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About this talk
Nina Jablonski defende que diferentes cores de pele são simplesmente a adaptação do nosso corpo aos variados climas e à exposição aos raios UV
Translated into Portuguese (Portugal) by Filipe Mocito
Reviewed by Sérgio Lopes
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About Nina Jablonski
Nina Jablonski is author of Skin: A Natural History, a close look at human skin’s many remarkable traits: its colors, its sweatiness, the fact that we decorate it. Full bio and more links
Interactive Transcript
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Curiosamente, Charles Darwin nasceu com uma pigmentação muito suave num mundo pigmentado com um escuro moderado. Durante a sua vida, Darwin foi um privilegiado. Ele viveu numa casa abastada. Foi criado por uns pais muito interessados e que o apoiavam. E quanto estava na casa dos 20 embarcou numa notável viagem a bordo do navio "Beagle" E no decurso dessa viagem, ele viu coisas notáveis. Uma diversidade tremenda de plantas e animais, e humanos. E as observações que ele fez nessa jornada épica, vieram a ser eventualmente transcritas para o seu maravilhoso livro, A Origem das Espécies, publicado há 150 anos atrás.
O que é muito interessante e para alguns, a extensão, o que é um pouco infame acerca da Origem das Espécies, é que apenas contém uma única linha acerca da evolução humana. Serão lançadas novas luzes sobre a origem do Homem e a sua história. Foi muito depois, mais tarde, que Darwin realmente falou e escreveu acerca dos humanos.
Nos seus anos de viagem a bordo do Beagle e de ouvir relatos ou exploradores e naturalistas, ele soube que a cor da pele era uma das mais importantes características que variava nas pessoas. E ele ficou de alguma forma interessado nos padrões da cor da pele. Ele sabia que as pessoas com pigmentos mais escuros se encontravam junto ao Equador. Pessoas ligeiramente pigmentadas, como ele próprio, encontravam-se junto dos pólos.
E o que fez ele com estas conclusões? De facto não escreveu nada sobre isso na Origem das Espécies. Mas muito mais tarde, em 1871, ele teve alguma coisa a dizer. E foi muito curioso. Ele disse, "De todas as diferenças entre raças humanas, a cor da pele é a mais visível e uma das mais marcadas." E continuou dizendo, "Estas diferenças não coincidem com correspondentes diferenças no clima." Então ele tinha viajado por toda a parte. Ele tinha visto pessoas de diferentes cores vivendo em diferentes lugares. E no entanto ele rejeitou a ideia de que a pigmentação da pele humana estava relacionada com o clima.
Se Darwin vivesse hoje. Se Darwin tivesse a NASA. Agora, uma das coisas maravilhosas que a NASA faz é colocar lá em cima uma variedade de satélites que detectam toda a espécie de coisas interessantes sobre o ambiente. E já há muitas décadas que existem uma série de satélites TOMS que recolhem dados sobre a radiação na superfície da Terra. Os dados do satélite TOMS 7, mostrados aqui, mostram a média anual das radiações ultravioletas na superfície da Terra. Agora as muito quentes áreas a rosa e vermelho são as áreas do mundo que recebem maiores quantidades de UV durante o ano. As cores gradualmente mais frias, azuis, verdes, amarelos, e finalmente os cinzentos, indicam as áreas de menor radiação ultravioleta.
O que é significativo para a história da pigmentação da pele humana é saber que quantidade do hemisfério Norte está nestas zonas frias cinzentas Isto tem implicações tremendas na nossa compreensão sobre a evolução da pigmentação da pele humana. E o que Darwin não pôde apreciar, ou talvez não tenha querido apreciar naquela altura, é que havia uma relação fundamental entre a intensidade da radiação ultravioleta e a pigmentação da pele. E que a própria pigmentação da pele era um produto da evolução. E quando olhamos para o mapa da cor da pele, e prevemos a cor da pele, tal como a conhecemos hoje, o que vemos é uma bonita gradação desde as pigmentações mais escuras da pele na direcção do equador, e as mais claras em direcção aos pólos.
O que é verdadeiramente importante aqui é que os primeiros seres humanos evoluíram em ambientes com grandes concentrações UV, na África equatorial. Os primeiros membros da nossa linhagem, o género Homo, tinham uma pigmentação escura. E todos nós partilhamos esta incrível herança de termos tido originalmente uma pigmentação escura, entre dois milhões e um milhão e meio de anos atrás.
