Quero compatilhar com vocês nos próximos 18 minutos uma ideia incrível. Na verdade, é uma grande ideia. Mas para começar, quero pedir que todos fechem os olhos por dois segundos e tentem pensar em uma tecnologia ou ciência que achem que tenha mudado o mundo. Eu aposto que nesta plateia estão pensando em uma tecnologia realmente incrível, algo que eu nunca tenha ouvido. Tenho certeza absoluta. Mas também tenho muita certeza, que absolutamente ninguém está pensando nisto. Esta é a vacina da pólio.
E é ótimo que na verdade ninguém teve que pensar nela hoje, pois significa que a temos como algo garantido. Esta é uma grande tecnologia. Podemos contar como completamente garantida. Mas nem sempre foi assim. Mesmo aqui na Califórnia, se voltarmos alguns anos, era uma história muito diferente. As pessoas estavam apavoradas com essa doença. Elas estavam apavoradas com a pólio, e isso causava pânico público. E era por causa de cenas como esta. Nesta cena, as pessoas estão vivendo em um pulmão de ferro. São pessoas que eram perfeitamente saudáveis dois ou três dias antes, e então, dois dias depois, elas não conseguem mais respirar, e o vírus da pólio paralizou, não somente seus braços e pernas, mas também seus músculos respiratórios. E eles irião passar o resto de suas vidas, geralmente, com seus pulmões de ferro respirando por eles.
Essa doença era aterrorizante; não tinha cura e não havia vacina. A doença era tão horrível que o presidente dos Estados Unidos lançou um esforço nacional extraordinário para achar uma maneira de pará-la. Vinte anos depois, conseguiram e foi desenvolvida a vacina contra a pólio. Ela foi considerada um milagre científico no fim dos anos 50. Finalmente, uma vacina que poderia acabar com essa doença terrível. E aqui nos Estados Unidos teve um impacto incrível. Como podem ver, o vírus parou, e parou muito, muito rápido.
Mas este não foi o caso no resto do mundo. No entanto, aconteceu tão rápido nos Estados Unidos, que mesmo no mês passado, Jon Stewart disse isto:
(Vídeo) Jon Stewart: Onde a pólio ainda existe? Porque eu pensei que havia sido erradicada assim como a varíola foi erradicada.
Bruce Aylward: Opa. Jon, a pólio quase foi erradicada. Mas a realidade é que a pólio ainda existe até hoje. Fizemos este mapa para Jon, para tentar mostrá-lo onde a pólio ainda existe. Esta é a imagem. Não resta muito da pólio no mundo. Mas a razão porque não resta muito é porque houve uma parceria público-privada extraordinária trabalhando nos bastidores, quase desconhecida, para a maioria de vocês aqui hoje. Ela vem trabalhando há 20 anos para tentar erradicar essa doença. E diminuiu para esses poucos casos que vocês veem aqui neste gráfico.
Mas no ano passado, tivemos um choque incrível e percebemos que "quase" não é bom o suficiente com um vírus como a pólio. E esta é a razão: em dois países que não tiveram essa doença por provavelmente mais de uma década, em lados opostos do globo, aconteceram de repente surtos terríveis de pólio. Centenas de pessoas ficaram paralisadas. Centenas de pessoas morreram – crianças e adultos. Em ambos os casos, conseguimos usar a sequência genética para examinar os vírus da pólio. E identificamos que esses vírus não eram de tais países. Eles vieram de milhares de quilômetros de distância. E em um caso, originou-se em outro continente. E não só isso, mas quando chegaram a esses países, eles provavelmente entraram em aviões comerciais e viajaram ainda mais longe para outros lugares como a Rússia, onde, pela primeira vez em mais de uma década no ano passado, crianças ficaram aleijadas e paralíticas por uma doença que não haviam visto por anos.
Agora, todos esses surtos que mostrei para vocês, estão sob controle, e parece que vão acabar muito rapidamente. Mas a mensagem foi bem clara. A pólio ainda é uma doença devastadora e explosiva. Só que está acontecendo em outra parte do mundo. E nossa grande ideia é que o milagre científico desta década deverá ser a erradicação completa da poliomielite.
