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About this talk
Porque é que as pessoas vêem a Virgem Maria numa sanduíche de queijo ou ouvem letras demoníacas na música "Stairway to Heaven"? Utilizando filme e música, o céptico Michael Shermer mostra como nos convencemos a acreditar - e a ignorar os factos.
Translated into Portuguese (Portugal) by Alexandre Loureiro
Reviewed by Sérgio Lopes
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About Michael Shermer
Michael Shermer debunks myths, superstitions and urban legends, and explains why we believe them. Along with publishing Skeptic Magazine, he's author of Why People Believe Weird Things and The… Full bio and more links
Interactive Transcript
Click on any phrase to play the video from that point.
Eu sou o Michael Shermer, o director da Sociedade de Cépticos, o editor da revista Skeptic. Nós investigamos alegações do paranormal, pseudo-ciência, e grupos e cultos estranhos e alegações de todo o tipo entre - ciência e pseudo-ciência e não-ciência e ciência que não presta, ciência do voodoo, ciência patológica, má ciência, não-ciência e a simples e antiga tolice. E a não ser que tenham estado em Marte recentemente, existe muito disso lá fora.
Algumas pessoas chamam-nos desenganadores, que é um termo um bocado negativo. Mas assumamos - existe muito engano, e nós somos como as esquadras de vigaristas dos departamentos de polícia, a limpar, Bem, nós somos uma espécie de Ralph Naders das más ideias - (Risos) - a tentar substituir as más ideias por boas ideias.
Eu mostro-vos um exemplo de uma má ideia. Eu trouxe isto comigo. Isto foi-nos dado pela NBC Dateline para testar. É o - é produzido pela Quadro Corporation da Virginia Ociental. Chama-se Vara de Detecção Quadro 2000. (Risos) Isto estava a ser vendido a administradores de liceu por 900 dólares cada. É um bocado de plástico com uma antena de rádio presa ao mesmo. Poder-se-ia detectar todo o tipo de coisas, mas este em particular foi construído para detectar marijuana nos cacifos dos estudantes. (Risos)
Portanto funciona assim, vamos andando pelo corredor e vemos se ele tende na direcção de um cacifo em particular, e depois abrimos o cacifo. Portanto parece-se algo como isto. Eu mostro-vos. (Risos) Não, ele - bem, ele tem uma espécie de tendência para inclinar para a direita. Portanto, eu mostrarei - bem, isto é ciência, portanto faremos umas experiência controlada. Irá para este lado de certeza. (Risos)
Senhor, quer fazer o favor de esvaziar os bolsos? (Risos)
Portanto a pergunta era, consegue realmente encontrar marijuana nos cacifos dos estudantes? E a resposta é, se abrirem um número suficiente - sim. (Risos) (Aplausos)
Mas em ciência, temos que anotar as falhas, não apenas os sucessos. E isso é provavelmente a lição chave da minha curta conversa aqui, é que é assim que os psíquicos trabalham, os astrólogos, e os leitores de cartas de tarot e por aí fora. As pessoas lembram-se dos sucessos; esquecem as falhas. Na ciência temos que manter toda a base de dados, e reparar se o número de sucessos é de algum modo relevante perante o número total que iríamos esperar devido ao acaso.
Neste caso, nós testámo-lo. Tínhamos duas caixas opacas, uma com marijuana THC aprovada pelo governo, e uma com nada. E acertou 50 por cento das vezes - - que é exactamente o que esperaríamos com um modelo de moeda ao ar. Portanto este é só um pequeno e engraçado exemplo do tipo de coisas que fazemos.
Skeptic é a publicação trimestral. Cada uma tem um tema em particular, tal como esta é sobre o futuro da inteligência. Estarão as pessoas a tornar-se mais espertas ou burras? Eu tenho uma opinião própria sobre isto por causa do ramo em que estou. Mas, de facto, as pessoas, ao que parece, estão a ficar mais espertas. Três pontos de QI por cada 10 anos, a subir. Uma coisa interessante.
Com ciência, não pensem no cepticismo como uma coisa ou mesmo na ciência como uma coisa. Serão a religião e a ciência compatíveis? É como, serão a ciência e a canalização compativeis? Estas - são simplesmente duas coisas diferentes. A ciência não é uma coisa. É um verbo. É uma maneira de pensar sobre as coisas. É uma maneira de procurar explicações naturais para todos os fenómenos.
