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Translated by Edgar Fernandes
Reviewed by Alessandro Almeida

0:12 Contava-se que o Kraken, uma besta aterrorizadora, podia devorar homens, navios e baleias, e era tão grande que podia ser confundido com uma ilha. Ao avaliar os méritos de tais contos, é provavelmente bom ter em mente o velho ditado marinheiro que a única diferença entre um conto de fadas e uma história dos mares é que um conto de fadas começa por "Era uma vez" e uma história de mar começa por "Isto é mesmo verdade." (Risos)

0:38 Cada peixe que consegue fugir cresce de cada vez que se conta a história. No entanto, há gigantes no oceano, e agora temos a prova de vídeo, como bem sabem aqueles que viram o documentário do canal Discovery.

0:52 Eu fui um dos três cientistas dessa expedição que ocorreu no verão passado ao largo da costa do Japão. Eu sou a mais baixa. Os outros dois são o Dr. Tsunemi Kubodera e o Dr. Steve O'Shea.

1:03 Devo ao TED a minha participação neste evento agora histórico. Em 2010, houve um evento do TED, chamado Missão Azul, realizado a bordo do Lindblad Explorer, nas Galápagos como parte do cumprimento do desejo TED de Sylvia Earle. Falei sobre uma nova forma de explorar o oceano, que se concentra em atrair animais, em vez de assustá-los. Mike deGruy também foi convidado, e falou com grande paixão do seu amor pelo oceano. Também me disse como aplicar a minha abordagem a algo em que ele esteve envolvido durante muito tempo, que é a procura da lula gigante. Foi o Mike quem me arranjou o convite para a Cimeira da Lula, uma reunião de peritos de lulas no canal Discovery, naquele verão, durante a Semana do Tubarão. (Risos)

1:52 Fiz uma palestra sobre observação discreta e atração ótica de lulas do oceano profundo na qual realcei a importância do uso de plataformas silenciosas e discretas para exploração. Isto resultou de centenas de mergulhos que fiz, vagueando no escuro, usando essas plataformas. Fiquei com a impressão de que via mais animais utilizando o submersível do que com qualquer um dos veículos manobrados por controlo remoto. Talvez fosse porque o submersível tinha um campo de visão mais amplo. Mas também senti que via mais animais a bordo do Tiburon do que do Ventana, dois veículos com o mesmo campo de visão mas com diferentes sistemas de propulsão.

2:32 Suspeitei que poderia ter algo a ver com a quantidade de ruído que eles fazem. Então montei um hidrofone no fundo do oceano, passei por eles à mesma velocidade e distância e gravei o som que eles fizeram. O Johnson Sea-Link... (Zumbido) ... que provavelmente mal podem ouvir aqui, usa propulsores elétricos — muito silenciosos. O Tiburon também usa propulsores elétricos. Também é bastante silencioso, mas um pouco mais ruidoso. (Zumbindo mais alto) Mas os ROVs de mergulho profundo usam agora motores hidráulicos e soam como o Ventana. (Sinal sonoro forte) Eu acho que isto assusta muitos animais.

3:10 Assim, para a procura da lula do oceano profundo, propus usar um isco ótico ligado a uma plataforma com câmara, sem propulsores nem motores, apenas uma câmara a pilhas, e como única iluminação uma luz vermelha que é invisível para muitos dos animais de profundidade que estão adaptados para ver principalmente o azul. É visível aos nossos olhos, mas é o equivalente aos infravermelhos no fundo do mar. Esta plataforma com câmara, a que chamamos Medusa, só podia ser empurrada da parte traseira do navio, ligada uma boia à superfície com mais de 2000 metros de linha. Flutuaria passivamente levado pelas correntes, e a única luz visível aos animais no fundo do mar seria a luz azul da isco ótico, a que chamamos medusa eletrónica, ou e-medusa, porque foi projetada para imitar o aspeto bioluminescente da medusa comum Atolla do oceano profundo.

4:12 Este catavento de luz que a Atolla produz é conhecido por "alarme bioluminescente de ataque" e é uma forma de defesa. As medusas eletrónicas funcionam como isco não porque a lula gigante coma medusas, mas porque a medusa só produz esta luz quando é mastigada por um predador e a sua única esperança de escapar pode ser atrair a atenção de um predador maior que vai atacar o seu atacante conseguindo assim uma oportunidade para escapar. É um grito de socorro, uma última tentativa para escapar, e uma forma comum de defesa no oceano profundo.

4:52 A abordagem funcionou. Enquanto todas as expedições anteriores não conseguiram um único vislumbre vídeo do gigante, nós conseguimos seis e o primeiro desencadeou um grande entusiasmo.

5:05 Edith Widder: Oh meu Deus! Oh meu Deus! Estás a brincar comigo? Outros cientistas: Oh! oh! oh! Está ali! Está ali mesmo, pendurada!

5:17 EW: Parecia que estava a provocar-nos, a fazer uma espécie de dança do leque — agora veem-me, agora não — e tivemos quatro dessas aparições provocadoras. Na quinta, voltou e espantou-nos totalmente.

5:31 (Música) Narrador: Olhem para isto.

5:38 Cientistas: Oh. Bang! Meu Deus! Uau!

5:49 (Aplausos)

5:50 EW: Tudo aquilo que esperávamos.

5:55 O que me fascinou nisto foi a maneira que veio sobre o e-medusa e seguidamente atacou a coisa enorme ao lado dele, que acho que ele confundiu com o predador do e-medusa.

6:04 Mas ainda mais incrível foram as imagens do submersível da Triton. O que não foi mencionado no documentário do Discovery foi o isco de lula que o Dr. Kubodera usou, uma lula diamante com um metro que tinha uma luz agarrada, como os "squid jig" usada na pesca com espinhel. Acho que foi essa luz que atraiu o gigante.

6:29 O que estão a ver é a perspetiva da câmara reforçada sob luz vermelha. É o que o Dr. Kubodera via quando o gigante chegou aqui. Ele ficou tão entusiasmado que virou a lanterna porque queria ver melhor, e o gigante não fugiu. Então ele arriscou ligar as luzes brancas sobre o submersível, trazendo uma criatura lendária da história enevoada para o vídeo de alta definição. Foi de cortar a respiração. Se este animal tivesse os tentáculos de alimentação intactos e totalmente estendidos, seria tão alto como uma casa de dois andares.

7:09 Como pôde algo tão grande viver no nosso oceano e nunca ter sido filmada até agora? Só explorámos cerca de 5% do nosso oceano. Ainda há grandes descobertas para ser feitas lá em baixo, criaturas fantásticas, que representam milhões de anos de evolução e possivelmente substâncias bioativas que poderiam beneficiar-nos de formas que ainda nem sequer imaginamos. Porém só gastámos uma minúscula fração do dinheiro gasto na exploração dos oceanos do que gastamos na exploração espacial. Precisamos de uma organização tipo NASA para a exploração do oceano, porque precisamos de explorar e proteger os nossos sistemas de suporte de vida aqui na Terra.

7:52 (Aplausos) Obrigada.

7:58 A exploração é o motor que impulsiona a inovação. A inovação impulsiona o crescimento económico. Então vamos todos explorar, mas vamos fazê-lo de forma que não assuste os animais ou, como Mike deGruy disse: "Se querem ficar longe de tudo "e ver algo que nunca viram, "ou ter uma excelente oportunidade de ver algo que nunca ninguém viu,

8:18 "entrem num submersível." Ele devia ter estado connosco nesta aventura. Sentimos a falta dele. (Aplausos)