Agora, o que aconteceu na nossa história? Vamos primeiro olhar para a relação entre a radiação ultravioleta e a superfície da Terra. Nesses primeiros tempos da nossa evolução, olhando para o equador, fomos bombardeados com grandes níveis de radiações ultravioletas. O UVC, o tipo mais energético, é bloqueado pela atmosfera terrestre. Mas o UVB e o UVA especialmente, entra sem impedimento. O UVB revela-se extremamente importante. É muito destrutivo. Mas também catalisa a produção de vitamina D na pele. A vitamina D é uma molécula que é muito necessária para os nossos fortes ossos, para a saúde do nosso sistema imunitário, e para uma miríade the outras funções importantes do nosso corpo.
Assim, no equador, tivemos grandes quantidades de radiação ultravioleta e a melanina, este maravilhoso, complexo, antigo polímero composto na nossa pele, serviu como um excelente protector solar natural. Este polímero é espantoso porque está presente em organismos muito diferentes. A melanina, de variadas formas, deve existir na Terra provavelmente há mil milhões de anos. E tem sido recrutada repetidamente pela evolução, como ocorre várias vezes. Porquê mudá-la se assim resulta?
Assim, a melanina tem sido recrutada, na nossa linhagem, e especificamente nos nossos antepassados evoluindo em África, para ser um protector solar natural. Protegendo o corpo contra as degradações provocadas pela radiação ultravioleta, a destruição, ou deterioração do ADN, e a repartição de uma molécula muito importante chamada folato, que ajuda a alimentar a produção e reprodução celular no corpo. É maravilhoso. Nós evoluímos esta muito protectora e maravilhosa cobertura de melanina.
Mas depois mudámo-nos. E os humanos dispersaram-se, não uma, mas duas vezes. Grandes migrações, fora da nossa pátria equatorial, desde África, para outras partes do velho mundo, e mais recentemente, para o Novo Mundo. Quando os humanos se dispersaram para estas latitudes, que encontraram? As condições eram significativamente mais frias mas também menos intensas no que diz respeito ao regime ultravioleta.
Então, se estamos em algum lugar no Hemisfério Norte, reparem no que acontece à radiação ultravioleta. Ainda continuamos a receber os UVA. Mas todo o UVB, ou a grande parte dele, é dissipada através da espessura da atmosfera No inverno, quando estão a esquiar nos alpes, podem ser atingidos por radiação ultravioleta. Mas é tudo UVA, e de forma significativa, esse UVA não tem capacidade de produzir vitamina D na vossa pele.
Portanto, as pessoas que habitam no Hemisfério Norte foram despojadas do potencial de produzir vitamina D nas suas peles, durante a maior parte do ano. Isto teve consequências tremendas para a evolução da pigmentação da pele humana. Porque aconteceu que, de forma a assegurar saúde e bem-estar, estas linhagens de pessoas que se dispersaram pelo Hemisfério Norte perderam a sua pigmentação. Houve selecção natural para a evolução das peles ligeiramente pigmentadas.
Aqui começamos a ver a evolução no belo arco-íris de tons castanhos que agora caracteriza toda a humanidade. A pele ligeiramente pigmentada evoluiu não uma, nem mesmo duas, mas provavelmente três vezes. Não apenas nos humanos modernos, mas num dos nossos antepassados distantes, os Neandertais. Um notável testemunho sobre o poder da evolução. Há muito tempo que os humanos estão em movimento. E nos últimos 5000 anos, em maior número, e percorrendo maiores distâncias. Aqui estão apenas algumas das maiores migrações de pessoas, movimentações voluntárias, nos últimos 5000 anos.
Reparem na dimensão de algumas transgressões latitudinais. Pessoas de áreas com grande exposição UV movimentando-se para áreas com pouca exposição e vice-versa. E nem todas estas migrações foram voluntárias. Entre 1520 e 1867, 12,5 milhões de pessoas foram deslocadas de áreas com grande exposição UV para áreas com pouca exposição UV, no comércio transatlântico de escravos. Isto teve todo o tipo de consequências sociais odiosas. Mas teve também perigosas consequências para a saúde das pessoas.
