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Translated by Isabel M. Vaz Belchior
Reviewed by Margarida Ferreira

0:11 Olá. Hoje gostaria de vos mostrar algumas obras em progresso. Como ainda estamos a realizar estas obras, estamos a trabalhar, em grande medida, nos domínios da intuição e do mistério. Vou então tentar descrever algumas das experiências que procuramos através de cada uma das obras.

0:26 A primeira obra chama-se "Imperial Monochromes". Um espetador entra desprevenido na sala e capta num relance estes painéis numa composição confusa na parede. Em segundos, como se os painéis tivessem reparado na presença do espetador, parecem entrar em pânico e endireitam-se numa simetria perfeita. (Risos) Este é o esboço dos dois estados. Um é o caos total. O outro é a ordem absoluta. E interessava-nos ver quão pouco é preciso para mudar de um estado para outro. Isto também nos recordou duas tradições pictóricas muito diferentes. Uma é os retábulos do século XV, e a outra é de cerca de há 100 anos, as composições abstratas de Malevitch. Vou dar-vos a ver um vídeo. Para vos dar um sentido de escala, o painel maior tem cerca de 2 m de altura. É mais ou menos por aqui. E o mais pequeno é um A4. Então, um espetador entra no espaço, e eles entram em sentido num instante. E depois de um bocado, se o espetador continuar a permanecer nesse espaço, os painéis vão como que ficar imunes à presença do visitante e tornam-se relaxados e autónomos outra vez, até sentirem uma presença na sala ou um movimento, aí voltam de novo a pôr-se em sentido. (Risos) Aqui parece que é o espetador que está a instigar, de alguma forma, a ordem nos painéis mas também pode ser ao contrário, os painéis estarem tão presos nos seus comportamentos pré-condicionados, que eles remetem para o espetador o papel de tirano.

1:58 Isto leva-me a uma obra mais sossegada, pequena, chamada "Handheld" [Seguro nas mãos]. O espetador vê um pedaço de papel que está montado na ponta final da parede, mas, quando nos aproximamos, vemos que é um A4 em branco, ou do tamanho de uma folha de papel de carta, que está segura de cada lado por duas pequenas mãos que parecem ter sido esculpidas com grande atenção e cuidado, a partir de um pequeno bloco de madeira. O espetador vê também que toda esta escultura está como que a mover-se muito ligeiramente, como se estas duas mãos estivessem a tentar segurar o papel com firmeza por um longo período de tempo, mas sem estarem a consegui-lo. Então, esta instabilidade no movimento assemelha-se de muito perto à natureza instável das imagens vistas através de uma câmara segura nas mãos. Aqui vou mostrar-vos dois videoclipes simultâneos. Um é através de uma câmara imóvel e o outro é através de uma câmara portátil. E vê-se imediatamente como a natureza instável do vídeo sugere a presença de um observador e de um ponto de vista subjetivo. Portanto, removemos apenas as câmaras e transferimos esse movimento para o painel. Aqui está um vídeo. Têm de imaginar a outra mão. Ainda não está lá. Mas para nós, estamos a tentar evocar um gesto discreto, como se houvesse uma pessoa pequenina de braços estendidos atrás deste enorme pedaço de papel. Isso, de certa forma, mostra a pressão de estar ao serviço do observador e de apresentar este pedaço de papel muito delicadamente ao espetador diante dele. (Risos)