Então quero falar a vocês um pouco sobre o que a parceria, a Parceria da Pólio, está tentando fazer. Não estamos tentando controlar a pólio. Não queremos reduzi-la a apenas alguns casos, porque essa doença é como incêndio florestal: pode explodir de novo se não acabarmos com ela completamente. Então estamos procurando uma solução permanente. Queremos um mundo onde cada criança, assim como vocês, possa contar como garantido um mundo livre da pólio. Então procuramos por uma solução permanente. E é aí que temos sorte. Este é um dos poucos vírus no mundo onde há rachaduras grandes o suficiente em sua armadura que podemos tentar fazer algo realmente extraordinário. O vírus só sobrevive em pessoas. Não consegue viver por muito tempo em pessoas. Não sobrevive no ambiente. E temos vacinas muito boas, como acabei de mostrar. Então estamos tentando acabar com esse vírus completamente. O que o programa de erradicação da pólio está tentando fazer é acabar com o vírus em si que causa pólio em todos os lugares da Terra.
Agora, não temos um grande registro em se tratando de algo assim, para erradicar doenças. Tentou-se seis vezes no último século, e foi bem sucedido apenas uma vez. E isso porque a erradicação de doenças ainda é o capital de risco da saúde pública. Os riscos são enormes, mas os resultados – econômicos, humanitários, motivacionais – são absolutamente enormes. Um congressista aqui nos Estados Unidos estima que o investimento total que os EUA colocaram na erradicação da varíola se paga a cada 26 dias – em custos com tratamento não gastos e custos com vacinação. E se conseguirmos erradicar a pólio, os países mais pobres do mundo vão economizar mais de 50 bilhões de dólares somente nos próximos 25 anos. Então são esses os resultados que estamos buscando.
Mas a erradicação da varíola foi difícil; foi muito, muito difícil. E a erradicação da pólio, de muitas formas, é mais difícil. E há algumas razões para isso. A primeira é que, quando começamos a tentar erradicar a pólio há cerca de 20 anos, mais que o dobro de países estavam infectados do que quando começamos com a varíola. E havia mais de dez vezes o número de pessoas vivendo nesses países. Então foi um esforço enorme. O segundo desafio que tivemos foi – em contraste com a vacina da varíola, que era muito estável, e uma única dose protegia para sempre – que a vacina da pólio é extremamente frágil. Ela se deteriora tão rapidamente nos trópicos que tivemos que colocar um monitor de vacina especial em cada ampola, para que ela mude rapidamente quando exposta a muito calor, e podemos saber se a vacina não é apropriada para usar em uma criança – não é potente; não irá protegê-las. Ainda assim, as crianças precisam de várias doses da vacina.
Mas o terceiro desafio que tivemos – e provavelmente o maior deles, o maior desafio – é que, em contraste com a varíola onde é possível ver o seu inimigo – quase todas as pessoas infectadas com varíola tinham essa reveladora erupção. Então era possível tratar a doença; era possível vacinar em torno da doença e cortá-la. Com a pólio é quase totalmente diferente. A grande maioria das pessoas infectadas com o vírus da pólio não mostra sinal algum da doença. Não é possível ver o inimigo na maioria das vezes. E como resultado, precisávamos de uma abordagem diferente para erradicar a pólio do que foi feito com a varíola.
Tivemos que criar um dos maiores movimentos sociais da história. Há mais de 10 milhões de pessoas, provavelmente 20 milhões de pessoas, na maioria voluntários, que vêm trabalhando nos últimos 20 anos no que agora foi chamado de a maior operação internacionalmente coordenada em tempos de paz. Essas pessoas, esses 20 milhões de pessoas, vacinam mais de 500 milhões de crianças a cada ano, diversas vezes no pico de nossa operação. Agora, dar a vacina da pólio é simples. São somente duas gotinhas, assim. Mas chegar a 500 milhões de pessoas é muito, muito mais difícil. E esses vacinadores, esses voluntários, têm que mergulhar de cabeça em algumas das mais densas e perigosas áreas urbanas no mundo. Eles têm que caminhar sob o sol escaldante até alguns dos lugares mais remotos e difíceis de se chegar no mundo. E eles também têm que desviar de balas, porque temos que operar durante tréguas e cessar-fogo pouco confiáveis para tentar vacinar as crianças, mesmo nas áreas afetadas por conflito.
