta explodiria. Concluindo, eu disse que queria encerrar com algumas fotos. E só para dar uma certa perspectiva, está é uma foto de Saturno tirada com uma espaçonave atrá de Saturno, olhando em direção ao Sol. O Sol está atrás de Saturno, então vemos o chamado "forward scattering" então todos os anéis são iluminados. Eu vou aproximar. Ali está – não sei se vocês podem ver bem, mas no topo esquerdo, ali em cima, há um ponto bem pequeno e aquilo é a Terra. Você mal pode ver a si próprio. Então o que fiz, pensei em aproximar a foto. E enquanto você aproxima, você pode ver a Terra, sabe, bem aqui no meio. E nos aproximamos até o centro de arte.
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Na "Serious Play 2008", Charles Elachi conta histórias do lendário Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa – incluindo contos e vídeos do projeto da sonda em Marte.
Charles Elachi is the director of NASA's Jet Propulsion Laboratory, where he oversees space exploration programs such as the Mars Rovers. Full bio »
Translated into Portuguese, Brazilian by Rodrigo Ferraz
Reviewed by Eduardo Poyart
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17:09 Posted: Oct 2007
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19:37 Posted: Oct 2006
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06:18 Posted: Oct 2007
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