Do género, o que é mais provável - que inteligência extraterrestre ou seres multi-dimensionais tenham viajado através de vastas distâncias do espaço interestelar para deixar um círculo de colheita no campo da quinta do fazendeiro Bob em Puckerbrush, no Kansas, para promover o site skeptic.com, a nossa página na web? Ou é mais provável que um leitor da Skeptic tenha feito isto com o Photoshop? E em todos os casos temos que perguntar - (Risos) - Qual é a explicação mais provável? E antes de dizermos que algo é de fora deste mundo, devemos primeiro garantir que não existe neste mundo. O que é mais provável - que o Arnold tenha tido uma pequena ajuda de extraterrestres na sua campanha para o cargo de governador? Ou que a World Weekly News invente coisas? (Risos)
E parte disso - o mesmo tema é expresso de forma notável aqui neste cartoon de Sidney Harris. Para aqueles que estão lá atrás, diz aqui "Depois ocorre um milagre. Eu acho que precisas de ser mais explícito aqui no segundo passo." Este único slide desmonta completamente os argumentos do Design Inteligente. Não existe mais nada para isso do que isto. (Aplausos) Pode dizer-se que um milagre ocorre. Só que isso não explica nada. Não oferece nada. Não existe nada para testar. É o fim da conversa para os criacionistas do Design Inteligente.
Enquanto que - e é verdade, os cientistas algumas vezes atiram termos como tapa-buracos linguísticos - energia negra ou matéria negra ou algo como isso. Até descobrirmos o que é, chamar-lhes-emos isto. É o início da cadeia causal para a ciência. Para os criacionistas do Design Inteligente, é o fim da cadeia. Portanto, mais uma vez, podemos perguntar isto - o que é mais provável - são os OVNIs naves espaciais ou erros de percepção cognitiva, ou até vigarices?
Este é uma foto de um OVNI tirada da minha casa em Altadena, na Califórnia, a olhar para Pasadena. E se isto se parece com uma grelha de um Buick, é porque é. Nem sequer é preciso o Photoshop, não é preciso equipamento de alta-tecnologia, não é preciso computador. Isto foi tirado com uma câmara descartável da Kodak. Só é preciso ter alguém de lado com uma grelha pronto a atirar. A câmara está pronta - é isso. (Risos)
Portanto, apesar de ser possível que a maior parte destas coisas seja vigarice ou ilusões ou algo do género, e que algumas delas sejam reais, é mais provável que todas elas sejam falsas, como os círculos das colheitas.
Numa nota mais séria, em toda a ciência estamos à procura de um equilíbrio entre dados e teoria. No caso de Galileu, ele teve dois problemas quando apontou o telescópio a Saturno. Primeiro, não existia nenhuma teoria de anéis planetários. E segundo, os seus dados eram desfocados e confusos, e ele não conseguiu realmente compreender o que é que estava a observar. Então ele escreveu o que tinha visto - "Eu observei que o planeta mais longínquo tem três corpos." E isto foi o que ele acabou por concluir ter visto. Portanto, sem uma teoria de anéis planetários e apenas com dados desfocados, não se pode ter uma boa teoria. E não foi resolvido até 1655.
Este é o livro do Christiaan Huygens no qual ele catalogou todos os enganos que as pessoas fizeram ao tentarem perceber o que se estava a passar em Saturno. Não aconteceu até - Huygens tinha duas coisas. Tinha uma boa teoria de anéis planetários e como é que o sistema solar operava. E depois, ele tinha um telescópio melhor, dados mais focados nos quais ele pôde perceber que a Terra se move mais rapidamente - de acordo com as Leis de Kepler - que Saturno, logo nós aproximamo-nos dele. E vemos as perspectivas dos anéis em ângulos diferentes. E isso, de facto, acabou por ser verdade.
Os problemas de ter uma teoria é que a teoria pode estar carregada de inclinações cognitivas. Portanto um dos problemas ao explicar porque é que as pessoas acreditam em coisas estranhas é que temos coisas num nível simples. E depois irei para uns mais sérios. Por exemplo, temos uma tendência para ver caras.
Esta é a face de Marte que foi - em 1976, onde houve um grande movimento para levar a NASA a fotografar essa área porque as pessoas pensavam tratar-se de arquitectura monumental feita pelos Marcianos. Bem, ao que parece - aqui está a aproximação de 2001. se semicerrarem os olhos ainda conseguem ver a cara. E quando estão a semicerrar, o que estão a fazer é estão a passar de focado para desfocado. E portanto, estão a reduzir a qualidade dos vossos dados. E se eu não vos dissesse o que procurar, vocês ainda iriam ver a cara, porque estamos programados pela evolução para ver caras.
As caras são importantes para nós socialmente. E, é claro, caras felizes. Caras de todo o tipo são fáceis de ver. (Risos) Podem ver a cara feliz de Marte, ali. Se os astrónomos fossem sapos talvez vissem o Sapo Cocas. Vêem-no ali? Pernas pequeninas de sapo. Ou se os geólogos fossem elefantes?
Iconografia religiosa. (Risos) Descoberto por um padeiro do Tennessee em 1996. Cobrou cinco dólares por cabeça para ver a freira de pão até que recebeu uma ordem para acabar com isso da parte do advogado da Madre Teresa. Aqui está a Nossa Senhora de Guadalupe e a Nossa Senhora de Watsonville, mesmo ao fim da rua. Ou é no início da rua daqui? A casca de árvore é particularmente boa porque é desfocada, difusa, manchas a preto-e-branco e conseguem obter o padrão - os humanos são animais que procuram padrões.