Um repórter que estava vendo nosso programa na Somália cerca de cinco anos atrás – um lugar que erradicou a pólio não uma, mas duas vezes, porque eles foram re-infectados. Ele estava sentado fora da estarda, observando uma das campanhas de pólio acontecerem, e alguns meses depois escreveu: "Isto é ajuda estrangeira da mais heróica." E estes heróis são pessoas que vêm de todos os cantos, com diferentes histórias. Mas um dos mais extraordinários é o Rotary International. Este é um grupo que tem um exército de um milhão de voluntários que vêm trabalhando para erradicar a pólio por mais de 20 anos. Eles estão bem no centro de tudo.
Mas demorou anos para construir a infraestrutura para erradicação da pólio – mais de 15 anos, muito mais do que deveria ter sido – mas uma vez construída, os resultados foram incríveis. Em poucos anos, todo o país que começou a erradicação da pólio rapidamente erradicou todos os três vírus da pólio, com exceção dos quatro países que vocês veem aqui. E em cada um deles, foi somente parte do país. E então, em 1999, um dos três vírus da pólio que estávamos tentando erradicar foi completamente erradicado no mundo – prova do conceito. E hoje, houve uma redução de 99% – mais de 99% de redução – no número de crianças que são paralisadas por esta doença horrível. Quando começamos, mais de 20 anos atrás, mil crianças eram paralisadas a cada dia por esse vírus. No ano passado, foram mil.
E ao mesmo tempo, o programa de erradicação da pólio vem trabalhando para ajudar em muitas outras áreas. Vem trabalhando para ajudar a controlar gripes pandêmicas, como a SARS. Também tenta salvar crianças fazendo outras coisas – dando vitamina A, dando vacinas contra o sarampo, dando mosquiteiros contra a malária durante algumas dessas campanhas. Mas a coisa mais empolgante que o programa de erradicação da pólio vem fazendo foi nos forçar, a comunidade internacional, a chegar a cada criança, a cada comunidade – as pessoas mais vulneráveis no mundo com os serviços de saúde mais básicos, independente da geografia, pobreza, cultura e mesmo conflito.
As coisas pareciam empolgantes e então há cerca de cinco anos, o vírus, o vírus antigo, começou a contra-atacar. O primeiro problema que tivemos foi que, nesses últimos quatro países – as fortalezas desse vírus – simplesmente não conseguíamos erradicá-lo. E para piorar ainda mais a situação, o vírus começou a se espalhar para fora desses quatro países, especialmente do norte da Índia e norte da Nigéria, para a África, a Ásia e mesmo para a Europa, causando surtos horríveis em lugares que não viam essa doença há décadas. E então, em um dos mais importantes, tenazes e difíceis reservatórios do vírus da pólio no mundo, descobrimos que nossa vacina não estava funcionando nem a metade do que deveria. Nessas condições, a vacina não conseguia alcançar a eficácia que precisava nas entranhas dessas crianças e protegê-las da maneira necessária.
Naquela época, como podem imaginar, havia uma grande frustração – vamos dizer frustração – que começou a crescer rapidamente. E de repente, algumas vozes muito importantes no mundo da saúde pública começaram a dizer: "Espera aí. Deveríamos abandonar a ideia de erradicação. Vamos nos ater ao controle – isso é bom o suficiente." Por mais sedutora que a ideia de controle pareça, é uma falsa premissa. A verdade brutal é: se não tivermos vontade ou habilidade, ou mesmo o dinheiro que pecisamos para chegar às crianças – às crianças mais vulneráveis no mundo – com algo tão simples quanto a vacina oral da pólio, muito em breve, mais de 200 mil crianças vão novamente ser paralisadas por essa doença a cada ano. Sem sombra de dúvida.
São crianças como Umar. Umar tem sete anos de idade, e é do norte da Nigéria. Ele mora com sua família, com seus oito irmãos e irmãs. Umar também tem pólio. Umar foi paralisado para sempre. Sua perna direita foi paralisada em 2004. Essa perna, a perna direita, agora sofre imensamente, porque ele tem que rastejar, pois é mais rápido se mover dessa maneira para acompanhar os amigos, acompanhar seus irmãos e irmãs, do que pegar muletas e andar. Mas Umar é um aluno fantástico. É um garoto incrível. Provavelmente vocês não consigam ver aqui, mas este é o seu boletim. E verão que ele tem notas excelentes. Ele conseguiu 10 em todas as coisas importantes, como poesia infantil, por exemplo. Mas eu adoraria poder ser capaz de dizer que Umar é um típico garoto com pólio hoje em dia, mas não é verdade. Umar é um garoto excepcional em circunstâncias excepcionais.