3:26 A próxima obra é "Decoy" ["Chamariz"]. Este é um modelo em cartão, por isso o objeto é mais ou menos da minha altura. Tem um corpo arredondado, dois braços, e uma antena muito alta, como uma cabeça, e o seu único propósito é atrair atenção sobre si mesmo. Por isso, quando um espetador passa perto, ele inclina-se de um lado para o outro, e mexe os braços cada vez mais freneticamente à medida que a pessoa se aproxima. Então, aqui está o primeiro cenário de teste. Veem-se os dois movimentos integrados, e o objeto parece estar a aplicar todo o seu ser nesta expressão de desespero. (Risos) Mas a ideia é: uma vez conseguida a atenção da pessoa, ele desinteressa-se e procura a pessoa seguinte a quem chamar a atenção. (Risos) Este é o corpo fabricado final do Decoy. Parece ser fabricado em massa como se tivesse vindo de uma fábrica como os aspiradores e as máquinas de lavar. Como estamos sempre a trabalhar a partir de um espaço muito pessoal, gostamos de ver como esta estética do consumo de certo modo despersonaliza o objeto, e nos dá alguma distância na sua aparência, pelo menos. E assim, para nós, este é um ser com o seu quê de sinistro que nos está a tentar distrair das coisas que precisam da nossa atenção, mas também pode ser uma figura que precise de muita ajuda. A próxima obra é um objeto, que também é uma espécie de instrumento de som. Na forma de um anfiteatro à escala do tamanho de uma audiência tal como é apercebido por alguém que esteja no palco. De onde me encontro, cada um de vós parece ser deste tamanho, e a audiência enche o campo inteiro da minha visão. Sentadas nesta audiência estão 996 pequenas figuras. Elas são mecanicamente capazes de aplaudir de livre e espontânea vontade. Isto significa que cada uma delas pode decidir se e quando querem aplaudir, se muito, se pouco e por quanto tempo, como querem ser influenciadas pelas outras à sua volta ou influenciar as outras, e se querem contribuir para a inovação. Então, quando o espetador se posicionar em frente da audiência, haverá uma resposta. Podem ser alguns aplausos ou um forte aplauso, e depois, nada acontece até o espetador sair do palco, e de novo a audiência vai reagir. Pode ser qualquer coisa, desde uns aplausos tímidos de membros da audiência, ou pode ser uma enorme ovação. Portanto, para nós, penso que estamos realmente a olhar para uma audiência como o seu próprio objeto ou o seu próprio organismo que também possui uma qualidade quase musical em si, um instrumento. Então o espetador pode tocá-lo através da descoberta de padrões muito complexos e variados de nuances musicais ou de som, mas não pode realmente provocar a audiência para obter um tipo particular de resposta. Há, então, um sentido de juízo e de capricho e de falta de à vontade envolvidos. Também tem qualidades de sedução e de cilada. Aqui podem ver como estamos bastante entusiasmados com a imagem da cabeça a dividir-se ao meio para formar as duas mãos. Aqui está uma pequena animação visual, como se os dois lados do cérebro fossem embater um no outro, para compreenderem a dualidade e a tensão. E aqui está um protótipo. E mal podemos esperar que seja engolido por 996 deles.

6:37 Ok, esta é a última obra. Chama-se os "Framerunners". Surgiu da ideia de uma janela. Esta é uma janela verdadeira no nosso estúdio, e, como podem ver, é feita de três diferentes espessuras de secções de madeira. Então usámos o mesmo vocabulário da janela para construirmos a nossa moldura ou grade suspensa na divisão e que pode ser vista dos dois lados. Esta grade está habitada por uma tribo de pequenas figuras. Elas foram feitas em três tamanhos diferentes, como que para sugerir um tipo de perspetiva ou paisagem na superfície plana. Cada uma destas figuras pode também correr para trás e para a frente no trilho e esconder-se atrás de dois trilhos adjacentes. Portanto, em contraste com esta grade muito rígida, quisemos dar a estas figuras uma qualidade muito cómica da comédia física "Slapstick", como se um titereiro as tivesse levado e fisicamente animado ao longo do caminho. Gostamos da ideia destas figuras irem ficando para trás como se fossem esquecidas e sem preocupações, eternas otimistas e satisfeitas, até sentirem um movimento da parte do espetador, aí correm a esconder-se atrás da parede mais próxima. Portanto, para nós, esta obra também representa a sua própria contradição. Estas figuras estão de certa forma prisioneiras nesta grade muito forte, que é como uma prisão, mas também como uma fortaleza, porque lhes permite serem esquecidas e ingénuas e sem preocupações e bastante esquecidas do mundo exterior. Todas estas qualidades da vida real de que estou a falar são traduzidas para uma configuração técnica muito específica, e tivemos muita sorte em colaborar com a ETH Zurich no desenvolvimento do primeiro protótipo. Podem ver que eles extraíram as engrenagens de movimento das nossas animações e criaram um balançar que integrou o movimento para cima e para baixo da cabeça e o movimento para trás e para a frente. É mesmo bastante pequeno. Podem ver que cabe na palma da minha mão. Então, imaginem o nosso entusiasmo quando o vimos mesmo a trabalhar no estúdio, e aqui está ele.

8:33 (Risos)

8:36 Obrigada.

8:37 (Aplausos)