E então? Continuamos em deslocação. Somos tão espertos que podemos ultrapassar tudo isto aparentes impedimentos biológicos. Bem, frequentemente não estamos conscientes do facto de estarmos a viver em ambientes aos quais a nossa pele está inerentemente pouco adaptada. Alguns de nós com peles ligeiramente pigmentadas vivemos em áreas com grandes exposição aos UV. Alguns de nós com peles mais escuras vivemos em áreas com pouca exposição aos UV. Isto tem tremendas consequências para a nossa saúde.
Nós devemos, se formos ligeiramente pigmentados, ter cuidado com o problema do cancro da pele, e a destruição do folato nos nossos corpos, pela radiação solar. Epidemiologistas e médicos têm sido muito bons ao dizerem-nos para protegermos a nossa pele. Aquilo em que não têm sido tão bons a instruir as pessoas, é no problema das pessoas com pele mais escura, a viver em áreas de maior latitude, ou que trabalhem sempre no interior de edifícios.
Porque o problema aí é igualmente grave. Mas é ainda mais sinistro. Devido à deficiência da vitamina D, pela falta de radiação ultravioleta B, torna-se num problema maior. A deficiência de vitamina D afecta as pessoas, e causa todo o tipo de problemas de saúde aos seus ossos, e à gradual decadência dos seus sistemas imunitários, ou perda da função imunitária, e provavelmente outros problemas no seu humor e saúde, na sua saúde mental.
Assim temos, na pigmentação da pele, um destes maravilhosos produtos da evolução, que ainda tem consequências para nós hoje em dia. E as consequências sociais, como as conhecemos, são incrivelmente profundas. Vivemos num mundo onde existem pessoas com pele clara e pessoas com pele escura vivendo ao lado umas das outras. Muitas vezes, colocadas inicialmente juntas como resultado de interacções sociais muito desagradáveis. Assim como podemos ultrapassar isto? Como o podemos começar a compreender? A Evolução ajuda-nos.
200 anos depois do aniversário de Darwin, nós temos o primeiro Presidente dos Estados Unidos moderadamente pigmentado. (Aplausos) Quão maravilhoso é isto? (Aplausos) Este homem é significativo por toda uma série de razões. Mas necessitamos de pensar como o comparar, em termos da sua pigmentação, com outras pessoas na Terra. Ele, como uma de muitas populações urbanas e mistas, é muito emblemático de um misto de parentesco, de um misto de pigmentação. ele parece-se, e muito, com pessoas com níveis moderados de pigmentação que vivem no sul da África, ou Sudeste Asiático.
Estas pessoas têm um potencial tremendo para se bronzear, para desenvolver mais pigmento nas suas peles, em resultado da exposição solar. Correm também o risco de sofrerem de deficiência de vitamina D, se tiverem trabalhos de secretária, como aquela pessoa. Vamos todos desejar que tenha muita saúde, e consciência da pigmentação da sua própria pele.
Agora, o que é maravilhoso acerca da evolução da pigmentação da pele humana, e sobre o fenómeno da pigmentação, é que é a demonstração, a evidência, da evolução pela selecção natural, directamente no vosso corpo. Quando as pessoas vos perguntam, "Qual é a evidência da evolução?" Vocês não têm de pensar em exóticos exemplos, ou em fósseis. Apenas têm de olhar para a vossa pele.
Darwin, na minha opinião, teria apreciado isto, apesar de não ter reconhecido a importância do clima na evolução da pigmentação, durante toda a sua vida. Eu penso que, se ele tivesse a capacidade de ver a evidência que temos hoje, ele teria compreendido. Ele tê-la-ia apreciado. E acima de tudo, tê-la-ia ensinado.
Vocês, vocês podem ensiná-la. Vocês podem tocá-la. Vocês podem compreendê-la. Levem-na para fora desta sala. Agarrem na vossa cor da pele, e celebrem-na. Passem a palavra. Têm a evolução da história da nossa espécie, parte dela, escrita na vossa pele. Compreendam-na. Apreciem-na. Celebrem-na. Saiam. Não é lindo? Não é maravilhoso? Vocês são o produto da evolução Obrigado. (Aplausos)
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