A realidade da pólio hoje é algo muito diferente. A pólio ataca as comunidades mais pobres no mundo. Deixa as crianças paralíticas, e arrasta as famílias mais profundamente na pobreza, porque elas buscam deseperadamente e gastam o pouco das economias que têm tentando em vão achar a cura para suas crianças. Acreditamos que as crianças merecem mais. Então, quando os procedimentos ficaram mais difíceis no programa de erradicação da pólio, há cerca de dois anos, quando as pessoas diziam "Devemos parar com isso", a Parceria da Pólio decidiu arregaçar as mangas mais uma vez e tentar achar novas soluções inovadoras, novas maneiras de chegar às crianças que novamente não estávamos atendendo.
No norte da Índia, começamos a mapear os casos usando imagens de satélite como estas, para podermos guiar nossos investimentos e abrigos de vacinação, para chegarmos a milhões de crianças da bacia do Rio Koshi onde não há outros serviços de saúde. No norte da Nigéria, os líderes políticos e os líderes tradicionais muçulmanos, envolveram-se diretamente com o programa para ajudar a resolver problemas de logística e confiança na comunidade.
E agora eles até começaram a usar esses dispositivos – falando em tecnologia incrível – estes pequenos dispositivos, rastreadores GIS como este, que colocam dentro dos contêineres de vacina dos vacinadores. E então é possível rastreá-los. No fim do dia, eles olham e veem se esses caras chegaram a cada uma das ruas e casas. Este é o comprometimento que estamos vendo para tentar chegar às crianças que não estávamos atendendo. E no Afeganistão, estamos tentando novas abordagens – negociadores de acesso. Estamos trabalhando em estreita colaboração com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha para assegurar que podemos chegar a cada criança.
Mas à medida que tentamos essas coisas extraodinárias e pessoas fazem esforços para tentar estruturar suas táticas, voltamos para a vacina – é uma vacina de 50 anos – e acreditamos que com certeza poderíamos fazer uma vacina melhor, para que quando finalmente elas chegarem às crianças, possamos obter melhores resultados para nosso investimento. E isso começou uma incrível colaboração com a indústria. E em seis meses, estávamos testando uma nova vacina da pólio que tinha como alvo, há apenas dois anos, os últimos dois tipos de pólio no mundo. Em 9 de junho de 2009, tivemos os primeiros resultados do primeiro teste com esta vacina. E acabou sendo algo revolucionário. A nova vacina tinha impacto duas vezes maior sobre os dois vírus do que a vacina antiga. E imediatamente começamos a usá-la. Bem, em poucos meses, pois tivemos que produzi-las. E começou a sair da linha de produção direto para as bocas das crianças pelo mundo. Nós não começamos com os lugares fáceis. O primeiro lugar onde a vacina foi usada foi no sul do Afeganistão, pois é em lugares como este que as crianças vão se beneficiar muito mais de tecnologias como esta.
Agora, aqui no TED, nos últimos dois dias, eu vi pessoas desafiando a plateia várias vezes a acreditar no impossível. Então hoje de manhã, por volta das 7 horas, decidi que tentaríamos levar o Chris e a equipe de produção aqui à loucura ao fazer o download dos nossos dados da Índia novamente, para que vocês possam ver algo que está acontecendo hoje, o que prova que o impossível é possível. E somente dois anos atrás, as pessoas diziam que isso era impossível. Agora, lembrem que o norte da Índia é a "tempestade perfeita" em se tratando de pólio. Mais de 500 mil crianças nascem nos dois estados que nunca acabaram com a pólio – Uttar Pradesh e Bihar – 500 mil crianças a cada mês. O saneamento é terrível, e nossa vacina antiga, como lembram, tinha metade do resultado que deveria. Mesmo assim, o impossível está acontecendo. Hoje faz exatamente seis meses – e pela primeira vez na história, nenhuma criança sofreu paralisia em Uttar Pradesh ou Bihar.
A Índia não é a única. Na Nigéria, país do Umar, houve uma redução de 95% no número de crianças paralisadas pela pólio no ano passado. E nos último seis meses, tivemos menos lugares reinfectados pela pólio do que qualquer outra época na história.
