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Translated by Carolina Ferreira
Reviewed by Priscilla Prabhukeluskar

0:11 Gostaria de re-imaginar a educação. O ano passado assistiu à invenção de uma nova palavra de quatro letras. Começa com um M. MOOC: cursos "online" abertos em massa (Massive Open Online Courses). Muitas organizações oferecem estes cursos "online" a estudantes de todo o mundo, aos milhões, de forma gratuita. Qualquer pessoa que tenha uma ligação à Internet e vontade de aprender, pode aceder a estes óptimos cursos de excelentes universidades e receber um certificado no final. Nesta conversa de hoje, vou focar-me em diversos aspectos dos MOOCs. Pegamos no que estamos a aprender e nas tecnologias que estamos a desenvolver em massa e aplicamo-las em pequena escala para criar um modelo combinado de educação para verdadeiramente re-inventar e re-imaginar o que fazemos na sala de aula.

1:04 As nossas salas de aulas já podiam ser modificadas. Então, aqui está uma sala de aula neste instituto de apenas três letras no Nordeste dos EUA, MIT. E isto é uma sala de aula de há cerca de 50 ou 60 anos, e isto é uma sala de aula nos dias de hoje. O que é que mudou? Os lugares são às cores. Viva! A educação realmente não mudou nos últimos 500 anos. A última grande inovação na educação foi a impressão e os manuais. Tudo o resto à nossa volta mudou. Sabem, desde a saúde aos transportes, tudo é diferente, mas a educação não mudou.

1:46 Tem sido efectivamente um problema em termos de acesso. Então o que aqui vêem não é um concerto de "rock". E a pessoa que vêem na ponta do palco não é a Madonna. Isto é uma sala de aula na Universidade Obafemi Awolowo, na Nigéria. Agora, todos já ouvimos falar em educação à distância, mas os estudantes lá do fundo, a 60 metros do professor, parece-me que estão a ter uma educação à distância. Agora, acredito realmente que podemos transformar a educação, tanto em qualidade, escala e acesso, através da tecnologia. Por exemplo, na edX, estamos a tentar transformar a educação através de tecnologias "online". Considerando que a educação tem estado calcificada há quinhentos anos, não podemos, de facto, pensar em reestruturá-la, com uma micro-gestão. Temos realmente de re-imaginá-la na totalidade. É como passar de carroça para avião. Até a infra-estrutura tem de mudar. Tudo tem de mudar. Temos de passar de lições no quadro para exercícios "online", vídeos "online". Temos de ir para laboratórios virtuais interactivos e usar técnicas aplicadas em jogos. Temos de ir para classificações exclusivamente "online", interacção de pares e fóruns de discussão. Tudo tem de verdadeiramente mudar.

3:07 Então, na edX e noutras organizações, estamos a aplicar estas tecnologia na educação através dos MOOCs para realmente aumentar o acesso à educação. E conhecem este exemplo, quando lançámos o nosso primeiro curso — e este foi um difícil curso do MIT de circuitos e electrónica — há cerca de ano e meio, 155 000 estudantes de 162 países inscreveram-se neste curso. E não tínhamos qualquer orçamento para "marketing". Agora, 155 000 é um grande número. É um valor maior do que o total de alunos do MIT na sua história de 150 anos. 7 200 estudantes passaram no curso, e este era um curso difícil. 7 200 é também um número alto. Se eu desse aulas no MIT, dois semestres em cada ano, teria de dar aulas por 40 anos até conseguir ter tantos alunos.

4:04 Estes elevados números são apenas uma parte da história. E então hoje quero discutir um aspecto diferente, o outro lado dos MOOCs, olhar numa perspectiva diferente. Estamos a pegar no que desenvolvemos e aprendemos em larga escala e aplicamo-lo na pequena escala na sala de aula, para criar um modelo combinado de aprendizagem.

4:22 Mas antes de entrar por aí, deixem-me contar-vos uma história. Quando a minha filha fez 13 anos, tornou-se uma adolescente, ela deixou de falar inglês e começou a falar uma nova língua. Chamo-a de "adolescentês". É uma língua digital. Tem dois sons: o grunhido e o silêncio.

4:49 "Querida, vem jantar."

4:52 "Hmm."

4:54 "Ouviste?"

4:56 Silêncio. (Risos)

4:58 "Consegues ouvir-me?"

5:00 "Hmm."