Aqui está a Virgem Maria numa janela em São Paulo. Agora, aqui está a Virgem Maria que fez a sua aparição numa sanduíche de queijo - que eu pude realmente segurar num casino de Las Vegas, é óbvio, isto passando-se na América. (Risos) Este casino pagou 28500 dólares no eBay por uma sanduíche de queijo. (Risos) Mas com quem é que se parece realmente, a Virgem Maria? (Risos) Tem aquela espécie de beicinho, aquele aspecto da década de 40.
A virgem Maria em Clearwater, na Flórida. Eu, na verdade, fui ver este. Estavam lá muitas pessoas - os fiéis vêm para estar nas suas - cadeiras-de-rodas e muletas, e coisas do género. E nós fomos investigar. Só para vos dar uma noção do tamanho - ali está Dawkins, eu e o espantoso Randi, ao lado desta imagem com um tamanho de dois andares e meio. Todas estas velas, milhares de velas que as pessoas haviam acendido em tributo a isto. Portanto caminhámos até à parte de trás, só para ver o que se estava a passar aqui, onde, ao que parece, sempre que existe um aspersor e uma palmeira, obtém-se o efeito. Aqui está a Virgem Maria na parte de trás, que eles começaram a limpar. Acho que só pode haver um milagre por edificio. (Risos) Portanto é realmente um milagre de Maria, ou é um milagre de Marge? (Risos)
Finalmente irei terminar com outro exemplo disto, com áudio - ilusões auditivas. Existe um filme, "White Noise", com o Michael Keaton, sobre os mortos a falarem connosco. Já agora, todo este negócio de falar com os mortos, não é lá grande coisa. Toda a gente consegue fazê-lo, ao que parece. Fazer os mortos responderem é que é a parte realmente dificil. (Risos)
Neste caso, supostamente, estas mensagens estão escondidas em fenómenos electrónicos. Existe uma página ReverseSpeech.com, onde fiz o download destas coisas. Aqui está em sentido normal - esta é a mais famosa de todas. Aqui está a versão normal daquela música muito famosa. Não conseguiriam ouvir isto o dia todo? (Risos)
Tudo bem, aqui está ao contrário, e vejam se conseguem ouvir as mensagens escondidas que supostamente existem. O que é que obtiveram?
Michael Shermer: Satanás? Ok, pelo menos obtivemos Satanás. Agora, irei aprimorar a parte auditiva do vosso cérebro ao dizer-vos o que é suposto ouvirem, e depois ouçam-no outra vez. (Risos) (Aplausos)
Não conseguem falhar quando eu vos digo o que lá está. (Risos)
Eu vou terminar com uma pequena e simpática história positiva sobre - Os Skeptics são uma organização educacional não lucrativa. Estamos sempre à procura de pequenas, boas coisas, que as pessoas façam.
E em Inglaterra, existe uma cantora pop. Uma das cantoras populares de top nos dias de hoje em Inglaterra, Katie Melua. E ela escreveu uma música linda. Esteve no top cinco em 2005, chamada, "Nine Million Bicycles in Beijing." É uma história de amor - ela é uma espécie de Norah Jones do Reino Unido - sobre o quanto ela amava o seu homem, e comparando com nove milhões e bicicletas, e por aí adiante. E ela tem esta passagem aqui.
♫ Estamos a 12 mil milhões de anos-luz da berma ♫
♫ Ninguém pode alguma vez dizer que é verdade ♫
♫ Mas eu sei que irei sempre estar contigo ♫
Bem, isso é bonito. Ao menos ela esteve perto. Na América seria, "Estamos a 6000 anos luz da berma."
Mas o meu amigo, Simon Singh, o físico de partículas, tornou-se um educador científico, e ele escreveu o livro "The Big Bang". Ele usa todas as oportunidades que tem para promover a boa ciência. E portanto, escreveu um artigo de opinião no The Guardian sobre a música da Katie, na qual disse, bem, nós sabemos exactamente o quão antigo, o quão longe estamos da berma. Vocês sabem, é 12 - é 13,7 mil milhões de anos-luz, e não é uma estimativa. Sabemos dentro de limites de erro muito precisos o quão perto é. E portanto, podemos dizer, apesar de não ser absolutamente verdade, que é muito perto de ser verdade.
E a Katie chamou-o depois do seu artigo de opinião ter saído. E disse, "Estou tão envergonhada. fui membro do clube de astronomia, e eu devia saber." E ela editou a música. Portanto irei terminar com a nova versão. ♫ Nós estamos a 13,7 mil milhões de anos-luz ♫ ♫ da berma do universo observável ♫ ♫ É uma boa estimativa com limites de erro bem definidos ♫ ♫ E com a informação disponível ♫ ♫ Eu prevejo que irei sempre estar contigo ♫ (Aplausos)
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