Senhoras e senhores, com a associação de pessoas inteligentes, tecnologia inteligente e investimentos inteligentes, a pólio pode agora ser erradicada em qualquer lugar. Temos desafios enormes, como podem imaginar, para terminar este trabalho, mas como também viram, é possível, tem grandes benefícios secundários, e a erradicação da pólio é um ótimo investimento. E enquanto crianças em qualquer lugar ficarem paralíticas pelo vírus, é um lembrete importante de que estamos falhando, como sociedade, em chegar às crianças com os serviços mais básicos. E por essa razão, a erradicação da pólio: é o máximo em patrimônio; e é o máximo em justiça social. O enorme movimento social que tem sido feito para a erradicação da pólio está pronto para fazer muito mais por estas crianças. Está pronto para chegar a elas com mosquiteiros, com outras coisas. Mas aproveitar seu entusiasmo, aproveitar sua energia significa terminar o trabalho que começaram há 20 anos.
Erradicar a pólio é algo inteligente, e é a coisa certa para se fazer. Estamos em tempos economicamente difíceis. Mas como David Cameron do Reino Unido disse há cerca de um mês quando falava sobre a pólio, "Nunca há uma época errada para fazer a coisa certa." Concluir a erradicação da pólio é fazer a coisa certa. E estamos em uma encruzilhada agora neste grande esforço de mais de 20 anos. Temos uma nova vacina, temos nova determinação e temos novas táticas. Nós temos a chance de escrever um capítulo inteiro de pólio erradicada na história da humanidade. Mas se hesitarmos agora, perderemos para sempre a chance de erradicar essa doença antiga. Aqui vai uma boa ideia para se espalhar: Acabem com a pólio agora. Ajudem-nos a contar a história. Ajudem-nos a criar o impulso. Para que muito em breve cada criança, cada pai, em todo lugar, também possa contar como garantida uma vida para sempre sem pólio.
Bill Gates: Bem, Bruce, quais lugares você acha que serão mais difíceis? Onde você diria que precisamos ser mais inteligentes?
BA: Os quatro lugares que você viu, onde nunca foi erradicada – norte da Nigéria, norte da Índia, o canto sul do Afeganistão e as fronteiras do Paquistão – serão as mais difíceis. Mas o interessante é que dessas três, a Índia está tendo progresso, como você viu nos dados. E o Afeganistão, nós pensamos, provavelmente já acabou com a pólio várias vezes. Acaba sendo reinfectado. Então os mais difíceis: erradicar no norte da Nigéria e erradicar no Paquistão. Esses serão os lugares mais difíceis.
BG: Mas e quanto ao dinheiro? Diga quanto a campanha custa em um ano. É fácil arrecadá-lo? E como será nos próximos dois anos?
BS: É interessante. Nós já gastamos entre 750 milhões e 800 milhões de dólares por ano. Esse é custo de chegar a 500 milhões de crianças. Parece ser muito dinheiro; e é muito dinheiro. Mas quando se chega a 500 milhões de crianças diversas vezes – 20, 30 centavos por criança – não é muito dinheiro. Mas agora nós não temos o suficiente. Temos um grande déficit dessa quantia. Estamos economizando. E cada vez que economizamos, mais lugares que não deveriam acabam sendo infectados, e isso nos atrasa. E o ótimo investimento acaba nos custando um pouco mais.
BG: Bem, esperamos que sejamos ouvidos, e os governos continuem com sua generosidade. Então boa sorte. Estamos todos nessa com você. Obrigado. (BA: Obrigado.)
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A poliomielite está quase completamente erradicada. Mas como Bruce Aylward diz: "Quase" não é bom o suficiente em se tratando de uma doença tão terrível. Aylward apresenta o plano para continuar o milagre científico que acabou com a pólio em quase todo o mundo – e extingui-la em todos os lugares, para sempre.
Bruce Aylward is a Canadian physician and epidemiologist who heads the polio eradication programme at WHO, the Global Polio Eradication Initiative (GPEI). Full bio »
Translated into Portuguese, Brazilian by Fers Gruendling
Reviewed by Roberto Paes
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25:50 Posted: Jul 2006
Views 227,831 | Comments 43
12:15 Posted: Mar 2009
Views 339,896 | Comments 53
05:52 Posted: Oct 2008
Views 227,566 | Comments 31
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