5:01 Tínhamos então um sério problema de comunicação e basicamente não estávamos a comunicar, até que um dia tive uma epifania. Enviei-lhe uma sms. (Risos) Recebi uma resposta imediata. E disse, não, isto deve ter sido um engano. Ela deve ter pensado, sabem, que algum amigo estava a chamá-la. Então voltei a enviar uma sms. Pumba, outra resposta. Eu disse, isto é óptimo. E então desde essa altura, a nossa vida mudou. Envio-lhe uma sms, ela responde. Tem sido realmente fantástico. (Aplausos)

5:35 Então a nossa geração do milénio é construída de forma diferente. Agora, eu sou mais velho e a minha jovem aparência poderá desmentir isso, mas eu não pertenço à geração do milénio. Mas os nossos filhos são realmente diferentes. A geração do milénio está completamente confortável com a tecnologia "online". Então porque é que estamos a lutar na sala de aula? Não vamos lutar. Vamos acolhê-la. De facto, acredito — e tenho dois grandes polegares, não escrevo sms muito bem — mas estou disposto a apostar que, com a evolução, os nossos filhos e os seus netos irão mesmo desenvolver polegares muito, muito pequenos, pequeníssimos para poderem enviar mensagens mais facilmente, que a evolução vai corrigir tudo isso. Mas e se abraçarmos a tecnologia, abraçarmos as preferências naturais da geração do milénio e realmente pensarmos em criar estas tecnologias "online", incluí-las nas suas vidas. Aqui está o que podemos fazer. Em vez de empurrarmos os nossos filhos para uma sala de aula, reuni-los por lá às 8 h da manhã eu odiava ir para as aulas às 8 h da manhã, então porque é que estamos a obrigar os nossos filhos a fazê-lo? Então, em alternativa o que podem fazer é pô-los a ver vídeos e a fazer exercícios interactivos no conforto dos seus dormitórios, nos seus quartos, na sala de jantar, na casa de banho, onde quer que eles sejam mais criativos. Depois vêm para a sala de aula para alguma interacção pessoal. Podem ter discussões entre eles Podem resolver problemas juntos. Podem trabalhar com o professor e ter o professor a responder às suas questões. De facto, com edX, quando estávamos a leccionar o nosso primeiro curso de circuitos e electrónica, em todo o mundo, isto estava a acontecer à nossa revelia. Dois professores do secundário na escola Sant High, na Mongólia alteraram a sua sala de aula e estavam a usar as nossas lições em vídeo e exercícios interactivos, enquanto os alunos da escola secundária, de 15 anos, reparem, faziam estes exercícios nas suas casas e vinham para as aulas, como podem ver nesta imagem, interagiam uns com os outros e faziam trabalho de laboratório. E o único motivo para termos descoberto isto foi que escreveram um blog e nós acabámos por dar com ele.

7:33 Estávamos também a fazer outros projectos-piloto. Então fizemos um piloto experimental de cursos combinados, com a Universidade de San Jose, na Califórnia, novamente com o curso de circuitos e electrónica. Irão ouvir isto muitas vezes. Esse curso tornou-se uma espécie de placa de Petri da aprendizagem. Então aí, os estudantes, novamente, os instrutores viraram a sala de aula, combinando "online" e presencial e os resultados foram impressionantes. Agora, não valorizem ainda estes resultados. Aguardem um pouco para testarmos mais, mas os primeiros resultados são incríveis. Então, tipicamente, semestre após semestre, nos últimos anos, este curso, novamente, um curso difícil, teve uma taxa de chumbos de cerca de 40 a 41% cada semestre. Com esta aula combinada no ano passado, a taxa de chumbo caiu para 9%. Assim, os resultados podem ser mesmo muito bons.

8:26 Agora, antes de avançarmos mais com isto, gostaria de passar algum tempo a discutir algumas ideias-chave. Quais são as ideias-chave que fazem tudo isto funcionar?

8:37 Uma é a aprendizagem activa. A ideia aqui é, em vez de ter estudantes a irem para as aulas assistir a palestras, substituímos isto com aquilo a que chamamos lições. As lições são sequências intercaladas de vídeos e exercícios interactivos. Então um estudante pode assistir a um vídeo de cinco, sete minutos e prosseguir com um exercício interactivo. Pensem nisto como a derradeira socratização da educação. Ensinam enquanto fazem perguntas. E isto é uma forma de aprendizagem chamada de aprendizagem activa, promovida por uma publicação muito antiga, em 1972, de Craik e Lockhart, na qual descobriram e disseram que a aprendizagem e a retenção estão realmente ligadas à profundidade do processamento mental. Os estudantes aprendem muito melhor quando interagem com o conteúdo.

9:21 A segunda ideia é o ritmo pessoal. Agora, quando eu ia para uma sala de aula, se forem como eu, lá para o quinto minuto perdia o professor. Eu não era assim tão esperto e começava a baralhar tudo, a tirar notas e então perderia o resto da aula. Em vez disso, não seria bom que, com as tecnologias "online", oferecêssemos aos alunos vídeos e exercícios interactivos? Poderiam carregar no botão da pausa. Podem fazer o professor voltar atrás. Bolas, até podem tirar o som ao professor. Então esta forma de ritmo pessoal pode ajudar muito a aprendizagem.

