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Translated by Rodolfo Luis Dal Picolo
Reviewed by Debora Policarpo

0:11 Encaremos: Dirigir é perigoso. É uma das coisas que não gostamos de pensar a respeito, mas o fato de ícones religiosos e amuletos de boa sorte aparecerem nos painéis mundo afora revela o fato de que sabemos que isso é verdade. Acidentes automobilísticos são a principal causa de morte entre pessoas de 16 a 19 anos de idade nos Estados Unidos -- principal causa de morte -- e 75 por cento desses acidentes não tem nada a ver com drogas ou álcool.

0:48 Então o que acontece? Ninguém pode dizer com certeza, mas eu lembro do meu primeiro acidente. Eu era uma jovem motorista pela estrada, e o carro a minha frente, eu vi as luzes do freio acenderem. Pensei, "Certo, tudo bem, esse sujeito está diminuindo a velocidade, vou diminuir também." Eu piso no freio. Mas não, esse sujeito não está diminuindo de velocidade. Ele está parando, parando totalmente na estrada. Ele estava a 104 km/h -- e de repente zero? Eu pisei com toda a força nos freios. Senti o ABS entrar em ação, e o carro continuar indo, e ele não vai parar, e eu sei que ele não vai parar, e o air bag é acionado, o carro é totalmente destruído, e felizmente, ninguém se machucou. Porém eu não tinha ideia alguma que o carro estava parando, e penso que podemos fazer muito melhor que isso. Eu acho que podemos transformar a experiência de dirigir deixando nosso carros conversar entre si.

1:43 Só quero que vocês pensem um pouco sobre como é a experiência de dirigir hoje. Entre no seu carro. Feche a porta. Você está em uma redoma de vidro. Você de fato não pode sentir diretamente o mundo à sua volta. Você está nesse corpo estendido. Você tem a tarefa de navegá-lo por rodovias com visibilidade parcial, entre outros gigantes de metal, em velocidades sobre-humanas. Certo? E tudo o que você tem para guiá-lo são seus dois olhos. Certo, então isso é tudo que você tem, olhos que não foram projetados para essa tarefa, mas então as pessoas pedem para você fazer coisas como, você quer mudar de faixa, qual é a primeira coisa que eles pedem para você fazer? Tire seus olhos da estrada. Isso mesmo. Pare de olhar para onde você está indo, vire, verifique seu ponto cego, e dirija pela estrada sem olhar para onde você está indo. Você e todos os outros. Esse é o modo seguro de dirigir. Por que fazemos isso? Porque precisamos, precisamos fazer uma escolha, eu olho aqui ou olho aqui? O que é mais importante? E geralmente fazemos um trabalho fantástico determinando e escolhendo no que prestamos atenção na estrada. Mas ocasionalmente nós não notamos algo. Ocasionalmente nós sentimos algo errado ou tarde demais. Em inúmeros acidentes, o motorista diz, "eu não previ o que aconteceu." E eu acredito nisso. Eu acredito nisso. Nós só podemos ver até certo ponto.

3:06 Mas a tecnologia existente hoje pode ajudar-nos a melhorar isso. No futuro, com carros trocando informações entre eles, seremos capazes de ver não apenas três carros à frente e três carros atrás, à direita e à esquerda, ao mesmo tempo, vistos de cima, nós seremos capazes de ver dentro desses carros. Seremos capazes de ver a velocidade do carro à nossa frente, de ver o quão rápido esse sujeito está indo ou parando. Se esse sujeito está indo a zero, eu saberei.

3:37 E com computação e algorítimos e modelos prognósticos, seremos capazes de ver o futuro. Você pode pensar que isso é impossível. Como você pode prever o futuro? Isso é muito difícil. Na realidade não. Com relação à carros, não é impossível. Carros são objetos tridimensionais que possuem uma posição fixa e velocidade. Eles viajam por estradas. Geralmente eles viajam por rotas já catalogadas. Na verdade não é tão difícil fazer previsões razoáveis sobre onde um carro estará em um futuro próximo. Mesmo se, quando você está no seu carro e algum motociclista vem -- bshoom! -- a 140 km/h rasgando a pista -- Eu sei que vocês já tiveram essa experiência -- esse sujeito não "apareceu do nada". Esse sujeito estava na estrada provavelmente durante a última meia hora. (Risos) Certo? Quero dizer, alguém o viu. Quinze, 30, 50 quilômetros atrás, alguém viu esse sujeito, e assim que um carro veja esse sujeito e o ponha no mapa, ele está no mapa -- posição, velocidade, e boa estimativa que ele continuará a 140 km/h. Você saberá, porque seu carro saberá, porque esse outro carro terá sussurrado algo em sua orelha, como, "A propósito, cinco minutos, motociclista, tome cuidado." Você pode fazer previsões razoáveis sobre como os carros se comportam. Quero dizer, eles são objetos newtonianos. Isso é ótimo em relação à eles.