9:54 A terceira ideia que temos é a resposta imediata. Com a resposta instantânea, o computador classifica os exercícios. Quero dizer, de que outra forma é possível ensinar 150 000 estudantes? O vosso computador é que dá notas a todos os exercícios. Todos nós já entregámos trabalhos de casa e as notas chegam duas semanas depois, já nos esquecemos de tudo aquilo. Acho que ainda não recebi todos os meus trabalhos de casa dos tempos da minha escola secundária. Alguns nunca são avaliados. Então com a reposta imediata, os estudantes podem tentar dar respostas. Se se enganam, têm resposta imediata. Podem repetir e tentar de novo e isto torna-se realmente muito mais cativante. Eles recebem resposta imediata e esta pequena marca verde que aqui vêem está a tornar-se uma espécie de símbolo de culto na edX. Os estudantes dizem-nos que se vão deitar à noite a sonhar com esta marca verde. Na verdade, um dos nossos estudantes que frequentou o curso de circuitos no ano passado, frequentou depois um curso de "software" de Berkeley no final do ano e isto é o que o estudante teve para dizer no nosso fórum de discussão quando começou esse curso acerca da marca verde: "Oh meu Deus; como tive saudades tuas." Qual foi a última vez que viram estudantes a escrever comentários como este acerca de trabalhos de casa? O meu colega Ed Bertschinger, que lidera o departamento de física no MIT, tem o seguinte a dizer acerca da resposta imediata: ele diz que a resposta imediata torna os momentos de ensinamento em resultados de aprendizagem.

11:21 A próxima grande ideia são as técnicas aplicadas em jogos. Reparem, todos os estudantes se envolvem bastante bem com vídeos interactivos e coisas dessas. Sabem, eles sentam-se e disparam sobre naves alienígenas durante todo o dia até acertarem. Então aplicámos estas técnicas de jogos à aprendizagem e podemos construir estes laboratórios "online". Como é que se ensina criatividade? Como é que se ensina "design"? Podemos fazer isto através de laboratórios "online" e usar as capacidades do computador para os construir. Então como nos mostra este pequeno vídeo, podem cativar os estudantes basicamente como fazem com os Legos. Então aqui os estudantes estão a construir um circuito com a facilidade de um Lego. E isto também pode ser classificado pelo computador.

11:55 A quinta é a aprendizagem com os pares. Então aqui usamos fóruns de discussão e interacção à semelhança do Facebook não como uma distracção. mas para realmente ajudar os estudantes a aprender. Deixem-me contar-vos uma história. Quando fizemos o curso de circuitos para os 155 000 estudantes, não dormi durante três noites para o lançamento do curso. Disse aos meus assistentes, ok, 24 sobre 24 horas, vamos estar acordados a monitorizar o fórum, a responder a questões. Eles responderam a perguntas de 100 estudantes. Como é que isso se faz para 150 000? Então numa noite lá estou eu acordado, às 2 h da manhã e surge uma pergunta de um estudante no Paquistão, ele colocou uma questão e eu pensei, ok, deixem-me lá então escrever a resposta, não escrevo assim tão rápido, comecei a escrever a resposta e antes de conseguir acabar, outro estudante do Egipto surgiu com uma resposta, não estava muito certa, então começo a alterar a resposta e antes de conseguir acabar, um estudante dos EUA aparece com uma resposta diferente. E sento-me para trás, fascinado. Boom, boom, boom, boom, os estudantes estavam a discutir e a interagir uns com os outros e lá para as 4 h de manhã estou totalmente fascinado, a ter uma epifania, às 4 h da manhã eles descobriram a resposta correcta. E tudo o que precisei de fazer foi ir validá-la, "Boa resposta". Então isto é absolutamente surpreendente, os estudantes estão a aprender uns com os outros e estão a dizer-nos o que estão a aprender por ensinarem.

13:17 Agora, isto não é só no futuro. Isto está a acontecer hoje. Então estamos a aplicar estes pilotos de aprendizagem combinada num número de universidades e escolas secundárias em todo o mundo, desde Tsinghua, na China à Universidade Nacional da Mongolia, na Mongolia à Berkeley, na Califórnia — em todo o mundo. E estes tipos de tecnologias realmente ajudam, o modelo combinado pode mesmo ajudar, a revolucionar a educação. Podem também resolver um problema prático dos MOOCs, o lado do negócio. Podemos também licenciar estes cursos MOOC a outras universidades e aí reside um modelo de receita para os MOOCs, no qual a universidade que os licencia com o professor pode usar estes cursos "online" como o manual da próxima geração. Podem usá-los tanto quanto queiram, tornando-se uma ferramenta no arsenal do professor.

14:04 Por fim, gostaria que ter-vos a sonhar comigo um bocadinho. Gostaria que realmente re-imaginássemos a educação. Teremos de mudar-nos das salas de aulas para espaços "online". Temos de mudar os livros para tablets como o Aakash na índia ou o Raspberry Pi, 20 dólares. O Aakash custa 40 dólares. Temos de mudar de escolas em edifícios de tijolo e cimento para dormitórios digitais.

14:32 Mas acho que no final de contas, creio que precisamos ainda de uma sala de aula nas nossas universidades. De outra forma, como poderemos contar aos nossos netos que os seus avós se sentavam nessa sala em pequenas filas, como pés de milho, e assistiam ao professor lá ao fundo a falar acerca dos conteúdos e sabem que nem tínhamos botão para retroceder?

14:55 Obrigado.

14:58 (Aplausos)

15:00 Obrigado. Obrigado (aplausos)