4:56 Então como chegamos lá? Podemos começar com algo tão simples como compartilhar nossa informação de posicionamento entre carros, apenas compartilhando GPS. Se eu tenho um GPS e uma câmera em meu carro, eu tenho uma ideia bem precisa de onde estou e o quão rápido estou indo. Com a visão do computador, eu posso estimar onde os carros à minha volta estão, mais ou menos, e onde eles estão indo. E a mesma coisa com os outros carros. Eles podem ter uma ideia precisa de onde estão, e uma noção de onde os outros carros estão. O que acontece se dois carros compartilham essa informação, se eles podem conversar um com o outro? Posso contar a vocês exatamente o que acontece. Ambos modelos melhoram. Todos ganham. Professor Bob Wang e seu time fizeram simulações por computador do que acontece quando estimativas vagas se combinam, até no tráfego leve, quando carros apenas compartilham informações de GPS, e nós deslocamos essa pesquisa para fora da simulação por computador e para dentro de simuladores robóticos que possuem os mesmos sensores que estão nos carros hoje nesses robôs: câmeras estéreo, GPS, e os lasers bidimensionais de análise de distância que são comuns em sistemas de backup. Nós também adicionamos um discreto rádio de ondas curtas, e os robôs conversam entre si. Quando esses robôs se encontram, eles rastreiam a posição de cada um deles precisamente, e eles podem evitar-se.

6:15 Nós agora estamos adicionando mais e mais robôs na mistura, e encontramos alguns problemas. Um dos problemas, quando você tem muitas conversas rápidas, é difícil processar todos os pacotes, então você tem que priorizar, e é onde o modelo preditivo ajuda você. Se seus carros robôs estão todos rastreando as trajetórias previstas, vocês não prestam tanta atenção a estes pacotes. Você prioriza aquele sujeito que parece estar indo um pouco fora de curso. Esse sujeito pode ser um problema. E você pode prever a nova trajetória. Desta forma você não só sabe que ele está saindo do curso, você sabe como. E você sabe quais motoristas alertar para que saiam do caminho.

6:49 E queríamos fazer -- como podemos alertar melhor todo mundo? Como os carros podem sussurrar, "Você precisa sair do caminho"? Bem, isso depende de duas coisas: primeiro, a habilidade do carro, e segundo, a habilidade do motorista. Se um sujeito tem carro realmente bom, mas eles estão ao telefone ou, vocês sabem, fazendo alguma coisa provavelmente eles não estão na melhor posição para reagir a uma emergência. Então começamos uma linha de pesquisa separada fazendo modelagem do estado do motorista. E agora, usando uma série de três câmeras, nós podemos detectar se um motorista está olhando para frente, olhando para longe, para baixo, ao telefone ou tomando um café. Podemos prever o acidente e podemos prever quem, quais carros, estão na melhor posição para saírem do caminho para calcular a rota mais segura para todos. Basicamente, essas tecnologias existem hoje.

7:43 Penso que o maior problemas que enfrentamos é nossa própria disposição de compartilhar nossas informações. Eu acho que é uma noção muito desconcertante, essa ideia que nossos carros estarão nos vigiando, falando de nós para outros carros, que nós estaremos indo em direção a um oceano de fofocas. Porém creio que isso pode ser feito de um modo que proteja nossa privacidade, como agora mesmo, quando eu olho para seu carro de fora, eu na verdade não conheço você. Se eu olhar o número de sua placa, eu não quem você é de verdade. Eu acredito que nossos carros podem falar de nós nas nossas costas.

8:18 (Risos)

8:21 E eu acho que será uma coisa ótima. Eu quero que vocês pensem por um momento se vocês realmente não querem que o adolescente distraído atrás de vocês saiba que vocês estão freando, que vocês vão parar completamente. Compartilhando nossas informações voluntariamente, podemos fazer o que é melhor para todos.

8:40 Então deixe seu carro fofocar sobre você. Isso vai fazer as estradas muito mais seguras.

8:46 Obrigada.

8:48 (Aplausos)